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Sondery – Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/ Tue, 17 Sep 2024 17:27:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.png Sondery – Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/ 32 32 O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência https://sondery.com.br/o-papel-dos-professores-na-inclusao-de-alunos-com-deficiencia/ Tue, 17 Sep 2024 17:25:48 +0000 https://sondery.com.br/?p=2491 O post O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.

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Imagem de fundo branco com a ilustração de um professor observando seus alunos jogando bola. Na parte central direita há uma ilustração de uma menina sentada em uma cadeira de rodas. Ela tem suor no rosto e semblante triste. Ela segura uma pilha de roupas.


Vira e mexe vídeos de docentes apaixonados pelo que fazem viralizam nas redes sociais. Entre eles professores de educação física que adaptaram suas aulas para que seus alunos com alguma deficiência sejam incluídos nas atividades realizadas dentro da quadra. Sempre que um desses vídeos aparece na minha timeline penso nos meus anos escolares.

Quando a educação física passou a fazer parte da minha grade curricular nem os professores nem a escola sabiam – e não tinham interesse em saber – o que fazer comigo. A inclusão ficava por conta dos meus colegas de classe, que se esforçavam para que eu pudesse participar das aulas junto com eles. Eu me sentia de fato incluída e me divertia muito, mesmo quando a brincadeira terminava comigo caindo da cadeira de rodas (para desespero da minha mãe).

Porém, à medida que íamos crescendo, meus colegas passaram a não ter mais tanta paciência com a minha mobilidade reduzida e com meu tempo de fazer as atividades e a educação física passou a não ser mais tão divertida assim. Conversei com minha mãe e com o ortopedista e, juntos, chegamos a conclusão de que era o momento de pedir dispensa.

Nessa escola eu podia ficar na sala de aula enquanto eles estavam na quadra e aproveitava esse tempo para ler um livro ou adiantar a lição de casa (sim, eu era CDF). Mas na escola que eu fui estudar três anos depois não podia. Eu precisava estar dentro de quadra, mesmo que não fosse participar da aula e ficasse perto das arquibancadas. Não demorou muito para que minha cadeira de rodas virasse o cabideiro da turma.

Um tempo depois entrou um novo professor de educação física na escola. Após um período de observação, o professor Ricardo sentou perto de mim e perguntou se eu gostaria de aprender a apitar as partidas das modalidades (futebol, vôlei, basquete, handebol, etc) que ele estava ensinando para meus colegas. Eu disse que sim. E naquela aula mesmo começou meu aprendizado em arbitragem.

Em nenhum momento passou pela minha cabeça virar árbitra um dia. Acho que eu nem sabia naquela época que era uma profissão. O que me levou a responder sim foi única e exclusivamente a vontade que eu tinha de que aqueles cinquenta minutos passassem mais rápido. E o tempo não só voava, como eu voltei a me divertir e me sentir incluída. Isso para mim era tudo que importava.

Hoje, eu já não lembro as regras de todos os esportes, mas gosto muito de acompanhá-los pela TV, principalmente, o futebol (também por causa do meu pai) e o vôlei, quase sempre sozinha, prestando atenção em cada movimento dos atletas e dos juízes.

Olhando em retrospecto, muitos anos depois de ter concluído a escola, no que diz respeito à inclusão, infelizmente tive mais exemplos negativos do que positivos. Mas, por causa do professor Ricardo, eu acredito que para crianças com deficiência dessa e das próximas gerações o inverso pode ser possível e todo vez que um desses vídeos aparece na minha timeline eu desejo que a inclusão de alunos com alguma deficiência seja tão natural que não precise viralizar nas redes sociais por acontecer, que a inclusão não seja uma preocupação apenas dos professores de educação física, mas sim de todos os professores e que nenhuma criança deseje que as aulas terminem logo por se sentir excluída.

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O que todo jornalista deveria saber sobre pessoas com deficiência e acessibilidade https://sondery.com.br/o-que-todo-jornalista-deveria-saber-sobre-pessoas-com-deficiencia-e-acessibilidade/ Tue, 06 Aug 2024 18:08:54 +0000 https://sondery.com.br/?p=2481 O acesso à informação é um direito garantido pela Declaração dos Direitos Humanos. Isso significa, entre outras coisas, que todas as pessoas, incluindo as pessoas com deficiência, tenham acesso ao jornalismo. E, para isso acontecer, ele deve ser acessível e inclusivo.  As nomenclaturas corretas: por que os jornalistas precisam saber o jeito certo? O jornalismo […]

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Ilustração colorida onde três pessoas, dois homens, um deles em cadeira de rodas, e uma mulher, estão diante de um telão onde há o símbolo universal da acessibilidade - um círculo com um bonequinho no meio.


O acesso à informação é um direito garantido pela Declaração dos Direitos Humanos. Isso significa, entre outras coisas, que todas as pessoas, incluindo as pessoas com deficiência, tenham acesso ao jornalismo. E, para isso acontecer, ele deve ser acessível e inclusivo. 

As nomenclaturas corretas: por que os jornalistas precisam saber o jeito certo?

O jornalismo é fundamental para o desenvolvimento do senso crítico de uma sociedade. Porém, precisamos estar atentos para que esse senso crítico não seja construído em bases preconceituosas. Uma dessas bases é o capacitismo.

Capacitismo é todo e qualquer preconceito e/ou discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI)  garante os direitos das pessoas com deficiência no Brasil e pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além da punição, é preciso que haja algumas mudanças na sociedade. E os profissionais da imprensa têm papel crucial nessa transformação.

A primeira diz respeito ao vocabulário que é utilizado.

Ainda é muito comum que termos ultrapassados sejam usados para se referir a uma pessoa com deficiência. Eles são ultrapassados porque não levam em conta que antes de qualquer deficiência vem a pessoa.

Alguns deles são:

  • Deficiente

Esse termo é errado porque a deficiência de uma pessoa é apenas uma das muitas características que ela possui; faz parte dela, mas não define quem ela é.

  • “Portadora de deficiência” ou “Portadora de necessidades especiais”

Esses são termos errados porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa, como se fosse um objeto que pode ser deixado em uma gaveta do armário.

  • Pessoa PcD

Esse termo é errado por dois motivos: primeiro porque o “P” de PcD já é de “pessoa” e segundo porque uma pessoa não deve ser reduzida a uma sigla.

Use sempre “pessoa com deficiência”, assim mesmo, por extenso.

No grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos para incentivar profissionais da área da comunicação a utilizarem expressões adequadas em seus conteúdo externos e em conversas e reuniões internas, existem outros termos e expressões que não devem ser usados e a melhor forma de substituí-los. Ele pode ser acessado a qualquer momento no Blog da Sondery.

Vale ressaltar que cada comunidade (surdos, cegos, etc), e até cada indivíduo, tem sua preferência. Então, se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.

Outra contribuição importante que a imprensa deve dar para a luta das pessoas com deficiência é deixar de usar a palavra “deficiência” como sinônimo de “falta” ou “falha” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, deficiência de caráter deficiência no ataque ou na defesa, etc) e antônimo de eficiência nas pautas em geral, pois quando se relaciona algo ruim com deficiência, está reafirmando, mesmo que sem a intenção, que ter uma deficiência também é algo ruim. E isso não é verdade. Muito menos tem relação com a eficiência de uma pessoa ou de um time. O oposto de eficiência é ineficiência.

Além das nomenclaturas corretas: o que precisa mudar? 

Além do uso de nomenclaturas corretas, é necessário que o modo como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência seja modificado.

Cada pessoa com deficiência é única, tem sua personalidade, hobbies, trabalhos, convicções e sonhos, assim como todo mundo. Porém, ainda existe uma crença de que todas são exatamente iguais. Essa ideia não só reforça o modelo médico da deficiência, que enxerga a deficiência como uma doença que precisa ser curada, perpetuando a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais, que não são capazes de fazer suas próprias escolhas e o entendimento de que não há necessidade de customizar produtos de tecnologia assistiva (a gente conversa sobre a importância da personalização desses acessórios aqui) e de que elas só conversam sobre temas ligados ao universo da pessoa com deficiência.

Essa, inclusive, é uma das principais reclamações das pessoas com deficiência quando o assunto é imprensa: elas são chamadas apenas para participar de matérias e entrevistas relacionadas à inclusão e acessibilidade, principalmente em setembro, mês em que é celebrado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (21/09) e muitas das conquistas da comunidade surda, como o Dia Internacional da Língua de Sinais (23/09) e Dia Nacional do Surdo (26/09).

Calendário de acessibilidade e inclusão para 2024

Pensando nisso, com o objetivo de mostrar para a imprensa que pessoas com deficiência não só podem conversar sobre qualquer tema como têm muito para contar, criamos o “Mudando de Assunto“, um programa de entrevistas onde a Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, conversa com pessoas com deficiência sobre qualquer assunto que não seja acessibilidade e inclusão. 

A Ana já entrevistou Giovanni Venturini, ator com nanismo sobre seus filmes e novelas,  Leo Castilho, arte-educador surdo sobre museus e poesia, Rogério Ratão, escultor cego sobre exposições e sua vivência cultural como artista em Nova York, entre outros.

Você pode conferir todas as entrevistas do Mudando de Assunto no canal do YouTube da Sondery.

Vamos supor que você está trabalhando em uma pauta sobre o Dia dos Namorados, por exemplo. Por que não aproveitar a ocasião e entrevistar um casal onde um ou ambos têm alguma deficiência para saber como vai ser a comemoração deles?

Em 2022 a Sondery realizou a consultoria para um comercial da campanha de Dia dos Namorados da Lacta, feito pela Agência DAVID, baseado na história real de um casal surdo-ouvinte.

No filme um homem ouvinte está em uma festa onde a maioria das pessoas conversa em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Ele se interessa por uma das convidadas e pergunta para a anfitriã da festa como faz para conversar com essa convidada surda. Sua amiga ensina os sinais de “Oi, vamos conversar um pouquinho? “ e ele vai puxar papo com a moça.

Assista o comercial aqui:

Percebeu como o foco do comercial é mostrar o nascimento de uma história de amor entre duas pessoas e não causar emoção pela deficiência auditiva da convidada ou mostrar a Libras de uma forma didática? 

Mesmo sendo um vídeo de apenas trinta segundos e a maior parte dos ouvintes que vão assisti-lo não conseguir se comunicar usando a Língua Brasileira de Sinais, o fato dela estar presente a sociedade vai pensando nela com mais naturalidade, aumentando a procura e produção de conteúdos cada vez mais acessíveis (e quem sabe até não desperta o interesse por aprender a língua).

Como interagir com as pessoas com deficiência

Às vezes, por falta de conhecimento e experiência, episódios como o da jornalista que estendeu a mão para cumprimentar uma pessoa cega podem acontecer. Esse tipo de situação não só é constrangedora e vira piada, como fortalece o capacitismo.

Portanto, todo(a) jornalista deve saber como interagir com as pessoas com deficiência tanto para não cometer gafes e fortalecer preconceitos, como para deixar que a entrevista seja o mais natural possível.

Separei 7 dicas para te ajudar: 

  • Escolha um local acessível

Não tenha vergonha de perguntar que tipo de acessibilidade a pessoa precisa e garanta que a locação a tenha. Nada de sugerir que a pessoa com mobilidade reduzida seja carregada no colo escada a cima, viu?

  • Não entre em pânico.

Pessoas com deficiência são como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de entrar em desespero ao encontrar um cadeirante, por exemplo.

  • Pergunte se a pessoa precisa de ajuda

Antes de sair ajudando, pergunte para a pessoa se ela precisa de ajuda e como você pode ajudar. Não é porque uma pessoa tem deficiência que ela necessariamente precisa (ou quer) ser ajudada o tempo todo. 

  • Não olhe com pena

Não olhe para uma pessoa com deficiência como alguém digno de pena e compaixão.

O mesmo vale para o olhar de exemplo de superação. Pessoas com deficiência não existem para te inspirar a fazer nada.

  • Não trate como criança

Não fale com um adulto com deficiência como falaria com uma criança com ou sem deficiência. Nada de falar no diminutivo, hein?

  • Descreva a si mesmo(a) e o ambiente

Faça a sua descrição e as das coisas mais importantes do ambiente em que estão para uma pessoa cega ou com baixa visão.

  • Converse olhando para a pessoa entrevistada não para quem a acompanha

Fale sempre olhando para quem vai responder a pergunta, assim como faz com um(a) entrevistado(a) sem deficiência. Não é porque uma pessoa tem deficiência e está acompanhada que ela precisa que falem por ela.

No caso de pessoas com deficiência auditiva com intérprete de Libras, faça a pergunta olhando para a pessoa entrevistada e escute a resposta olhando para o intérprete.

Descrição de Imagens

Nas redações existem profissionais especializados em diferentes áreas para que uma pauta seja bem executada (redatores, fotógrafos, revisores, etc), mas entre eles não encontramos um especialista em audiodescrição. Por esse motivo raramente nos deparamos com matérias ou entrevistas que tenham imagens descritas.

A audiodescrição é um recurso de acessibilidade para transformar imagens em palavras também conhecido como “texto alternativo”. Esse recurso permite que pessoas com deficiência visual ou intelectual tenham acesso à imagem.

Para garantir que as diretrizes da audiodescrição estejam sendo cumpridas, como evitar excesso de informação, o ideal é ter dois profissionais da área na equipe: um(a) audiodescritor(a) e um(a) revisor(a) em audiodescrição. 

No texto O Papel do Consultor em Audiodescrição Edgar Jacques, consultor de acessibilidade especialista em audiovisual, reflete sobre a importância da consultoria de audiodescrição e porque o revisor precisa ser uma pessoa cega.

Além da acessibilidade, a descrição de imagens é importante para melhorar o SEO (Search Engine Optimization – Otimização de Mecanismos de Busca) para imagens.

Ao fazer SEO nas imagens o Google é informado sobre o conteúdo de cada uma,  aumentando as chances de rankear uma delas nas buscas do Google Imagens. Esse ranqueamento atrai tráfego orgânico e qualificado.

O serviço de audiodescrição pode ser contratado em uma consultoria de acessibilidade como a da Sondery.

Acessibilidade Web

Não são apenas imagens que precisam estar acessíveis na internet. Todo conteúdo digital deve ser acessível para todas as pessoas. Para isso acontecer da forma correta surgiu a WCAG.

A WCAG (Web Content Accessibility Guidelines – Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web) é um conjunto de diretrizes e recomendações de acessibilidade para web desenvolvido pelo consórcio W3C – World Wide Web, através do WAI (Iniciativa de Acessibilidade na Web), em colaboração com pessoas e organizações em todo o mundo em 1999 e em frequente atualização.

Todo profissional que trabalha com criação de conteúdo digital para sites, blogs, portais e redes sociais deve conhecer pelo menos o básico de WCAG para que todo o conteúdo produzido seja acessível desde a concepção possa ser encontrado e consumido de fato por todas as pessoas.

O documento completo pode ser encontrado em português de forma gratuita e acessível na internet.

Considerações Finais

Como uma pessoa com deficiência que escolheu se formar em jornalismo e que escutou inúmeras vezes durante a graduação que pautas com protagonismo da pessoa com deficiência não teriam interesse ou fontes suficientes, sei que não é um caminho simples. 

Mas agora que você, jornalista, conhece mais sobre o universo da pessoa com deficiência e sabe do papel fundamental que tem na construção de uma sociedade anti-capacitista, espero que além de passar a se enxergar como um(a) aliado(a) na luta pela representatividade respeitosa e verdadeira das pessoas com deficiência na imprensa e que contribui para a quebra de preconceitos e barreiras atitudinais que atrapalham a luta pelos direitos das pessoas com deficiência, leve essa luta para as reuniões de pauta do veículo em que trabalha, seja ele online ou offline, e estimule seus colegas a também serem aliados(as).

Recomendações de Leitura

  • Guia Anti Capacitista – Ivan Baron
  • Capacitismo: O mito da capacidade – Victor Di Marco
  • Manual Ampliado de Linguagem Inclusiva – André Fischer



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Por que a acessibilidade é fundamental em uma estratégia de negócio https://sondery.com.br/por-que-a-acessibilidade-e-fundamental-em-uma-estrategia-de-negocio/ Fri, 26 Apr 2024 18:17:47 +0000 https://sondery.com.br/?p=2467 Quando falamos que a acessibilidade pode representar uma vantagem estratégica para uma marca ou empresa, muita gente não percebe o caráter fundamental desta afirmação. Muito por desconhecerem a verdadeira "estratégia", que nada tem a ver com planos, planejamento, tático, ideias, projetos... Nada disso, estratégia é o âmago de um negócio, muito mais profundo e conceitual. […]

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Ilustração de um homem negro em uma cadeira de rodas com um notebook no colo. À direita dele há um alvo com uma flecha no centro.


Quando falamos que a acessibilidade pode representar uma vantagem estratégica para uma marca ou empresa, muita gente não percebe o caráter fundamental desta afirmação. Muito por desconhecerem a verdadeira “estratégia”, que nada tem a ver com planos, planejamento, tático, ideias, projetos… Nada disso, estratégia é o âmago de um negócio, muito mais profundo e conceitual. É lá, na base de todo o racional de uma empresa, que deve estar a acessibilidade.

Ao definir a estratégia de um negócio, a pessoa geralmente vai precisar responder algumas perguntas norteadoras. É aqui que fica clara a necessidade da acessibilidade. 

Quem é seu público alvo? Independente da resposta que você der, eu te garanto: há pessoas com deficiência dentro da sua segmentação. O único recorte possível de público sem pessoas com deficiência é “pessoas sem deficiência”. E, se você fizer essa escolha, estará excluindo consciente e propositadamente as pessoas com deficiência, o que espero que esteja claro que é algo erradíssimo a se fazer. As pessoas com deficiência representam 18% da população brasileira e estão em todas as esferas sociais e econômicas; são consumidoras

Quais competências precisamos para atingir sucesso? Se você sabe que parte do seu público tem alguma deficiência, como apontei acima, então é mais que óbvio que para atingir o sucesso, você precisa de habilidades e conhecimentos na área de acessibilidade e inclusão, o que pode ser alcançado tanto com treinamentos da sua equipe quanto contratando uma consultoria externa para realizar estes serviços. Estamos falando em como alcançar e atender as pessoas com deficiência com serviços, produtos e comunicação acessíveis.

Como vamos superar a nossa concorrência? Se você for um pioneiro em acessibilidade no seu setor, parabéns, estará em grande vantagem competitiva. Caso seu concorrente já invista em acessibilidade, isso significa que se você não o fizer estará começando atrás. Portanto, faça. E faça melhor ainda: invista em uma acessibilidade mais criativa, que melhore ainda mais a experiência de consumo do seu produto ou serviço para todas as pessoas.

Qual empresa do mercado é um modelo de sucesso pra você? As maiores e mais admiradas empresas do mundo hoje estão investindo em acessibilidade e inclusão como forma de melhorar os produtos e as soluções. Times mais diversos são mais criativos, com mais pontos de vista. Produtos acessíveis são para mais pessoas. Microsoft e Google estão fazendo grandes avanços nessas áreas e recomendo se inspirar nas jornadas deles.

É por isso que insistimos tanto que a acessibilidade precisa ser pensada desde o começo, a ponto de fazer parte da cultura organizacional, de refletir nos planos e decisões táticas, dos processos internos e externos, da comunicação, da relação com fornecedores e parceiros.

Quanto mais fundamentalmente presente e enraizada estiver a acessibilidade dentro da sua empresa, mais liberdade criativa você terá. As ideias já nascerão com o pensamento de que aquilo é para todos, não haverá necessidade de adaptações (ou gambiarras). O budget considerará os recursos necessários (Libras, audiodescrição e legenda), sem surpresas de orçamento ou correria para aprovar com o financeiro. O consumidor com deficiência estará sempre contemplado, sem brechas para a exclusão. 

É por isso que sempre repetimos: a acessibilidade é melhor quando pensada desde o começo. Por um mundo com experiências de consumo incríveis para todas as pessoas.

 

 

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Acessibilidade Criativa na construção de campanhas publicitárias https://sondery.com.br/acessibilidade-criativa-na-construcao-de-campanhas-publicitarias/ Wed, 07 Feb 2024 17:23:07 +0000 https://sondery.com.br/?p=2445 A criatividade é assunto muito presente nas discussões publicitárias. No entanto, a grande revolução criativa envolve a experiência de diversos profissionais que, quando juntos e desenvolvendo o mesmo trabalho, têm o poder de redefinir a experiência de seus usuários e torná-la cada vez melhor. Quando está em debate a criatividade no desenvolvimento de produtos acessíveis, […]

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Uma mão segurando um megafone em preto e branco. Mp megafone há um símbolo da acessibilidade de onde sai uma explosão de cores. Na parte inferior direita está escito “Acessibilidade Criativa na construção de campanhas publicitárias” em cor-de-rosa.


A criatividade é assunto muito presente nas discussões publicitárias. No entanto, a grande revolução criativa envolve a experiência de diversos profissionais que, quando juntos e desenvolvendo o mesmo trabalho, têm o poder de redefinir a experiência de seus usuários e torná-la cada vez melhor.

Quando está em debate a criatividade no desenvolvimento de produtos acessíveis, a grande questão que se coloca é como garantir que estes recursos consigam transitar entre a regra (normas de acessibilidade) e a inovação. Para além disso, garantir  uma acessibilidade representativa dentro do segmento das pessoas com deficiência.

Considerando este desafio, a Sondery vem investindo esforços em conhecimento, contratação de profissionais e constituição de equipes diversificadas e representativas para a consultoria na construção de campanhas publicitárias acessíveis únicas, sem que seja necessário criar uma “versão acessível”.

Não há desenvolvimento de criatividade sem estímulo ou exposição a contextos de ações inovadoras. Porém, introduzir novas variáveis à experiência padrão não é suficiente para ser considerada criativa. Ou seja, essas variáveis precisam trazer alguma relevância para o contexto em que se está trabalhando.

Trazer essa noção mais racional e científica da criatividade, é entender que desenvolver ações criativas demanda muita transpiração e trabalho coletivo. É partir do entendimento profundo das regras do jogo que o grande diferencial para poder inovar e ser criativo consegue fazer uma desconstrução crítica dos preconceitos inerentes de cada componente da equipe e te obrigar a pensar o processo de projeto de outra forma, considerando as variáveis envolvidas nesse processo (questões sociais, tecnológicas, econômicas etc).

Além de profissionais diversificados em suas áreas de atuação e contextos, vale reforçar que os afetos mobilizados nessas produções, “criam discursos centrados nas expectativas do público, que deseja ver-se legitimado em sua existência e, mais ainda, deseja ter sua vivência pessoal expressa em logotipos e discursos de marcas”, como bem destaca a Professora Sonia Pessoa.

Por isso, acessibilidade afetiva também precisa estar em jogo nas produções de campanhas publicitárias. Nada muda na prática se não mudarmos nossa maneira de pensar, olhar e planejar sem preconceitos este cenário. A aposta deve ser em um processo e produção representativos em sua forma de comunicar e produzir sentido, para além de apenas conter pessoas com deficiência em determinada peça. Isso é garantir direitos!

Jornada da estagiária

Resolver me inscrever no mestrado em Comunicação Acessível foi um processo de quase 4 anos. Me inscrevi. Quando esse momento chegou, já tinha a intenção de me envolver com acessibilidade na publicidade. A pergunta que não queria calar era (e continua sendo): E agora, como faço para me envolver mais nesse universo e me conectar com pessoas e iniciativas que já trabalham nessa área para aprender o que está rolando de mais inovador e colocar a mão na massa?

Descubro a Sondery nas redes sociais. Vejo os trabalhos já realizados. Me encanto com o conceito de “Acessibilidade Criativa”. Penso “É isso! As opções de acessibilidade precisam ser feitas de forma criativa”. Quero conhecer esse trabalho de perto. Me identifiquei com os valores. Chamei a Ana nas redes sociais para saber se ela me aceitaria como estagiária. Deu certo. Fui estagiária pouco mais de 2 meses.

Durante uma parte do estágio, me dediquei a pesquisar e pensar sobre o conceito de “Acessibilidade Criativa”. Pesquisei o termo em uma base de dados acadêmicos. Muitos artigos até possuem as duas palavras em seu texto, mas não conectadas como na proposta da Sondery. Resumindo esta longa busca, apenas um dos artigos encontrados usava o termo tal e qual e o explicava.

Como não só de conceitos acadêmicos vive a criatura humana, também quis entender o que a Sondery pensou quando criou este conceito para definir o trabalho que realiza. Entre conversas semanais com a Ana Clara e pesquisas em bases acadêmicas, resolvemos explorar um pouco mais o significado destas palavras que, juntas, fizeram a Ana acreditar que definiria o trabalho que realiza com sua equipe e, separadas, também têm muitos significados.

Deixo aqui uma parte da nossa conversa, de forma escrita, para que os curiosos como eu também possam entender essa ideia que veio lá de trás e hoje se traduz no trabalho que a Sondery realiza:

  1. [Graziela] O que é acessibilidade criativa para você?

[Ana Clara] Para mim representa tanto um resultado quanto um processo. É uma forma de pensar e de trabalhar (reunindo profissionais e especialistas diferentes para criar e validar coletivamente os detalhes) que se for bem implementada vai acarretar num resultado único de mesmo nome. Existe a acessibilidade padrão com normas e regras da ABNT que é mais rígida, e a acessibilidade criativa, que presume uma liberdade e uma flexibilidade maior na implementação. Mudanças que vêm para criar uma experiência cada vez mais fluida com o conteúdo original. 

  1. [Graziela] De onde surge esse conceito?

[Ana Clara] O nome em si surgiu antes das experiências práticas. No momento de idealização da Sondery veio esse “sobrenome” da empresa, que conta sobre essa forma de pensar e trabalhar a acessibilidade. A partir de contatos com expressões mais artísticas que misturavam acessibilidade e criação – como o CORPOSINALIZNTE, por exemplo – fui entendendo que existia uma campo livre para explorar novas formas de criar e aplicar acessibilidade em outros segmentos e temas, no caso, principalmente publicidade. 

  1. [Graziela] O que você entende por criatividade e por que associar essa palavra à acessibilidade?

[Ana Clara] Criatividade entendo que é a capacidade de criar conexões entre elementos/ideias/mundos/coisas que a princípio não seriam relacionados, mas a partir daí criam uma coisa nova que faz mais sentido ou é mais interessante do que antes, quando estavam separadas. Criatividade tem muito a ver sobre cruzar algumas barreiras ou limites das normas, no sentido de explorar coisas novas. De um jeito que talvez não tenha sido feito antes. Tem muito a ver com coragem para testar isso tudo. E relacionar isso à acessibilidade pode permitir vivências mais agradáveis do que a experiência definida como padrão até o momento. 

  1. [Graziela] Por que você acha que esse conceito traduz o trabalho que a Sondery faz?

[Ana Clara] Porque a Sondery tem essa gana, essa vontade de pensar e criar a acessibilidade de uma forma mais divertida, mais fluida, mais parte integrante das coisas. Juntar na mesma mesa o time criativo, o time de produtora de som, o time de mídia , o time do cliente e o time de consultores é revolucionário para pensar a acessibilidade como RESPONSABILIDADE COLETIVA e também com o mesmo POTENCIAL CRIATIVO que a peça ou campanha pode ter. 

  1. [Graziela] Por que existe a necessidade de trabalhar a acessibilidade de forma criativa?

[Ana Clara] Para criar uma experiência única para todos – e acabar com essa coisa de “versão acessível”, ao meu ver deveria ter somente uma versão e ela é acessível, ponto. O “atrito atitudinal” em relação aos recursos de acessibilidade vem de falta de contato, e falta de frequência. Quanto mais recorrente for, menos “exceção” e isso ajuda na construção do imaginário popular na sociedade. Além de poder criar uma experiência melhor para o público com deficiência, de modo geral. 

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A importância da customização de acessórios de tecnologia assistiva e da quebra do modelo médico https://sondery.com.br/a-importancia-da-customizacao-de-acessorios-de-tecnologia-assistiva-e-da-quebra-do-modelo-medico/ Tue, 24 Oct 2023 19:17:59 +0000 https://sondery.com.br/?p=2423 Um dia desses estava esperando o elevador ao lado de uma mulher com um menino de uns cinco anos. Enquanto esperávamos escutei ele dizer para a mãe que tinha achado meu “carrinho roxo” legal. Quando entrei na conversa ele ficou tímido e ela explicou que roxo é a cor preferida dele. Essa não foi a […]

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Uma cadeira de rodas colorida, com encosto azul e assento marrom. Atrás dela uma explosão de cores sobre um fundo preto. Na lateral esquerda há um menu de cores para serem selecionados e uma seta conecta a opção de azul ao encosto azul da cadeira.


Um dia desses estava esperando o elevador ao lado de uma mulher com um menino de uns cinco anos. Enquanto esperávamos escutei ele dizer para a mãe que tinha achado meu “carrinho roxo” legal. Quando entrei na conversa ele ficou tímido e ela explicou que roxo é a cor preferida dele.

Essa não foi a primeira vez que uma criança ou um adulto fez um comentário do tipo ou mesmo me parou para elogiar minha cadeira de rodas. Cada vez que uma interação desse tipo acontece passo o dia reflexiva. Por que o fato de ser uma cadeira de rodas colorida chama tanto a atenção das pessoas? 

Eu sou cadeirante desde 1996. Não sei dizer quantas cadeiras de rodas tive enquanto crescia, mas todas elas ou eram da minha cor preferida do momento ou combinavam com a fase da vida que estava passando. Assim como consumidores em geral fazem com roupas, acessórios, armações de óculos e carros: escolhem os que refletem seus gostos e personalidades. 

Deveria ser natural para pessoas sem deficiência cruzar com pessoas utilizando acessórios de tecnologia assistiva que fossem a cara delas. Deveria ser natural que pessoas com deficiência utilizassem acessórios de tecnologia assistiva que tivessem tudo a ver com elas. Mas não é.

Apesar de hoje ser possível ter cadeiras de rodas cada vez mais coloridas e até de personagens de filmes e desenhos infantis, a possibilidade de customizar ou personalizar não se aplica a outros acessórios de tecnologia assistiva, como bengalas, muletas e andadores. 

“Eu trabalho com moda e como uso a bengala todo dia. Decidi customizar ela com meu estilo pra fazer parte dos meus looks e pintar de rosa. Infelizmente a tinta ficou rosa escuro, parecendo vermelho. Mas percebi que as pessoas não se davam conta que era uma bengala, demoravam mais para perceber ela depois que pintei, talvez seja pela cor que deixou mais escura e por sair do padrão.”

(Giovanna Masserra, estudante de moda e mulher com deficiência)

O que é modelo médico da deficiência

O modelo médico da deficiência é um conceito que surgiu no início do século XX, quando milhares de soldados e civis passaram a conviver com algum tipo de deficiência durante a primeira guerra mundial. 

Nele, a deficiência, que antes era encarada como um castigo divino, passou a ser vista do ponto de vista científico. Ou seja, vista como uma “doença” que impacta diretamente na qualidade de vida e na capacidade de produção de quem a possui e impede seu convívio em sociedade, portanto, que necessita de cura.

O principal objetivo desse modelo era promover a reabilitação desses indivíduos, torná-los “normais” de novo. 

Por que esse modelo está ultrapassado 

O modelo médico da deficiência está ultrapassado porque perpetua a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais e não são capazes de fazer suas próprias escolhas. 

“Eu escolho minhas roupas, calçados, cor de batom e tudo mais, por que não escolheria a cor da bengala? E digo mais, não gosto do tom de verde que escolheram pras pessoas com baixa visão.”

(Ana Gouvêa, designer de produto, especialista em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual)

O que existe lá fora 

Recentemente, Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, passou algumas semanas em Portland, no Oregon, e ficou impressionada não só com o número de pessoas com alguma deficiência circulando na rua, mas principalmente com a quantidade de jovens usando algum produto de tecnologia assistiva.

“O que mais me chamou a atenção foi mais no sentido de ver jovens na rua utilizando acessórios de tecnologia assistiva de diferentes tipos.” 

Para Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência, a possibilidade de personalizar um acessório de tecnologia assistiva é uma forma de mostrar para a sociedade que quem precisa usar algum deles não está no fim da vida.

“Da mesma forma que a gente tatua o corpo, a gente também pode customizar nossa cadeira de rodas, nossa bengala, pra que tenha uma identificação com a gente. Por muitas vezes a sociedade viu esses equipamentos como algo de uma pessoa mais velha, que está no fim da vida e essa é uma forma de ressignificar, de mostrar que faz parte de quem nós somos.”

(Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência)

Ana aproveitou a oportunidade para trazer para Ana Gouvêa e Luciana Oliveira a encomenda das tão sonhadas bengalas coloridas.

Para a consultora em acessibilidade, especialista em experiência do usuário com foco em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual, Luciana Oliveira, a possibilidade de customizar ou não uma bengala determina o peso que ela terá para a sociedade e para a própria pessoa que vai usá-la.

“Uma bengala nunca vai ser um acessório de moda, mas poder escolher a cor, fazer uma combinação com a roupa que você está usando, dá uma conotação mais leve e menos pesada pra ela.”

Nos EUA também é comum que pais incorporem acessórios de tecnologia assistiva nas fantasias de Halloween de seus filhos, transformando cadeira de rodas e andadores em carruagens, naves espaciais, navios pirata, entre outros. 

Falando em fantasia, em 2020 a Disney lançou para o público norte-americano uma linha de fantasias adaptadas para crianças com deficiência.

Conclusão 

Espero que essa ideia se popularize logo, que lojas e marcas passem a vender acessórios de tecnologia assistiva cada vez mais bonitos para que pessoas com deficiência, que querem – e merecem – comprar esses produtos, se sintam bem com seus acessórios, assim como todo mundo. 

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O que é interseccionalidade e como ela pode mudar a representatividade para melhor? https://sondery.com.br/o-que-e-interseccionalidade-e-como-ela-pode-mudar-a-representatividade-para-melhor/ Wed, 28 Jun 2023 18:38:56 +0000 https://sondery.com.br/?p=2411 Nos últimos anos, a temática da diversidade ganhou um grande espaço na internet, nos programas de TV, entre os influenciadores digitais e em comerciais e anúncios. Nossa sociedade está cada vez mais atenta e cobrando a representatividade de pessoas com deficiência, negras, LGBTQIAPN+ em todas as áreas de atuação e produtos culturais. Nesse caminho, já […]

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Imagem regular com fundo branco. Na lateral esquerda há uma montagem com quatro fotos, duas em cima e duas embaixo. A primeira é do lado esquerdo de uma mulher branca, de cabelos loiros platinados um pouco abaixo das orelhas e com franja um pouco acima das sobrancelhas. Ela usa uma blusa amarela mostarda com um casaco preto por cima. A segunda é a lateral direita de um homem negro, de cabelos curtos e olhos também pretos. Ele usa uma camiseta azul clara com mangas curtas brancas. Ele segura uma bola de basquete laranja com detalhes pretos com a mão direita. A terceira foto é a lateral de uma cadeira de rodas esportiva branca com o toco da perna esquerda de uma pessoa branca aparente. A quarta foto é a lateral direita de uma cadeira de rodas prateada com a perna direita de uma pessoa branca. Ela usa tênis branco de cano alto.


Nos últimos anos, a temática da diversidade ganhou um grande espaço na internet, nos programas de TV, entre os influenciadores digitais e em comerciais e anúncios.

Nossa sociedade está cada vez mais atenta e cobrando a representatividade de pessoas com deficiência, negras, LGBTQIAPN+ em todas as áreas de atuação e produtos culturais.

Nesse caminho, já tivemos muitos avanços. Hoje, vemos casais homoafetivos em propagandas de marcas famosas, como o Boticário e Hering, assim como há também a presença de atores e atrizes transexuais em novelas, filmes e séries, coisa que não acontecia até bem pouco tempo atrás. 

Mas e as pessoas com deficiência, onde estão? Embora haja um movimento para que artistas e outros profissionais com deficiência ganhem mais destaque na mídia e na publicidade, as ações em prol da representatividade desse público ainda são bem isoladas.

E quando a gente fala em representatividade, muita gente pensa em pessoas com uma única característica para retratar um grupo ou um perfil, né? Mas é claro que nós podemos ir muito além disso. Você já ouviu falar de interseccionalidade? 

Venha aprender mais sobre interseccionalidade com a gente e descubra como ela pode mudar para melhor a maneira como você faz  suas campanhas publicitárias e de marketing.

Afinal, o que é interseccionalidade? 

É a representação de uma ou mais características ou marcadores sociais em uma pessoa. Na verdade, hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que não tenha interseccionalidade. Ser uma mulher com deficiência já é uma delas. Temos também pessoas negras com deficiência, pessoas LGBTQIAPN+ com deficiência, 60+,  entre tantas outras combinações.

Representatividade: um caminho ainda distante

A interseccionalidade é uma estratégia muito bem-vinda nas campanhas de marketing, pois, além de conectar o seu produto ou serviço com públicos diversos, ajuda a ampliar ainda mais o olhar para as diferenças. Mas, de acordo com análises recentes, a publicidade ainda está bem distante dela, já que nem consegue dar a visibilidade necessária às pessoas com deficiência.

A pesquisa Visibility of Disability: Portrayals of Disability in Advertising (Nielsen, 2021), mostra que, apesar de mais de ¼ da população americana apresentar algum tipo de deficiência (26%), ela aparece em apenas 1% dos comerciais de TV. E mais: das cerca de 6 mil propagandas que contam com uma pessoa com deficiência, mais da metade fala sobre saúde ou sobre cuidados relacionados à deficiência.

Aqui no Brasil, o cenário não é muito diferente. É o que diz a pesquisa TODXS, desenvolvida  pela ONU Mulheres, Heads Propaganda e pelo movimento Aliança sem estereótipos, de 2020, De acordo com a pesquisa, apenas 1,2% de todas as campanhas veiculadas na TV e na Internet trazem personagens com algum tipo de deficiência. 

A interseccionalidade de pessoas com deficiência na mídia: alguns exemplos

A Sondery tem dois trabalhos que são bons exemplos de representatividade e interseccionalidade na publicidade brasileira. Os comerciais de dia dos namorados e páscoa da Lacta, feitos pela agência Publicis Brasil com a consultoria da Sondery, trouxeram uma protagonista surda se comunicando em língua de sinais e uma mulher com baixa visão e seu filho trocando uma mensagem em Braille, representando de forma respeitosa e autêntica uma mulher com deficiência com autonomia e independência na televisão. 

Na campanha de Dia dos Namorados de 2023, a marca de roupas masculinas Reserva surpreendeu ao trazer imagens do casal Andrea Schwarz e Jacques Haber, empresários e influenciadores na área de D&I. Andrea usa cadeira de rodas e Jacques é um homem sem deficiência. 

A campanha ilustra bem o que, em pleno século 21, ainda é um tabu na sociedade: que pessoas com deficiência não só podem, como devem amar e ser amadas. <3

Duas fotos em preto e branco, lado a lado, do casal Andrea Schwarz e Jacques Haber. Ela é uma mulher loira, magra, de cabelos ondulados e cadeirante, e ele um homem de cabelos curtos pretos. Na primeira foto, Jacques está apenas de cueca e segura Andrea nos braços enquanto beija o pescoço dela, ela está de calcinha e sutiã brancos, de olhos fechados com o rosto para cima, colocando os dedos nos cabelos de Jacques. Na segunda foto, Andrea está em sua cadeira de rodas, usa uma camisa de botão grande por cima de um sutiã preto e Jacques está atrás dela, beijando a nuca da mulher; ele usa um pijama listrado.

A gigante de brinquedos Mattel, responsável pela boneca Barbie, está correndo atrás do prejuízo e criando novos modelos com maior representatividade. Atualmente, já é possível encontrar versões da personagem negra, cadeirante e com síndrome de down. 

Foto da boneca Barbie Fashionista Negra Com Cadeira de Rodas. Ela é uma Barbie negra com longos cabelos ondulados, usa um óculos em formato de coração, vestido de listras horizontais coloridas, pochete branca e uma cadeira de rodas vermelha e preta. Ao lado dela há uma pequena rampa de acesso roxa de plástico.

E até a Disney – finalmente – percebeu que suas personagens mais icônicas não precisam ser só brancas, elegendo uma atriz negra, a Halle Bailey, para o papel principal em sua versão mais recente do clássico “A Pequena Sereia”.

Cena do filme A pequena sereia. Sentada sobre uma pedra no fundo do mar, cercada por peixes, há uma sereia. Ela é negra, tem longos cabelos marrom claro, usa um top roxo e tem uma cauda verde. Ao lado dela há um caranguejo.

Não é incrível? 

O desafio da inclusão interseccionalidade nas campanhas publicitárias 

Apesar das boas notícias, ainda estamos bem longe do ideal. Não podemos esquecer que, dentre as 45 milhões de pessoas que pertencem a este grupo (Censo IBGE, 2010), encontramos todos os tipos de interseccionalidade: entre raça, gênero, orientação sexual, idade, religião, etc.

Nesse sentido, o desafio atual é ir além dos padrões estéticos que foram construídos ao longo de décadas, para, enfim, refletir toda a diversidade do povo brasileiro nas campanhas publicitárias, tornando-as mais próximas da realidade dos consumidores. 

Mas, para que isso seja possível, as empresas de publicidade também precisam fazer a sua parte e se adequar, isto é, permitir que suas equipes sejam mais diversas. 

O Censo da Diversidade das Agências Brasileiras, realizado este ano pelo Observatório da Diversidade na propaganda, aponta que os quadros de funcionários das agências refletem exatamente o que vemos nas campanhas publicitárias. Confira os principais resultados que evidenciam a falta de diversidade no mercado publicitário: 

  •  85% dos cargos de CEO são ocupados por homens, sendo somente 8% negros e nenhuma mulher negra. 
  • Nos cargos de gerência e acima, os negros representam apenas 10%, enquanto as mulheres negras são 4,6%.
  • Apenas 1,6 % dos funcionários de agências de publicidade são pessoas com deficiência, sendo 0,7% em cargos de gerência e nenhum CEO. 

Obviamente, a baixa diversidade nas equipes traz alguns problemas: o primeiro deles é que a falta de vivências e percepções distintas limita a visão dos profissionais, que não se comunicam com pessoas de estilos e realidades diferentes. 

O segundo é que as agências podem não estar cumprindo a Lei de Cotas (8213/91), que determina que as empresas com 100 ou mais funcionários reservem de 2% a 5% dos postos de trabalho para pessoas com deficiência. Por essas e outras razões, é importante buscar a diversidade no ambiente de trabalho. 

Foi justamente para mudar essa realidade que a Sondery foi criada. Nosso trabalho é garantir que as pessoas com deficiência sejam representadas na publicidade e que, além disso, elas possam consumir este conteúdo de forma acessível. Assim, a escolha de incluir uma personagem diversa deve ser feita de maneira intencional, mas não precisamos nos limitar em uma ou outra característica apenas, pois, como já vimos, a nossa sociedade é diversa e existem muitas pessoas com múltiplas características.

E você, já pratica a inclusão de pessoas com deficiência e a representatividade em sua estratégia de marketing? Conte com a Sondery para criar campanhas mais diversas.

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O que é Design universal e por que é uma boa maneira de pensar em acessibilidade? https://sondery.com.br/o-que-e-design-universal-e-por-que-e-uma-boa-maneira-de-pensar-em-acessibilidade/ Tue, 13 Jun 2023 19:16:13 +0000 https://sondery.com.br/?p=2398 Se você trabalha com a criação de novos produtos, serviços ou espaços públicos, deve pensar na usabilidade desses itens, afinal, quanto mais fáceis de utilizar e acessíveis eles forem, melhor.  No entanto, poucas são as empresas e órgãos públicos que seguem corretamente as diretrizes do Design Universal, um conjunto de normas criado para desenvolver produtos, […]

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Ilustração retangular com fundo branco. Na parte esquerda e central da imagem há uma porta branca com batente azul claro.


Se você trabalha com a criação de novos produtos, serviços ou espaços públicos, deve pensar na usabilidade desses itens, afinal, quanto mais fáceis de utilizar e acessíveis eles forem, melhor. 

No entanto, poucas são as empresas e órgãos públicos que seguem corretamente as diretrizes do Design Universal, um conjunto de normas criado para desenvolver produtos, serviços e ambientes que possam ser utilizados por todas as pessoas, independente de suas características físicas, capacidades ou limitações.

Você já conhece o conceito de Design Universal? Neste artigo, abordamos seus sete princípios e por que eles são fundamentais para o sucesso de qualquer projeto!

O que é design universal?

O conceito de Design Universal foi desenvolvido por professores de arquitetura da Universidade da Carolina do Norte (EUA), cujo objetivo era definir quais as características necessárias para que um projeto de produtos e ambientes pudesse ser utilizado por todas as pessoas.

Segundo o guia “Desenho Universal e acessibilidade na cidade de São Paulo”, desenvolvido pela Secretaria Municipal da pessoa com deficiência de São Paulo, o objetivo do design universal é a “concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de Tecnologia Assistiva”; conforme a Lei Federal 13.146/15 – Lei Brasileira de Inclusão”.  

Ele não abrange somente as pessoas com deficiência, mas toda a diversidade humana e seus perfis. Por isso, podemos dizer que, utilizando os princípios do desenho universal, automaticamente promovemos a diversidade, a inclusão e também a acessibilidade. 

Os 7 princípios do Design Universal

Conheça os princípios essenciais para deixar qualquer projeto mais acessível.

1. Igualitário – uso equiparável 

É o espaço ou produto que pode ser utilizado por qualquer pessoa, sem a necessidade de apoio ou mudanças. Um exemplo são as portas automáticas, presentes nos shoppings. 

E sabe aquela porta giratória ou com trava automática que é bem pesada? Pois é, elas são um pesadelo para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), também podem se sentir incomodadas com esse modelo, como bem mostra a série “Uma Advogada Extraordinária” (Netflix). Se você ainda não assistiu a essa série, eu recomendo.  

2. Adaptável – uso flexível 

Quando um novo produto, serviço ou ambiente é desenvolvido, o ideal é que os conceitos do design universal sejam considerados desde sua concepção, porém, sabemos que muitos produtos foram criados sem levar isso em conta. 

Por exemplo, um computador mais antigo não possui um software para leitura de tela; é preciso implementar uma ferramenta como o Dosvox para que uma pessoa com deficiência visual possa utilizá-lo. 

Felizmente, com o avanço tecnológico, os computadores e smartphones mais modernos já estão sendo fabricados com a função, o que facilita muito a navegação de pessoas cegas ou com baixa visão.

3. Óbvio – uso simples e intuitivo 

Um dos princípios mais importantes é que ele seja óbvio. Isso mesmo. Que as pessoas consigam entender rapidamente como o produto funciona, independente de sua experiência, conhecimento ou habilidades.

4. Conhecido – informação de fácil percepção 

Quando chegamos a um local desconhecido, buscamos por placas de localização, ou seja, indicações e sinais claros que nos ajudam a reconhecer onde estamos e o que buscamos exatamente. É por isso que todo projeto de design universal deve contemplar também os símbolos de acessibilidade e suas representações em Braille, válidos em qualquer lugar do mundo.

5. Seguro – tolerante ao erro

Todo projeto deve ter seus próprios dispositivos de segurança e ser verificado periodicamente, a fim de evitar acidentes que possam ser causados por falhas humanas. 

O elevador possui um sensor que impede a abertura das portas enquanto ele está em movimento ou quando não estiver parado no respectivo andar. Onde houver escadas, além de respeitar a altura correta dos degraus, é recomendável instalar corrimões nas paredes. O objetivo aqui é sempre minimizar riscos para os usuários. 

6. Sem esforço – baixo esforço físico 

Quer ver outro exemplo claro de como o Desenho Universal facilita muito nosso dia a dia? Quem tem limitações nos movimentos das mãos dificilmente consegue abrir um saco de salgadinho ou usar um abridor de latas comum. Por isso, algumas empresas criaram as embalagens com tarja “abre fácil” e substituíram as latas pela embalagem de papelão, tornando o manuseio desses produtos mais simples para todo mundo.

7. Abrangente – dimensão e espaço para aproximação e uso

O design universal estabelece as dimensões de altura e largura adequadas para que todas as pessoas tenham acesso a um local ou objeto, como, por exemplo, a largura de uma porta para que uma pessoa cadeirante consiga entrar, ou a altura ideal de um armário para uma pessoa com nanismo.

Como aplicar o Design Universal na prática? 

Nas explicações acima, já trouxemos alguns exemplos de adaptações feitas por meio do Design Universal. 

Mas, como dissemos anteriormente, o ideal é que estes princípios sejam incorporados desde a concepção do projeto, para não gerar retrabalho ou prejuízos desnecessários. Se você quer lançar um produto ou serviço do zero, veja algumas recomendações:

1. Produtos

Fazer testes com seu público-alvo é a melhor maneira de descobrir se o seu produto está seguindo as normas do desenho universal.

2. Estabelecimentos comerciais

Criar espaços acessíveis é prioridade. Caso seja uma loja física, deve ter rampas e dimensões adequadas para cadeirantes, por exemplo.

Se for uma loja virtual, é necessário pensar nas imagens e descrições dos produtos. Além disso, o layout deve ser de fácil navegação e com recursos de acessibilidade, como o plugin da Hand Talk, que traduz os textos escritos para a Libras.

3. Eventos e cursos

O design universal permite que todos possam usufruir do seu conteúdo. Alguns recursos básicos são legendas, janela de Libras e estenotipia (legendas em tempo real para acompanhamento de pessoas surdas não alfabetizadas na Língua Brasileira de Sinais), assim como a auto descrição e audiodescrição. Saiba mais sobre acessibilidade em eventos neste outro texto do nosso blog.

4. Campanhas de marketing

 Quer que suas ações de marketing alcancem o maior número de pessoas possível? Invista no design universal em suas campanhas. Além de todos os itens citados acima, não esqueça de incluir o texto alternativo (descrição de imagens) em seus posts nas redes sociais e e-mails.

Benefícios do Design Universal 

Ainda tem dúvidas sobre as vantagens do Design Universal para sua empresa? Abaixo, listamos algumas:

  • Ampliar a receita: como ele é feito para todas as pessoas, você pode conquistar mais clientes e aumentar a rentabilidade do seu negócio. 
  • Oferecer produtos e serviços qualificados e de acordo com a legislação: com o design universal, você aprimora a qualidade dos seus produtos e serviços, já que é necessário seguir um padrão.
  • Melhorar a reputação da empresa: a preocupação com o design universal evidencia que a sua empresa se importa com a inclusão e o bem-estar das pessoas, impulsionando sua imagem no mercado.

Deu para perceber por que o Design Universal é importante não só para sua empresa, mas para a sociedade? 

Então não perca tempo e comece a implementá-lo em seus projetos. E se ainda tiver dúvidas, fale com a Sondery, que tem os especialistas certos para te apoiar!

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Os detalhes que fazem este comercial de páscoa de Lacta ser tão importante https://sondery.com.br/os-detalhes-que-fazem-este-comercial-de-pascoa-de-lacta-ser-tao-importante/ Fri, 19 May 2023 17:25:21 +0000 https://sondery.com.br/?p=2390 Nós da Sondery recentemente fizemos a consultoria para um comercial de páscoa de Lacta, feito pela agência DAVID, e o resultado foi um filme que conseguiu trazer, em apenas 30 segundos, tantos detalhes ricos sobre acessibilidade, representatividade e luta anti-capacitista. E nós esperamos que sirva de inspiração para todos os publicitários começarem a incluir pessoas […]

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Imagem horizontal com a montagem de quatro cenas do comercial de páscoa de Lacta. Na primeira, uma bengala encostada na parede. Na segunda, mulher entrando em casa por uma porta de vidro. Na terceira, a mulher está sentada em uma poltrona tateando uma bandeja com pedaços de chocolate. Na quarta, a mulher está sentada na poltrona e ao lado dela está um menino, em pé, segurando uma bandeja com chocolates.


Nós da Sondery recentemente fizemos a consultoria para um comercial de páscoa de Lacta, feito pela agência DAVID, e o resultado foi um filme que conseguiu trazer, em apenas 30 segundos,
tantos detalhes ricos sobre acessibilidade, representatividade e luta anti-capacitista. E nós esperamos que sirva de inspiração para todos os publicitários começarem a incluir pessoas com deficiência em suas campanhas. Confira.

Uma criança folheia um livro antigo e separa alguns quadradinhos de chocolate de uma barra. Assim começa o filme de páscoa da Lacta. Até aí, nada de novo no front, certo? É quando nós somos apresentados à mãe desta criança que as coisas começam a ficar interessantes.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, há um filtro de barro avermelhado e copos de vidro em cima de um móvel retangular de madeira. O móvel está na frente de uma parede com detalhes em azul escuro. No chão branco há um tapete retangular branco com detalhes na cor marrom em frente ao móvel. Em segundo plano, há uma faixa de parede branca com um vaso de planta pendurado do lado direito. Na parte central e direita há uma porta de vidro com detalhes em branco. A porta está entreaberta e aparece a silhueta de uma mulher no vidro. Ela segura a maçaneta com a mão direita e uma bengala-guia com a mão esquerda. No teto, na frente da porta, há um sino em formato de coração pendurado.

Por que uma cena de um comercial de televisão em que uma mulher com deficiência visual entra em casa é tão interessante e importante assim? Ao mostrar uma cena corriqueira do cotidiano protagonizada por uma pessoa com deficiência, nós não estamos perpetuando nenhum dos estereótipos criados pela mídia para explorar a imagem das pessoas com deficiência; estamos fazendo representatividade de forma respeitosa e real.

Estes estereótipos, para quem não sabe, são clichês de representações capacitistas, pois são baseados na ideia de que as pessoas com deficiência são dignas de piedade, ou que devem ser alvo de ridicularização ou servir de inspiração. Os estereótipos capacitistas como o super-herói (aquela pessoa com deficiência usada como exemplo de superação, muito usado para dar uma carga de motivação em quem assiste, geralmente acompanhado da famosa frase capacitista: “se ele consegue, qual a sua desculpa?”) ou o coitado (uma pessoa com deficiência retratada de forma triste e geralmente incapaz, para causar pena e compaixão).

O simples ato de chegar em casa carregando uma sacola de compras derruba a ideia capacitista de que pessoas com deficiência não saem sozinhas ou não são capazes de realizar tarefas como fazer compras no mercado.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, há um pedaço do móvel de madeira com uma chaleira branca com detalhes em azul escuro e um pote de vidro na parte inferior esquerda da foto, ambos estão desfocados. Em segundo plano, a mulher está apoiando a bengala-guia na parede de azulejos brancos com detalhes em azul escuro. Ela aparece do pescoço para baixo. Ela é branca e usa uma camisa de manga comprida marrom clara e calça jeans. Ela tem uma sacola de pano bege pendurada no ombro esquerdo.

A casa de uma pessoa com deficiência visual

Quando uma pessoa abre a porta de uma casa onde vive uma pessoa com deficiência visual, geralmente ouvirá um sino, um chocalho ou algum aviso sonoro de que a porta está sendo aberta. No vídeo foi usado um sino com o jeitinho da personagem, com um coração, para mostrar que tecnologia assistiva também pode ser bonita e combinar com a decoração.

Outro detalhe é que ela apoia a bengala na parede perto da porta de entrada, outro detalhe que traz maior veracidade para a cena, por ser muito comum entre as pessoas com deficiência visual. E quanto mais próximo da realidade das pessoas, mais acertada e impactante é a representatividade; principalmente para os consumidores com deficiência.

Esta bengala, inclusive, que foi utilizada no comercial, está com um adereço personalizado pendurado no cabo, algo que também representa uma quebra com o modelo médico. As pessoas com deficiência querem acessórios que combinem com elas!

Além disso, outro detalhe importante desta cena é a bengala verde usada pela protagonista. A questão das cores das bengalas é subjetiva e divide opiniões. Enquanto alguns grupos acreditam que diferenciar pessoas cegas, com bengalas brancas, de pessoas com baixa visão, com bengalas verdes, é uma forma de aumentar a conscientização para os diferentes tipos de deficiência visual, outras pessoas questionam que querem ter o direito de usar a bengala na cor que bem entender. Neste caso específico do vídeo, a bengala foi escolhida por uma identificação da própria atriz que fez o comercial, que tem baixa visão e utiliza a bengala verde.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, a mulher está sentando em uma poltrona verde escura. Ao lado da poltrona há uma mesa de madeira oval com alguns objetos de decoração e uma barra de chocolate Lacta. A embalagem do chocolate é azul escura e tem o logo da Lacta. Em segundo plano, do outro lado da poltrona, um menino segura uma bandeja prateada com vários quadradinhos de chocolate em cima. Ele é branco e tem cabelos castanhos. Ele usa uma camiseta listrada nas cores branca e um shorts também verde escuro.

O foco da emoção do comercial

Para o comercial de Lacta, a consultoria da Sondery foi fundamental para retratar uma pessoa com deficiência de forma respeitosa, colocando o foco da emoção na linda relação entre mãe e filho e sua história original, sem explorar a deficiência como força de causar alguma emoção.

Esta abordagem coloca a pessoa com deficiência em protagonismo, independente da sua deficiência, mostrando que ela pode ser o que ela quiser.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto a mulher está sentada na poltrona. Com a mão esquerda ela segura a bandeira que está apoiada nos seus joelhos. Os dedos da mão direita estão em cima dos quadrados de chocolate que estão na bandeja. Do lado direito da poltrona há um pedaço de uma mesa redonda de madeira. Em cima da mesa tem um livro cinza desbotado e quadrado escrito “APRENDENDO BRAILLE" na cor cinza e em letras maiúsculas e uma barra de chocolate Lacta.

Uma mensagem em Braille como elemento principal da história de um comercial de televisão.

Não é sempre que uma marca pensa em recursos de acessibilidade para além de sua funcionalidade. Com Lacta, o objetivo não era trazer o Braille de forma informativa, mas sim natural e orgânica, reconhecendo que ele faz parte da vida e da história de seus consumidores com deficiência visual e, portanto, da vida da personagem do filme.

Um menino que escreve uma mensagem em Braille com pedacinhos de chocolate para a sua mãe. Apesar de ser bastante conhecido como “os pontinhos que ficam embaixo dos números do elevador”, o Braille é um sistema de leitura tátil com 64 símbolos, cada um formado pela combinação de até seis pontos em alto relevo.

A ideia de fazer a mensagem com chocolate é também inspirada em didáticas de ensino do Braille, onde professores usam versões maiores dos pontos (ou até mesmo caixas de ovos recortadas para que os alunos preencham com bolinhas), para que eles aprendam os símbolos. O menino do vídeo, cuja mãe tem deficiência visual, aparece segurando um livro antigo “Aprendendo Braille”, e sobre a mesa da casa também estão plaquinhas com letras e seus respectivos símbolos em Braille.

É claro que nenhuma pessoa com deficiência visual vai ler o Braille na televisão, mas a presença do recurso é importante para difundirmos cada vez mais a cultura da acessibilidade. Inclusive colocando os pontinhos na legenda, junto com os algarismos romanos, onde podemos ler a mensagem que representa o sentimento do filho por sua mãe: “Te amo”!

Esperamos que tenham gostado do comercial e de todos estes detalhes do trabalho de consultoria da Sondery. A cada novo vídeo publicitário em que nós conseguimos fazer representatividade e acessibilidade da forma certa, a gente acredita que chegamos mais perto de alcançar a nossa missão: criar a fundação do futuro acessível para todos!

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O que é leitor de tela e como pessoas com deficiência visual navegam na internet https://sondery.com.br/o-que-e-leitor-de-tela-e-como-pessoas-com-deficiencia-visual-navegam-na-internet/ Wed, 05 Apr 2023 19:56:56 +0000 https://sondery.com.br/?p=2386 Você sabia que pessoas com deficiência visual acessam a internet? Assim como videntes (pessoas que enxergam), elas fazem buscas em sites, compram em lojas virtuais, mandam mensagens pelo WhatsApp e são ativas nas redes sociais. Quer saber como isso é possível? Vem com a gente. O que são leitores de tela Leitor de tela é […]

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Foto de fundo branco com a mão de uma pessoa preta segurando um celular branco. Ao redor do celular há uma representação visual de uma onda sonora na cor azul.


Você sabia que pessoas com deficiência visual acessam a internet? Assim como videntes (pessoas que enxergam), elas fazem buscas em sites, compram em lojas virtuais, mandam mensagens pelo WhatsApp e são ativas nas redes sociais. Quer saber como isso é possível? Vem com a gente.

O que são leitores de tela

Leitor de tela é um software que lê em voz alta e robótica tudo o que está na tela de computadores, tablets e smartphones. Esse software transforma os códigos de sites e imagens em áudio para tornar a navegação de pessoas com alguma deficiência visual na internet possível.

Hoje em dia existem opções de leitores de tela gratuitas e pagas. Os mais usados são: NVDA, JAWS for Windows, Virtual Vision, DOSVOX, Orca (para Linux) e VoiceOver (para Mac). No caso dos smartphones, os que possuem sistema IOS já contam com o leitor de tela VoiceOver de forma nativa, os que possuem sistema Android precisam habilitar o recurso manualmente.

O primeiro leitor de tela começou a ser desenvolvido em 1984 pelo cientista da computação Dr. Jim Thatcher e pelo matemático e pessoa com deficiência visual Jesse Wright, funcionários da IBM, com o objetivo de facilitar o trabalho de informática e com programação de sistemas nos computadores anteriores aos computadores pessoais (PCs), tornando-os mais independentes já que não iriam mais precisar de uma pessoa que enxergasse para dizer se os códigos estavam sendo programados de forma correta ou não. Em 1986 o IBM Screen Reader, um dos primeiros leitores de tela para DOS, foi anunciado. Algum tempo depois foi desenvolvido o IBM Screen Reader/2, dessa vez para PC.

A importância de criar sites e conteúdos acessíveis

Já vamos tirar o elefante da sala logo de cara: Não é porque esses softwares existem que seu site ou loja virtual não precisa ser acessível.

O leitor de tela é um recurso que depende da acessibilidade dos sites, ou seja, se não forem programados seguindo as boas práticas e diretrizes de acessibilidade digital não será capaz de ler o que está na tela de forma correta e eficiente.

Por exemplo: Uma imagem sem descrição ao invés de ser detalhada será lida apenas como “imagem”. 

O mesmo acontece com as redes sociais. Muitas delas já possuem o recurso do texto alternativo, mas ainda não são todas as pessoas que conhecem a funcionalidade. Ou conhecem, mas não sabem como utilizá-la e acabam fazendo uma descrição de imagem de uma forma que mais atrapalha do que ajuda. 

Essa barreira impacta diretamente na decisão de seguir uma marca ou finalizar uma compra não só da pessoa com deficiência visual quanto a de pessoas ao seu redor, com ou sem deficiência, que ficaram sabendo da experiência negativa.

É importante lembrar que quando você for dizer que o conteúdo tem texto alternativo o correto é usar “pra todos verem” e não “pra cego ver”, pois cegueira não é a única deficiência visual existente.

E como eles assistem aos vídeos?

Você já reparou que uma das opções de áudio de plataformas como Netflix e Prime Video é com audiodescrição?

Se você já ouviu, por engano, por curiosidade ou por precisar mesmo do recurso, sabe o que é. Mas se você não sabe, não tem problema. Nós explicamos: A Audiodescrição é um recurso de acessibilidade que traduz em áudio o que está acontecendo na cena.

Infelizmente são raros os vídeos que encontramos na internet que foram gravados com este recurso, pois as plataformas de vídeo ainda não disponibilizam diretamente a opção de múltiplos canais de áudio, como na Netflix (ou na televisão aberta, com a tecla SAP), para que tenhamos um segundo canal de áudio.

Conclusão

A internet precisa ser acessível para que o direito fundamental de acesso para todas as pessoas, como sugere a ONU seja garantido. Segundo a Organização das Nações Unidas, cortar o acesso de uma pessoa à internet, por qualquer motivo que seja, é uma violação do artigo 19, parágrafo 3 º, do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos”.

Agora que todo mundo sabe que pessoas com deficiência visual acessam sim a internet e como fazem isso, esperamos que mais pessoas, agências e empresas criem conteúdos, páginas e lojas virtuais acessíveis, para garantir o acesso a todo mundo, inclusive de pessoas com deficiência visual.

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O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer https://sondery.com.br/o-grande-glossario-da-acessibilidade-e-inclusao/ Thu, 19 Jan 2023 20:18:27 +0000 https://sondery.com.br/?p=2368 Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo.       Capacitismo é toda forma de preconceito […]

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Imagem retangular na horizontal. A imagem é uma foto de uma rua no período da noite. Em primeiro plano, do lado direito da foto, tem um semáforo retangular e vertical preto com três círculos luminosos um embaixo do outro também na vertical. As três luzes - vermelho, amarelo e verde - estão acesas e tem o símbolo de pessoa com deficiência no centro. Em segundo plano é possível ver uma rua com faixas e uma bicicleta na cor branca no asfalto cinza escuro, postes de luz no lado esquerdo, no centro e no lado direito da foto. , uma de cada lado. Também é possível ver pedaços do céu preto nas partes superiores direita e esquerda. Na parte lateral esquerda uma construção bege com várias janelas.


Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo. 
    

Capacitismo é toda forma de preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência. Segundo Ivan Baron, influenciador, pessoa com deficiência e escritor do livro Guia Anti Capacitista, existem três tipos de capacitismo: 

  • Capacitismo Médico: Se refere ao uso equivocado de palavras como “doença” e “doente” para se referir à deficiência ou à pessoa com deficiência.
  • Capacitismo Recreativo: Se refere àquelas brincadeiras de mau gosto envolvendo deficiências com o objetivo de “divertir as pessoas”. O tipo de capacitismo mais comum na sociedade.
  • Capacitismo Institucional: Se refere tanto à falta de acessibilidade nos ambientes quanto à contratação de pessoas com deficiência por organizações que só querem atingir a cota e não as tratam com equidade em relação aos colaboradores sem deficiência.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de garantir os direitos das pessoas com deficiência no Brasil, pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além de punição, é preciso que haja mudança de pensamento e de vocabulário.

Pensando nisso, a Sondery criou O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos, para incentivar mais empresas e agências a utilizarem expressões adequadas não só no seu conteúdo externo como também internamente, em conversas e reuniões.

Glossário de termos de inclusão e acessibilidade

Não use estas palavrasUse estas palavras
AnãoPessoa com Nanismo
Anjo, Aleijado, AleijadinhoPessoa com deficiência
Braço curtoPessoa sem proatividade
Capenga[depende do contexto]
Cadeira elétricaCadeira motorizada
Criança especial , excepcionalCriança com deficiência intelectual
CeguinhoPessoa com deficiência visual, cego ou baixa visão (caso você tenha essa informação)
Dar uma de joão sem braçoPessoa sem proatividade
Dar uma mancada[depende do contexto]
Defeituoso, deformado, doente, doentinho, doente mentalPessoa com deficiência
Escola normalEscola regular
Guerreiro (a)[depende do contexto]
Incapacitado, Inválido, Inútil, IdiotaPessoa com deficiência
Língua dos sinais, linguagem de sinaisLíngua de Sinais ou Libras (sempre com L maiúsculo)
ManetaPessoa com deficiência física
MancoPessoa com deficiência física
Mongol ou mongolóidePessoa com síndrome de Down
MudinhoSe estiver se referindo a uma pessoa surda, usar pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva.
NormalPessoa sem deficiência
Necessidades especiaisPessoa com deficiência
PernetaPessoa com deficiência física
Pessoa normalPessoa sem deficiência
Portador de deficiência ou Portador de necessidades especiaisPessoa com deficiência
Retardado mentalPessoa com deficiência
Surdo-mudoSurdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva


Por que não usar estes termos

“Portador de deficiência”, “Portador de necessidades especiais”: É errado porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa. 

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência.

Aleijado”, “Perneta”, “Manco”, “Maneta”: É errado porque reforça a ideia de que ter uma deficiência é um defeito ou uma coisa ruim .

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência física.

“Surdo-mudo”, “Mudinho”: É errado porque a surdez não causa nenhum prejuízo ao aparelho fonador. Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser oralizada sem problema algum.  Existem, sim, pessoas com deficiências múltiplas – duas ou mais deficiências ao mesmo tempo -, mas não significa que uma é causa da outra.

O que usar para substituir: Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva.

“Mongol”, “Mongoloide”, “Retardado mental”: É errado porque o termo é usado para ofender pessoas chamando-as de “idiotas”, “babacas” e dá a entender que deficiência intelectual é sinônimo de falta de inteligência.

O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência intelectual.

É importante também que pessoas com deficiência parem de ser chamadas de “coitadas” porque elas não são e não querem ser vistas como infelizes ou vítimas de sofrimento, e que a palavra “deficiência” pare de ser usada como sinônimo de “falta” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, etc) e antônimo de eficiência.

Falta de vitaminas ou nutrientes não é algo bom para o organismo. Quando se relaciona algo ruim com deficiência, mesmo inconscientemente, está sendo reafirmado que ter uma deficiência também é ruim. E isso não é verdade. Muito menos o oposto de eficiência. O contrário de eficiência é ineficiência.

Além de mudar o seu jeito de pensar e falar, converse sobre o assunto e estimule as pessoas ao seu redor a mudarem também.  

A gente sabe que desconstruir preconceitos disfarçados de “brincadeiras” é difícil. Não é do dia para a noite que a gente vai acabar com algo que está enraizado no inconsciente da sociedade. Mas mostrar para todos que estes termos são ofensivos e que continuar a usá-los só propaga o preconceito contra as pessoas com deficiência é o primeiro passo.

Se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.

Recomendações de Leitura

  • Guia Anti Capacitista – Ivan Baron
  • Capacitismo: O mito da capacidade – Victor Di Marco
  • Disfigured: On fairy tales, disability, and making space – Amanda Leduc
  • Disability Visibility: first-person stories from the twenty-first century – Alice Wong

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