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Arquivos Acessibilidade 101 - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/acessibilidade-101/ Tue, 17 Sep 2024 17:27:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.png Arquivos Acessibilidade 101 - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/acessibilidade-101/ 32 32 O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência https://sondery.com.br/o-papel-dos-professores-na-inclusao-de-alunos-com-deficiencia/ Tue, 17 Sep 2024 17:25:48 +0000 https://sondery.com.br/?p=2491 O post O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.

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Imagem de fundo branco com a ilustração de um professor observando seus alunos jogando bola. Na parte central direita há uma ilustração de uma menina sentada em uma cadeira de rodas. Ela tem suor no rosto e semblante triste. Ela segura uma pilha de roupas.


Vira e mexe vídeos de docentes apaixonados pelo que fazem viralizam nas redes sociais. Entre eles professores de educação física que adaptaram suas aulas para que seus alunos com alguma deficiência sejam incluídos nas atividades realizadas dentro da quadra. Sempre que um desses vídeos aparece na minha timeline penso nos meus anos escolares.

Quando a educação física passou a fazer parte da minha grade curricular nem os professores nem a escola sabiam – e não tinham interesse em saber – o que fazer comigo. A inclusão ficava por conta dos meus colegas de classe, que se esforçavam para que eu pudesse participar das aulas junto com eles. Eu me sentia de fato incluída e me divertia muito, mesmo quando a brincadeira terminava comigo caindo da cadeira de rodas (para desespero da minha mãe).

Porém, à medida que íamos crescendo, meus colegas passaram a não ter mais tanta paciência com a minha mobilidade reduzida e com meu tempo de fazer as atividades e a educação física passou a não ser mais tão divertida assim. Conversei com minha mãe e com o ortopedista e, juntos, chegamos a conclusão de que era o momento de pedir dispensa.

Nessa escola eu podia ficar na sala de aula enquanto eles estavam na quadra e aproveitava esse tempo para ler um livro ou adiantar a lição de casa (sim, eu era CDF). Mas na escola que eu fui estudar três anos depois não podia. Eu precisava estar dentro de quadra, mesmo que não fosse participar da aula e ficasse perto das arquibancadas. Não demorou muito para que minha cadeira de rodas virasse o cabideiro da turma.

Um tempo depois entrou um novo professor de educação física na escola. Após um período de observação, o professor Ricardo sentou perto de mim e perguntou se eu gostaria de aprender a apitar as partidas das modalidades (futebol, vôlei, basquete, handebol, etc) que ele estava ensinando para meus colegas. Eu disse que sim. E naquela aula mesmo começou meu aprendizado em arbitragem.

Em nenhum momento passou pela minha cabeça virar árbitra um dia. Acho que eu nem sabia naquela época que era uma profissão. O que me levou a responder sim foi única e exclusivamente a vontade que eu tinha de que aqueles cinquenta minutos passassem mais rápido. E o tempo não só voava, como eu voltei a me divertir e me sentir incluída. Isso para mim era tudo que importava.

Hoje, eu já não lembro as regras de todos os esportes, mas gosto muito de acompanhá-los pela TV, principalmente, o futebol (também por causa do meu pai) e o vôlei, quase sempre sozinha, prestando atenção em cada movimento dos atletas e dos juízes.

Olhando em retrospecto, muitos anos depois de ter concluído a escola, no que diz respeito à inclusão, infelizmente tive mais exemplos negativos do que positivos. Mas, por causa do professor Ricardo, eu acredito que para crianças com deficiência dessa e das próximas gerações o inverso pode ser possível e todo vez que um desses vídeos aparece na minha timeline eu desejo que a inclusão de alunos com alguma deficiência seja tão natural que não precise viralizar nas redes sociais por acontecer, que a inclusão não seja uma preocupação apenas dos professores de educação física, mas sim de todos os professores e que nenhuma criança deseje que as aulas terminem logo por se sentir excluída.

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O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer https://sondery.com.br/o-grande-glossario-da-acessibilidade-e-inclusao/ Thu, 19 Jan 2023 20:18:27 +0000 https://sondery.com.br/?p=2368 Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo.       Capacitismo é toda forma de preconceito […]

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Imagem retangular na horizontal. A imagem é uma foto de uma rua no período da noite. Em primeiro plano, do lado direito da foto, tem um semáforo retangular e vertical preto com três círculos luminosos um embaixo do outro também na vertical. As três luzes - vermelho, amarelo e verde - estão acesas e tem o símbolo de pessoa com deficiência no centro. Em segundo plano é possível ver uma rua com faixas e uma bicicleta na cor branca no asfalto cinza escuro, postes de luz no lado esquerdo, no centro e no lado direito da foto. , uma de cada lado. Também é possível ver pedaços do céu preto nas partes superiores direita e esquerda. Na parte lateral esquerda uma construção bege com várias janelas.


Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo. 
    

Capacitismo é toda forma de preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência. Segundo Ivan Baron, influenciador, pessoa com deficiência e escritor do livro Guia Anti Capacitista, existem três tipos de capacitismo: 

  • Capacitismo Médico: Se refere ao uso equivocado de palavras como “doença” e “doente” para se referir à deficiência ou à pessoa com deficiência.
  • Capacitismo Recreativo: Se refere àquelas brincadeiras de mau gosto envolvendo deficiências com o objetivo de “divertir as pessoas”. O tipo de capacitismo mais comum na sociedade.
  • Capacitismo Institucional: Se refere tanto à falta de acessibilidade nos ambientes quanto à contratação de pessoas com deficiência por organizações que só querem atingir a cota e não as tratam com equidade em relação aos colaboradores sem deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de garantir os direitos das pessoas com deficiência no Brasil, pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além de punição, é preciso que haja mudança de pensamento e de vocabulário.

Pensando nisso, a Sondery criou O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos, para incentivar mais empresas e agências a utilizarem expressões adequadas não só no seu conteúdo externo como também internamente, em conversas e reuniões.

Glossário de termos de inclusão e acessibilidade

Não use estas palavrasUse estas palavras
AnãoPessoa com Nanismo
Anjo, Aleijado, AleijadinhoPessoa com deficiência
Braço curtoPessoa sem proatividade
Capenga[depende do contexto]
Cadeira elétricaCadeira motorizada
Criança especial , excepcionalCriança com deficiência intelectual
CeguinhoPessoa com deficiência visual, cego ou baixa visão (caso você tenha essa informação)
Dar uma de joão sem braçoPessoa sem proatividade
Dar uma mancada[depende do contexto]
Defeituoso, deformado, doente, doentinho, doente mentalPessoa com deficiência
Escola normalEscola regular
Guerreiro (a)[depende do contexto]
Incapacitado, Inválido, Inútil, IdiotaPessoa com deficiência
Língua dos sinais, linguagem de sinaisLíngua de Sinais ou Libras (sempre com L maiúsculo)
ManetaPessoa com deficiência física
MancoPessoa com deficiência física
Mongol ou mongolóidePessoa com síndrome de Down
MudinhoSe estiver se referindo a uma pessoa surda, usar pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva.
NormalPessoa sem deficiência
Necessidades especiaisPessoa com deficiência
PernetaPessoa com deficiência física
Pessoa normalPessoa sem deficiência
Portador de deficiência ou Portador de necessidades especiaisPessoa com deficiência
Retardado mentalPessoa com deficiência
Surdo-mudoSurdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva


Por que não usar estes termos

“Portador de deficiência”, “Portador de necessidades especiais”: É errado porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa. 

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência.

Aleijado”, “Perneta”, “Manco”, “Maneta”: É errado porque reforça a ideia de que ter uma deficiência é um defeito ou uma coisa ruim .

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência física.

“Surdo-mudo”, “Mudinho”: É errado porque a surdez não causa nenhum prejuízo ao aparelho fonador. Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser oralizada sem problema algum.  Existem, sim, pessoas com deficiências múltiplas – duas ou mais deficiências ao mesmo tempo -, mas não significa que uma é causa da outra.

O que usar para substituir: Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva.

“Mongol”, “Mongoloide”, “Retardado mental”: É errado porque o termo é usado para ofender pessoas chamando-as de “idiotas”, “babacas” e dá a entender que deficiência intelectual é sinônimo de falta de inteligência.

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência intelectual.

É importante também que pessoas com deficiência parem de ser chamadas de “coitadas” porque elas não são e não querem ser vistas como infelizes ou vítimas de sofrimento, e que a palavra “deficiência” pare de ser usada como sinônimo de “falta” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, etc) e antônimo de eficiência.

Falta de vitaminas ou nutrientes não é algo bom para o organismo. Quando se relaciona algo ruim com deficiência, mesmo inconscientemente, está sendo reafirmado que ter uma deficiência também é ruim. E isso não é verdade. Muito menos o oposto de eficiência. O contrário de eficiência é ineficiência.

Além de mudar o seu jeito de pensar e falar, converse sobre o assunto e estimule as pessoas ao seu redor a mudarem também.  

A gente sabe que desconstruir preconceitos disfarçados de “brincadeiras” é difícil. Não é do dia para a noite que a gente vai acabar com algo que está enraizado no inconsciente da sociedade. Mas mostrar para todos que estes termos são ofensivos e que continuar a usá-los só propaga o preconceito contra as pessoas com deficiência é o primeiro passo.

Se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.

Recomendações de Leitura

  • Guia Anti Capacitista – Ivan Baron
  • Capacitismo: O mito da capacidade – Victor Di Marco
  • Disfigured: On fairy tales, disability, and making space – Amanda Leduc
  • Disability Visibility: first-person stories from the twenty-first century – Alice Wong

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O processo criativo através da acessibilidade https://sondery.com.br/o-processo-criativo-atraves-da-acessibilidade/ Tue, 20 Dec 2022 15:23:42 +0000 https://sondery.com.br/?p=2361 No sétimo episódio do SonderyCast nós trouxemos o áudio da palestra que a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, deu no Link. Olá pessoal, para quem ainda não me conhece eu sou a Ana Clara Schneider, a fundadora da Sondery. E eu quero começar me descrevendo: eu sou uma mulher branca de cabelos castanhos cacheados […]

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Imagem com fundo rosa com círculos azul claro, branco e azul escuro. Há o texto "07 o processo criativo através da acessibilidade".

No sétimo episódio do SonderyCast nós trouxemos o áudio da palestra que a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, deu no Link.

Olá pessoal, para quem ainda não me conhece eu sou a Ana Clara Schneider, a fundadora da Sondery. E eu quero começar me descrevendo: eu sou uma mulher branca de cabelos castanhos cacheados longos, eu tenho sobrancelhas arqueadas, olhos castanhos, nariz redondo, boca rosa; eu tô usando um batom pra deixar a boca um pouco mais rosa. Estou usando um colar de bolas cor caramelo e uma blusa branca de manga longa. Atrás de mim tem uma parede branca com quadros, espelhos, uma estante com livros. Ao meu lado direito tem uma planta e ao meu lado esquerdo uma poltrona cinza e uma janela, que tá fechada.

E eu quero dizer que é um prazer estar aqui de novo no LINK, este evento que eu sou fã de carteirinha, acompanho desde a primeira edição. E hoje eu tô aqui para falar sobre o processo criativo através da acessibilidade. E embora essa reflexão possa ser usada em todos os tipos de projetos, hoje os meus exemplos aqui estão bastante voltados para a comunicação. Mas você que está assistindo pode adaptar para o seu universo, para o seu trabalho, para o seu dia a dia, da forma como fizer sentido para você, combinado?

Mas, antes de falar de processo criativo, eu queria explicar um pouquinho, a gente precisa entender o cenário da representatividade de pessoas com deficiência no universo de comunicação e publicidade das marcas.

E eu vou começar trazendo esse dado da pesquisa global chamada Wethe15 de que 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência. Segundo o comitê paralímpico dos jogos de Tóquio, eles lançaram esse filme e junto com uma série de instituições internacionais para jogar luz a esse público em potencial muito grande, representativo, de 15% da população mundial. Isso representa 1,2 bilhão de pessoas. Então é um grupo bastante representativo.

Se a gente for olhar para os Estados Unidos, existe também uma pesquisa bastante recente na Nielsen, que mostra que 26% da população norte-americana tem algum tipo de deficiência. Então a gente já entendeu que é um grupo bastante grande. Mas quando a gente olha para a representatividade nas comunicações, publicidades, em comerciais de marcas, estas pessoas não aparecem. Nos Estados Unidos, embora 26% da população tenha algum tipo de deficiência, ela só aparece em 1% dos anúncios no horário nobre, na TV e na internet. 1% contra 26% é uma conta que não bate, né? E pior ainda, desses filmes dentro desse 1%, a maior parte, mais da metade, são relacionadas ao universo de farmácia, de saúde, de reabilitação, de cuidados… então, ainda atrelando a imagem da deficiência a um universo mais voltado somente para a saúde ou doença ou cuidados e não quebrando o estereótipo de que pessoas com deficiência também curtem outras coisas: lazer, entretenimento, esportes, cultura e tudo mais. Então é um cenário que a gente precisa entender e prestar atenção pra poder quebrar esse caminho e começar a mudar os rumos dessa história.

E quando a gente vem aqui pro Brasil, existe a Aliança Sem Estereótipos, que é uma iniciativa na ONU Mulheres, junto a algumas instituições do Brasil também, e há 6 anos eles fazem uma pesquisa chamada Todxs, feita pela agência Heads de propaganda, junto com a ONU Mulheres, que traz informações sobre a representatividade de diversidades na comunicação. Eles analisam uma amostragem de anúncios de TV e de internet, em redes sociais, de um período de tempo, identificam quantas pessoas estão nessas comunicações, inclusive como elas estão sendo representadas. Se essa representação está reforçando ou quebrando estereótipos de gênero, de raça, de orientação sexual. E no último ano desde 2020 eles começaram a analisar também a presença e a representatividade de pessoas com deficiência. 

Infelizmente, os dados são alarmantes. Em 2020, de toda a amostragem analisada, somente 0,8% dos anúncios tinham alguma pessoa com deficiência. Em 2021, 1,2% dos anúncios. 

Então a gente consegue perceber que esses números são muito ruins, mas ao mesmo tempo representam uma grande oportunidade pras marcas e pras empresas começarem a mudar esse cenário, vocês concordam?

Então agora a gente começa a falar sobre a acessibilidade criativa, que é uma coisa que a gente fala muito aqui na Sondery, veio de uma forma muito natural aqui pra gente, que é um modo de pensar, mudar a chavinha, que a gente fala, de entender a acessibilidade como a etapa final de um processo, e passar a considerá-la como parte integral do processo, para que ela esteja presente desde o início, desde o briefing, desde um roteiro, desde a concepção de uma ideia. E, de novo, isso pode estar atrelado a uma campanha de publicidade, mas a gente pode falar desse modo de pensar aplicado a um projeto, a um evento, a uma exposição, a uma peça de teatro, enfim. Pensar a acessibilidade como parte do processo é muito positivo e potencializa e aumenta as possibilidades dela ser não comente correta, mas criativa. É fazer com que ela colabore, que ela faça sentido para uma peça.

Isso veio de uma forma muito natural aqui na Sondery exatamente pelo nosso histórico, o meu histórico pessoal de ter trabalhado em agências de comunicação e normalmente nesses lugares existe uma cobrança, uma expectativa muito grande de criatividade atrelada às entregas. E é por isso que a gente acredita e trabalha diariamente para derrubar essa barreira atitudinal de que os recursos de acessibilidade, entre aspas, atrapalham a produção do conteúdo ou o resultado desse conteúdo. É essa ideia de que existe muito ainda em equipes criativas de que a legenda, a janela de Libras ou a Audiodescrição vão mudar o status quo, o processo de criação, de uma peça, de um conteúdo, de uma campanha. Então, de novo, isso só vai acontecer se o recurso for pensado no final de tudo. 

O quanto antes a gente começar a antecipar a concepção e, melhor ainda, envolver, aproximar as equipes criativas e as equipes técnicas de acessibilidade, audiodescritores e intérpretes e legendistas, tanto a agência quanto os consultores vão ter uma integração tão grande que o resultado só vai poder ser positivo. Porque todo mundo vai entender o papel de cada um ali e um dos resultados possíveis que vem desse processo é um exemplo que eu quero dar aqui da nossa campanha do Burger King que foi feito em 2019 com agência DAVID. Foi o primeiro comercial audiodescrito que foi pra TV, o roteiro de audiodescrição foi feito junto com o processo. Na verdade a Sondery acompanhou esse processo desde o roteiro, casting, captação, edição e a produção de audiodescrição, mas isso resultou num filme que foi o mesmo para todas as pessoas, cegas, videntes, isso foi pra TV e pro YouTube em um único filme inclusive acessível para todos.

Se você nunca assistiu ou não lembra, vamos relembrar agora: https://www.youtube.com/watch?v=muIUlTgVHCk

Vocês puderam perceber que mesmo sendo bem desafiador, um tempo bem curto, um comercial de 30 segundos, foi possível colocar a audiodescrição, trazendo os elementos do personagem, dos produtos, do cenário, do figurino. Muita gente descobriu a existência dessa coroa de cartolina por conta dessa audiodescrição e foi uma forma que todo mundo teve acesso ao mesmo conteúdo. A gente gosta muito, foi realmente um case muito bacana. É muito querido pra gente. E se você quiser saber mais sobre a experiência desse comercial em específico, a gente tem o segundo episódio do nosso Sonderycast, que é o podcast da Sondery, ele tá disponível no Spotify e a transcrição está no nosso blog, e conta mais detalhes ainda da produção, da equipe que participou do projeto, e como que foi esse processo todo.

E aí agora vocês devem estar se perguntando “Legal Ana, muito legal esse exemplo, mas qual é a importância da gente pensar e fazer um marketing, uma comunicação de forma acessível, de uma forma inclusiva?”.

Bom, a gente sempre fala que a gente só vê vantagens nesse processo. O primeiro deles é aumentar a representatividade, que como vocês viram está precisando que seja aumentada. Ou seja, mais pessoas podem se identificar com esse conteúdo, mais pessoas podem se identificar com essa mensagem. E consequentemente isso pode aumentar o alcance, né? Mais pessoas vão ter acesso, um filme que tenha audiodescrição, que tenha legenda e que tenha janela de Libras, vai poder chegar em mais pessoas que talvez ele não esteja chegando da melhor forma possível. 

Ao fazer isso, a marca ou empresa também vai construir uma reputação de que ela está comprometida com a diversidade e mudar esse processo e construir uma comunicação mais inclusiva. E aí isso é muito importante não só para o público direto para o público direto de pessoas com deficiência, mas para o público indireto também. Pessoas sem deficiência que vão saber dessa informação, vão construir essa imagem positiva da empresa e isso é muito importante pensando em um momento de consumo consciente, em que as pessoas escolhem as marcas com as quais elas se identificam, com as quais elas acreditam. Então isso também é uma ótima possibilidade de construção de reputação.

E, consequentemente, aumentar até a conversão em vendas. Se mais pessoas se identificam, mais pessoas podem acessar, mais pessoas sabem dessa informação e podem chegar na loja, num site ou num lugar, mais pessoas vão poder comprar esse produto. Então a gente sempre fala que é o ganha-ganha-ganha: a sociedade ganha, o público direto ganha e a empresa também ganha ao fazer essa roda girar de benefícios de uma construção de uma comunicação inclusiva.

Mas a gente tem que entender também que a acessibilidade criativa não é só o final do processo. Novamente ela é parte do processo como um todo. A gente tem sempre que ficar vigilante, atuando com essa mentalidade pra que todos os desvios que possam surgir ao longo de um projeto, e eles acontecem, para que cada vez que eles aconteçam a gente possa reagir e retomar e colocar a comunicação nos trilhos inclusivos, para que a acessibilidade seja considerada, seja parte da peça, de uma forma correta e criativa.

E pra esse processo, entre todas as dicas e boas práticas de produção de conteúdo inclusive e para implementar essa metodologia de acessibilidade criativa, a principal recomendação é envolver profissionais, representantes, consultores da comunidade de pessoas com deficiência, para que eles tragam os seus pontos de vista, as suas colaborações, pra trazer justamente uma legitimidade para esse discurso, seja ele qual for, dependendo do projeto.

E eu trouxe aqui um outro exemplo que a gente gosta muito, a gente tem muito orgulho de ter participado, que é o filme de dia dos pais do Bradesco do ano passado. Que foi um filme muito bonito, que trata de um pai cadeirante.

Para quem não se lembra ou ainda não teve a chance de assistir: https://www.youtube.com/watch?v=SfmWDhxvGGw&t

Ahh, eu sempre fico muito feliz e muito emocionada quando eu vejo esse vídeo, eu acho ele lindo e eu lembro de como esse processo, que foi muito bacana. Então a gente trouxe consultores, como eu falei, pais cadeirantes com idades diferentes, com filhos criança, filhos adultos, que colaboraram junto com o time da agência Publicis, que fez a campanha. E essa é uma outra consequência muito positiva, quando a gente mostra – a gente no caso Sondery, como consultoria -, mostra a importância do Nada Sobre Nós Sem Nós. Então trazendo pessoas com deficiência para a mesa de reunião, para o contato com as equipes criativas, é uma consequência muito positiva porque acontece essa ampliação de repertório. Então pessoas que não tinham contato com o universo da pessoa com deficiência, o universo da acessibilidade, passam a ter. E isso é muito positivo para a mudança de cultura.

E é muito bom também porque a campanha não é baseada em achismos de pessoas fechadas em salas de reunião. De fato tem contato com representantes reais desse público que está sendo mostrado neste caso do comercial. E essa ampliação de repertório, a gente acredita aqui na Sondery, que é um dos melhores caminhos para a mudança de cultura. E quando a gente fala de mudança de cultura, não só do público externo, todas as pessoas que vão ter contato com esse conteúdo, mas também com o público interno das empresas, que passam a ter mais consciência, quem ainda não tinha um contato passa a ter um contato com esse assunto e, mais importante, todos entendem ou podem passar a entender o seu papel e a sua responsabilidade no processo de acessibilidade da comunicação. 

A gente começa a desconstruir que não é só a responsabilidade de uma pessoa ou um departamento ou uma área, ou até de uma consultoria. Todas as pessoas envolvidas no processo são responsáveis e têm ali um papel muito importante na construção de um processo inclusivo, para que tenha um resultado acessível e representativo com qualidade e com criatividade. Não é uma tarefa fácil, mas quando a gente consegue é muito bom. 

E outro exemplo que eu trouxe aqui para mostrar foi o nosso filme mais recente de Lacta, que envolveu não só pesquisa com público externo, mas também envolveu bastante da equipe da empresa em pesquisas até para descobrir e, no caso, a gente passou para a criação, de um sinal próprio para a marca em Libras. Porque o filme traz personagens surdos e esse foi uma experiência muito rica que a gente teve com uma equipe maravilhosa de consultores que foi composta pelo Fábio Sá, pela Alicy Queizos, pela Malu Dini, pela Claudia Ferreira, pela Katia e pela Karla Fioranti, e pela Patrícia Almeida, além da nossa equipe interna aqui da Sondery.

Então todo esse time maravilhoso foi dando toda a orientação e acompanhando a agência, que também foi a agência DAVID, no processo de desenvolvimento dessa campanha que conta a história de um homem ouvinte que quer conhecer uma mulher surdo e não sabe Libras.

Para quem não viu ainda ou não se lembra: https://www.youtube.com/watch?v=WM9N19Ol3_U

Esse movimento da marca poder olhar pra dentro e pra fora também e pensar a acessibilidade da sua comunicação é muito importante. No processo a gente descobriu, tanto com colaboradores da marca e também com a nossa equipe de consultores, que antigamente a maior parte das pessoas fazia a datilologia da marca, ou seja, eles faziam as letras de LACTA em Libras, e aí a gente propôs, depois de uma uma pesquisa interna e discussões, a criação de um sínal que é a junção do L da marca, uma metade de um sinal de chocolate e também porque no logo da marca, a perninha inferior do L faz uma curva e acaba construindo também a imagem de uma caixa de chocolates, que é um dos principais produtos da marca. Então todas essas questões foram consideradas na criação desse sinal feita pelo Fabio Sá e por todos os consultores surdos da equipe, e proposta pra marca e levada no comercial. Além desse filme de 30 segundos, tem um filme de 10 e um filme de 5 segundos, que traz esse sinal. 

E a gente ficou muito feliz, muito contente aqui na Sondery com o resultado e com esse processo de colaboração, de legitimidade em todo o processo, e também com o roteiro, porque a história conta, a gente conseguiu junto com a abertura da agência, contar uma história de uma forma que traga representatividade da comunidade surda, até por isso a gente fez questão de ter a legenda aberta no filme, então a gente trouxe personagens surdos sinalizados, surdos oralizados, então a gente teve todo esse cuidado e atenção para garantir essa representatividade da diversidade surda, e contar essa história de uma forma que inverte a lógica mais ouvintista. Então não é um surdo numa festa de ouvintes onde está havendo algum tipo de barreira de comunicação, mas é um ouvinte numa festa em que a maioria das pessoas são surdas e ele quer entrar ali na conversa, quer conhecer a menina, mas ele que não sabe Libras. Então a gente mostra que a barreira está na sociedade e não na pessoa com deficiência.

Mostrar isso pro mundo e pro time da agência foi uma experiência que a gente gostou muito, que a gente fez com muito carinho e que a gente espera que inspire novas campanhas por aí afora. Não só campanhas, mas também outros tipos de conteúdo. 

E aqui, só pra ir finalizando, essa busca nossa da Sondery e da nossa forma de buscar acessibilidade criativa, é o que a gente gosta muito de trabalhar com os clientes em todos esses exemplos que a gente trouxe, mas também internamente. A gente gosta muito de provocar essas reflexões no mundo e em todas as pessoas. É por isso que a gente vai sempre fazendo testes, testando formatos de conteúdos e eu queria aproveitar aqui para convidar vocês para conhecer um dos nossos mais recentes formatos que é uma história em quadrinhos. Uma tirinha chamada B.A.R. que significa Baseado em Absurdos Reais, que traz com humor, mas com um pouco de crítica leve, provocando essa reflexão, situações absurdas que pessoas com deficiência passam no dia a dia por conta das barreiras de acessibilidade na sociedade.

A primeira tirinha já está no ar, conta a história do Micho e da Nicole. Micho é um cadeirante e quando eles pedem um Táxi, um serviço de carro, o motorista pergunta se a cadeira vai também. Infelizmente é uma situação muito comum, mas a gente conta aqui de uma forma rapidinha, educativa, crítica, porém bem humorada, com esse objetivo de ampliar o conhecimento e a consciência das pessoas em torno das barreiras da sociedade para as pessoas com deficiência, E a gente acredita que isso pode ser feito sim de uma forma bacana, correta e criativa.

Esse é o nosso dia a dia e eu espero que nesse período, com esses exemplos, dessa nossa conversa rapidinha você tenha compreendido um pouco mais desse conceito que a gente trabalha tanto aqui que é a acessibilidade criativa. Se ficou alguma dúvida ou se vocês quiserem entrar em contato, esses são os nossos perfis da Sondery: @sondery no Facebook, LinkedIn e YouTube, @sonderybr no Instagram, estamos no Spotify e o nosso site sondery.com.br

Muito obrigada pela atenção até aqui, um bom evento para todo mundo e até a próxima.

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Tecnologia assistiva: qual o impacto para um futuro mais acessível? https://sondery.com.br/tecnologia-assistiva-qual-o-impacto-para-um-futuro-mais-acessivel/ Thu, 03 Nov 2022 18:02:06 +0000 https://sondery.com.br/?p=2334 Você já parou para pensar em como a tecnologia está presente em nossa rotina a todo momento? É tão comum que muitas vezes até esquecemos que estamos em contato com ela. Desde quando usamos o despertador no celular para acordar, até aplicativos para pedir o almoço, responder uma mensagem, ou então quando colocamos um endereço […]

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Imagem de um braço robótico, branco, com a mão aberta e a palva virada para cima. Sobre a mão há um semi-circulo de luzes e pontos nas cores azul e rosa claro, sobre um fundo azul marinho.

Você já parou para pensar em como a tecnologia está presente em nossa rotina a todo momento? É tão comum que muitas vezes até esquecemos que estamos em contato com ela. Desde quando usamos o despertador no celular para acordar, até aplicativos para pedir o almoço, responder uma mensagem, ou então quando colocamos um endereço familiar no GPS para conferir se não tem nenhum alerta importante de desvio de rota. Na verdade, ela está na palma de nossas mãos o tempo todo e dificilmente vivemos sem em nosso dia a dia. Mas e tecnologia assistiva, você conhece?

Bom, já sabemos que a tecnologia possui inúmeras utilidades, mas aqui vamos te contar sobre o papel fundamental dela na vida das pessoas com deficiência. É chamado de “tecnologia assistiva”, o conjunto de ferramentas, metodologias, recursos, produtos ou serviços que têm como objetivo proporcionar mais autonomia e conforto para as pessoas com deficiência na realização de suas atividades, viabilizando maior inclusão delas na sociedade

É válido destacar que a tecnologia assistiva é muito ampla e abrange também soluções de acessibilidade que não são digitais. Assim como, rampas e banheiros acessíveis para pessoas com cadeira de rodas, intérprete de Libras para as pessoas que se comunicam através da Língua de Sinais, piso tátil para as pessoas com deficiência visual ou cegas, e muito mais!

Qual o papel da inteligência artificial (IA) na tecnologia assistiva?

Existem algumas definições sobre o que é inteligência artificial (IA), mas o mais importante é que este termo é usado para nomear um ramo da ciência da computação que busca imitar a inteligência ou comportamento humano, como por exemplo as assistentes de voz do Android, IOS e Google. 

Ela é uma grande aliada na evolução da tecnologia assistiva e das soluções assistivas e está contribuindo bastante para que cada vez mais as pessoas com deficiência possam realizar suas atividades com independência. Ademais, ela ainda é um trunfo para pequenas e grandes empresas, pois pode otimizar processos, concluir tarefas mais rapidamente e diminuir falhas humanas. 

Não podemos falar de IA sem falar de “machine learning”,ou “aprendizado da máquina”, em português. Para melhor entendimento, vamos explicar com uma ferramenta que você certamente conhece, o Google Tradutor. Ele se trata de uma solução baseada em IA, que através da máquina de tradução, traduz as palavras de uma língua para outra. Essa máquina não começou com a qualidade que desempenha hoje. No início, ela entregava melhores resultados ao trabalhar com frases mais curtas, ou apenas palavras individuais. Não era tão eficiente na captação dos contextos das frases, principalmente quando se tratava de textos longos. 

Atualmente, essa ferramenta nos entrega traduções com muito mais precisão, mesmo quando se trata de conteúdos mais extensos. Isso se chama “machine learning”. Em outras palavras, é quando uma máquina de inteligência artificial evolui, pois com os feedbacks dos usuários e o trabalho de uma equipe de programadores, ela consegue “aprender”, ou se adaptar, quase como o cérebro humano.

A área de aprendizado de máquina ou machine learning quebrou diversas barreiras nos últimos anos e possibilitou avanços significativos em diferentes áreas. Como por exemplo na robótica, tradução automática, e-commerces, redes sociais e até mesmo na medicina. Isto é, as máquinas se adaptam, moldando-se de acordo com a experiência e necessidade do usuário.” Ailton Felix – da Hand Talk

Assim como funciona o Google Tradutor, a Hand Talk é outro exemplo do uso dessa tecnologia, pois faz a tradução instantânea do Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e do Inglês para a Língua de Sinais Americana (ASL). 

Tecnologia assistiva na prática

A inteligência artificial tem se mostrado uma grande aliada na promoção do bem social e aqui vão algumas formas disso na prática:

  • Tradutores virtuais de Libras: essa é uma ferramenta que usa IA para traduzir textos ou áudios para a Língua Brasileira de Sinais. A Hand Talk, com a ajuda dos simpáticos tradutores virtuais Hugo e Maya, realiza a tradução instantânea de textos e áudios para a Libras. Essa tecnologia está disponível em centenas de websites brasileiros com o Hand Talk Plugin.
  • Aplicativos de acessibilidade: nesta categoria, existem diversos aplicativos que tornam a vida das pessoas com deficiência mais cômoda. O Hand Talk App é um tradutor de Língua de Sinais para todas as horas e atua facilitando a comunicação entre as pessoas surdas e ouvintes. Já o Guia de Rodas avalia a acessibilidade arquitetônica dos lugares e direciona as pessoas com deficiência motora para rotas acessíveis para elas. O Be My Eyes é um app que permite que as pessoas cegas ou com baixa visão solicitem ajuda de uma pessoa voluntária com visão para guiá-la em alguns momentos. Esses são apenas alguns dos vários aplicativos que estão causando um impacto positivo na vida de milhões de pessoas com deficiência.
  • Leitores de tela: softwares que permitem que as pessoas cegas ou com baixa visão navegem no mundo digital, pois fazem a leitura dos textos dos domínios da internet. Deste modo elas podem ouvir o que está escrito.

Também existem vários outros recursos que são mais facilmente projetados e construídos graças às tecnologias. A impressora 3D é fruto desta ciência e é algo muito útil no contexto da acessibilidade. Com ela, é possível imprimir ferramentas que também melhoram a qualidade de vida das pessoas com deficiência, assim como as próteses para as pessoas que tiveram algum membro do corpo amputado.

O impacto da tecnologia assistiva

A Hand Talk é uma startup tecnológica, com mais de 10 anos de mercado, que desenvolve uma solução de acessibilidade para as pessoas que se comunicam em Libras. O seu propósito é quebrar barreiras de comunicação entre pessoas surdas e ouvintes

Para garantir que essa missão está sendo cumprida e mensurar o impacto, foi analisado que entre os sites dos mais de 500 clientes, já superou a marca de 1,5 bilhão de palavras traduzidas e é referência na área. Além disso, a empresa mantém uma relação de proximidade com a comunidade surda, que enviam constantes feedbacks sobre o impacto das ferramentas no cotidiano delas.

Para que isso seja possível, são necessários estudos constantes, acompanhamento das atualizações e novas oportunidades que a tecnologia pode oferecer. Além disso, lembra que falamos sobre “machine learning? Pois é, por trás da máquina existem muitas mãozinhas experts no assunto trabalhando para viabilizar tudo isso.

Para fechar, vale lembrar que a acessibilidade não deve ser vista como algo que favorece apenas as pessoas com deficiência e nem como um diferencial entre as empresas e o mercado. Como falamos aqui, essas tecnologias estão transformando o mundo em um lugar mais equitativo para todas as pessoas!

“Se a gente entender que acessibilidade é boa para pessoa com deficiência e também é boa para pessoa sem deficiência, percebemos que acessibilidade é ótima para negócios, porque estão preocupados em oferecer melhor experiência para todos e certamente serão mais lucrativos.” – Bruno Mahfuz fundador do Guia de Rodas 

Se você quer saber mais sobre esse tema e ainda começar a investir em tecnologia assistiva, acesse https://www.handtalk.me/br/

Este texto foi escritor pela Fernanda Foggetti, da Handtalk.

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7 Mitos e Verdades sobre pessoas Autistas https://sondery.com.br/7-mitos-e-verdades-sobre-pessoas-autistas/ https://sondery.com.br/7-mitos-e-verdades-sobre-pessoas-autistas/#comments Thu, 21 Jul 2022 18:41:43 +0000 https://sondery.com.br/?p=2266 O que vem a sua mente quando você lê a palavra “autismo”? Provavelmente você deve ter pensado em uma criança séria de uns 5 a 7 anos, do gênero masculino, brincando de forma isolada sem interagir com as pessoas ao redor. Acertei? Se você pensou em algo próximo disso, saiba que essa é uma representação […]

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Imagem de fundo branco com textura de vários hexágonos juntos e um grande símbolo do infinito colorido, o símbolo da neurodiversidade.


O que vem a sua mente quando você lê a palavra “autismo”? Provavelmente você deve ter pensado em uma criança séria de uns 5 a 7 anos, do gênero masculino, brincando de forma isolada sem interagir com as pessoas ao redor. Acertei?

Se você pensou em algo próximo disso, saiba que essa é uma representação muito comum. Porém, é uma percepção equivocada baseada em estereótipos que acabam sendo muito reproduzidos. Mas não sinta culpa se você associou o autismo a essas características! Vamos te ajudar a repensar alguns mitos sobre o assunto nesse post.

Primeiro, é importante definir o autismo. Ele é uma condição de desenvolvimento neurológico e cognitivo que faz com que a pessoa apresente diferenças nas habilidades sociais, de comunicação e de interesse quando comparado com pessoas com desenvolvimento típico. Atenção, não é uma doença!

O nome “oficial”, de acordo com a literatura médica, é Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mas as pessoas autistas têm tentado mudar essa nomenclatura para excluir a palavra “transtorno”, que acaba sendo muito forte e passa a ideia do autismo como um problema. Por isso, tem sido comum usar apenas “espectro autista”. O termo “espectro” é importante para mostrar que autismo se manifesta de forma bem diversificada e nenhuma pessoa autista é igual à outra. De modo geral, o autismo pode ser classificado em três níveis de suporte:

  • Nível 1 – pouco suporte: pessoas que podem ter dificuldade para se comunicar, interagir e se organizar, mas conseguem ter um nível de autonomia e independência. Geralmente, autistas de nível 1 de suporte não apresentam comorbidade com a deficiência intelectual;
    Nível 2 – precisa de suporte: pessoas que apresentam algumas dificuldades nas habilidades de comunicação, principalmente verbal e, com isso, podem precisar de suporte para conseguir se comunicar. Também apresentam maior dificuldade nas interações sociais e mais rigidez cognitiva;
    Nível 3 – precisa de maior suporte: apresentam dificuldades mais graves na comunicação verbal e o suporte pode ser essencial para que elas consigam se comunicar. As habilidades sociais também são mais comprometidas e a rigidez cognitiva pode ser maior. Em alguns casos, há comorbidade com a deficiência intelectual.

As pessoas costumam chamar esses três níveis de leve, moderado e severo, mas essa não é uma forma correta! Afinal, ser nível 1 de suporte não significa ter características “leves”, pois a pessoa ainda pode precisar de suporte. E também é importante ressaltar que pessoas em um mesmo nível de suporte podem ter características bem diferentes.

Outras duas coisas que é importante você saber:

  • Não existe mais “síndrome de Asperger”, que era considerado um autismo “leve”. Essa nomenclatura já caiu em desuso e não é usada nem mesmo mais na área médica. Além disso, o nome Asperger remete ao criador do termo, que era um médico nazista – ou seja, já está mais do que na hora de parar de falar dele por aí, né?
  • Muitas pessoas autistas preferem o termo “autista” ao invés de “pessoa com autismo”, pois elas consideram que o autismo é uma parte inseparável delas, então elas não “têm autismo” elas “são autistas”. Mas isso varia de pessoa para pessoa, não é consenso.

Agora que você sabe um pouco mais sobre o assunto, vamos derrubar sete mitos muito comuns sobre o autismo.

Mito 1: “Autistas não têm empatia.”

Verdade: Autistas podem ter dificuldade em entender sentimentos e expressões faciais, mas isso não significa que não se preocupam com as outras pessoas e nem têm empatia. Há pessoas autistas que são altamente empáticas.

Mito 2: “Autistas são pessoas inocentes, puras e ingênuas.”

Verdade: Muitas pessoas autistas interpretam as coisas de forma literal e podem ter dificuldade em identificar se alguém está mentindo, mas isso não faz todas elas serem pessoas ingênuas ou que podem ser facilmente enganadas. Inclusive, autistas podem mentir como qualquer outra pessoa! Esse rótulo de pureza tem nome: capacitismo.

Mito 3: “Autistas se dão melhor nas áreas de exatas.”

Verdade: Ser uma pessoa mais objetiva, literal e lógica não faz com que a pessoa autista tenha automaticamente interesse nas áreas de exatas, como computação. Há pessoas autistas trabalhando nas áreas de comunicação, design, psicologia, artes, marketing e várias outras.

Mito 4: “Autistas vivem em mundo particular.”

Verdade: Autistas podem ter momentos em que ficam com grande atenção em uma tarefa (hiperfoco) e pode acabar não atendendo quando alguém a chama, mas isso não quer dizer que a pessoa está alheia ao mundo à sua volta ou que não entende as coisas que estão acontecendo.

Mito 5: Considerar pessoas autistas “gênios” ou achar que elas têm deficiência intelectual.

Verdade: Algumas pessoas autistas têm QIs mais altos do que outras pessoas e algumas têm níveis de QI dentro da média. A verdade é que algumas pessoas autistas também têm deficiência intelectual e outras não. Lembre-se: o autismo NÃO é uma deficiência intelectual. Algumas pessoas autistas podem falar e se comunicar verbalmente, outras não.

Mito 6: “Pessoas autistas são antissociais.”

Verdade: Autistas podem precisar de apoio nas habilidades sociais ou interagir de maneira diferente com o mundo ao seu redor, mas a maioria gosta de ter relacionamentos. As pessoas mostram suas dificuldades sociais de diferentes maneiras. Algumas pessoas autistas são quietas e tímidas ou evitam situações sociais, outras falam demais e têm dificuldades para manter uma conversação.

Mito 7: “Autismo é muito mais comum em homens do que em mulheres”

Verdade: O autismo parece ser mais comum em homens. Mas as mulheres são mais propensas a “mascarar” seu autismo desde a infância, aprendendo as habilidades para interagir com o mundo melhor do que os homens. Isso pode significar que muitas meninas e mulheres autistas recebem um diagnóstico muito mais tarde na vida do que os meninos.

Conclusão

Como você pode conferir nesse post, o autismo é uma condição muito diversificada e ainda há muitas percepções preconcebidas sobre o assunto que fazem com que as pessoas tenham uma imagem imprecisa do que é uma pessoa autista.

Para as pessoas autistas, o autismo é visto como uma identidade, uma diferença neurológica e até mesmo uma cultura, e não uma “doença” ou “transtorno”. Além disso, lembre-se: autistas crescem, trabalham, praticam esportes, fazem compras, se casam, têm filhos.

Espero que você tenha gostado deste conteúdo. Conta pra gente aqui nos comentários, qual dos mitos e verdades mais te surpreenderam?

Referências

Autistica. Autism myths and causes (artigo em inglês).

One Central Health, 2020. 10 Myths About Autism Spectrum Disorder (artigo em inglês).

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Conheça 7 exemplos de acessibilidade que vão além da rampa https://sondery.com.br/conheca-7-exemplos-de-acessibilidade-que-vao-alem-da-rampa/ Fri, 19 Nov 2021 18:00:05 +0000 https://sondery.com.br/?p=2203   Um mundo ideal é um mundo acessível. O que muita gente nem percebe é que a acessibilidade vai muito além da rampa. Quando um projeto de acessibilidade é bem-feito, ele considera todos os tipos de deficiências. A tecnologia assistiva, por exemplo, é fundamental para dar mais autonomia às pessoas surdas, cegas ou com tetraplegia. […]

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Uma parede de tijolinhos aparentes com várias placas azuis com os símbolos de acessibilidade, como o símbolo internacional do acesso, o símbolo de Braille, o símbolo de pessoa com deficiência visual, símbolo de legendas, símbolo de pessoa com deficiência auditiva, símbolo de pessoa com nanismo.

 

Um mundo ideal é um mundo acessível. O que muita gente nem percebe é que a acessibilidade vai muito além da rampa. Quando um projeto de acessibilidade é bem-feito, ele considera todos os tipos de deficiências.

A tecnologia assistiva, por exemplo, é fundamental para dar mais autonomia às pessoas surdas, cegas ou com tetraplegia. Mas também há recursos que já estão tão incorporados ao nosso cotidiano, que acabam beneficiando também as pessoas sem deficiência.

Já parou pra pensar que você pode estar utilizando uma ferramenta de acessibilidade mesmo que não tenha nenhuma deficiência? Este é o princípio básico da acessibilidade: o que é bom para uma pessoa, tem que ser bom para todos! Faz sentido pra você? Então, continue a leitura e conheça 7 exemplos de acessibilidade que vão além da rampa.

Audiodescrição

Recurso em que um profissional especializado realiza a descrição das imagens (narração) seja em um filme, um programa de tv, uma fotografia ou até uma propaganda. Esse profissional não vai só descrever a aparência do personagem, ou se ele está numa casa azul e amarela. No caso de um filme, por exemplo, ele conta ao telespectador o que está acontecendo em cada cena, ou seja, as ações dos personagens.

Já imaginou se todos os programas de TV tivessem isso? No ano passado, o Burger King, com a consultoria da Sondery, realizou o primeiro comercial com audiodescrição no canal principal de áudio da TV brasileira, cujo protagonista era uma pessoa cega. Um marco histórico, que abre caminho para que outras empresas sigam o exemplo.

Dá uma conferida no resultado!

Algumas plataformas de streaming também já contam com audiodescrição, como é o caso da Netflix. Basta adicioná-la nas configurações de áudio e curtir o seu filme ou série.

Libras

Durante a pandemia, o que mais vimos foram lives, webinars e shows online, não é? E muitos deles tinham um intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), que, junto com a legenda, são importantíssimos para tornar um evento acessível para os surdos e alfabetizados pela Língua Brasileira de Sinais.

Já estamos acostumados a ver os intérpretes fazendo os sinais sempre no cantinho da tela. A novidade é que já tem muita gente inovando e tirando os intérpretes da janelinha, como foi o caso do Festival PopPlus, realizado com a consultoria da Sondery. Nele, os intérpretes de Libras foram colocados no palco junto com as atrações, mostrando que eles também fazem parte da experiência do show! Olha só como foi:

Legendas Closed Caption

As legendas automáticas para a televisão surgiram ainda nos anos 90, trazendo uma super inovação tecnológica na época, e hoje já estão disponíveis em qualquer aparelho de TV do mercado.

Com as legendas, fica mais fácil para uma pessoa surda alfabetizada assistir aos programas. Além das falas dos personagens, as legendas do Closed Caption também descrevem os sons que estão sendo emitidos, como por exemplo, som de chuva ou a entrada de uma música.

Mas, se você acha que esse recurso é útil só para quem tem deficiência auditiva, está muito enganado. Ele é bastante utilizado em academias e consultórios médicos, que normalmente deixam as TVs em volume baixo para evitar muito barulho no ambiente. Assim, todos conseguem acompanhar o programa enquanto estão malhando ou aguardando um atendimento.

Ilustração de uma mulher em uma esteira ergométrica de frente para uma televisão. Na TV estão duas mulheres sentadas uma de frente para a outra com um balão de conversa entre elas e abaixo uma barra com legendas. Abaixo há o texto: "Acessibilidade é melhor para todos! Closed Captions. Desde junho de 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência prevê que as TVs exibam 20 horas de conteúdos com legendas ocultas”. No canto superior direito há o logo da Sondery, Acessibilidade Criativa.

Audiolivros

Apesar de ter ganhado força no Brasil somente nos últimos anos, o audiolivro não é um formato exatamente novo. Logo após inventar o primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons, em 1878, Thomas Edison já pensava em utilizar o aparelho para gravar livros narrados, especialmente para as pessoas com deficiência visual e pacientes internados em hospitais.

Mas foi somente na década de 1970 que surgiram os primeiros audiobooks nos EUA, que eram gravados em fitas K7 (se você não sabe o que é uma fita K7, pergunte ao Google)!

Atualmente, diante da facilidade de produção de áudios e distribuição via streaming, os audiolivros e podcasts se tornaram “queridinhos” de todo mundo que quer ter acesso a conteúdos longos, mas não tem muito tempo para ler. Além de serem muito acessíveis para pessoas com deficiência visual, é claro.

Leitor de tela e ampliador de texto

Ambos estão em todos os smartphones e computadores mais modernos, facilitando o manuseio desses dispositivos para quem tem deficiência visual. Porém, quem é que nunca ampliou um pouquinho o tamanho do texto para melhorar a experiência de leitura? O leitor de tela em voz alta também acaba sendo uma “mão na roda” para quem quer agilizar a leitura.

Elevador

Sim, ele mesmo! Como todo mundo já sabe, o elevador é um item importantíssimo para a acessibilidade arquitetônica, possibilitando o acesso de cadeirantes e de pessoas com outros tipos de deficiência física aos andares superiores de um edifício.

Mas a gente sabe, também, que o elevador não é construído só para quem tem deficiência física. No dia a dia, ele facilita a vida de todos os moradores, não é verdade? E vamos combinar que ele poupa um tempo e esforço danado, né?

Acessibilidade atitudinal

Esse é o tipo de acessibilidade que a gente não vê a olho nu, mas que todo mundo deve ter. A atitude que temos diante de uma pessoa com deficiência é mais importante do que qualquer tecnologia assistiva.

A acessibilidade atitudinal vai desde a forma como você fala com uma pessoa com deficiência até a maneira que você age quando está com ela. Pra começar, tire do seu vocabulário as expressões “deficiente” ou “pessoa com necessidades especiais”, o correto é mesmo PESSOA COM DEFICIÊNCIA, de acordo com definição da ONU.

É importante lembrar, ainda, que as pessoas com deficiência querem igualdade, ou seja, elas desejam ser vistas e tratadas como qualquer outra pessoa, no entanto, ainda é muito comum perceber atitudes como a infantilização (mesmo que ela seja adulta).

Quer ver um exemplo? Quando alguém pergunta algo sobre a pessoa sem se dirigir diretamente a ela, mas ao seu acompanhante.

Outra coisa que acontece com frequência é gritar ao se dirigir a alguém com deficiência auditiva. Isso não resolve nada, já que a audição dessa pessoa não depende do volume da voz. A atitude correta é falar pausadamente e olhando diretamente para ela.

Se quiser saber mais sobre acessibilidade atitudinal, aqui tem um artigo bem interessante sobre o tema. Vale conferir!

Viu só como a acessibilidade pode trazer benefícios para todas as pessoas, inclusive para você? Então, que tal descobrir como tornar o seu ambiente de trabalho mais acessível? Se precisar de ajuda, fale com a Sondery, que desenvolve projetos de acessibilidade personalizados para sua empresa.

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A acessibilidade e o jeito errado de descascar banana https://sondery.com.br/a-acessibilidade-e-o-jeito-errado-de-descascar-banana/ Wed, 27 Oct 2021 19:00:20 +0000 https://sondery.com.br/?p=2198 Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias […]

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Imagem de um chimpanzé apontando para um quadro negro verde onde está desenhada uma banana descascada pela metade em giz amarelo.

Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias direto na mão – coisa que ninguém faz, pois é óbvio que queremos encher a boca do doce, né?

Infelizmente, isso não foi tudo. A descarada da minha amiga me pediu para prestar atenção em um item da lista em particular, e acrescentou: “você come banana do jeito errado”. Neste ponto preciso explicar: banana é a minha fruta favorita. Eu como pura, amassada com aveia, cozida, frita, grelhada, banana passa, em forma de doce, com sorvete, empanada… eu adoro banana. Não era possível que em mais de três décadas de vida eu estivesse comendo banana do jeito errado esse tempo todo.

Só para explicar para quem nunca viu o famigerado (e afrontoso) post das coisas erradas, ele fala que o certo é descascar a banana pela ponta da fruta, e não por aquele talo que a conecta na penca. Essa tal maneira correta seria baseada na observação de como os macacos abrem a banana.

E daí eu me peguei pensando em acessibilidade. Não em recursos de acessibilidade para abrir uma banana e nem em uma tecnologia assistiva que auxiliasse no descascamento da fruta. Nada disso. Fiquei pensando em como pode ser chato alguém vir nos dizer que estamos fazendo de maneira errada algo que fizemos durante toda a nossa vida. E o pior, se essa pessoa, como acontece muitas vezes, não tivesse conhecimento de verdade de acessibilidade e inclusão, não tivesse contato com pessoas com deficiência que comprovassem as hipóteses dela e tudo mais, e estivesse falando algo que não seja tão verdade só porque ela leu em uma lista na internet. Como você ficaria?

Porém, muitas vezes, ao contrário da banana, nós precisamos abrir a cabeça e aprender, como é o caso da acessibilidade.

O cliente e a consultoria

Trazendo esse pensamento para o dia a dia de uma consultoria de acessibilidade, a gente geralmente vai para as reuniões com nossos clientes para mostrar o que eles estão fazendo de errado. Isso é basicamente um terço do nosso trabalho. Os outros dois são propor soluções e implementá-las. E vou dizer uma coisa: nessas horas, a gente precisa ser muito bom no que faz, muito bom mesmo. Sabe por quê?

Imagina se eu falo para o cliente que ele, um publicitário com mais de vinte anos de carreira, está comendo banana do jeito errado! Você acha que esse cara iria dar alguma moral para o que eu estou falando ou acharia que a nossa consultoria não traz nenhuma informação útil de verdade (exatamente como eu pensei do da lista das 27 coisas)?

Se você não entendeu nada, eu explico: ao contrário da banana, de fato existe o jeito certo de fazer acessibilidade. Existem regras, normas, diretrizes a serem seguidas para garantir a efetividade da acessibilidade. É preciso envolver profissionais com deficiência no processo, para que eles ajudem a pensar nas soluções que melhor lhes sirvam, averiguem todo o trabalho realizado, façam todos os testes necessários. Precisamos eliminar as barreiras de todas as etapas do projeto, sejam físicas, digitais ou atitudinais… um monte de coisas, né?

E o que acontece quando a gente fala com toda a propriedade e conhecimento na hora de apontar o erro?

Khaby Lame e o jeito óbvio de fazer as coisas

Pra gente, a acessibilidade é o único jeito. É impensável que ainda hoje existam estabelecimentos onde um cadeirante não consiga entrar, sites em que um cego não possa navegar com leitor de tela, cinemas onde um surdo não consegue assistir a um filme. As pessoas com deficiência existem, elas estão entre nós, elas estudam, trabalham, lavam a louça, assistem televisão, tomam cerveja no final de semana. Então por que continuar excluindo essas pessoas? Como podemos privá-las do direito de ir e vir, do direito fundamental à informação? De fazer uma compra na internet? De pegar um táxi… é inconcebível, não acha?

Recentemente Khaby Lame ficou famoso na internet fazendo vídeos onde mostrava o jeito óbvio de fazer coisas simples que as pessoas estavam complicando. Você já deve ter visto pelo menos um vídeo dele. Há um em que um homem forte pega uma maçã e a torce com tanta força com as duas mãos que ela se parte ao meio, ao que Khaby mostra que cortar a maçã ao meio com uma faca é muito mais prático, rápido e requer menos esforço.


 

É assim que a gente se sente muitas vezes em relação à acessibilidade. Vou utilizar como exemplo a rampa, porque todo mundo sabe que, a grosso modo, a rampa serve para garantir o acesso de cadeirantes aos lugares, certo? Ok. Agora imagine um restaurante onde logo na entrada existe um par de degraus. Tudo o que me vem à cabeça é o Khaby apontando com as mãos para os degraus e balançando negativamente a cabeça e depois apontando para uma rampa e comprimindo os lábios, mostrando a obviedade da questão: todo mundo poderia entrar no restaurante se ali tivesse uma rampa ou, no melhor dos casos, se o restaurante simplesmente estivesse no mesmo nível da calçada. 

Um exemplo é a WCAG, que explicado nas palavras deles mesmos são “diretrizes e recomendações organizadas e mantidas pelo W3C que fundamentam a construção de conteúdos digitais com qualidade e acessíveis a qualquer pessoa independentemente de sua deficiência e/ou habilidade”. Ou seja, se você quer fazer um site, um aplicativo, uma rede social, vai encontrar lá um material super simples e didático te mostrando como fazer isso de forma acessível, programando com um código limpo e bem feito. E mesmo que exista todo esse material aberto e gratuito na internet, muitos programadores ainda recorrem a difíceis gambiarras no código, criando barreiras e deixando o site inacessível. E novamente o Khaby entra em cena apontando com as mãos para o WCAG! Esse é o jeito certo, pessoal! Ou, pelo menos, o jeito mais certo conhecido até agora.

Moral da história

Sempre que o autor de um texto precisa explicar a moral da história, é porque ele falhou em contá-la direito, né? Eu confesso que me embananei um pouco mesmo (perdão pelo trocadilho). A minha ideia era falar que não tem problema a gente errar, mesmo fazendo coisas que a gente domina. Porém, o mais importante é reconhecer nossos erros e mudar.

Mas é preciso se atualizar, o mundo mudou para melhor, precisamos preparar o terreno para tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade forçada que a falta de acessibilidade as colocou.

  1. Se você não faz de forma acessível, você está errado. A acessibilidade é o único jeito de incluir todas as pessoas. Ou você realmente quer continuar conscientemente excluindo uma parcela da população?
  2. Se for pra errar, erre na acessibilidade e não na falta dela. Como eu disse, a gente acredita que exista sim um jeito certo de fazer acessibilidade. Mas não se preocupe, pois existem muitos materiais na internet para te ajudar a dar os primeiros passos na acessibilidade no seu trabalho, na sua empresa, agência… estude estas diretrize e direcionamentos e dê o seu melhor; o que não pode é deixar de fazer.
  3. Se errar, não se preocupe se te apontarem seus erros (aprenda com isso). Nós utilizamos uma metodologia na Sondery em que os nossos clientes se envolvem no trabalho de forma a também aprenderem os processos e diretrizes da acessibilidade, garantindo que os seus trabalhos fiquem cada vez melhores.

 

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Saiba tudo que mudou na vida das pessoas com deficiência na última década https://sondery.com.br/2021-2/ Thu, 31 Dec 2020 19:24:34 +0000 https://sondery.com.br/?p=2021 O ano de 2020 ficará marcado para sempre como o ano da pandemia do Covid-19 e a mais grave crise de saúde pública que o mundo já viu, mas a boa notícia é que ele está chegando ao fim! E assim se encerra também mais uma década de lutas — e de diversas conquistas — […]

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Quatro pedaços de papel preto recortados para formar os números de 2020 sobre um fundo cinza.

O ano de 2020 ficará marcado para sempre como o ano da pandemia do Covid-19 e a mais grave crise de saúde pública que o mundo já viu, mas a boa notícia é que ele está chegando ao fim! E assim se encerra também mais uma década de lutas — e de diversas conquistas — especialmente para as pessoas com deficiência.

A sociedade, finalmente, está enxergando as pessoas com deficiência com outros olhos. Olhos mais gentis, de quem vê a diversidade como valor essencial, e não como um problema a ser resolvido.

Nesses últimos 10 anos, foram dados passos muito importantes em direção a políticas mais efetivas de acessibilidade, inclusão e de combate ao preconceito. Mas também enfrentamos algumas ameaças aos direitos conquistados ao longo de mais de 60 anos de luta.

E como recordar é viver, resolvemos fazer uma retrospectiva dos fatos e conquistas mais importantes que realmente mudaram a vida das pessoas com deficiência nessa última década. Quer ver? Continue a leitura, porque tem muita coisa bacana!

Lei Brasileira de Inclusão — a maior conquista da década 

Há 5 anos, era aprovada a Lei Brasileira de Inclusão — ou Estatuto da Pessoa com Deficiência, (lei 13.146/2015), sem dúvida o maior feito já alcançado em toda a história do movimento, pois abrange os direitos da pessoa com deficiência em todos os aspectos da vida (saúde, educação, habitação, educação, trabalho, transporte, cultura, esporte, turismo etc.).

De autoria da senadora Mara Gabrilli, o projeto de lei foi elaborado com base no acordo da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU, do qual o Brasil é signatário. 

Assim sendo, podemos dizer que a maior parte das conquistas citadas a partir daqui são resultados diretos da LBI. 

Um novo conceito para a deficiência

O que significa deficiência para você? Se a palavra ainda te remete à inabilidade ou incapacidade, está mais do que na hora de rever os seus conceitos. A LBI ajudou a ressignificar aquela visão ultrapassada de quem só vê a deficiência como problema:

Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Nesse contexto, a deficiência deixa de ser uma questão puramente biológica e se torna uma característica do indivíduo. Na verdade, o “defeito” está no meio social, que não é preparado para receber pessoas com características diferentes da maioria. Esse é um pequeno detalhe que faz uma baita diferença! Veja só quanta coisa boa a LBI trouxe.

Benefícios garantidos pela Lei Brasileira de Inclusão

Acessibilidade em todos os meios

Hoje, a grande maioria dos espaços públicos são considerados acessíveis, afinal a acessibilidade arquitetônica  já é lei desde o ano 2000. 

Mas, se você acompanha o nosso blog, já sabe que praticar a acessibilidade não é apenas fazer adaptações nos ambientes físicos. Os cinemas e demais atrações culturais ainda não oferecem recursos de acessibilidade para deficientes visuais e surdos, por exemplo. Essas pessoas ainda não possuem recursos para executar as atividades mais básicas, como pagar uma conta no banco ou acessar a internet sem auxílio. Se você duvida, leia este relato, que mostra como temos muito a evoluir neste quesito, e não estamos falando só de máquinas. Estamos falando, principalmente, de acessibilidade atitudinal.

A acessibilidade nos meios de comunicação é outro desafio que precisa ser superado, uma vez que, atualmente, apenas 1% dos sites no Brasil são considerados acessíveis.

Na última década, foram criadas várias empresas e ONGs voltadas a essa questão, como é o caso do Movimento Web para Todos e da própria Sondery, que são parceiras no desenvolvimento de websites acessíveis, além de fazer um trabalho de conscientização fundamental nessa área. 

Tem também a HandTalk, empresa que, em 2013, lançou uma ferramenta pioneira na conversão de textos de websites para LIBRAS, a linguagem brasileira de sinais. Se você nunca viu o Hugo e a Maya em ação, vale a pena dar uma olhada no site deles e levar esses bonitinhos para o seu site.

Prioridade no atendimento em serviços de saúde

A LBI garante o acesso a todos os tratamentos que a pessoa com deficiência necessita, por meio das redes de atenção à saúde (RAS) e pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Além disso, devem ter atendimento prioritário nas unidades básicas de saúde, atendimento psicológico e nas atividades de socorro e proteção, que incluem as campanhas de vacinação.

Exercício pleno da sua capacidade civil

É assegurado às pessoas com deficiência o direito de constituir união estável ou se casar, garantindo o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos como qualquer outra pessoa, assim como o direito ao voto. 

Mesmo as pessoas diagnosticadas com deficiência intelectual não podem mais ser consideradas totalmente incapazes de tomar decisões, podendo recorrer à tomada de decisão apoiada, que permite que o interessado escolha alguém para aconselhá-lo. Tudo isso se aplica a pessoas maiores de idade, claro.

Criminalização de atitudes contra pessoa com deficiência 

Pessoas que prejudicarem, impedirem ou anularem o exercício dos direitos e liberdades fundamentais da pessoa com deficiência estão sujeitas à pena de três anos, acrescida de multa.

Incentivo ao esporte paralímpico 

Você se lembra quantas medalhas o Brasil conquistou nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016? 

O Comitê Paralímpico Brasileiro contabilizou 72, sendo 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes, contra apenas 19 nos Jogos Olímpicos, com 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes. 

Ambos os times tiveram o melhor desempenho da história da competição. 

Felizmente, a LBI também prevê o aumento de recursos destinados ao esporte. 

Educação e trabalho 

Garantir o acesso à educação e ao mercado de trabalho é um dos principais objetivos da lei, que estabelece a construção de escolas inclusivas, contendo os recursos de acessibilidade necessários, e dita as bases para a criação de um projeto pedagógico que favoreça a integração e o desenvolvimento de alunos com deficiência em harmonia com alunos sem deficiência. 

Porém, em setembro de 2020, o Ministério da Educação apresentou uma nova Política Nacional de Educação Especial, que foi considerada um retrocesso pelos especialistas em inclusão e pela maioria das pessoas com deficiência, por incentivar a criação de escolas de atendimento especial, promovendo a segregação e a discriminação desses alunos. 

Atualmente, o decreto 10.502 está suspenso por determinação do STF e aguarda votação para ser definitivamente revogado ou não. 

Além disso, são reforçadas a importância do cumprimento da Lei de Cotas e o direito à acessibilidade no mercado de trabalho, qualificação profissional, entre outras medidas para garantir a empregabilidade do profissional com deficiência.

Você deseja uma sociedade mais acessível e inclusiva? Assine o Compromisso da Década Acessível!

Apesar de tantas conquistas, sabemos que ainda falta muito para termos uma sociedade totalmente inclusiva e acessível. Em muitos aspectos, a LBI só está no papel. Mas a Sondery quer mudar essa história e, para isso, precisa do seu apoio!

O Compromisso da Década Acessível é um compromisso com todas as pessoas — para todas as pessoas — por um futuro com mais acessibilidade, inclusão e igualdade de condições para todos. E aí, vem com a gente? Clique aqui e saiba mais sobre essa iniciativa!

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Fazer coisas estúpidas pode ser uma forma de mudar o mundo https://sondery.com.br/fazer-coisas-estupidas-pode-ser-uma-forma-de-mudar-o-mundo/ https://sondery.com.br/fazer-coisas-estupidas-pode-ser-uma-forma-de-mudar-o-mundo/#comments Tue, 10 Nov 2020 19:25:43 +0000 https://sondery.com.br/?p=1948 “Quer aparecer? Então coloque uma melancia no pescoço!” Vai dizer que nunca ouviu isso? Ah, eu já. É figurinha carimbada, jargão de gente impaciente e chata. Ouvi mais de uma vez; várias vezes, por sinal, não sei com exatidão quantas. Mas pra ser sincero, nunca dei valor. Sempre me soou como uma tremenda patifaria. E […]

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Em frente a um fundo verde claro há dois pedaços triangulares de melancia.

“Quer aparecer? Então coloque uma melancia no pescoço!”

Vai dizer que nunca ouviu isso? Ah, eu já. É figurinha carimbada, jargão de gente impaciente e chata. Ouvi mais de uma vez; várias vezes, por sinal, não sei com exatidão quantas. Mas pra ser sincero, nunca dei valor. Sempre me soou como uma tremenda patifaria. E era mesmo, claro, pois quem me falava estava de fato tirando uma com a minha cara. Entretanto, se tirarmos o tom de chacota, o que sobra é um conselho valioso.

Não me entenda mal, luta e militância são coisas sérias. Nós da Sondery bem sabemos disso. Aqui somos bastante engajados com as causas das pessoas com deficiência e não à toa o nosso maior propósito é fomentar a cultura da acessibilidade. Isso significa que a gente, além de fazer um excelente trabalho de consultoria de acessibilidade (modéstia à parte você já assistiu ao primeiro comercial da televisão brasileira aberta a ter audiodescrição no canal principal? Pois é, ficou demais e fomos nós que fizemos), nós também criamos conteúdos para enfiar gentilmente na cabeça das pessoas a importância da inclusão, da acessibilidade e da representatividade.

Quando digo importância, claro que eu estou considerando que pessoas diferentes consideram coisas diferentes como “importantes”. Nós sabemos disso e te garanto que estamos bem com isso. O empresário quer retorno financeiro e é isso que vamos oferecer para ele com a acessibilidade: o aumento potencial de público, melhoria dos seus produtos e serviços. As pessoas com deficiência, que querem exercer o seu poder de escolha e compra que lhes é de direito, só ganham com isso.

Mas e a melancia?

Às vezes a seriedade pode ser enfadonha, pode causar um certo cansaço e afastar a atenção de quem queremos conscientizar. Veja você, foi preciso que milhares de pessoas entornassem baldes de gelo sobre suas próprias cabeças para trazer novo fôlego, descobertas e tratamentos para uma doença até então considerada incurável. Você se lembra do Ice Bucket Challenge, o famoso “desafio do balde de gelo”? Ele começou em 2015 e bombou nas redes sociais em 2018 quando viralizou entre artistas e famosos depois que o Mark Zuckerberg participou. Já soube os resultados dessa “estupidez” toda?

Um ano após o início do desafio e 115 milhões de dólares arrecadados, foi encontrado o gene associado à esclerose lateral amiotrófica. Uma baita conquista. O dinheiro foi distribuído igualmente entre seis grupos de pesquisadores que seguiram com seus estudos.

Há algumas semanas, 220 milhões de dólares já arrecadados, a Dr. Sabrina Paganoni, do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, divulgou dados animadores dos testes que ela está realizando com seus pacientes. Os resultados, mais conclusivos e definitivos, ainda estão para sair, mas apesar de ainda não existir uma esperança próxima de cura, as perspectivas são de que em breve poderemos ter tratamentos para retardar o avanço da doença e garantir que as pessoas mantenham suas funções motoras por mais tempo.

Sensacional, não é mesmo?

Sejamos realistas, criar uma campanha viral desta forma é extremamente complicado. Eu bem sei, pois trabalhei anos em agências de publicidades cujos clientes viviam querendo “viralizar” seus produtos nas redes sociais. Não é simples assim, não é algo que dá para fabricar, não é de uma hora pra outra. O próprio desafio do balde de gelo demorou três anos para emplacar.

E o que tudo isso tem a ver com a Sondery?

Uma das nossas maiores frentes de trabalho são as nossas iniciativas. Desde o começo nós entendemos a importância de criar e apoiar iniciativas que ajudassem a difundir e fomentar a cultura da acessibilidade no Brasil. Fizemos o programa Mudando de Assunto, para entrevistar pessoas com deficiência sobre qualquer outro assunto que não fosse a deficiência, quebrando os paradigmas da mídia tradicional e capacitista. Nós organizamos o primeiro bloco de carnaval inclusivo e acessível do carnaval de rua oficial de São Paulo, que tirou muita gente de casa que não ia pra rua no carnaval há anos (e algumas que nunca tinham ido). Fizemos oficinas de fantasia acessíveis. Criamos o ParaOuvir, um álbum de fotografias sonoras. Organizamos o Acessorama. E… bem, a lista não para por aí e tem coisa que nem foi lançada ainda.

Com todo esse portfólio de projetos, você deve estar pensando que já fizemos de tudo. Mas tem uma coisa em toda a nossa história de luta e militância pelas causas das pessoas com deficiência e pela acessibilidade, que nós ainda não fizemos. O que? Nós nunca penduramos uma melancia no pescoço. E fico pensando, será que a quarentena está me deixando louco ou esta é realmente uma boa ideia que daria certo? O que você acha?

Esse texto não nasceu com a ideia de apresentar uma conclusão fundamentada sobre nada. Muito pelo contrário; ele serve para aumentar as incertezas. Vamos continuar com nossos projetos, refletindo sobre seus resultados e tudo o que podemos fazer diferente e melhor no futuro. E nada nos impede de colocar uma melancia no pescoço uma hora dessas, pois se ela não funcionar, não tem problema; nós podemos parti-la ao meio e  comer de sobremesa, adoramos melancia.

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Você já ouviu falar em Acessibilidade atitudinal? Sabia que esse termo existe? https://sondery.com.br/voce-ja-ouviu-falar-em-acessibilidade-atitudinal-sabia-que-esse-termo-existe/ https://sondery.com.br/voce-ja-ouviu-falar-em-acessibilidade-atitudinal-sabia-que-esse-termo-existe/#comments Wed, 04 Nov 2020 22:10:17 +0000 https://sondery.com.br/?p=1932   Quando mencionamos a palavra Acessibilidade, o que vem em sua mente? As pessoas com deficiência foram excluídas e marginalizadas durante muito tempo no processo histórico da sociedade. Isso culmina até hoje em movimentos excludentes e preconceituosos em relação às pessoas com deficiência, que enfrentam muitas barreiras no dia-a-dia para realizarem atividades comuns, que, se […]

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Foto do dorso de um homem de braços cruzados, ele usa um terno preto, grava vermelha e relógio no pulso.

 

Quando mencionamos a palavra Acessibilidade, o que vem em sua mente?

As pessoas com deficiência foram excluídas e marginalizadas durante muito tempo no processo histórico da sociedade. Isso culmina até hoje em movimentos excludentes e preconceituosos em relação às pessoas com deficiência, que enfrentam muitas barreiras no dia-a-dia para realizarem atividades comuns, que, se houvesse acessibilidade, teriam muito mais autonomia e independência.

A acessibilidade não diz respeito apenas às características arquitetônicas e estruturas físicas de um local, como por exemplo uma rampa para um cadeirante, mas também sobre o funcionamento de produtos, serviços, meios de comunicação e, principalmente, o comportamento de pessoas frente às pessoas com deficiência. 

Podemos citar como exemplos de acessibilidade comunicacional as legendas, a audiodescrição e as Libras, em certos tipos de conteúdos, como vídeos. Ou também a acessibilidade instrumental, em instrumentos como cadeiras de rodas, órteses, próteses, suporte para noteebok.

A acessibilidade atitudinal é a base para que todas as outras existam. Somente quando ela é bem planejada e construída que se torna possível o engajamento de fato com as outras. Por exemplo, um gestor de uma empresa só verá sentido em colocar um elevador se ele entender a real necessidade de incluir aquela pessoa na empresa e possibilitar seu acesso, autonomia e desenvolvimento como profissional.

Mas o que é capacistismo?

Assim como existe o racismo, o machismo e a LGBTQIA+ fobia, existe o capacitismo, que é o nome dado ao preconceito e a discriminação sofrida por pessoas com deficiência, muitas vezes vistas como defeituosas ou incapazes, perante à sociedade. Podemos citar como exemplos de termos capacitistas: “dar mancada”, “retardado”, “seu autista!”, “joão-sem-braço”.

Assista ao vídeo da Sondery explicando o que é o capacistismo:

É necessário romper com o estereótipo da pessoa com deficiência vista como “coitadinha” ou incapaz. Antes da deficiência vem a pessoa. A Deficiência não define a pessoa por inteira, ela é apenas mais uma característica dela.

Muito dos preconceitos existem por pura ignorância ou falta de conhecimento. Por isso é muito importante nos informamos mais a respeito de assuntos ligados à inclusão e acessibilidade, para rompermos com a invisibilidade de pessoas com deficiência fruto de um processo histórico excludente e capacitista.

Entenda e valorize as diferenças

Cada pessoa é única em suas característas e portanto devemos reconhecer as suas necessidades particulares, para oferecer os recursos que lhes permitam estar em patamar de igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Para isso, não podemos generalizar os suportes necessários achando que atenderiam a todas. Em um processo seletivo de uma empresa, por exemplo, um surdo oralizado poderia fazer leitura labial enquanto um surdo usuário de Libras precisaria de um intérprete.

É importante focar mais nas habilidades e potencialidades da pessoa do que em suas limitações. As pessoas com deficiência têm seus gostos e afinidades particulares, qualidades e defeitos como quaisquer outras pessoas. Uma pessoa com deficiência pode ser boa em fazer contas e outra escrever bem, por exemplo, independentemente do tipo de deficiência apresentado.

Promova a acessibilidade

Cabe à sociedade como um todo reconhecer as necessidades daquela pessoa em específico e promover a devida acessibilidade. A deficiência está muito mais no ambiente vivenciado pela pessoa do que na própria pessoa. Isso vale em todos os âmbitos da vida (educação, saúde, transporte, lazer, cultura, esporte, etc) e nos mais variados contextos (escola, família, trabalho, política) ou seja, na cultura como um todo.

Devemos nos informar mais, conversar com pessoas que entendam do tema, promover conteúdos, palestras, comerciais, artes, colocar pessoas com deficiência como protagonistas de suas histórias e de seus trabalhos. Quantos artistas com deficiência você conhece? Quantos funcionários em cargos de liderança você conhece? Protagosnistas de novelas ou filmes? Políticos?

Podemos fazer a nossa parte começando do pequeno. Do micro para o macro: compartilhando conteúdos, promovendo acesso, possibilitando espaço, financiando projetos, criando e regularizando leis, etc. Em suma, dando luz ao seu protagonismo e quebrando com o preconceito.

É preciso uma mudança radical na estrutura de nossa cultura, no sentido de enxergar a diferença como algo positivo, que complementa, e não como algo negativo, que é esquisito e deve ser excluído. Devemos atuar cada vez mais garantindo seus direitos, empoderando, compartilhando conteúdos e lutando em prol de políticas públicas e legislações que favoreçam essa igualdade de oportunidades.

Vamos juntos nessa luta?!

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