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O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência - Sondery - Acessibilidade Criativa
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O papel dos professores na inclusão de alunos com deficiência

Imagem de fundo branco com a ilustração de um professor observando seus alunos jogando bola. Na parte central direita há uma ilustração de uma menina sentada em uma cadeira de rodas. Ela tem suor no rosto e semblante triste. Ela segura uma pilha de roupas.
Imagem de fundo branco com a ilustração de um professor observando seus alunos jogando bola. Na parte central direita há uma ilustração de uma menina sentada em uma cadeira de rodas. Ela tem suor no rosto e semblante triste. Ela segura uma pilha de roupas.


Vira e mexe vídeos de docentes apaixonados pelo que fazem viralizam nas redes sociais. Entre eles professores de educação física que adaptaram suas aulas para que seus alunos com alguma deficiência sejam incluídos nas atividades realizadas dentro da quadra. Sempre que um desses vídeos aparece na minha timeline penso nos meus anos escolares.

Quando a educação física passou a fazer parte da minha grade curricular nem os professores nem a escola sabiam – e não tinham interesse em saber – o que fazer comigo. A inclusão ficava por conta dos meus colegas de classe, que se esforçavam para que eu pudesse participar das aulas junto com eles. Eu me sentia de fato incluída e me divertia muito, mesmo quando a brincadeira terminava comigo caindo da cadeira de rodas (para desespero da minha mãe).

Porém, à medida que íamos crescendo, meus colegas passaram a não ter mais tanta paciência com a minha mobilidade reduzida e com meu tempo de fazer as atividades e a educação física passou a não ser mais tão divertida assim. Conversei com minha mãe e com o ortopedista e, juntos, chegamos a conclusão de que era o momento de pedir dispensa.

Nessa escola eu podia ficar na sala de aula enquanto eles estavam na quadra e aproveitava esse tempo para ler um livro ou adiantar a lição de casa (sim, eu era CDF). Mas na escola que eu fui estudar três anos depois não podia. Eu precisava estar dentro de quadra, mesmo que não fosse participar da aula e ficasse perto das arquibancadas. Não demorou muito para que minha cadeira de rodas virasse o cabideiro da turma.

Um tempo depois entrou um novo professor de educação física na escola. Após um período de observação, o professor Ricardo sentou perto de mim e perguntou se eu gostaria de aprender a apitar as partidas das modalidades (futebol, vôlei, basquete, handebol, etc) que ele estava ensinando para meus colegas. Eu disse que sim. E naquela aula mesmo começou meu aprendizado em arbitragem.

Em nenhum momento passou pela minha cabeça virar árbitra um dia. Acho que eu nem sabia naquela época que era uma profissão. O que me levou a responder sim foi única e exclusivamente a vontade que eu tinha de que aqueles cinquenta minutos passassem mais rápido. E o tempo não só voava, como eu voltei a me divertir e me sentir incluída. Isso para mim era tudo que importava.

Hoje, eu já não lembro as regras de todos os esportes, mas gosto muito de acompanhá-los pela TV, principalmente, o futebol (também por causa do meu pai) e o vôlei, quase sempre sozinha, prestando atenção em cada movimento dos atletas e dos juízes.

Olhando em retrospecto, muitos anos depois de ter concluído a escola, no que diz respeito à inclusão, infelizmente tive mais exemplos negativos do que positivos. Mas, por causa do professor Ricardo, eu acredito que para crianças com deficiência dessa e das próximas gerações o inverso pode ser possível e todo vez que um desses vídeos aparece na minha timeline eu desejo que a inclusão de alunos com alguma deficiência seja tão natural que não precise viralizar nas redes sociais por acontecer, que a inclusão não seja uma preocupação apenas dos professores de educação física, mas sim de todos os professores e que nenhuma criança deseje que as aulas terminem logo por se sentir excluída.

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