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O acesso à informação é um direito garantido pela Declaração dos Direitos Humanos. Isso significa, entre outras coisas, que todas as pessoas, incluindo as pessoas com deficiência, tenham acesso ao jornalismo. E, para isso acontecer, ele deve ser acessível e inclusivo.
O jornalismo é fundamental para o desenvolvimento do senso crítico de uma sociedade. Porém, precisamos estar atentos para que esse senso crítico não seja construído em bases preconceituosas. Uma dessas bases é o capacitismo.
Capacitismo é todo e qualquer preconceito e/ou discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência.
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante os direitos das pessoas com deficiência no Brasil e pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além da punição, é preciso que haja algumas mudanças na sociedade. E os profissionais da imprensa têm papel crucial nessa transformação.
A primeira diz respeito ao vocabulário que é utilizado.
Ainda é muito comum que termos ultrapassados sejam usados para se referir a uma pessoa com deficiência. Eles são ultrapassados porque não levam em conta que antes de qualquer deficiência vem a pessoa.
Alguns deles são:
Esse termo é errado porque a deficiência de uma pessoa é apenas uma das muitas características que ela possui; faz parte dela, mas não define quem ela é.
Esses são termos errados porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa, como se fosse um objeto que pode ser deixado em uma gaveta do armário.
Esse termo é errado por dois motivos: primeiro porque o “P” de PcD já é de “pessoa” e segundo porque uma pessoa não deve ser reduzida a uma sigla.
Use sempre “pessoa com deficiência”, assim mesmo, por extenso.
No grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos para incentivar profissionais da área da comunicação a utilizarem expressões adequadas em seus conteúdo externos e em conversas e reuniões internas, existem outros termos e expressões que não devem ser usados e a melhor forma de substituí-los. Ele pode ser acessado a qualquer momento no Blog da Sondery.
Vale ressaltar que cada comunidade (surdos, cegos, etc), e até cada indivíduo, tem sua preferência. Então, se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.
Outra contribuição importante que a imprensa deve dar para a luta das pessoas com deficiência é deixar de usar a palavra “deficiência” como sinônimo de “falta” ou “falha” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, deficiência de caráter deficiência no ataque ou na defesa, etc) e antônimo de eficiência nas pautas em geral, pois quando se relaciona algo ruim com deficiência, está reafirmando, mesmo que sem a intenção, que ter uma deficiência também é algo ruim. E isso não é verdade. Muito menos tem relação com a eficiência de uma pessoa ou de um time. O oposto de eficiência é ineficiência.
Além do uso de nomenclaturas corretas, é necessário que o modo como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência seja modificado.
Cada pessoa com deficiência é única, tem sua personalidade, hobbies, trabalhos, convicções e sonhos, assim como todo mundo. Porém, ainda existe uma crença de que todas são exatamente iguais. Essa ideia não só reforça o modelo médico da deficiência, que enxerga a deficiência como uma doença que precisa ser curada, perpetuando a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais, que não são capazes de fazer suas próprias escolhas e o entendimento de que não há necessidade de customizar produtos de tecnologia assistiva (a gente conversa sobre a importância da personalização desses acessórios aqui) e de que elas só conversam sobre temas ligados ao universo da pessoa com deficiência.
Essa, inclusive, é uma das principais reclamações das pessoas com deficiência quando o assunto é imprensa: elas são chamadas apenas para participar de matérias e entrevistas relacionadas à inclusão e acessibilidade, principalmente em setembro, mês em que é celebrado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (21/09) e muitas das conquistas da comunidade surda, como o Dia Internacional da Língua de Sinais (23/09) e Dia Nacional do Surdo (26/09).
Calendário de acessibilidade e inclusão para 2024
Pensando nisso, com o objetivo de mostrar para a imprensa que pessoas com deficiência não só podem conversar sobre qualquer tema como têm muito para contar, criamos o “Mudando de Assunto“, um programa de entrevistas onde a Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, conversa com pessoas com deficiência sobre qualquer assunto que não seja acessibilidade e inclusão.
A Ana já entrevistou Giovanni Venturini, ator com nanismo sobre seus filmes e novelas, Leo Castilho, arte-educador surdo sobre museus e poesia, Rogério Ratão, escultor cego sobre exposições e sua vivência cultural como artista em Nova York, entre outros.
Você pode conferir todas as entrevistas do Mudando de Assunto no canal do YouTube da Sondery.
Vamos supor que você está trabalhando em uma pauta sobre o Dia dos Namorados, por exemplo. Por que não aproveitar a ocasião e entrevistar um casal onde um ou ambos têm alguma deficiência para saber como vai ser a comemoração deles?
Em 2022 a Sondery realizou a consultoria para um comercial da campanha de Dia dos Namorados da Lacta, feito pela Agência DAVID, baseado na história real de um casal surdo-ouvinte.
No filme um homem ouvinte está em uma festa onde a maioria das pessoas conversa em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Ele se interessa por uma das convidadas e pergunta para a anfitriã da festa como faz para conversar com essa convidada surda. Sua amiga ensina os sinais de “Oi, vamos conversar um pouquinho? “ e ele vai puxar papo com a moça.
Assista o comercial aqui:
Percebeu como o foco do comercial é mostrar o nascimento de uma história de amor entre duas pessoas e não causar emoção pela deficiência auditiva da convidada ou mostrar a Libras de uma forma didática?
Mesmo sendo um vídeo de apenas trinta segundos e a maior parte dos ouvintes que vão assisti-lo não conseguir se comunicar usando a Língua Brasileira de Sinais, o fato dela estar presente a sociedade vai pensando nela com mais naturalidade, aumentando a procura e produção de conteúdos cada vez mais acessíveis (e quem sabe até não desperta o interesse por aprender a língua).
Às vezes, por falta de conhecimento e experiência, episódios como o da jornalista que estendeu a mão para cumprimentar uma pessoa cega podem acontecer. Esse tipo de situação não só é constrangedora e vira piada, como fortalece o capacitismo.
Portanto, todo(a) jornalista deve saber como interagir com as pessoas com deficiência tanto para não cometer gafes e fortalecer preconceitos, como para deixar que a entrevista seja o mais natural possível.
Separei 7 dicas para te ajudar:
Não tenha vergonha de perguntar que tipo de acessibilidade a pessoa precisa e garanta que a locação a tenha. Nada de sugerir que a pessoa com mobilidade reduzida seja carregada no colo escada a cima, viu?
Pessoas com deficiência são como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de entrar em desespero ao encontrar um cadeirante, por exemplo.
Antes de sair ajudando, pergunte para a pessoa se ela precisa de ajuda e como você pode ajudar. Não é porque uma pessoa tem deficiência que ela necessariamente precisa (ou quer) ser ajudada o tempo todo.
Não olhe para uma pessoa com deficiência como alguém digno de pena e compaixão.
O mesmo vale para o olhar de exemplo de superação. Pessoas com deficiência não existem para te inspirar a fazer nada.
Não fale com um adulto com deficiência como falaria com uma criança com ou sem deficiência. Nada de falar no diminutivo, hein?
Faça a sua descrição e as das coisas mais importantes do ambiente em que estão para uma pessoa cega ou com baixa visão.
Fale sempre olhando para quem vai responder a pergunta, assim como faz com um(a) entrevistado(a) sem deficiência. Não é porque uma pessoa tem deficiência e está acompanhada que ela precisa que falem por ela.
No caso de pessoas com deficiência auditiva com intérprete de Libras, faça a pergunta olhando para a pessoa entrevistada e escute a resposta olhando para o intérprete.
Nas redações existem profissionais especializados em diferentes áreas para que uma pauta seja bem executada (redatores, fotógrafos, revisores, etc), mas entre eles não encontramos um especialista em audiodescrição. Por esse motivo raramente nos deparamos com matérias ou entrevistas que tenham imagens descritas.
A audiodescrição é um recurso de acessibilidade para transformar imagens em palavras também conhecido como “texto alternativo”. Esse recurso permite que pessoas com deficiência visual ou intelectual tenham acesso à imagem.
Para garantir que as diretrizes da audiodescrição estejam sendo cumpridas, como evitar excesso de informação, o ideal é ter dois profissionais da área na equipe: um(a) audiodescritor(a) e um(a) revisor(a) em audiodescrição.
No texto O Papel do Consultor em Audiodescrição Edgar Jacques, consultor de acessibilidade especialista em audiovisual, reflete sobre a importância da consultoria de audiodescrição e porque o revisor precisa ser uma pessoa cega.
Além da acessibilidade, a descrição de imagens é importante para melhorar o SEO (Search Engine Optimization – Otimização de Mecanismos de Busca) para imagens.
Ao fazer SEO nas imagens o Google é informado sobre o conteúdo de cada uma, aumentando as chances de rankear uma delas nas buscas do Google Imagens. Esse ranqueamento atrai tráfego orgânico e qualificado.
O serviço de audiodescrição pode ser contratado em uma consultoria de acessibilidade como a da Sondery.
Não são apenas imagens que precisam estar acessíveis na internet. Todo conteúdo digital deve ser acessível para todas as pessoas. Para isso acontecer da forma correta surgiu a WCAG.
A WCAG (Web Content Accessibility Guidelines – Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web) é um conjunto de diretrizes e recomendações de acessibilidade para web desenvolvido pelo consórcio W3C – World Wide Web, através do WAI (Iniciativa de Acessibilidade na Web), em colaboração com pessoas e organizações em todo o mundo em 1999 e em frequente atualização.
Todo profissional que trabalha com criação de conteúdo digital para sites, blogs, portais e redes sociais deve conhecer pelo menos o básico de WCAG para que todo o conteúdo produzido seja acessível desde a concepção possa ser encontrado e consumido de fato por todas as pessoas.
O documento completo pode ser encontrado em português de forma gratuita e acessível na internet.
Considerações Finais
Como uma pessoa com deficiência que escolheu se formar em jornalismo e que escutou inúmeras vezes durante a graduação que pautas com protagonismo da pessoa com deficiência não teriam interesse ou fontes suficientes, sei que não é um caminho simples.
Mas agora que você, jornalista, conhece mais sobre o universo da pessoa com deficiência e sabe do papel fundamental que tem na construção de uma sociedade anti-capacitista, espero que além de passar a se enxergar como um(a) aliado(a) na luta pela representatividade respeitosa e verdadeira das pessoas com deficiência na imprensa e que contribui para a quebra de preconceitos e barreiras atitudinais que atrapalham a luta pelos direitos das pessoas com deficiência, leve essa luta para as reuniões de pauta do veículo em que trabalha, seja ele online ou offline, e estimule seus colegas a também serem aliados(as).
O post O que todo jornalista deveria saber sobre pessoas com deficiência e acessibilidade apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.
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Um dia desses estava esperando o elevador ao lado de uma mulher com um menino de uns cinco anos. Enquanto esperávamos escutei ele dizer para a mãe que tinha achado meu “carrinho roxo” legal. Quando entrei na conversa ele ficou tímido e ela explicou que roxo é a cor preferida dele.
Essa não foi a primeira vez que uma criança ou um adulto fez um comentário do tipo ou mesmo me parou para elogiar minha cadeira de rodas. Cada vez que uma interação desse tipo acontece passo o dia reflexiva. Por que o fato de ser uma cadeira de rodas colorida chama tanto a atenção das pessoas?
Eu sou cadeirante desde 1996. Não sei dizer quantas cadeiras de rodas tive enquanto crescia, mas todas elas ou eram da minha cor preferida do momento ou combinavam com a fase da vida que estava passando. Assim como consumidores em geral fazem com roupas, acessórios, armações de óculos e carros: escolhem os que refletem seus gostos e personalidades.
Deveria ser natural para pessoas sem deficiência cruzar com pessoas utilizando acessórios de tecnologia assistiva que fossem a cara delas. Deveria ser natural que pessoas com deficiência utilizassem acessórios de tecnologia assistiva que tivessem tudo a ver com elas. Mas não é.
Apesar de hoje ser possível ter cadeiras de rodas cada vez mais coloridas e até de personagens de filmes e desenhos infantis, a possibilidade de customizar ou personalizar não se aplica a outros acessórios de tecnologia assistiva, como bengalas, muletas e andadores.
“Eu trabalho com moda e como uso a bengala todo dia. Decidi customizar ela com meu estilo pra fazer parte dos meus looks e pintar de rosa. Infelizmente a tinta ficou rosa escuro, parecendo vermelho. Mas percebi que as pessoas não se davam conta que era uma bengala, demoravam mais para perceber ela depois que pintei, talvez seja pela cor que deixou mais escura e por sair do padrão.”
(Giovanna Masserra, estudante de moda e mulher com deficiência)
O modelo médico da deficiência é um conceito que surgiu no início do século XX, quando milhares de soldados e civis passaram a conviver com algum tipo de deficiência durante a primeira guerra mundial.
Nele, a deficiência, que antes era encarada como um castigo divino, passou a ser vista do ponto de vista científico. Ou seja, vista como uma “doença” que impacta diretamente na qualidade de vida e na capacidade de produção de quem a possui e impede seu convívio em sociedade, portanto, que necessita de cura.
O principal objetivo desse modelo era promover a reabilitação desses indivíduos, torná-los “normais” de novo.
O modelo médico da deficiência está ultrapassado porque perpetua a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais e não são capazes de fazer suas próprias escolhas.
“Eu escolho minhas roupas, calçados, cor de batom e tudo mais, por que não escolheria a cor da bengala? E digo mais, não gosto do tom de verde que escolheram pras pessoas com baixa visão.”
(Ana Gouvêa, designer de produto, especialista em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual)
Recentemente, Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, passou algumas semanas em Portland, no Oregon, e ficou impressionada não só com o número de pessoas com alguma deficiência circulando na rua, mas principalmente com a quantidade de jovens usando algum produto de tecnologia assistiva.
“O que mais me chamou a atenção foi mais no sentido de ver jovens na rua utilizando acessórios de tecnologia assistiva de diferentes tipos.”
Para Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência, a possibilidade de personalizar um acessório de tecnologia assistiva é uma forma de mostrar para a sociedade que quem precisa usar algum deles não está no fim da vida.
“Da mesma forma que a gente tatua o corpo, a gente também pode customizar nossa cadeira de rodas, nossa bengala, pra que tenha uma identificação com a gente. Por muitas vezes a sociedade viu esses equipamentos como algo de uma pessoa mais velha, que está no fim da vida e essa é uma forma de ressignificar, de mostrar que faz parte de quem nós somos.”
(Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência)
Ana aproveitou a oportunidade para trazer para Ana Gouvêa e Luciana Oliveira a encomenda das tão sonhadas bengalas coloridas.
Para a consultora em acessibilidade, especialista em experiência do usuário com foco em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual, Luciana Oliveira, a possibilidade de customizar ou não uma bengala determina o peso que ela terá para a sociedade e para a própria pessoa que vai usá-la.
“Uma bengala nunca vai ser um acessório de moda, mas poder escolher a cor, fazer uma combinação com a roupa que você está usando, dá uma conotação mais leve e menos pesada pra ela.”
Nos EUA também é comum que pais incorporem acessórios de tecnologia assistiva nas fantasias de Halloween de seus filhos, transformando cadeira de rodas e andadores em carruagens, naves espaciais, navios pirata, entre outros.
Falando em fantasia, em 2020 a Disney lançou para o público norte-americano uma linha de fantasias adaptadas para crianças com deficiência.
Espero que essa ideia se popularize logo, que lojas e marcas passem a vender acessórios de tecnologia assistiva cada vez mais bonitos para que pessoas com deficiência, que querem – e merecem – comprar esses produtos, se sintam bem com seus acessórios, assim como todo mundo.
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Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo.
Capacitismo é toda forma de preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência. Segundo Ivan Baron, influenciador, pessoa com deficiência e escritor do livro Guia Anti Capacitista, existem três tipos de capacitismo:
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de garantir os direitos das pessoas com deficiência no Brasil, pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além de punição, é preciso que haja mudança de pensamento e de vocabulário.
Pensando nisso, a Sondery criou O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos, para incentivar mais empresas e agências a utilizarem expressões adequadas não só no seu conteúdo externo como também internamente, em conversas e reuniões.
| Não use estas palavras | Use estas palavras |
| Anão | Pessoa com Nanismo |
| Anjo, Aleijado, Aleijadinho | Pessoa com deficiência |
| Braço curto | Pessoa sem proatividade |
| Capenga | [depende do contexto] |
| Cadeira elétrica | Cadeira motorizada |
| Criança especial , excepcional | Criança com deficiência intelectual |
| Ceguinho | Pessoa com deficiência visual, cego ou baixa visão (caso você tenha essa informação) |
| Dar uma de joão sem braço | Pessoa sem proatividade |
| Dar uma mancada | [depende do contexto] |
| Defeituoso, deformado, doente, doentinho, doente mental | Pessoa com deficiência |
| Escola normal | Escola regular |
| Guerreiro (a) | [depende do contexto] |
| Incapacitado, Inválido, Inútil, Idiota | Pessoa com deficiência |
| Língua dos sinais, linguagem de sinais | Língua de Sinais ou Libras (sempre com L maiúsculo) |
| Maneta | Pessoa com deficiência física |
| Manco | Pessoa com deficiência física |
| Mongol ou mongolóide | Pessoa com síndrome de Down |
| Mudinho | Se estiver se referindo a uma pessoa surda, usar pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva. |
| Normal | Pessoa sem deficiência |
| Necessidades especiais | Pessoa com deficiência |
| Perneta | Pessoa com deficiência física |
| Pessoa normal | Pessoa sem deficiência |
| Portador de deficiência ou Portador de necessidades especiais | Pessoa com deficiência |
| Retardado mental | Pessoa com deficiência |
| Surdo-mudo | Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva |
“Portador de deficiência”, “Portador de necessidades especiais”: É errado porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa.
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência.
“Aleijado”, “Perneta”, “Manco”, “Maneta”: É errado porque reforça a ideia de que ter uma deficiência é um defeito ou uma coisa ruim .
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência física.
“Surdo-mudo”, “Mudinho”: É errado porque a surdez não causa nenhum prejuízo ao aparelho fonador. Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser oralizada sem problema algum. Existem, sim, pessoas com deficiências múltiplas – duas ou mais deficiências ao mesmo tempo -, mas não significa que uma é causa da outra.
O que usar para substituir: Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva.
“Mongol”, “Mongoloide”, “Retardado mental”: É errado porque o termo é usado para ofender pessoas chamando-as de “idiotas”, “babacas” e dá a entender que deficiência intelectual é sinônimo de falta de inteligência.
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência intelectual.
É importante também que pessoas com deficiência parem de ser chamadas de “coitadas” porque elas não são e não querem ser vistas como infelizes ou vítimas de sofrimento, e que a palavra “deficiência” pare de ser usada como sinônimo de “falta” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, etc) e antônimo de eficiência.
Falta de vitaminas ou nutrientes não é algo bom para o organismo. Quando se relaciona algo ruim com deficiência, mesmo inconscientemente, está sendo reafirmado que ter uma deficiência também é ruim. E isso não é verdade. Muito menos o oposto de eficiência. O contrário de eficiência é ineficiência.
Além de mudar o seu jeito de pensar e falar, converse sobre o assunto e estimule as pessoas ao seu redor a mudarem também.
A gente sabe que desconstruir preconceitos disfarçados de “brincadeiras” é difícil. Não é do dia para a noite que a gente vai acabar com algo que está enraizado no inconsciente da sociedade. Mas mostrar para todos que estes termos são ofensivos e que continuar a usá-los só propaga o preconceito contra as pessoas com deficiência é o primeiro passo.
Se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.
Recomendações de Leitura
O post O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.
]]>O post O que você pode aprender com o nosso case de Burger King apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.
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[Rafael Duarte] Olá pessoal, eu sou Rafael Duarte e hoje eu vou falar com vocês sobre o comercial de Burger King. Pra quem não sabe, a Sondery fez a consultoria para um comercial de televisão de Burger King que trazia como protagonista uma pessoa cega. E este comercial foi produzido pela Agência DAVID e teve a nossa consultoria em todas as etapas, desde a pré-produção, o casting do elenco, a gente participou junto da produção, no roteiro… a gente participou de todas as etapas, produção, finalização. E nos recursos de acessibilidade; este comercial foi ao ar com audiodescrição.
E não só isso, este foi o primeiro comercial da televisão brasileira a ter audiodescrição no canal principal de áudio. Ou seja, todas as pessoas ouviam a audiodescrição, ao contrário de outros comerciais que têm a audiodescrição no segundo canal de áudio, que para ouvir a audiodescrição você precisa apertar a tecla SAP.
O legal do comercial com audiodescrição é que, eu vou colocar ele aqui para passar, mas só o áudio dele, claro, já que é um podcast, e vocês vão ouvir este comercial, o áudio das falas, da música, do que está acontecendo, da audiodescrição, e depois a gente vai passar um pequeno depoimento da Ana Clara sobre como foi participar desse trabalho, como foi participar do desenvolvimento, de todas as etapas, e depois eu volto para falar um pouquinho para vocês sobre os 5 aprendizados que a gente pode pegar deste estudo de caso e tem coisa muito legal. Então espero que vocês gostem bastante desse episódio.
[Audiodescrição] No Burger King um rapaz branco, cego, usa coroa de cartolina. Come um Big King. Um Cheddar Duplo está na bandeja.
[Personagem] Tem duas carnes, tem pão no meio, alface.
[Audiodescrição] Ele morde o Cheddar Duplo.
[Personagem] Huummm…
[Audiodescrição] Tateia o sanduíche.
[Personagem] É uma explosão de cheddar, pãozinho macio com gergelim. Dois p*uta lanche só por 15 conto. Cê não acredita, isso aqui é bom demais. Uma das coisas que eu falo que só acredito vendo. [risos]
[Narrador] Confie em quem entende. Combine dois dos seus sanduíches favoritos por apenas 15 reais. Burger King, do seu jeito.
[Personagem] Dá pra sentir o cheirinho, ó [barulho de inspiração forte].
[Audiodescrição] Cheira o cheddar duplo.
Fim do comercial.
[Ana Clara] E a gente tem um Case nosso muito concreto essa espiral do convencimento e que mostra como é importante o fato de todo mundo está na mesma vibe, no mesmo barco, com a mesma motivação que foi o nosso comercial com o Burguer King.
Foi o primeiro comercial audiodescrito, com audiodescrição no canal aberto de televisão na TV brasileira.
E foi um processo muito intenso, muito cheio de aprendizados pra todos os envolvidos, e foram muitos envolvidos inclusive empresas diferentes. Existia a agência que fez a campanha, existia o próprio cliente que no caso é o Burger King, existia uma empresa produtora de audiovisual, existia uma empresa produtora de som, existia a Sondery, como consultoria de acessibilidade e o ponto focal para todos esses envolvidos sobre esse assunto.
Então o nosso papel era exatamente tirar as dúvidas, orientar desde o início até o final do processo. E foi muito bacana o aprendizado dos dois lados, a gente também aprendeu muito, mas era muito concreto ver o resultado da participação de pessoas com deficiência nas reuniões, como eu citei, parte da nossa equipe que são pessoas com deficiência foram e participaram totalmente de todo o processo. E nessas empresas, principalmente de produção, agências de comunicação, muitas vezes podem não ter um contato tão próximo com esse universo e até fisicamente, presencialmente, com uma pessoa com deficiência. E o fato de ter ali, é um profissional com deficiência participando da mesma mesa de reunião tem um impacto muito intenso, muito rápido, e muito positivo, né? Que ajuda muito nesse processo de convencimento. E isso claro influencia no resultado final do projeto. Então imagina se todas essas empresas envolvidas cada uma tivesse uma delas tivesse menos motivada, uma tivesse falando “ai não, estamos fazendo isso porque estamos sendo obrigados”…
Todo mundo tava querendo fazer algo acessível, inclusivo e de um jeito muito bacana. E aí a gente conseguiu chegar nesse comercial foi um divisor de águas.
Então eu acho que foi muito bacana e foi bem essa espiral de convencimento, né? Convencimento e de conhecimento, porque a cada reunião as pessoas aprendiam um pouco mais sobre o assunto, a gente aprendia sobre o processo deles e foi sendo muito positivo e muito impactante e era extremamente concreto esse aprendizado. Às vezes a gente via até entre uma reunião, vamos dizer assim, entra reunião um e a reunião 4, a própria equipe de pessoas viam antes mesmo da gente como consultoria apontar fazer alguma consideração eles mesmos, ao ter contato ao ter conhecimento já identificavam algumas coisas, falavam “nossa, na primeira versão estava assim, caramba tava errado” e a gente nem tinha falado nada, porque realmente faz parte do processo, existe uma curva de aprendizado. Mas foi um case muito bacana, a gente gosta muito, tem muito orgulho, mas extremamente concreta essa questão da importância de todo mundo estar convencido, motivado da mesma forma.
[Rafael Duarte] Pois é, gente. Esse trabalho do Burger King foi muito bacana mesmo, e inclusive teve uma repercussão muito grande nacional e internacional, por causa do pioneirismo do uso de audiodescrição no canal principal de áudio da TV brasileira. Além, é claro, de termos um protagonista cego em um comercial de Burger King, que é uma marca muito grande, conhecida em todo o mundo.
E agora eu vou contar um pouquinho sobre 5 aprendizados que a gente pode retirar deste case.
Você ouviu a Ana falando que aqui na Sondery a gente sempre envolve pessoas com deficiência nos nossos trabalhos. Isso porque a gente acredita que a diversidade do time traz pontos de vista diferentes para o trabalho e isso acaba deixando as ideias muito mais criativas, muito mais completas.
Além disso, ter pessoas com deficiência participando do trabalho da equipe também é muito enriquecedor na questão de que você naturaliza a inclusão, naturaliza a acessibilidade. Você faz as pessoas perceberem que é muito necessário que o mundo seja acessível. Se tem um cego participando de uma reunião eles vão começar a fazer a descrição de um slide, vão fazer a descrição de algo que está em cima da mesa… Se tem um surdo participando de uma reunião, vai se tornar mais natural você ter intérpretes de Libras acompanhando as reuniões da sua empresa, e assim vai.
Então isso também é um ponto muito bacana de engrandecimento da sua empresa, enriquecimento do produto final e também muito melhor para o mundo, porque você vai estar praticando de fato a inclusão dentro da sua empresa.
Pode parecer óbvio, né? Mas o fato de ter um personagem cego na campanha de Burger King fez com que as pessoas cegas também se identificassem mais com a marca. A gente acompanhou de perto algumas comunidades de pessoas cegas, inclusive muita gente mandando pra gente o comercial, algumas nem sabiam que a gente tinha trabalhado no comercial, e mandavam pra gente falando “olha que legal, um comercial com uma pessoa cega, e tem audiodescrição, eu pude consumir esse comercial”.
Então sim, faz diferença para a marca, pra consideração de marca, para a imagem da marca. Então é muito bacana. E as pessoas com deficiência precisam estar no seu briefing, né? Como a gente sempre fala. E não só como personagens, mas como a gente falou elas precisam estar trabalhando nesse projeto. E uma terceira participação é que eles precisam estar no seu briefing enquanto pessoas consumidoras da sua marca.
E por falar em consumidoras, a gente vai para o terceiro aprendizado.
Então eu vou contar uma história bem bacana. A gente trabalhou nesse projeto junto com o Edgar Jacques, que é um consultor em revisão de audiodescrição e ele também é ator, e el e é uma pessoa cega. E durante uma das reuniões, tinha uma coroa do Burger King em cima da mesa e as pessoas falavam “ah, mas a coroa, ele vai estar usando uma coroa de papelão”, “a coroa de papelão isso”, “a coroa de papelão aquilo”… e ao final da reunião o Edgar chamou a Ana e perguntou “que coroa é essa?”. Então a Ana pegou a coroa, mostrou pra ele, ele tateou a coroa, e aí ele entendeu que a coroa de papelão é um ícone, um símbolo do Burger King, e que inclusive ela é distribuída nas lojas. Só que em nenhum momento antes deste comercial de Burger King que a gente fez essa coroa havia sido descrita. Ela nunca foi descrita antes, na loja não tem ninguém que faça isso, que faça esse trabalho de descrever a coroa, ou até de informar para as pessoas que não estão vendo a coroa ali de que a coroa existe.
Depois disso a gente percebeu que muita gente da comunidade cega não conhecia a coroa do Burger King. Então é isso, a acessibilidade por trazer esse conhecimento para o seu público que você pode estar perdendo, pode estar ignorando.
E eu falo isso porque a gente percebe que muita gente acredita que a acessibilidade precisa ficar ali isolada num cantinho, que as pessoas com deficiência precisam consumir um conteúdo diferente, um conteúdo acessível, e que o conteúdo sem acessibilidade é o que vai pra todo mundo.
A gente está falando de um comercial de Burger King que foi em rede nacional com audiodescrição. E foi pra todo mundo. E não atrapalhou ninguém. Só acrescentou, pois as pessoas cegas puderam ter acesso ao conteúdo daquele comercial a partir da tradução em áudio do que estava aparecendo na tela.
Então é isso, se a acessibilidade – tanto a janela de Libras, quanto a audiodescrição, as legendas – forem feitas de uma forma que fiquem orgânicas junto com a sua peça, o seu comercial, o seu filme para TV, então ele não vai atrapalhar ninguém a consumir aquele comercial, muito pelo contrário, ele vai ajudar para que o máximo de pessoas consiga consumir aquele comercial.
E o último aprendizado tem bastante relação com o que eu falei no anterior.
Tem muita gente que acredita que a acessibilidade precisa ser feita de um jeito duro, inflexível. Acaba fazendo uma coisa bem técnica, até um pouco chata.
Existem, é claro, regras e diretrizes para fazer acessibilidade do jeito certo, o jeito correto, o jeito que faça com que a acessibilidade cumpra o seu papel. Mas a gente precisa começar a fazer algumas coisas de forma mais criativa, pra que a gente consiga integrar de forma orgânica essa acessibilidade, esses recursos de acessibilidade, ao produto final que a gente quer deixar acessível. Porque não basta ser acessível, tem que ser interessante também. Tem que passar a mesma experiência, o mesmo sentimento que o comercial está passando.
Então como a gente coloca uma janela de Libras em um vídeo, que seja bastante orgânico? De repente trocando a roupa do intérprete de Libras com uma paleta de cores que combine com a marca, que combine com o fundo da melhor forma possível.
E falando especificamente deste trabalho com o Burger King eu vou falar duas coisas que aconteceram que foram bem bacanas e que agregam bastante para esse aprendizado. Uma delas é que a gente trabalhou bem próximo do time criativo da agência DAVID. Então a gente pôde não só acompanhar toda a produção do comercial e orientar como algumas coisas deveriam aparecer na tela para simplificar a audiodescrição, pensando que é um comercial muito curto, apenas 30 segundos, então muita coisa vai aparecer na tela e precisa ser descrita. E também a gente trabalhou junto com eles aprendendo termos da marca, jargões e tudo mais, para que a gente pudesse levar isso pro texto de audiodescrição, pro roteiro de audiodescrição, para que ela pudesse ficar mais próxima possível do que a marca faz. E, do outro lado, a gente estava trabalhando também com a nossa consultora em audiodescrição Rosa Matsushita e com Edgar Jacques que estava fazendo a revisão da audiodescrição, também trabalhamos muito essa questão de como deveria ser essa audiodescrição para publicidade. Porque não existem muitos direcionamentos quando o assunto é audiodescrição para publicidade. Então você vai encontrar muito material falando sobre vídeos, imagens estáticas, exposições, mas audiodescrição para publicidade você não vai encontrar muito, mesmo em países onde essa discussão já está bem mais evoluída, como o Reino Unido.
Então a gente juntou todas essas informações vindas dos dois lados, dos nossos consultores de audiodescrição e do time criativo da agência DAVID, pegamos tudo isso e também juntamos com a nossa experiência criativa, a gente trabalhou muitos anos eu e a Ana com publicidade em agência criativas grandes de São Paulo, e acabamos chegando em um meio termo das técnicas de audiodescrição com a linguagem publicitária pra criar a melhor audiodescrição possível para esse comercial.
Bom, é só isso que eu queria dizer nesse episódio. Ele ficou até bem grande, está bastante rico, acho que é um dos episódios mais ricos de conteúdo que a gente fez até agora.
Podem continuar acompanhando o SonderyCast que a gente tem bastante coisa bacana vindo por aí.
Se você tiver alguma sugestão, alguma dúvida, você pode entrar em nossas redes sociais, a gente é @sonderybr no Instagram, procura a gente lá e mande as suas sugestões que a gente vai procurar atendê-las.
Um abraço a todo.
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Neste episódio do SonderyCast, o podcast da Sondery, Ana Clara Schneider e Rafael Duarte discutem argumentos de convencimento para inserir a acessibilidade nos projetos dentro da sua empresa, da sua marca ou para os seus clientes. Este áudio é um trecho de uma aula da Jornada de Acessibilidade da Sondery.
Ouça o episódio no Anchor:
Ouça o episódio no Spotify:
Está começando mais um SonderyCast, o Podcast da Sondery. No último episódio a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, mostrou com base em dados, estudos e pesquisas quem é o consumidor com deficiência, o poder de compra das pessoas com deficiência e porque devemos sempre considerá-las como nosso público alvo.
E agora, vamos ouvir ao áudio de uma Live que é a continuação deste assunto. Uma Live que eu, Rafael Duarte, diretor de conteúdo da Sondery, e a Ana Clara fizemos contando sobre a importancia destes dados na hora de defender o investimento em acessibilidade dentro da sua empresa ou para clientes. E se você é uma pessoa que já entendeu os benefícios de investir em acessibilidade em sua agência, empresa ou marca, então vamos mostrar alguns argumentos de convencimento para você conseguir pouco a pouco emplacar projetos acessíveis dentro da sua empresa ou para seus clientes.
[Ana] Olá pessoal, eu sou a Ana Clara, da Sondery.
[Rafael] E eu sou o Rafael Duarte, também da Sondery.
[Ana] E hoje a gente vai falar sobre como vender projetos de acessibilidade dentro da sua empresa, dentro da sua agência. Como convencer o seu chefe que é importante investir em acessibilidade. Então hoje vai ser uma aula bem prática com bastante troca, bastante informação. E principalmente argumentações.Pra gente poder treinar um pouco essa esse convencimento das pessoas com relação a inserir acessibilidade dentro de cada projeto. Seja ele de uma empresa, seja de um prestador de serviço, que inclusive também pode ser de acessibilidade.
A gente sabe que é difícil, né, quando a gente precisa explicar um serviço de acessibilidade. Seja uma interpretação de Libras,uma legenda, uma audiodescrição é muito importante que a gente tenha sempre argumentos diferentes, inclusive, para convencer em cada caso.
E também se você for de uma agência de comunicação ou até mesmo cliente atendido por uma agência, né Rafa?
[Rafa] Exatamente. Eu acho que é importante a gente primeiro partir do ponto: o que é vender um projeto de acessibilidade? O que é vender um projeto? Esse “vender um projeto de acessibilidade” pode ter diferentes significados. Dependendo de que área você atua, de qual é a sua posição na empresa, de que empresa você faz parte… e tudo mais.
Por exemplo: dentro de uma empresa em que você trabalha com alguns projetos e você quer que esses projetos fiquem acessíveis, vender a acessibilidade significa convencer o seu chefe, o seu gestor, pessoas dentro da própria empresa em que você já trabalha, a deixarem os projetos, os trabalhos que você faz, os serviços, os produtos da sua empresa, acessíveis.
Então esse é um dos pontos. O outro ponto por exemplo se você trabalha numa agência, uma agência de publicidade, de Marketing, de assessoria de imprensa, e então você tem os seus clientes, e você precisa convencer pessoas que já são seus clientes, a adotarem a acessibilidade nesses trabalhos que você já faz para eles.
E o terceiro são, como a Ana disse, os seus prestadores de serviço, inclusive prestadores de serviços de acessibilidade. Porque não é simples, a acessibilidade é um tema complicado de se vender, por assim dizer, porque falta bastante informação, né? Do que é acessibilidade, de como ela precisa ser feita, de por que ela precisa ser feita. E também que benefícios ela vai trazer.
Que benefícios ela vai levar para o seu cliente, da sua agência?
Que benefícios você, como prestador de serviços de acessibilidade, vai levar para o seu cliente?
Seja um pequeno negócio, um produtor de conteúdo independente…
E dentro da sua empresa, de repente, você colocar acessibilidade nos projetos que você participa.
Dentro da sua empresa, que benefícios vai ter?
Então você entendendo esses benefícios e sabendo passar essa informação para o seu gestor, pro seu cliente, eu acho que é o primeiro ponto é um dos pontos mais importantes para você conseguir convencer a pessoa que você precisa convencer, obviamente, a investir na acessibilidade.
Porque é um investimento, e como todo investimento ela tem um retorno. Seja um retorno de imagem, que também é muito importante, seja um retorno financeiro, porque é uma estratégia de negócio investir em acessibilidade, seja um retorno social, né? Também existe, as empresas também têm um compromisso com a sociedade, um compromisso com a comunidade a qual pertencem.
Então a acessibilidade envolve todos esses retornos, né? O que é muito legal. Não é isso, Ana?
[Ana] Exatamente. Eu acho que esse é o primeiro passo sempre a primeira chavinha que a gente tem que mudar e tentar explicar e convencer com todos nesses argumentos que o primeiro passo é realmente entender a acessibilidade como um investimento, né?
E aí principalmente do ponto de vista de um gestor ou de um dono de uma empresa, dono de um serviço, e aí eu falo até mesmo também como uma empreendedora, é muito importante, toda vez que a gente investe para aprimorar o nosso produto ou o nosso serviço, é uma coisa positiva. Você tá fazendo com que ele seja melhor, ou mais rápido, ou mais leve, ou mais agradável, né?
Você sempre investe tempo, energia, pessoas e dinheiro para fazer com que o seu produto tenha um resultado, uma performance, um formato, melhor para todas as pessoas.
Lembrando que esse foi um assunto que a gente falou na primeira aula, os recursos pensados de acessibilidade podem beneficiar não somente as pessoas com deficiência mas também pessoas com deficiência. Muitas vezes soluções ou implementações pensadas para acessibilidade podem beneficiar pessoas com e sem deficiência, né?
Quando você vai desenvolver um site, por exemplo, é uma semântica correta, né, respeitar a ordem de cabeçalhos, ter um código limpo, vai fazer com que experiência, e pensar nessa experiência do usuário de uma forma é cada vez mais estruturada e agradável pra que um leitores de tela possa passar por todo o conteúdo de uma forma correta e agradável muito provavelmente vai fazer com que toda a experiência do site seja muito melhor também para todos os outros visitantes.
Então virar essa chavinha de que acessibilidade é um investimento e não olhar somente como um custo, como algo que eu vou ter que desembolsar como se eu não fosse ter isso de volta, como se eu não fosse ter esse retorno, como o Rafa falou, um retorno financeiro, um retorno de imagem, um retorno de reputação e também o retorno de qualidade de produto.
Porque a partir do momento que o seu produto é mais acessível e mais inclusivo ele também vai poder chegar em mais pessoas e aí você vai ter um potencial público consumidor ainda maior.
[Rafa] E aí, a primeira coisa que você precisa fazer, para aumentar a sua argumentação, aumentar seu poder de convencimento na hora de vender um um projeto de acessibilidade é buscar informação.
Parece meme, mas não!
É muito importante que você de fato entenda quem são as pessoas com deficiência, qual o impacto das pessoas com deficiência na economia.. Dentro do seu público, você tem que entender também que dentro do seu público não importa a área que você atue, não importa o produto, o serviço, não importa… não importa! Sempre vai haver pessoas com deficiência dentro do seu público-alvo!
E se você está fazendo um produto que não atende pessoas com deficiência, e se você além disso está fazendo uma comunicação que não comunica com as pessoas com deficiência por falta de acessibilidade, por falta dos recursos necessários, você está deixando de alcançar parte do seu público-alvo.
Então esse é um argumento muito bom inclusive para agências, né? De que com a acessibilidade você vai passar a atingir mais pessoas com as suas publicações. Se a gente pensar que hoje temos, no Brasil a gente tem 24%, quase 24% da população brasileira tem alguma deficiência. na e não é uma. E não é uma questão só de que por elas terem alguma deficiência elas precisam de algum recurso… Nem sempre é isso.
Mas por elas terem alguma deficiência, elas também tem uma identificação maior com empresas que investem nessa causa. Então hoje em dia a gente sabe que as causas têm um peso muito grande na escolha da marca, na escolha da marca que eu vou consumir, é um consumo muito mais consciente. Muito mais guiado por causas, por valores, né? Por propósitos…
Então investir em acessibilidade também traz isso, não são só os recursos às vezes é uma pessoa que não precisa de um recurso, por exemplo de Libras, intérprete de Libras na sua propaganda no seu vídeo institucional, e a pessoa que não precisa, mas olha, de repente é um cadeirante, ouvinte, ele vai olhar e falar “Poxa, que legal, cara, esse vídeo tem recursos de acessibilidade”.
Então esse tipo de coisa é muito legal e como a Ana disse, a gente viu que são muitas pessoas e não são pessoas sozinhas, né? Elas estão sempre acompanhadas de amigos, de familiares, de relacionamentos, né? Então são pessoas que vão comprar e vão influenciar também. Então é bastante importante a gente considerar isso: que é um público muito grande, está sempre contido no seu público-alvo e que ao investir em acessibilidade na comunicação, no seu produto, você vai alcançar não apenas um nicho, né, da deficiência de um recurso que você colocar, mas provavelmente toda a toda a população com deficiência e também as pessoas sem deficiência que vão apoiar essa causa e vão achar legal e vão consumir, fazer um consumo consciente da sua marca.
[Ana] Exatamente. A repercussão, né? O desdobramento que pode ter o investimento inserir um recurso de acessibilidade ou promover uma experiência mais acessível e mais inclusiva ele não termina nele mesmo. A partir do momento que você fez um investimento mas os resultados diretos acontecem e os resultados indiretos são ainda maiores, são esses que a gente tem falado, pode ser um impacto pensando em consumo consciente, uma questão de reputação.
E aí vale lembrar que uma experiência positiva, se ela é divulgada, e ela é comunicada, se ela é espalhada entre as pessoas com deficiência e qualquer consumidor que tem uma experiência positiva vai passar isso pra frente, mas a experiência negativa também. Tem um dado um muito interessante do nosso ebook “Por que as pessoas cegas não compram no seu e-commerce” que mostrava que o motivo mais frequente para o grupo de pessoas cegas que não fazia uma compra online, o motivo mais comum era ouvir um relato ruim de uma outra pessoa cega que não conseguiu efetuar uma compra.
Então pensem a potência disso.Uma pessoa teve uma experiência ruim e isso, essa mensagem, essa repercussão pode impactar a não, a nem tentativa de muitas e muitas e muitas outras. Ao passo que uma experiência positiva pra uma pessoa com deficiência isso também afetar positivamente na decisão de outras pessoas com a mesma deficiência, ou enfim, que façam parte do movimento.
Então acho que essa questão é muito a gente pensar na parte da reputação, e também claro da própria experiência da marca, né? O quanto as pessoas vão associar a essa marca, a essa empresa ou essa agência a esse tipo de iniciativa e a esse tipo de implementação.
E aí eu acho que vale dizer que tem uma coisa complementando o que o Rafa disse de buscar conhecimento é muito importante e de novo vou aqui agradecer a opção, a escolha de todos vocês, de estarem aprendendo aqui junto com a gente.
A gente defende muito, acredita muito na importância de conhecer os processos, como o recurso de acessibilidade são produzidos, de envolver pessoas com deficiências no processo de desenvolvimento de um projeto, de um produto ou de uma campanha, envolver os profissionais corretos ter uma curadoria de pessoas para participar desse tipo de iniciativa, seja dentro da sua empresa. Então se você quer começar a levantar essa bandeira, se você quer começar a levantar esse assunto dentro de uma empresa que você trabalha e ainda ninguém fala sobre isso, uma palestra pode ser um primeiro passo, é o começo da conscientização além por exemplo dessa série de vídeos, né?
Mas então, ter um conteúdo diferente, começar a falar sobre esse assunto, pra daí você também poder envolver pessoas com deficiência dentro dessa conversa. Se for uma empresa grande, que talvez já tenha até algum núcleo e diversidade, já tenha colaboradores com deficiência, se for uma empresa bem grande inclusive deve ter por conta da lei de cotas, mais uma oportunidade até inclusive para você se aproximar, de repente, né?
Trocar percepções entre os times, pra principalmente ter um processo legítimo, envolver pessoas com deficiências dentro desse processo reflete muito um posicionamento inclusive muito forte aqui na Sondery, que é um posicionamento do Movimento dos direitos da pessoa com deficiência que tem o lema “nada sobre nós sem nós” que é basicamente envolver pessoas com deficiência nessas tomadas de decisões e nesse desenvolvimento pra que de fato traga essa legitimidade essa chancela, mas claro, quando vocês forem trabalhar com assuntos específicos tenham profissionais com deficiência que tem um conhecimento no assunto em questão do seu projeto.
[Rafa] É a questão do diálogo, né? Ao buscar o conhecimento, a gente não quer dizer para você buscar o conhecimento ficar com ele para você, né? Porque você não vai conseguir grandes progressos na acessibilidade sendo, por exemplo, “o guardião da acessibilidade” dentro da sua empresa, por exemplo, a pessoa que sabe tudo sobre acessibilidade e tudo que as pessoas precisarem fazer elas vão buscar você, mas na verdade a melhor…
Então o diálogo é a coisa mais importante. Busque informação e compartilhe na empresa.
Por exemplo seu chefe “ah, ele não acredita em acessibilidade, ele acha uma besteira, ele acha que não precisa fazer”. A partir do momento que você buscar informação e você descobrir de 24% da população tem alguma deficiência o poder de compra das pessoas com deficiência, que já mostramos, todas essas coisas que você vai levantando e vai te indignando, né? Que você fica indignado, você tem que passar para frente também. Você tem que mostrar pra outra pessoa também: “nossa, porque que a gente não está fazendo acessibilidade se dentro nosso público tem pessoas com deficiência”?
Aí vocês mostra pro seu chefe. Até que chega a um ponto que a coisa vai acontecer de forma mais natural, né? Porque você já passou todas as informações para eles né e a argumentação vai ser muito mais simples. Você vai falar “pô, lembra daquelas pessoas com deficiência?” 24% da população, pô, vamos aumentar o nosso alcance. Você não quer aumentar o alcance? Vamos considerar elas na próxima comunicação? Colocar uma janela de Libras, colocar audiodescrição, vamos testar, né? Uma coisa que que publicitários e marketing, todo mundo gosta bastante é fazer A/B.
Então por que não testa?
Uma propaganda com acessibilidade e outra sem.
Não! Coloca as duas com!
[Ana] Exatamente. E eu sei, você que está assistindo e que está de repente nesse processo de convencer seus pares, ou convencer seu gestor, seu chefe… eu sei que às vezes pode levar mais tempo do que a gente gostaria. A gente quer ver uma mudança muito rápida, só que esse processo de argumentação, de convencimento como ele é muito subjetivo, porque a primeira barreira é a atitudinal, então a gente tem que sempre que ir trabalhando essa comunicação, esse diálogo mostrar todos esses segmentos, os pontos positivos de se investir em acessibilidade, os pontos negativos de não se investir em acessibilidade. O quanto você perde ou não em não investir nisso.
E eu sei que às vezes pode parecer difícil, parece que demora muito mas não desistam.
Porque é um processo que quando a gente começa a ter os resultados, quando começa a ter o retorno, é muito inspirador, é muito motivador, e isso certamente vai se refletir em todas as equipes.
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O que vem a sua mente quando você lê a palavra “autismo”? Provavelmente você deve ter pensado em uma criança séria de uns 5 a 7 anos, do gênero masculino, brincando de forma isolada sem interagir com as pessoas ao redor. Acertei?
Se você pensou em algo próximo disso, saiba que essa é uma representação muito comum. Porém, é uma percepção equivocada baseada em estereótipos que acabam sendo muito reproduzidos. Mas não sinta culpa se você associou o autismo a essas características! Vamos te ajudar a repensar alguns mitos sobre o assunto nesse post.
Primeiro, é importante definir o autismo. Ele é uma condição de desenvolvimento neurológico e cognitivo que faz com que a pessoa apresente diferenças nas habilidades sociais, de comunicação e de interesse quando comparado com pessoas com desenvolvimento típico. Atenção, não é uma doença!
O nome “oficial”, de acordo com a literatura médica, é Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mas as pessoas autistas têm tentado mudar essa nomenclatura para excluir a palavra “transtorno”, que acaba sendo muito forte e passa a ideia do autismo como um problema. Por isso, tem sido comum usar apenas “espectro autista”. O termo “espectro” é importante para mostrar que autismo se manifesta de forma bem diversificada e nenhuma pessoa autista é igual à outra. De modo geral, o autismo pode ser classificado em três níveis de suporte:
As pessoas costumam chamar esses três níveis de leve, moderado e severo, mas essa não é uma forma correta! Afinal, ser nível 1 de suporte não significa ter características “leves”, pois a pessoa ainda pode precisar de suporte. E também é importante ressaltar que pessoas em um mesmo nível de suporte podem ter características bem diferentes.
Outras duas coisas que é importante você saber:
Agora que você sabe um pouco mais sobre o assunto, vamos derrubar sete mitos muito comuns sobre o autismo.
Verdade: Autistas podem ter dificuldade em entender sentimentos e expressões faciais, mas isso não significa que não se preocupam com as outras pessoas e nem têm empatia. Há pessoas autistas que são altamente empáticas.
Verdade: Muitas pessoas autistas interpretam as coisas de forma literal e podem ter dificuldade em identificar se alguém está mentindo, mas isso não faz todas elas serem pessoas ingênuas ou que podem ser facilmente enganadas. Inclusive, autistas podem mentir como qualquer outra pessoa! Esse rótulo de pureza tem nome: capacitismo.
Verdade: Ser uma pessoa mais objetiva, literal e lógica não faz com que a pessoa autista tenha automaticamente interesse nas áreas de exatas, como computação. Há pessoas autistas trabalhando nas áreas de comunicação, design, psicologia, artes, marketing e várias outras.
Verdade: Autistas podem ter momentos em que ficam com grande atenção em uma tarefa (hiperfoco) e pode acabar não atendendo quando alguém a chama, mas isso não quer dizer que a pessoa está alheia ao mundo à sua volta ou que não entende as coisas que estão acontecendo.
Verdade: Algumas pessoas autistas têm QIs mais altos do que outras pessoas e algumas têm níveis de QI dentro da média. A verdade é que algumas pessoas autistas também têm deficiência intelectual e outras não. Lembre-se: o autismo NÃO é uma deficiência intelectual. Algumas pessoas autistas podem falar e se comunicar verbalmente, outras não.
Verdade: Autistas podem precisar de apoio nas habilidades sociais ou interagir de maneira diferente com o mundo ao seu redor, mas a maioria gosta de ter relacionamentos. As pessoas mostram suas dificuldades sociais de diferentes maneiras. Algumas pessoas autistas são quietas e tímidas ou evitam situações sociais, outras falam demais e têm dificuldades para manter uma conversação.
Verdade: O autismo parece ser mais comum em homens. Mas as mulheres são mais propensas a “mascarar” seu autismo desde a infância, aprendendo as habilidades para interagir com o mundo melhor do que os homens. Isso pode significar que muitas meninas e mulheres autistas recebem um diagnóstico muito mais tarde na vida do que os meninos.
Como você pode conferir nesse post, o autismo é uma condição muito diversificada e ainda há muitas percepções preconcebidas sobre o assunto que fazem com que as pessoas tenham uma imagem imprecisa do que é uma pessoa autista.
Para as pessoas autistas, o autismo é visto como uma identidade, uma diferença neurológica e até mesmo uma cultura, e não uma “doença” ou “transtorno”. Além disso, lembre-se: autistas crescem, trabalham, praticam esportes, fazem compras, se casam, têm filhos.
Espero que você tenha gostado deste conteúdo. Conta pra gente aqui nos comentários, qual dos mitos e verdades mais te surpreenderam?
Autistica. Autism myths and causes (artigo em inglês).
One Central Health, 2020. 10 Myths About Autism Spectrum Disorder (artigo em inglês).
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]]>O post 5 coisas que viraram a minha chavinha da acessibilidade apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.
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Quando falamos sobre “acessibilidade” normalmente se presume que é sobre lugares com chão tátil, acesso para cadeira de rodas e pronto, né? Mas a acessibilidade vai muito além de “adaptar” um espaço, ela começa quando o intuito inicial de um planejamento é que aquilo seja acessível a todos, independente de corpos, deficiência e orientação. O produto é acessível? O serviço é acessível? A comunicação é acessível? Alguém durante o processo de ideação pensou “Todos vão poder utilizar/usufruir disso?”
Como uma pessoa recém chegada ao mundo da acessibilidade, falarei um pouco sobre as coisas que me fizeram “virar a chavinha” em relação ao assunto e os pensamentos que foram provocados em mim.
A gente sabe que o aparelho celular hoje em dia oferece ferramentas de acessibilidade, mas os aplicativos que usamos são acessíveis? Nunca cheguei a pensar sobre o assunto até trabalhar com isso. Como a pessoa com baixa visão ou uma pessoa cega utiliza um serviço pelo celular? Ela tem acesso a tudo o que está sendo transmitido pela tela? A navegação pelo app é intuitiva? Se for um app de consumo, a pessoa consegue adquirir o item sem o suporte de uma pessoa vidente?
A maior parte das nossas vidas hoje em dia é regida pela internet, seja no celular ou no computador. O nosso dia a dia está intrinsecamente ligado à uma tela. Independente da maneira que usamos esse tempo, nós não paramos para pensar se aquele site pode ser utilizado por todo mundo que tenha acesso a um computador. Para quem a experiência do usuário é pensada? Uma navegação considerando todos que possam acessar aquele site não é melhor do que uma navegação considerando somente pessoas que não tenham nenhuma deficiência?
Quantas vezes você já tropeçou na rua pois a calçada está em más condições? Quantas vezes você já teve que se espremer de um lado da rua, porque a via de pedestres é muito estreita? Isso é só uma amostra mínima de como os espaços públicos não são pensados considerando a população. Mas estamos falando de pessoas que não possuem nenhuma deficiência. Quais lugares realmente garantem o mesmo acesso para todos os corpos, independente de suas deficiências? Quantas pessoas já deixaram de sair de casa para fazer algo simples porque a cidade não é construída considerando a necessidade de diversas parcelas da sociedade?
Uma coisa que sempre notei em relação à acessibilidade é a altura de tudo. Das mesas, das cadeiras, sofás, prateleiras. Sendo considerada uma pessoa de baixa estatura, tenho que ficar na ponta dos pés para fazer muitas coisas fora de casa, mas era ali que a minha preocupação com acessibilidade acabava. Recentemente fui na casa de uma amiga, e a construção possui muitas passagens estreitas, desníveis, escadas em formato de caracol… Não obstante é um espaço que não é acessível para pessoas com deficiência, não é um espaço acessível para muitas pessoas. Isso deixou bem destacado para mim que se o mundo fosse pensado considerando todos, não teríamos milhares de pessoas privadas de sua autonomia e independência pelo simples fato de terem uma característica que não é considerada “comum” por muita gente.
Como você conversa com as pessoas? A nossa comunicação é extremamente restritiva, pois nos apoiamos na ideia de que todos irão receber as informações que estamos passando, mesmo sem estarmos comunicando tudo o que é necessário. Muitas vezes fazemos isso porque não temos pessoas com deficiência em nosso círculo social… “Pessoas com deficiência não frequentam os mesmos lugares que eu.”. Considerando que 25% da população brasileira possui alguma deficiência, não deveríamos ter pelo menos 25% dessas pessoas ocupando bares, restaurantes, espaços públicos, espaços privados e o ambiente de trabalho?
Será que não podemos influenciar o nosso ambiente profissional e social a ser mais inclusivo? Desde apontar que um espaço no escritório é muito estreito e não poderia receber um cliente cadeirante, até lembrar que as piadinhas capacitistas, homofóbicas e misóginas envelheceram extremamente mal? Acessibilidade é quando todo mundo pode frequentar o mesmo espaço independente de suas características físicas, Acessibilidade é quanto todo mundo tem a sua voz ouvida.
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