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Notice: A função _load_textdomain_just_in_time foi chamada incorretamente. O carregamento da tradução para o domínio themify foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /home2/sonderyc/public_html/wp/wp-includes/functions.php on line 6170
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https://sondery.com.br/author/ana-clara-scneider/
Wed, 12 Dec 2018 14:32:10 +0000pt-BR
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1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.pngAna Clara Schneider, Autor em Sondery - Acessibilidade Criativa
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3232Acessibilidade na comunicação: abra as portas para os consumidores com deficiência
https://sondery.com.br/acessibilidade-na-comunicacao-abra-portas-as-para-os-consumidores-com-deficiencia/
https://sondery.com.br/acessibilidade-na-comunicacao-abra-portas-as-para-os-consumidores-com-deficiencia/#commentsThu, 06 Dec 2018 18:13:45 +0000https://sondery.com.br/?p=15493 de dezembro é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, segundo a OMS são 1 bilhão de pessoas no mundo, e só no Brasil são mais de 40 milhões, de acordo com o IBGE. Será que sua marca, seu produto ou seu serviço, está olhando pra essa parcela de consumidores em potencial? Há […]
]]>3 de dezembro é comemorado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, segundo a OMS são 1 bilhão de pessoas no mundo, e só no Brasil são mais de 40 milhões, de acordo com o IBGE. Será que sua marca, seu produto ou seu serviço, está olhando pra essa parcela de consumidores em potencial?
Há algumas décadas atrás, via de regra, as marcas só trabalhavam com algo relacionado a pessoas com deficiência em cases para prêmios ou campanhas muito pontuais. Nos últimos anos temos observado, finalmente, o movimento de “acordar para a diversidade” que já está bem mais familiarizado com os recortes de raça, gênero e orientação sexual, mas que ainda não contempla, com a potência necessária, a pessoa com deficiência. É preciso reconhecer e abraçar essa “minoria” da mesma forma que abraçamos as outras, até porque ela é de fato transversal a todos os grupos, podemos encontrar por exemplo uma mulher surda negra trans bissexual.
Felizmente já temos alguns exemplos muito bacanas de campanhas abordando a inclusão e inserindo uma diversidade no casting – ainda que essas incursões se mantenham pontuais e, frequentemente acabem resvalando numa abordagem capacitista e estereotipada da pessoa com deficiência (ora o coitadinho, ora o super herói – mesmo que sutilmente) – mas a grande virada de chave ainda não aconteceu. Parece que falta pouco, está prestes a ocorrer, talvez a chave até já esteja na fechadura, mas precisamos juntos fazer esse movimento e abrir essa porta para um novo público que anseia por reconhecimento pleno.
Mas o que será que impede ou atrasa esse movimento?
A primeira barreira é o desconhecimento. Ao definir o seu público alvo, muitas vezes a marca não se dá conta de que existem pessoas com deficiência dentro do seu recorte ou segmentação. Depois, a barreira atitudinal, a dificuldade de aceitar que é preciso mudar processos dentro da empresa, se adequar para atender a este público, deixar as suas campanhas, produtos e pontos de venda acessíveis sem achar que os recursos usados para isso “atrapalham” o resto do público.
O caminho para uma marca quebrar estas barreiras internas pode ser lento, custoso e às vezes até burocrático. Porém, ao perceber que isso aumenta o seu público potencial, que pensar em acessibilidade no início do processo é mais barato do que pensar só no fim, que é interessante que sua empresa siga a legislação brasileira, que muitas vezes as adaptações podem ser boas para todos os consumidores — com e sem deficiência – estabelece-se uma relação ganha-ganha: o pessoa com deficiência se sente mais representada, empoderada, e a marca, por sua vez, além dos benefícios citados, constrói reputação (que certamente pode vir a impactar a conversão).
Questão de prioridades: acessibilidade como investimento, e não custo
O Design Universal — conceito cunhado por Ronald L. Mace (1985) — sustenta a ideia de projetar (ou no inglês, to design) produtos, serviços, ambientes e interfaces que possam ser usadas pelo maior número possível de pessoas, independentemente de suas capacidades físico-motoras, idade ou habilidades. Mais do que um conceito, o design universal deve ser encarado como um processo a ser adotado em todas as etapas de desenvolvimento de um projeto.
Vale destacar a importância de envolver nesse mesmo processo, não apenas profissionais especializados em acessibilidade, mas também pessoas com deficiência. A melhor maneira de fazer acessibilidade do jeito certo é trabalhar junto das pessoas que irão utilizar os seus recursos.
É aí que a chave vira. O pensamento da inclusão e da acessibilidade deve ser parte do processo e, portanto, estar contemplado desde o início.
O que acontece na maioria das vezes é que a acessibilidade aparece (quando aparece) no fim do caminho. Chega depois da campanha pronta, da peça fechada, depois do filme gravado e editado ou do aplicativo programado. Aí toca voltar e refazer, ou dar um jeitinho aqui e ali para coroar com um “e ainda por cima, é acessível!”.
Tendo isso em vista, fica o questionamento para os profissionais do mercado, sejam dos clientes ou das agências: o que você está esperando para destrancar essa porta?
]]>https://sondery.com.br/acessibilidade-na-comunicacao-abra-portas-as-para-os-consumidores-com-deficiencia/feed/1Mudando de Assunto com Bianca Reis
https://sondery.com.br/mudando-de-assunto-com-bianca-reis/
Wed, 19 Sep 2018 17:52:16 +0000https://sondery.com.br/?p=1483O Mudando de Assunto é o primeiro programa de entrevistas a convidar apenas pessoas com deficiência para falarem sobre qualquer outro assunto que não seja deficiência. Neste episódio falamos com a artesã e youtuber Bianca Reis. Acesse o canal da Bia. Transcrição completa: [Ana Clara] Você ainda acha que pessoa com deficiência precisa falar só […]
O Mudando de Assunto é o primeiro programa de entrevistas a convidar apenas pessoas com deficiência para falarem sobre qualquer outro assunto que não seja deficiência. Neste episódio falamos com a artesã e youtuber Bianca Reis. Acesse o canal da Bia.
Transcrição completa:
[Ana Clara] Você ainda acha que pessoa com deficiência precisa falar só sobre deficiência? É claro que não! Hoje a gente vai conversar com a Bia Reis, que ela é artesã. Está começando mais um Mudando de Assunto.
[audiodescrição] Vinheta do programa: ícones coloridos relacionados a diversos temas giram em torno do próprio eixo 3 vezes, se transformam no logo Mudando de Assunto.
[Ana] Olá! Estamos aqui no nosso cenário com fundo azul e um tablado vermelho, em três cadeiras brancas com pés metálicos e, entre cada cadeira, há uma mesinha com os copos de água apoiados. Eu sou a Ana Clara eu tenho cabelo castanho e cacheado a pele branca estou com um macacão preto, com a parte de cima estampado com flores. Ao meu lado esquerdo está a Erika, nossa intérprete de libras. Ela tem o cabelo trançado, com um rabo de cavalo, a pele negra, ela usa uma blusa estampada e uma saia preta. E hoje, a gente vai conversar com a Bia Reis. Seja bem-vinda, Bia! Tudo bem com você? Fala um pouquinho sobre você pra gente.
[Bia] Eu sou a Bia Reis, tenho 21 anos, tenho cabelo loiro, pele morena, vestido verde, sapato bege e tenho síndrome de down.
[Ana] Bom, mas… mudando de assunto, Bia, como que você começou a trabalhar com as mandalas? Desde pequena você gostava disso? Como que é essa história?
[Bia] Eu fiz um porta-jóia pra minha mãe e ela gostou. Assim foi surgindo meu ateliê. Aí eu fiz essa ideia de montar um ateliê e surgiu essa ideia
[Ana] E no ateliê, além das peças, você faz essas mandalas?
[Bia] Sim! Não só MDF. Eu faço em livros também.
[Ana] Em livros?
[Bia] Sim!
[Ana] Como que é fazer com os livros?
[Bia] Ss livros tem uma figura, que é uma mandala também. Não é como MDF e tudo. Tem um desenhinho, tudo, decorativo. Dependendo da cor. Eu gosto bem colorido. “Ah, peguei esse azul”, legal. Aí você vai lá e pinta um pouquinho. Tudo bem. Aí você pode mudar de cor, essas coisas.
[Ana] E quanto tempo você dedica pra pintar as mandalas?
[Bia] Ano passado que eu fiz o porta-jóia pra minha mãe, e ela adorou. Aí ela falou assim: “filha, você quer ir numa loja comigo?”. “Quero!”. Aí eu fui, fiquei encantada com essa loja Aí surgiu essa ideia do meu ateliê. Pra surgir. E que até agora, tá bombando!
[Ana] Tá bombando?
[Bia] Tá bombando!
[Ana] E o que você mais gosta de fazer no ateliê?
[Bia] O que eu mais gosto? É pontilhismo. Decupagem. Em tecido, tudo! Eu adorei fazer tudo.
[Ana] E o que que é o pontilhismo?
[Bia] Pontilhismo é como você pega o pinta bolinhas, da Pinta Fácil, pega um pouco de tinta pinga no desenho e vai colocando. Pinga um pouquinho na tinta e vai pontilhando. Dependendo, dá horas… Porque a mandala é muito grande, demora um pouco pra ser terminada. Mas você vai pontilhando, pontilhando ainda mais. Aí vai!
[Ana] Essa mandala aqui que você trouxe pra gente ver, você usou essa técnica do pontilhismo, né?
[Bia] Sim!
[Ana] e fica muito legal! Mas são muitos pontinhos mesmo!
[Bia] São.
[audiodescrição] Imagem pausada, Bia segurando a mandala. A mandala é um círculo de madeira, de aproximadamente 40cm de diâmetro e tem em baixo relevo o desenho de pétalas em diferentes tamanhos. O fundo é verde escuro e as pétalas são preenchidas com pontos de diferentes tamanhos nas cores amarelo, laranja, verde claro, branco e há detalhes em roxo.
[Ana] Quanto tempo você leva pra fazer essa mandala aqui? Quanto tempo você levou no total?
[Bia] No total? É… 24h. Eu faço. Dependendo da mandala. É grande, se é pequena. Se é grande, demora um bom tempo pra eu terminar. Aí demora um pouquinho sim.
[Ana] eu vou te passar a mandala, então, pra você mostrar como que é o processo. Primeiro… o que vem primeiro? Ela já vem nessa cor? Ela é verde desde o início?
[Bia] Não, ela já vem crua. Já vem crua, vem com MDF e tudo. Você passa a primeira mão de base. Depois você pensa qual é a cor do fundo aqui. Aí já vem com esses detalhes aqui ó, pronta. Não vem com pontilhismo, nada. Aí você pensa qual cor é aqui o miolo. Eu fiz amarelo. Aí depois fui acrescentando o laranja, e aqui de verde, e aqui de branco. Foi super legal. Aí foi mais ideias, e pontilhando essas partes aqui ó, que é um pontão que é meio complicado, pra mim fazer mas foi colocando devagar, pra não errar a mandala, porque essa mandala aqui vai pra minha exposição.
[Ana] Ah! E quando que vai ser essa exposição?
[Bia] Dia 15 de setembro
[Ana] E além das mandalas, vai ter outras peças nessa exposição?
[Bia] Sim! Vai ter as bandejas e vai ter quadros também.
[Ana] E só mais uma pergunta sobre esse pontilhismo, porque eu achei muito bonito. E eu sou uma pessoa.. eu sou muito torta, eu não consigo nem desenhar uma linha reta. Eu sempre fico muito assim
[audiodescrição] Ana faz um ziguezague com as mãos
[Ana] Como você faz pra não tremer ou errar? Que você falou que não dá pra errar, né? Se você errar, tem que começar tudo zero? Dá pra consertar? Como é isso?
[Bia] Não… Tem como consertar! Você erra, depois você apaga. Não tem como apagar. Porque essa aqui é MDF. Vem dura mesmo! E como você pinta aqui ó.
[AD] Bia aponta para a mandala
[Bia] essa parte bem fininha aqui. você pega o número 8, da Pinta Fácil, da pinta bolinhas. Aí você pinga aqui ó, vai devagarinho, sem errar. É porque eu já tenho técnicas.
[Ana] Ah tá
[Bia] Eu pesquiso técnicas na internet. Aí eu vejo, tenho mais ideias. Aí surgiu esse ateliê.
[Ana] E além de você pesquisar as técnicas, você também faz os tutoriais no youtube, né?
[Bia] Faço!
[Ana] Você é mais youtuber do que eu!
[Bia] Exato!
[Ana] E como que é gravar isso? Como que você começou a gravar? Pode deixar a mandala aqui do lado.
[audiodescrição] Bia apóia a mandala no chão, à direita dela.
[Ana] Aí fica mostrando na câmera, pra gente ver. E como que você fez o primeiro vídeo do YouTube, como foi?
[Bia] Foi um pouco nervosismo, né? Fiquei meio nervosa. E foi assim! Eu gravei com o Mauro, que é amigo meu também e foi surgindo essa parte do ateliê. Fiquei muito ansiosa demais, fiquei nervosa!
[Ana] eu também fiquei!
[Bia] Eu também! Aí foi essa parte que surgiu o meu ateliê.
[Ana] E no vídeo do YouTube, o que você faz no vídeo? Você vai dando o passo-a-passo?
[Bia] Sim, o passo-a-passo. Eu faço essa mandala também. Não é só a verde, tem laranja, tem verde, tem amarelo. Tem tudo. Aí você grava, tem vídeo-aulas pra todo mundo ensinar. Tem o passo-a-passo também. E se quiser ver. É só entrar no meu canal “Ateliê Bia Reis”. Só ir lá, ver, e aprender!
[Ana] Nossa, que legal! Eu vou ver também, depois. E nessa exposição, você vai só mostrar as suas peças, ou você também vai vender?
[Bia] Não, eu vou mostrar e vender, também! Porque agora eu sou artesã. Agora eu quero mostrar a minha vida, como que é. Surgiu esse ateliê meu. Não é só mandalas que eu faço também. Desde pequena eu gosto de arte. Tudo. Aí fiz o porta-jóia pra minha mãe. E ela gostou.
E nessa parte, surgiu o ateliê.
[Ana] E você estuda também né, Bia? Como que você organiza sua rotina, pra trabalhar no ateliê e também estudar?
[Bia] Os dois. Eu estudo no SED, né? Eu sou estudante e eu adoro pintar. Tem uma professora que é a Célia Porto. Ela me ajuda, eu ficava o dia todo com ela. E ela deu umas ideias pra mim fazer, aí eu fiz o porta-jóia com miçanguinhas, são difíceis pra colocar, porque elas são pequenininhas. Aí fui fazendo, e fazendo. Surgiu essa ideia. Depois fui pra casa. Aí minha mãe conversou: “Filha”, “Oi”, “Você tá emocionada de fazer um ateliê só seu?”, “Sim! Eu quero sim”. Aí foi essa parte, que desde pequena eu gosto de arte e tudo. Aí foi essa parte que eu montei o ateliê da Bia Reis! Foi ano passado, de 2017. Eu fazia. E foi, já tá fazendo um ano já que eu já tenho o ateliê e agora eu to muito feliz.
[Ana] Quando você começar a vender as suas peças também, né? Você tem o seu ateliê agora, você é uma empreendedora. O que você quer fazer, quando você começar a ter esse retorno? Os seus sonhos, assim, você quer comprar alguma? Você quer fazer alguma viagem? Porque empreender é muito difícil, mas também é muito bom, né? Quando a gente essa independência financeira, então, agora, quando você tiver o seu dinheiro, o que você quer fazer?
[Bia] Eu quero comprar uma casa nova, pra minha família morar
[Ana] Ah, uma casa?
[Bia] Sim, e um consultório para o meu primo que se formou em medicina ele vai morar comigo e com a namorada dele. Aí os dois vãos se casar e morar na mesma casa que eu to morando, na minha casa nova que eu vou fazer… não vou fazer né, eu vou, vou comprar essa casa nova fora da cidade. Porque essa casa que eu tô morando, é de aluguel. Eu não quero morar de aluguel, é chato, né? Mas… tô pensando em comprar uma casa e ainda na minha viagem, eu vou viajar pra Cancún.
[Ana] Ah! Você já foi pra Cancún alguma vez?
[Bia] Não, uma amiga minha foi. Porque lá faz bastante calor, bastante calor, e eu adoro calor! Eu odeio o frio, né? Aí foi… Pensando nessa viagem. Aí fui lá, falei com o amigo meu, que ele trabalha também. Falei “quanto custa essa viagem?”, “8 mil”. Vou economizar o meu dinheiro pra fazer essa viagem. Aí foquei nessa viagem. E eu vou nessa viagem.
[Ana] Não, tem que focar mesmo! Eu também quando tenho uma vontade de fazer alguma coisa, a gente tem que se programar e se planejar, né?
[Bia] Sim
[Ana] Mas além de viagem, eu sei também que você gosta de música!
[Bia] É, de música, é.
[Ana] E você gosta de ir em show? Eu adoro ir em show!
[Bia] Eu também, adoro ir em show também.
[Ana] E que show que você gosta? Que música que você gosta?
[Bia] Fernando e Sorocaba.
[Ana] Fernando e Sorocaba… é sertanejo, né?
[Bia] É sertanejo.
[Ana] Eu não conheço muito, mas deve ser muito legal o show.
[Bia] Eu adoro! Eu fui num churrasco da Band. Eu não sabia que eles iam ir lá, né? Aí quando… “Pri, esse churrasco é da faculdade?”, “Não”. Ela me enganou! Que era um churrasco da Band
[Ana] Da Band, da TV?
[Bia] Da Band FM.
[Ana] Ah, da rádio Band.
[Bia] Da rádio
[Ana] Rádio Bandeirantes.
[Bia] Aí eu já sabia que o Fernando e Sorocaba estão gravados pra cantar lá, aí eu já sabia, porque eu vi o carro do Fernando. Fiquei “Pri, eu preciso abraçar o Fernando” porque eu adoro ele, haha. Só penso no Fernando e Sorocaba. Só penso e falo dele. E dançar arrocha também! Eu adoro também!
[Ana] E sabe o que é muito legal? O sinal de música sertaneja é igual essa dança do arrocha, que a Erika fez agora, gostei. [audiodescrição] Erika dobra o braço direito com o punho fechado na testa. Ana imita o sinal.
[Ana] E… que mais, Bia? Tem alguma história que você queira contar, que eu ainda não tenha perguntado pra você?
[Bia] Eu tô namorando!
[Ana] Você tá namorando?
[Bia] Eu tô!
[Ana] E quer mandar um recado pro seu namorado?
[Bia] Eu quero. Oh Tiago, você é minha vida e eu te amo muito. Te amo!
[Ana] Ah que lindo! Onde que vocês se conheceram?
[Bia] Foi no SED, que ele estudava comigo também… que tinha uns 2 ou 3 anos, eu conheci ele numa balada. Ele foi, aí eu vi. Me deparei de cara a cara com ele e vi. “Oi Bianca, tudo bem?”, “Tudo”, “Qual seu nome?”, “Bianca”, “Nossa, que nome lindo”, “Quer namorar comigo?”, ”Quero”.
[Ana] Bia, muito obrigada pela sua presença! A gente tá muito feliz que você tá aqui e muito obrigada!
[Bia] Eu quero te dar uma coisa
[audiodescrição] Bia segura um cartão
[Bia] meu cartãozinho de visita pra você. Tem o meu logo “Ateliê Bia Reis”. Pra você ir na minha exposição.
[Ana] Ah eu quero, obrigada! E você tem um canal no YouTube também, né? Conta do seu canal. Fala o seu canal aí pro pessoal ir lá assinar e assistir seus vídeos.
[Bia] Ateliê Bia Reis
[Ana] Então é isso! Muito obrigada mais uma vez. Se você gostou do papo, deixe seu “curtir”, deixe seu comentário e não se esqueça se assinar o canal pra ficar por dentro de todas as novidades. Se você quiser conhecer mais o trabalho da Sondery entra no nosso site: www.sondery.com.br o link também vai estar na descrição do vídeo muito obrigada mais uma vez e até a próxima!
[audiodescrição] Todas acenam.
]]>Signmark: o rapper surdo e um baita show
https://sondery.com.br/signmark-o-rapper-surdo-e-um-baita-show/
Thu, 19 Jul 2018 20:22:39 +0000https://sondery.com.br/?p=1296Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa surda pode curtir – e muito! – um show de música. Isso fica bem claro quando um vídeo de uma banda famosa junto com um intérprete viraliza na internet (como foi o caso da Amber Galloway com Red Hot Chilli Peppers). Mas é claro que aqui no […]
]]>Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa surda pode curtir – e muito! – um show de música. Isso fica bem claro quando um vídeo de uma banda famosa junto com um intérprete viraliza na internet (como foi o caso da Amber Galloway com Red Hot Chilli Peppers). Mas é claro que aqui no Brasil também temos exemplos tão legais quanto esses.
Mas o que menos pessoas param pra pensar é que um surdo pode não só curtir, como PRODUZIR música. Duvida? Dá o play nesse clipe do Signmark:
A primeira vez que eu vi esse clipe, vi umas 10 vezes seguidas. Na semana seguinte eu vi mais 15. E até hoje em toda oportunidade que eu tive e tenho, eu mostro em aula, palestra, envio pras pessoas, mostro na mesa do bar, no restaurante, no whatsapp… e eis que surgiu no sábado passado (14) a segunda oportunidade de ver esse cara AO VIVO.
SEGUNDO SHOW AO VIVO? COMO ASSIM?
O Signmark já veio ao Brasil outras vezes, principalmente para os eventos da Sencity – uma festa multissensorial criada na Holanda pela Skyway Foundantion que também acontece no Brasil desde 2011 – e foi em uma dessas edições que eu tive a primeira experiência de “trocar de lado” com a comunidade surda e ser a ouvinte em minoria.
Nesse documentário você pode ver como foi a edição de 2013, entender a vibe do evento (e de quebra conhecer a Ana Clara com 23 anos!). A festa é pensada para explorar todos os sentidos além da visão e audição: comidas e bebidas moleculares, texturas pelos ambientes, DJ de aromas que mixam essências junto com as músicas, uma plataforma na pista que intensifica as vibrações para danças e o grande astro da noite era ele, Signmark.
Naquela época meu contato com a comunidade surda e a língua de sinais estava começando e certamente esse show ajudou a catapultar meu amor e encantamento pela Cultura Surda. Sempre falei desse show como um divisor de águas e era muito difícil explicar pra ouvintes sem contato com surdos como isso era possível.
Então eu fiquei BEM FELIZ de poder assistir e registrar esse show de novo, agora com outro peso.
Mas afinal de contas, como é o show?
Como qualquer outro, oras:
Descrição resumida do vídeo: no palco dois homens cantam – um faz a voz, é negro e está a esquerda do palco, um é branco, faz em sinais e está no centro do palco.
Resumindo ficaria assim: o Signmark canta em sinais, outro cantor faz a voz e um DJ vai controlando a melodia, no caso não tem instrumentos ao vivo. Mas não dá pra resumir! O que eu acho mais legal é o protagonismo da língua de sinais – que no caso é americana (American Sign Language – ASL) – no palco e o contraste com o que é “mais comum” quando vemos acessibilidade em shows de ouvintes: o intérprete fica num cantinho enquanto o cantor tem o palco todo. Nesse caso o surdo é o foco, ele é quem comanda o show, ele é o protagonista, ele é o líder. A voz acompanha, mas de lado.
Logo no começo do show eu já tava emocionada e aí me perguntei “como será que seria se todos soubessem a letra?“, porque eu mesma não sou fluente nem em Libras, que dirá ASL. Mas minha resposta chegou quando o Signmark ensinou o refrão de Talk the Talk pra galera e foi assim:
Descrição resumida do vídeo: todos da platéia estão fazendo os mesmo sinais dos cantores do palco. Na frase “talk the talk” as mãos ficam para frente e os dedos retos se tocam, abrindo e fechando, como uma boca. Na frase “walk the walk” as mãos fazem o movimento de pés andando.
Difícil foi gravar sem pular! Vejam outros trechos:
Descrição resumida do vídeo: no palco, Signmark está com a mão direita apoiada na mão esquerda a frente de seu corpo. Quando ele levanta o braço direito, toda a platéia levanta os braços também, provocando uma “onda”. Depois todos ficando agitando os braços no ritmo da música.
E agora a mesma música do clipe do começo do post, ao vivo (sorry, essa não deu pra ficar muito parada, é minha preferida!)
Descrição resumida do vídeo: em cima do palco há 3 homens, Signmark está no centro sinalizando a música. A platéia balança ao som da música.
Quem me conhece sabe que eu amo show. Troco qualquer tipo de atividade de lazer por show. Balada ou show? Show. Barzinho ou show? Show. E o show do Signmark, como experiência em si, é tão completo quanto qualquer outro. Tem interação dele com o público, tem os percalços de algo ao vivo, tem selfie com a plateia, tem tudo e é uma experiência divertida para todos. Surdos, ouvintes, quem sabe Libras, quem sabe ASL, quem não sabe nenhum dos dois, adultos, crianças, homens, mulheres. E eu to falando todos TODOS mesmo.
Acessibilidade Ultimate Level: um surdocego no show
Se você não estava vivendo numa caverna durante a Copa do Mundo, muito provavelmente chegou até você um vídeo de um torcedor surdocego com dois guias-intérpretes narrando o jogo do Brasil. Pois o Carlinhos não gosta só de futebol e também marcou presença no show. Aí a libras tátil ficou ainda mais legal!
Descrição resumida do vídeo: em frente a um palco iluminado de vermelho, no meio da platéia um homem surdocego está curtindo o show, a sua frente uma mulher faz libras tátil e um homem está tocando suas costas com os indicadores.
A guia-intérprete a sua frente está fazendo a letra em ASL, e nas suas costas o guia-intérprete vai mostrando a localização dos músicos no palco. É incrível ou não é?
Quando o show terminou eu estava feliz e cansada, sobrou tempo só para dar aquela tietada e perceber como eles são altos.
Tenho certeza que um dia ele estará no Lollapalooza. No que depender de mim, no próximo. Pode printar e me cobrar depois.
]]>Os influenciadores e o poder da inclusão – para o bem e para o mal
https://sondery.com.br/os-influenciadores-e-o-poder-da-inclusao-para-o-bem-e-para-o-mal/
Wed, 11 Jul 2018 13:19:03 +0000https://sondery.com.br/?p=1207Em meio a Copa e uma avalanche de notícias, memes e polêmicas, pudemos perceber que a velocidade de resposta do mundo online para o offline está cada vez mais instantânea. Isso vale tanto para o Neymar caindo, como para youtuber fazendo besteira. Cocielo? Também, mas estamos aqui pra falar do Whindersson Nunes. Antes de dar […]
]]>Em meio a Copa e uma avalanche de notícias, memes e polêmicas, pudemos perceber que a velocidade de resposta do mundo online para o offline está cada vez mais instantânea. Isso vale tanto para o Neymar caindo, como para youtuber fazendo besteira. Cocielo? Também, mas estamos aqui pra falar do Whindersson Nunes.
Antes de dar seguimento ao texto, queremos deixar claro que esse não é um comparativo relacionado as causas em si, e sim sobre a sua repercussão. Preconceito é um assunto profundo que não se “resolve” num texto. Esse post é apenas uma análise e convite à reflexão focado no caso do Whindersson com a Libras. Não estamos analisando o Cocielo. Preconceito é crime. Racismo é crime. As pessoas que tem atitudes racistas devem ser punidas sim.
Descrição resumida do vídeo: no palco do Caldeirão do Huck, Whindersson e Luciano estão lado a lado e Whindersson faz gestos aleatórios enquanto Luciano fala.
Em um quadro patrocinado pela Toddy, o youtuber Whindersson Nunes fez uma apresentação, uma espécie de stand-up com comentários sobre generalidades, conversando com Luciano Huck. No fim do quadro, ao perceber que pelo enquadramento da câmera ficava bem ao lado de Luciano, Whindersson começou a gesticular fingindo interpretar o apresentador.
Justamente neste dia, impulsionado pela Copa, o Caldeirão do Huck teve a maior audiência desde 2010. E lembrando (para quem não conhece) que Whindersson é o cara que tem o segundo maior canal do youtube com 30MM de assinantes. Se estamos falando de cobertura, esses dois juntos falam praticamente para o Brasil todo.
Olha o tamanho da responsabilidade. Ou no caso, irresponsabilidade.
Imaginem vocês então a quantas pessoas não chegou esta informação com abordagem completamente errada, fazendo deboche de algo que foi (e ainda é) uma luta diária na vida dos surdos usuários de libras: o desconhecimento da Libras por parte da sociedade.
Domingo, dia 1.
A comunidade surda começa a se manifestar, principalmente via Instagram e Youtube, chamando a atenção, criticando o que até então o youtuber achava que era “só uma brincadeira”. Com razão, já que isso reforça uma desqualificação; desvalorização não só na língua como idioma, como também da profissão dos intérpretes.
O vídeo do Canal Visurdo (abaixo) resume bem o posicionamento da comunidade e inclusive mostra outros exemplos de situações onde rolaram um FAKE LIBRAS, seja por “piada” ou por má índole de seres humanos horríveis (eventos oficiais, tribunal, etc).
Percebem como é muito ruim espalhar esse tipo de fingimento? Ao invés de disseminar belas traduções, são esses os “profissionais” que viralizam e enfraquecem a luta da comunidade. Pode ser que pessoas com pouco ou nenhum contato com língua de sinais guardem somente essa informação ou essa lembrança relacionada ao tema e numa próxima vez que se depararem com um intérprete podem pensar “ah, é tudo mentira”.
Segunda, dia 2.
Após receber todas as mensagens da comunidade surda e do público em geral – inclusive de outros influenciadores e youtubers como Kitana, Gabriel Isaac, Nathalia Silva e mesmo a Mari Torquatto – que se identificou ou sensibilizou com a causa -, Whindersson então gravou uma série de vídeos no stories explicando que realmente não tinha conhecimento da seriedade do caso.
Descrição resumida do vídeo: Whindersson está com uma camiseta amarela e grava o vídeo com o celular enquanto vai andando por sua casa.
Terça, dia 3.
Felizmente, após ele ter falado que estava aberto a aprender Libras, certamente foi abordado por muitas pessoas e a Luana já tratou de começar a ensiná-lo. E vale reforçar que é ótimo que ele tenha aprendido/esteja aprendendo com uma surda. Foi com o vídeo a seguir que ele mostrou para os seguidores que estava se esforçando para aprender.
Descrição resumida do vídeo: Whindersson está de frente pra câmera com um moleton vinho e fala sinalizando “Bom dia, que Deus abençôe vocês”
Quinta, dia 5.
No dia seguinte, ao anunciar um vídeo novo, Whindersson começou sinalizando um “boa tarde” e agradecendo a Luana por estar ensinando Libras a ele.
Descrição resumida do vídeo: Whindersson está de frente pra câmera, falando sobre seu novo vídeo e ele sinaliza em libras “Boa Tarde”
Há males que vem para bem? – Desconhecimento x Desinteresse
Apesar dos pesares, esse foi primeiro contato de Whindersson com o universo da acessibilidade.E, cá entre nós, que bom que ele aconteceu. O meu primeiro contato foi num museu com uma representação tátil de uma pintura – que já contei aqui – enquanto o dele foi errando ao vivo na Globo. Mas não podemos deixar de encarar o fato como uma oportunidade de retorno positivo, que vai depender inteiramente de como ele levará isso daqui pra frente.
No seu primeiro vídeo após o ocorrido, que coincidentemente (ou não) era sobre outra lígua, ele além de contar sobre o caso do Huck colocou alguns sinais na sua fala, incluindo a apresentação padrão do canal “Eai galerinha que assiste meu canal, tudo bom com vocês?” com o sinal de “assistir” e “bom”.
Se isso vai continuar nos próximos vídeos? Temos que esperar pra ver.
Pode ser que ele desencane? Sim.
Pode ser que ele continue e transforme seu canal e a percepção das pessoas perante a libras? Sim.
Esse vai ser o ponto crucial para entendermos a diferença entre o desconhecimento e o desinteresse, que acontece muitas vezes com marcas e empresas. Não se envolver por falta de contato, e não se envolver por falta de visão, mesmo após ter o contato.
O que nos leva também a outro questionamento. Se por um lado, as marcas querem se distanciar de influenciadores que promovem atitudes preconceituosas, como elas reagirão àqueles que estão promovendo a inclusão?
O que você acha sobre o assunto? Deixe nos comentários!
E por fim, você também tem um canal no YouTube e quer torná-lo acessível? Lembrando que Libras não é o único recurso de acessibilidade audiovisual, também precisamos da audiodescrição e das legendas. Entre em contato com a gente!
]]>Como o Dia dos Namorados bate no coração e no bolso de (todos?) os casais
https://sondery.com.br/como-o-dia-dos-namorados-bate-no-coracao-e-no-bolso-de-todos-os-casais/
https://sondery.com.br/como-o-dia-dos-namorados-bate-no-coracao-e-no-bolso-de-todos-os-casais/#commentsTue, 12 Jun 2018 14:59:15 +0000https://sondery.com.br/?p=1011Aviso: Os exemplos dados no texto usam homem e mulher fazendo referência a um casal, mas você pode ler com o gênero que preferir. Todos se aplicam 🙂 Dia 12 de junho é uma data para celebrar o amor. Mas também é o dia responsável pelo aumento de 30% no faturamento dos bares e restaurantes, 10% […]
]]>Aviso: Os exemplos dados no texto usam homem e mulher fazendo referência a um casal, mas você pode ler com o gênero que preferir. Todos se aplicam
Dia 12 de junho é uma data para celebrar o amor. Mas também é o dia responsável pelo aumento de 30% no faturamento dos bares e restaurantes, 10% no comércio eletrônico, 20% no setor de motéis, 15% no setor de sex shops compondo uma injeção de até R$15,6 bilhões na economia. O Dia dos Namorados é, certamente, uma das melhores datas do setor comercial para a realização de promoções de vendas. No primeiro semestre, sobretudo, essa data comemorativa só perde em faturamento para o Dia das Mães. Mas será que todos os apaixonados podem participar e aproveitar plenamente essas ofertas?
Quebrando o tabu: vamos nos despir dos preconceitos
Para falarmos da participação da pessoa com deficiência nas promoções de dia dos namorados é preciso desconstruir uma barreira importante de reconhecer a pessoa como alguém “namorável” – isso passa pela percepção de pessoa, de gênero, de sujeito, de cidadão, de parceiro, de amigo, de amante, de companheiro de vida – e plenamente participante de um relacionamento, com tudo incluso: declarações, rotina, viagens, brigas, prazer, etc.
Para atingirmos o ideal de sociedade inclusiva ainda temos que avançar muito, e o primeiro passo é quebrar os mitos existentes:
pessoas com deficiência são assexuadas: não têm sentimentos, pensamentos e necessidades sexuais;
pessoas com deficiência são hiperssexuadas: seus desejos são incontroláveis e exacerbados;
pessoas com deficiência são pouco atraentes, indesejáveis e incapazes para manter um relacionamento amoroso e sexual;
pessoas com deficiência não conseguem usufruir o sexo normal e têm disfunções sexuais relacionadas ao desejo, à excitação e ao orgasmo;
a reprodução para pessoas com deficiência é sempre problemática porque são pessoas estéreis, geram filhos com deficiência ou não têm condições de cuidar deles.
Esses mitos, além de gerar preconceitos desastrosos, acabam reforçando também abordagens estereotipadas que costumam recair sobre qualquer tema quando aplicado à pessoa com deficiência: o Coitadismo, o Super-Heroísmo e agora somando também a Infantilização – diferentes facetas do Capacitismo.
Visualizem a seguinte cena: uma mulher senta-se num restaurante chique com seu namorado para um jantar romântico e o garçom, na hora de retirar o pedido afaga seu cocoruto dizendo com uma voz fina “ai que belezinha, que bonitinha ela, veio no passeiozinho né?” imagina que agradável, só que não. Se essa situação parece um absurdo quando imaginamos a cena com um casal sem deficiência, por que ela passaria a fazer sentido se a personagem tivesse síndrome de down, ou estivesse numa cadeira de rodas ou segurando uma bengala branca, por exemplo? (Dica: continua sendo um absurdo)
Como estamos falando de casais, essa dupla pode ser formada por duas pessoas sem deficiência, duas pessoas com deficiência ou uma pessoa com e outra sem deficiência. É aí que a porteira do capacitismo se abre com os primeiros comentários “Ela é tão bonita, pena que é surda” ou “Ele é um partidão, apesar de ser cadeirante” indo para o “super-heroísmo reverso” direcionado a pessoa sem deficiência, como conta Michele Simões:
“Acho tão absurda essa mania que as pessoas têm de classificar os relacionamentos com a mesma lógica de animais de raça, onde o importante é manter as mesmas características para uma linhagem pura. Então imagina o susto quando eu, como cadeirante, entro em um local público de mãos dadas com meu marido – o que por si só já gera um impacto e tanto, afinal ainda se acredita que deficientes não saem de casa, quanto mais se casam e têm filhos – que, para a surpresa geral da nação, anda e não é deficiente.
Após essa sequência, geralmente me deparo com um parabéns direcionado a ele, seguido da justificativa ‘não era qualquer pessoa que aceitaria essa situação, isso sim é prova de amor’”.
Michele é estilista, consultora de imagem e idealizadora do projeto Meu Corpo É Real, que visa questionar os corpos que a indústria da moda trabalha em suas produções e campanhas.
A cama também é luta
Segundo Ana Rita de Paula, Doutora em Psicologia, especialista em direitos das pessoas com deficiência, em políticas públicas e ativista do movimento, a barreira da sexualidade é a última a ser rompida, “Significa que você já rompeu todas as anteriores”. Ela explica que essa luta – que também é política – é altamente relevante, uma vez que as discussões sobre acessibilidade e inclusão ficavam sempre voltadas, e muitas vezes restritas, aos temas de trabalho, educação e saúde.
Logo do Coletivo Sim Fodemos
Este é o foco da militância do Coletivo Sim Fodemos, um grupo de pessoas com deficiência que começou a se organizar para abrir esse debate com toda a sociedade. Segundo os organizadores:
“O debate em torno desses temas, corpo, sexo, sexualidade, permite inserir as demandas das pessoas com deficiência num cenário de discussões muito mais amplo do que as discussões em torno da acessibilidade, inclusão escolar, no mercado de trabalho, e outros. Direitos inalienáveis das pessoas com deficiência, mas que não têm possibilitado que as pessoas com deficiência adentrem em discussões, debates e lutas mais amplas e radicais da sociedade brasileira, como as questões de gênero, de padrões corporais e comportamentais, orientação sexual, violência sexual e outros dessa esfera dos direitos humanos.“
O Curta metragem O Corpo Deseja, idealizado e dirigido por Juliana Ribeiro, que foi exibido em um dos encontros do coletivo e trata bem essa questão. Lembrando que a causa não se aplica somente a deficiência física, mas também visual, auditiva e intelectual, essa última que sofre ainda mais barreiras dentro da própria diversidade.
Pipas no Aré um trabalho pioneiro na área de inclusão social e direitos humanos dirigido pelas psicólogas Lilian Galvão e Fernanda Sodelli em 2005. As oficinas de educação sexual para jovens com deficiência intelectual comprovaram a possibilidade e a necessidade de se trabalhar com pessoas que recebem poucas informações sobre tema, em conseqüência de preconceitos e pensamentos equivocados a respeito da deficiência intelectual e da sexualidade. O documentário Pipas no Ar, realizado com apoio da UNESCO, documentou estas oficinas no Carpe Diem, em São Paulo.
Sexo como AVD
Não podemos ignorar o fato de que – para a maioria das pessoas – prazer a dois é parte fundamental de um relacionamento.
A Organização Mundial da Saúde afirma que a sexualidade é um aspecto importante do bem-estar holístico e que a saúde sexual exige “uma abordagem positiva e respeitosa da sexualidade e das relações sexuais, bem como a possibilidade de ter experiências sexuais agradáveis e seguras.”
É imprescindível reconhecer o sexo como AVD (Atividade de Vida Diária) no processo de reabilitação ou desenvolvimento nas terapias ao longo da vida, especialmente com profissionais de terapia ocupacional, “a fim de aumentar a capacidade do cliente em participar de atividades sexuais, treinar a atividade, desenvolver habilidades e competências, adaptações e indicação de produtos assistivos que permitam a vivência da sexualidade prazerosa, de acordo com os valores e desejo do cliente e de seu parceiro, são os principais objetivos da intervenção Terapêutica Ocupacional na sexualidade da pessoa com deficiência, de qualquer faixa etária e de qualquer nível funcional. Isso tem um um efeito profundo na vida dessa pessoa“, segundo Dra. Maria de Mello, Terapeuta Ocupacional, Pós Doutora em Ciências da Reabilitação e Tecnologia Assistiva; Coordenadora Geral da Technocare – Soluções Assistiva, Design Universal e Acessibilidade
Mercado potencial
Mas voltemos a nossa data tão florida e comemorada de hoje. Será que os segmentos citados no início estão atentos a essas oportunidades? No Brasil existem aproximadamente 5 mil motéis. Somente na Grande São Paulo são 300 motéis e no estado 1.200 estabelecimentos. Mas no Guia de Motéis, um dos principais buscadores do segmento, somente 18 se dizem acessíveis (“Suíte com acessibilidade”) em todas as regiões do país.
Será que os bares e restaurantes estão pensando na sua estrutura física (acesso, experiência, banheiros) e no processo de reservas? Como é o cardápio? E o treinamento de sua equipe para lidar com as diferenças?
O e-commerce é acessível a todo tipo de navegação? A escolha de um item, inserção no carrinho, cálculo de frete, finalização da compra. Funciona corretamente com o leitor de tela? E numa loja física, os atendentes estão treinados para atender todos os possíveis compradores?
Os estabelecimentos que não possuem esse olhar, certamente estão perdendo uma boa parcela do público. Que precisa se esforçar previamente para garantir uma experiência agradável.
“Minhas experiências ‘positivas’ nos relacionamentos afetivos, no casos de passeios e motéis, sempre dependeu de uma boa pesquisa prévia, para evitar surpresas desagradáveis, e também muita assertividade e uma boa pitada de cara feia. São raros, raríssimos os locais plenamente acessíveis. Esses dias mesmo, ao ir visitar o SESC Paulista, constatei que os vasos sanitários são aqueles abertos no meio, e olha que o SESC segue um padrão de acessibilidade de alto nível. Mas, é importante não perder o bom humor jamais, e no caso de restaurantes e bares, pelo menos nos bairros tradicionais de vida noturna em SP, dá para encontrar locais acessíveis. Com todo o cuidado, pois muitos locais acessíveis deixam de ser acessíveis quando estão lotados. Mas, repetindo, a pesquisa prévia é fundamental. É importante ter claro e bem resolvido que não dá para ir a todos os lugares, e, no meu caso, faço questão de conforto e certeza de que vou, por exemplo, poder usar o banheiro. Quanto a motéis, é possível encontrar alguns com suítes no térreo, e como os banheiros normalmente são grandes, o problema está ‘quase’ resolvido. No último motel em que fui, a suíte ficava no térreo, pesquisei antes, a garagem era tão estreita que não consegui desembarcar, pois não era possível chegar com a cadeira de rodas ao lado do passageiro, que era a minha situação naquele momento, mesmo minha amiga tendo encostado o carro o máximo do seu lado, tendo que passar por cima de mim para desembarcar. Tivemos que dar ré e fazer o desembarque, e posterior embarque, do lado de fora da garagem. Felizmente não estava chovendo, nem tínhamos problemas em manter discrição.” Tuca Munhoz, Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ex secretário adjunto da Secretária da Pessoa com Deficiência . Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade São Paulo Transportes S/A e Coordenador do Coletivo Sim Fodemos.
Com esses questionamentos e colocações desejamos um feliz dia dos namorados a TODOS !
]]>https://sondery.com.br/como-o-dia-dos-namorados-bate-no-coracao-e-no-bolso-de-todos-os-casais/feed/1A Última Ceia
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https://sondery.com.br/a-ultima-ceia/#commentsTue, 03 Apr 2018 20:02:29 +0000http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=830Foi quando eu vi essa obra de arte em 2011 que eu comecei a me interessar por acessibilidade. Na verdade, pra ser mais exata, foi essa: “Ana, mas que raios de escultura é essa?” O caso é que, pra quem não sabe (e eu também não sabia na época) que a pintura do Da Vinci […]
Foi quando eu vi essa obra de arte em 2011 que eu comecei a me interessar por acessibilidade. Na verdade, pra ser mais exata, foi essa:
“Ana, mas que raios de escultura é essa?”
O caso é que, pra quem não sabe (e eu também não sabia na época) que a pintura do Da Vinci fica numa parede da igreja Santa Maria delle Grazie. O ingresso te dá direito a 15 minutos dentro do ambiente para apreciar esse pedaço da história da arte. Muito que bem. Estava com meus pais nessa viagem e entramos nesse museu como já havíamos entrado em muitos outros em outras cidades.
Mas eis que lá no cantinho, em uma lateral do espaço, eu percebi que tinha uma escultura em gesso da Última Ceia. E aí eu descobri que era para que pessoas cegas pudessem sentir e conhecer a obra.
BOOM.
Muito provavelmente eu gastei uns 12 dos 15 minutos olhando pra essa escultura.
Primeiro eu me perguntei “porque?” e depois “como?”
Por será que esse era o primeiro museu dos 18973913098 que eu tinha visto que tinha isso.
Por que não tem isso em …tudo no mundo?
como será que os cegos visitaram os outros museus?
como visitam outros lugares? viajam? trabalham?
como vão a restaurantes? escolhem as roupas? fazem compras?
como usam o facebook? twitter? whatsapp?
por que? como? por que? como?
Só que a minha curiosidade não parou por aí. E com pessoas surdas? E com cadeirantes? E com todos os grupos que tem algum tipo de deficiência?
E na minha humilde ignorância do assunto, decidi conhecer mais, estudar mais, entender mais. Buscar as respostas para essas perguntas. Mais do que isso, entender o que eu posso fazer para criar essas respostas. Entender como eles vivenciam a cultura, o consumo e, ao fazer isso, questionar o papel das marcas e da publicidade é um grande interesse pessoal. Chega a ser quase uma missão. É a junção do meu trabalho com o meu ponto de vista.
Fiz um curso de Libras. Fiz um curso de Audiodescrição. Fiz contatos. Conheci pessoas. Tive ideias. E infelizmente muita coisa não saiu do papel por falta de tempo, de empenho, de comprometimento. Mas esse blog veio para tentar mudar isso
Como só é verdade se tá na internet, o objetivo é mostrar aqui um pouco do que eu aprendi e principalmente buscar novas chances de fazer isso. E pra quem não me conhece, muito prazer:
]]>https://sondery.com.br/a-ultima-ceia/feed/1na balada com a lu
https://sondery.com.br/na-balada-com-a-lu/
Tue, 03 Apr 2018 19:59:55 +0000http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=827Você sabe o que é ir pra balada com uma pessoa cega? Eu sei. R: É exatamente igual a ir pra balada com uma pessoa vidente. Mas, para poder contar a experiência, primeiro eu tenho que apresentar os participantes. essa é a Luísa. 25 anos, publicitária, de campinas, vidente. eu chamo ela de Lu essa é a […]
Você sabe o que é ir pra balada com uma pessoa cega? Eu sei.
R: É exatamente igual a ir pra balada com uma pessoa vidente.
Mas, para poder contar a experiência, primeiro eu tenho que apresentar os participantes.
essa é a Luísa.
25 anos, publicitária, de campinas, vidente.
eu chamo ela de Lu
essa é a Luciana.
34 anos, gestora pública, de santos, cega.
eu também chamo ela de Lu.
Um belo sábado, a gente foi pra vila madalena. E foi mais ou menos assim:
A Lu foi de metrô. A Lu também.
A Lu andou da estação fradique coutinho até o bar pau brasil. A Lu também.
A Lu bebeu. A Lu também.
A Lu pediu uma porção. A Lu também.
A Lu curtiu o samba. A Lu também.
A Lu tem um iphone. A Lu também.
A Lu usa whatsapp. A Lu também.
A Lu contou histórias do trabalho. A Lu também.
A Lu contou histórias de amor. A Lu também.
A Lu já foi minha “wing man”. A Lu também.
A Lu foi a pé para o Ó do Borogodó. A Lu também.
A Lu dançou. A Lu também.
A Lu paquerou. A Lu também.
A Lu bebeu de novo. A Lu também.
A Lu comeu um dogão depois de sair da balada. A Lu também.
A Lu dormiu na casa da Lu, e eu também.
No dia seguinte a Lu de Campinas foi de ônibus sozinha pra lá. E a Lu de Santos também.
E eu fiquei aqui pensando como foi bacana essa noite ter sido tão diferente e ao mesmo tempo tão igual a tantas outras. É claro que tinha momentos em que a Luciana precisava de um auxílio ou outro para subir/descer degrau, ou pra ler o cardápio e escolher o drink de sua preferência, mas isso era só um detalhe. A vivência em si é todo o resto. É a música, dança, cheiros, gostos, texturas, memórias.
No fim das contas acho que a Lu curtiu muito sair com a gente. E eu também.
]]>Como um grupo sobre GIFs engraçados está tornando a internet mais acessível
https://sondery.com.br/como-um-grupo-sobre-gifs-engracados-esta-tornando-a-internet-mais-acessivel/
Tue, 03 Apr 2018 19:57:06 +0000http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=822Iniciativa chique: #acervoacessível Desde muito antes do Orkut, os gifs fazem parte dos melhores motivos para se pagar a internet todo mês (junto com vídeos de cachorros). Talvez você não saiba, mas com certeza já passou pela sua timeline algum post ou repost do Acervo de gifs e imagens chiques. É um dos melhores grupos do […]
Desde muito antes do Orkut, os gifs fazem parte dos melhores motivos para se pagar a internet todo mês (junto com vídeos de cachorros). Talvez você não saiba, mas com certeza já passou pela sua timeline algum post ou repost do Acervo de gifs e imagens chiques. É um dos melhores grupos do Facebook e não é só pela inteligência e sagacidade da galera que legenda gifs sensacionais.
Descrição da imagem: capa do grupo, com a Ana Maria Braga segurando um cartaz que diz “Aprenda a ser chique miga!”
No dia 31 de março o Sidney Andrade fez um post nesse grupo que explicou de uma forma super didática o quão importante é a descrição das imagens para a acessibilidade do conteúdo para as pessoas cegas (que eu já contei um pouco nesse post).
Descrição da imagem: print screen do post de Sidney Andrade
Na íntegra:
Olá, pessoal
Em primeiro lugar, preciso informar que sou cego. Pessoas cegas utilizam computadores e smartphones graças a softwares de acessibilidades chamados LEITORES DE TELA.
O que um leitor de tela faz é simples: ele reconhece o material textual na tela em que estou navegando e o transforma em fala, por meio de vozes sintetizadas, como aquelas do Google Tradutor e do Maps, por exemplo. Assim, tudo que é texto editável é reconhecido e retorna pra mim em forma de áudio, o que me permite usar editores de texto, planilhas de dados, acessar a internet, enfim, tudo que uma pessoa vidente faz, só que, ao invés dos olhos, usamos os ouvidos para isso.
No entanto, o leitor de telas também não enxerga, então, quando a minha navegação cruza com uma imagem, ele apenas me avisa que aquilo é uma imagem, não podendo obviamente me descrever o que há na imagem, mesmo que essa imagem seja de um texto. Portanto, também Textos em imagens não são acessíveis.
Uma maneira de viabilizar a acessibilidade de imagens, tirinhas, gifs ou qualquer conteúdo figurativo aqui no FB é descrevê-las na postagem em que são feitas. Desse modo, quem enxerga desfruta da imagem com os olhos, e quem não enxerga desfruta da imagem por meio das palavras, lendo-as com o leitor de telas.
Aqui vão algumas dicas básicas para fazer boas descrições de imagens de modo a torná-las acessíveis.
1 Descreva o que você vê na imagem, não julgue nem opine sobre ela, seja objetivo na sua descrição.
2 Quanto mais direto ao ponto, melhor, Diga o suficiente para que a ideia geral seja transmitida.
3 Em caso de memes, cujo intuito é, na maioria das vezes, cômico, a descrição também pode ser cômica, contanto que não confunda o leitor. É importante que a ideia principal seja transmitida.
4 Sinalize, antes da descrição, com alguma palavra ou expressão que mostre que a seguir a imagem será descrita. Assim, quem não entender ou achar estranho a descrição da imagem logo depois dela aparecer fica avisado de que pessoas cegas também usam o FB e precisam dessa descrição para consumir os conteúdos de imagens. Desse modo, além de ser acessível, sua atitude também será educativa para quem nunca pensou sobre o assunto. Exemplos de termos que podem informar: “descrição da imagem”, “Acessibilidade da imagem”, “Imagem Acessível”, enfim, qualquer expressão que mostre que aquilo não está ali a toa.
PARA SINALIZAR AS IMAGENS E GIFS AQUI DO GRUPO, DEIXO A SUGESTÃO DA TAG #AcervoAcessível, DE MODO QUE TODOS COMPREENDAM DO QUE SE TRATA.
Fico à disposição para quem quiser tirar dúvidas ou conversar sobre o assunto. E agradeço, desde já, àqueles que adotarem a postura acessível e digna de oferecer condições de acesso a todos, independente de suas limitações.
Grande Abraço.
E como não podia ser diferente, o pessoal amou a sugestão e trataram de colocar em prática!
O legal é que por mais que existam regras, como o Sidney explicou, muitas vezes a descrição é mais uma oportunidade para ter graça. Que pode ser longa…
Descrição da imagem: GIF e print screen de post com o seguinte texto ” Mulher parada na porta de casa (aberta) enquanto exibe uma tigela, usada em rituais cultistas para alimentar pequenos demônios, sobre uma camada de neve até o peito dela do lado de fora. De repente um animal de Lúcifer, também conhecido como “gato”, mostra seus poderes sinistros arrebentando a camada de neve com uma investida para adentrar a residência; e ainda cai com uma cara de “O que eu perdi?”
ou mais sucinta
Descrição da imagem: GIF e print screen de post com o seguinte texto “Acordando de cochilo chique sem saber que dia é hoje #acervoacessível GIF de um cachorro acordando assustado”
ou mais fofinha
Descrição da imagem: GIF e print screen de post com o seguinte texto “Own, eu pedindo pra fazer carinho #AcervoAcessível Um lêmure recebendo carinho nas costas de dois meninos. Quando os meninos param ele fica pedindo mais, indicando com a patinha.”
Mais legal ainda é ver que a grande maioria dos posts hoje tem essa hashtag e a descrição. Fiquei imaginando como teria sido o resultado e repercussão para o Sidney e… resolvi perguntar para ele!
“Eu fiz aquele textão que você viu lá, e todo mundo aderiu, eu amei e passei, agora que podia, a postar também gifs e memes no meu próprio perfil, já que eu tinha uma ótima fonte de descrições. Então serviu até pra deixar meu próprio convívio no FB bem mais divertido, coisa que não era até pouco tempo, já que ele no que diz respeito à acessibilidade, é muito falho infelizmente.
“Algumas pessoas do grupo dos gifs acharam tão bacana que quiseram fazer o mesmo em suas próprias timelines, de modo que me pediram que eu fizesse uma postagem igual no meu perfil pra que elas pudessem compartilhar nas timelines delas e conscientizar o pessoal que as segue.”
Então o que era só pra ser um movimento interno do grupo de gifs acabou se espalhando um pouco mais pelas timelines do pessoal, ganhou uma proporção maior do que eu imaginava ou esperava, embora seja uma repercussão bem pequena se compararmos com o que algo pode repercutir no fb… Postei essa publicação em vários grupos de pessoas cegas ou mesmo de pessoas com deficiências outras, pra abranger mais gente, e hoje em dia eu vejo até quem eu não conheço com uma tagzinha de acessibilidade seguida da descrição das imagens, tá muito bacana de perceber que o movimento está sendo orgânico,e o que é mais impressionante, com adesão não só de pessoas com deficiência, mas sem deficiência também…
E mais uma vez o dia foi salvo graças a internet. Que permitiu que tudo isso acontecesse, desde a criação dos gifs e suas descrições, até o próprio contato com o Sidney (que também tem medium gente, segue ele lá!).
E quem quiser compartilhar o post do Sidney na sua própria timeline, clica aqui.
]]>Se essa empresa, se essa empresa fosse minha…
https://sondery.com.br/se-essa-empresa-se-essa-empresa-fosse-minha/
Tue, 03 Apr 2018 19:46:49 +0000http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=818Ela seria assim: Descrição da imagem: logo da marca, pode-se ver a palavra Sondery em azul com uma grafia manuscrita e logo abaixo as palavras “Creative Accessibility” que significa “Acessibilidade Criativa” Todo esse meu interesse no assunto de acessibilidade de nada adiantaria se ele ficasse parado dentro de mim ou se estivesse limitado ao meu […]
Descrição da imagem: logo da marca, pode-se ver a palavra Sondery em azul com uma grafia manuscrita e logo abaixo as palavras “Creative Accessibility” que significa “Acessibilidade Criativa”
Todo esse meu interesse no assunto de acessibilidade de nada adiantaria se ele ficasse parado dentro de mim ou se estivesse limitado ao meu conhecimento sem nenhuma atitude sobre ele. Como eu expliquei no meu primeiro post, o meu sonho era poder criar soluções para o mercado de comunicação que fossem criativas como a publicidade espera que elas sejam e acessíveis como as pessoas com deficiência gostariam que elas fossem.
Assim nasceu a Sondery. Uma consultoria para acessibilidade criativa.
Trabalhando e conhecendo gente de agências de publicidade eu aprendi que é possível fazer tudo — ou quase tudo — ser realidade. Sério. Com dinheiro e as pessoas certas, meu amigo, coisas incríveis acontecem. Sim, porque não é de boas intenções que protótipos são produzidos e testados, layouts e roteiros não aparecem do nada e fornecedores emitem notas fiscais. Mas o mercado está cheio de profissionais fodas, isso a gente sabe.
O que me incomodava era ver a disparidade abismal na qualidade de trabalho feito para produtos versus aquele feito para causas. Tudo bem que nos últimos anos isso mudou e até virou uma nova categoria de Cannes ironizada nesse vídeo, mas esse é um outro problema sério que merece um post só dele.
Volta pra vida de agência. Eu me perguntava como seria se toda essa disposição e criatividade fosse canalizada para pensar também em peças, filmes, ativações, soluções acessíveis? E repare só: TAMBÉM. TAMBÉM é um advérbio que “indica comparação e expressa condição de equivalência ou de similitude; da mesma forma”. Ou seja, as duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo.
Imagina QUE LOUCO se as pessoas percebessem que acessibilidade e criatividade não são excludentes?
E mais ainda, perceber que quando o assunto é esse ou existe a participação de pessoas com deficiência em um filme, não necessariamente quer dizer que a produção precisa ser tosca. A gente pode usar o mesmo equipamento de filmagem, efeitos de edição e finalização que usamos em mega produções.
E foi aí que um dia eu vi a campanha do Channel 4, do Reino Unido, para as Paralimpíadas de 2012 em Londres: Meet the Superhumans.
90 segundos de pura história. Altíssima qualidade de produção. ESSA TRILHA SONORA. Todos os cortes. Slow motion. Ângulos e luzes. O roteiro que mistura a potência física e ainda cria o vínculo emocional. ESSA TRILHA SONORA (2).
Esse filme foi lançado simultaneamente em 78 canais de TV no horário nobre do dia 17 de julho de 2012. Outros formatos deram continuidade à campanha que atingiu o seu objetivo: foi a primeira vez na história que os ingressos dos jogos paralímpicos ESGOTARAM. (Fonte)
Como se não bastasse ainda veicularam esse 30 segundos depois da cerimônia de encerramento dos jogos olímpicos: Thanks for the warm-up.
Fala sério.
Foi aí que percebi que a publicidade pode sim ter uma responsabilidade social pois ela tem o poder e a capacidade pra isso. Você redator tem o poder pra isso. Você planejamento tem o poder pra isso. Produção, mídia, diretores, vocês tem o poder pra isso. Eu tenho o poder pra isso. E agora, a Sondery vai servir para pôr isso em prática.
Por isso, a partir de hoje, aqui será um canal para dividir com vocês esse processo assustador e maravilhoso de empreender. Além de sempre contar com opiniões, descobertas e — porque não — um ou outro capítulo-diário dessa vida em contato com acessibilidade.
]]>O que eu achei da campanha da Vogue
https://sondery.com.br/0-que-eu-achei-da-campanha-da-vogue/
Tue, 03 Apr 2018 19:02:09 +0000http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=793Tanto como estudante/empreendedora no mercado de acessibilidade, quanto como publicitária, eu pensei “não pode ser”. DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a frente de uma parede branca o ator paulinho vilhena está em pé, somente de bermuda preta e com uma prótese na perna direita. ao lado dele, a atriz cléo pires, de maiô preto aparece sem o […]
Tanto como estudante/empreendedora no mercado de acessibilidade, quanto como publicitária, eu pensei “não pode ser”.
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a frente de uma parede branca o ator paulinho vilhena está em pé, somente de bermuda preta e com uma prótese na perna direita. ao lado dele, a atriz cléo pires, de maiô preto aparece sem o braço direito, o esquerdo está com a mão na cintura. nesse caso é importante explicar que eles na verdade não possuem essas deficiências físicas, isso foi produzido com maquiagem e edição no photoshop.
Bom, para falar bem a verdade minha primeira reação foi essa:
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: print de um post meu no Facebook com a mensagem “eu nem sei por onde começar a falar dessa campanha da cléo pires e paulinho vilhena, gente. gente. gente.”
E a verdade era essa, eu não sabia o que estava acontecendo. Por mais que eu achasse o maior absurdo que eu vi nos últimos tempos, eu não poderia opinar sem antes ~tentar entender~com calma que po**a era aquela.
Será possível que aquilo tinha um fundamento?
Será possível que ninguém pensou que poderia ter essa reação?
Será possível que eles tenham consultado as pessoas com deficiência antes de entrar no ar?
Será possível que não existe um plano de contingência?
Será possível que isso é o começo torto de algo que vai terminar melhor?
A Ana Clara-planejamento e a Ana Clara-inclusão começaram a discutir sobre isso e, olha, não foi uma conversa fácil.
Eu posso imaginar uma série de motivos para a leitura criativa e publicitária — afinal, eu já passei por isso (planejamento e criação) em outras situações muito parecidas, mas não estava envolvida nessa. Mas eu também posso imaginar muito motivos para que isso seja ofensivo para o público de pessoas com deficiência que podem não se sentir representados, e nesse caso precisaria validar a hipótese com eles — pois eu não passei por isso — e pesquisar mais sobre o desenvolvimento da campanha, pois eu não estava envolvida.
Percebem o destaques em negrito? Algumas coisas eu sei e tenho consciência disso. Outras eu não sei e também tenho consciência disso. E acredito que foi essa parte da consciência que mais CAUSOU nessa campanha toda.
Por isso eu analisei por esses vieses: Consciência, Empatia e Representatividade. E também por Conceito, Criação e Execução.
a leitura de inclusão
Antes de mais nada: em NENHUM fucking canal tinha uma descrição da foto. Nem instagram, nem facebook, nem na vogue, nem nada. Fazer um campanha que fala de atletas paralímpicos que, dentre os quais, existem cegos e pessoas de baixa visão e não colocar a áudio-descrição da imagem é errar no passo 1. E curiosamente eu não vi ninguém apontando isso.
Mas vamos lá. Quando eu conheci a Katia Fiorante, intérprete de Libras que me ajudou na produção do vídeo, ela me falou de uma frase que foi extremamente marcante para mim, quase tanto quanto a escultura da santa ceia, que se refere ao lema do movimento de luta pelos direitos das pessoas com deficiência:
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: céu azul, galhos de árvore e uma pessoa segura um quadro branco com moldura de madeira detém o texto “Nothing About us Without us” em vermelho. Vemos somente as mãos da pessoa, ela está atrás do quadro.
NADA SOBRE NÓS, SEM NÓS
NADA quer dizer “Nenhum resultado”: lei, política pública, programa, serviço, projeto, campanha, financiamento, edificação, aparelho, equipamento, utensílio, sistema, estratégia, benefício etc. Cada um destes resultados se localiza em um dos (ou mais de um dos ou todos os) campos de atividade como, por exemplo, educação, trabalho, saúde, reabilitação, transporte, lazer, recreação, esportes, turismo, cultura, artes, religião.
SOBRE NÓS, ou seja, “a respeito das pessoas com deficiência”. Estas pessoas são de qualquer etnia, raça, gênero, idade, nacionalidade, naturalidade etc., e a deficiência pode ser física, intelectual, visual, auditiva, psicossocial ou múltipla. Segue-se uma vírgula (com função de elipse, uma figura de linguagem que substitui uma locução verbal) que, neste caso, substitui a expressão “haverá de ser gerado”.
SEM NÓS, ou seja, “sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. Esta participação, individual ou coletiva, mediante qualquer meio de comunicação, deverá ocorrer em todas as etapas do processo de geração dos resultados acima referidos. As principais etapas são: a elaboração, o refinamento, o acabamento, a implementação, o monitoramento, a avaliação e o contínuo aperfeiçoamento.
Juntando as palavras grifadas, temos: “Nenhum resultado a respeito das pessoas com deficiência haverá de ser gerado sem a plena participação das próprias pessoas com deficiência”. (Fonte: Bengala legal)
Isso é forte e potente demais. Mas em breve eu farei um post só pra falar disso.
muito que bem.
esse foi o primeiro ponto que fui pesquisar: qual terá sido a participação ativa dos personagens no desenvolvimento dessa ideia de campanha? Porque, por mais que isso tenha a cara típica de ter nascido em sala de brainstorm rodeado de publicitês, me parecia dificílimo, quase impossível que pessoas com deficiência não tivessem sido consultadas (ao menos os atletas envolvidos nas fotos, pra dizer o mínimo).
Eis que o Marcelo Rubens Paiva (jornalista, escritor, um dos diretores criativos da cerimônia de abertura da Paralimpíada AND cadeirante) tuitou:
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: print de um tuíte do Marcelo Rubens paiva (@marcelorubens) dizendo “Qual o problema da campanha da Vogue? Os ânimos estão acirrados…”
E na coluna dele, respondeu as primeiras críticas que já estavam surgindo:
Qual o problema?
A campanha é SOMOS TODOS PARALÍMPICOS.
Na verdade, Cleo e Paulinho são embaixadores paralímpicos [indicação minha].
E a campanha foi criada pela agência África, de outro embaixador paraolímpico, Nizan Guanaes.
Foi um jogo curioso. Uma provocação.
Relaxa, gente.
Claro, agora venha uma campanha com amputados de verdade.
E os memes já surgiram.
Sobre o caso da campanha divulgada nas redes hoje, gostaríamos de falar algumas coisas. Temos muito orgulho dos nossos embaixadores. Eles são nossos grandes parceiros, usando suas imagens na mídia, nos nossos eventos e nas redes sociais.
Todos aceitaram prontamente a missão de divulgar o esporte paralímpico, comemorando conosco cada novo seguidor e cada novo espaço conquistado. Eles não necessariamente são pessoas ligadas ao esporte, mas que têm relevância e que nos ajudam a chamar a atenção de vocês para o nosso movimento.
Agradecemos a preocupação de todos os que se envolveram hoje e agradecemos, também, à Cleo Pires e ao Paulo Vilhena, que se mobilizaram para que ganhássemos visibilidade. Isso mostra que estamos crescendo e chamando cada vez mais atenção para atletas que nem sempre têm o espaço que merecem.
Estamos a duas semanas do início dos Jogos Rio 2016 e queremos contar com essa mesma mobilização, antes, durante e depois dos Jogos Paralímpicos. Nosso sonho é que as pessoas com deficiência estejam sempre em pauta. Só assim viveremos em uma sociedade realmente inclusiva. Esperamos vocês na torcida junto com a gente.
Já comprou seu ingresso?
OK, teoricamente, pelo que foi possível saber através do meu lado da tela nessas duas horas de pesquisa, eles passaram por esse ponto. Check.
Agora, sobre EMPATIA e REPRESENTATIVIDADE. São duas palavras muito ~em alta~ que são difíceis de compreender e ainda mais de exercer. O primeiro é a capacidade de se colocar no lugar do outro e o segundo de representar politicamente os interesses de determinado grupo classe social ou de um povo.
Eu imagino que eles tenham tido essa intenção. De gerar uma mensagem ou questionamento empático para que as pessoas sem deficiência se perguntem “porra, deve ser difícil pra caramba né?” e isso é importante! É necessário.
Mas então o que é que deu tão errado? Por que a esmagadora maioria de pessoas — com e sem deficiência — com quem eu conversei e se pronunciou nas redes rejeitou tanto essa campanha infeliz?
a leitura publicitária
“TEM QUE SER MUITO DO CARALHO!”, “TEM QUE SER FODA!”, “VAMOS CHOCAR”, “VAMOS QUEBRAR PARADIGMAS”. Facilmente é possível imaginar esse tipo de comentário numa sala de brain para a campanha. O briefing é esse, é desafiador, é oportunidade de fazer uma coisa incrível.
E eles me vem com o conceito de “SomosTodos__________ :/
Gente, poxa. Conceitualmente é errado e criativamente é preguiçoso (vide as outras vezes que a mesma agência usou a mesma hashtag — errada — para outros assuntos). A representatividade e respeito às diferenças vai pro lixo, a mensagem é falsa — por que eu seria paralímpica? — e mesmo que seja só um desdobramento da primeira hashtag oficial (#SomosTodosOlímpicos) ainda assim, achei fraca. In my humble opinion.
Aí vem a execução, como a gente conta essa história? E aí, AÍ BEM AÍ é que degringolou. Existem tantas formas de materializar isso! Uma, entre muitas,é a abordagem radical, chocante…“corta lá o braço da Cléo, corta a perna do Vilhena, todo mundo vai ficar O QUEEEE”. Mas o que me incomoda é ficou um coitadismo travestido de empoderamento. Concordam que o fluxo de entendimento da mensagem é
1- nossa, que isso? [choque]
2- ai que horror deve ser não ter um braço/perna né? [coitadismo]
3- e essas pessoas ainda vão participar dos jogos, olha que superação, eles são foda! [empoderamento]
4- com tudo isso né, tadinho, ainda consegue. pô, que barra. [coitadismo]
Tem tanta forma legal de explorar o corpo como POTÊNCIA e não focar na FALTA de algo que, de novo, acho preguiçoso criativamente falando. Vamos falar dos jogos paralímpicos, então vamos colocar os amputados que mostra da forma mais LITERAL que eles tem alguma “coisa faltando”.
Aí a campanha vai pro ar e pá, começam as críticas. Qualquer um que já tenha participado de um War Room de campanha sabe que haters gonna hate/don’t feed the trolls eem muita coisa que a gente tem que esperar pra ver o que realmente significa. OKAY, mas partir do momento em que a curva vai subindo e provavelmente 98% dos comentários é negativo, você tem que ouvir as pessoas — você está falando com elas.
Entra o post da Cléo. Gente, poxa (2). Se chega no nível que você sente a necessidade de se justificar explicando o briefing, é porque deu ruim mesmo. ponto.
E aqui é importante frisar a abordagem meio arrogante de “vocês não entenderam, seus burros”. A gente entendeu sim, mas não gostou. É diferente.
E por fim, eu tinha me atentado muito numa informação do Marcelo Rubens Paiva que disse “Relaxa, gente. Claro, agora venha uma campanha com amputados de verdade.”
Então pode ser que esse seja só o capítulo 1 de uma linha do tempo num slide de cronograma.
Aí entra uma opinião pessoal: aprendi (e acredito) que as campanhas em dois tempos são uma tremenda perda tempo, dinheiro e assertividade.
PRIMEIRO A GENTE LANÇA O TEASER UNBRANDED, DEPOIS A GENTE LINKA COM A MARCA.
PRIMEIRO A GENTE ESPALHA ESSA MENSAGEM, DEPOIS A GENTE USA NO COMERCIAL.
PRIMEIRO A GENTE FAZ ______ E DEPOIS A GENTE FAZ ______
Independentemente do que sejam as lacunas, você tem um esforço dobrado de impactar as mesmas pessoas 2x. (Eu sei que tem ferramentas pra isso, tá mídias?) E se aquelas que não forem impactadas pela segunda ficarem só com a primeira mensagem? E aí? Não valeria mais a pena criar uma única mensagem forte o suficiente e ainda assim otimizar o investimento e produção? Eu — pessoalmente — acredito que sim. In my humble opinion (2)
Por fim, imagino que a escolha dos globais para representarem os atletas é um resquício do pensamento engessado de grande mídia. “O povo só presta atenção se for celebridade”. Se sim, é uma triste realidade. Se é triste, por que não mudá-la? E DE NOVO. Não devemos subestimar os brasileiros e sua capacidade de entendimento, seu orgulho, patriotismo e capacidade de abraçar o outro. A gente torce pro último colocado, a gente torce pro refugiado, a gente torce pro juíz, a gente torce pra gente. Gente como a gente. A gente vai torcer para os atletas paralímpicos. Eles são como a gente. Mas nós não somos como eles.
Então, para completar o título do post, minha resposta é que: não gostei. Não gostei como entusiasta de inclusão e não gostei como publicitária. Entendo os motivos mas discordo dos processo e resultados.