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Arquivos Iniciativas Sondery - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/iniciativas-sondery/ Wed, 27 Jul 2022 20:49:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.png Arquivos Iniciativas Sondery - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/iniciativas-sondery/ 32 32 Sonderycast 03: Por que investir em acessibilidade? https://sondery.com.br/sonderycast-03-por-que-investir-em-acessibilidade/ Wed, 27 Jul 2022 20:49:36 +0000 https://sondery.com.br/?p=2276   <iframe src=”https://anchor.fm/sonderycast/embed/episodes/Por-que-investir-em-acessibilidade-e1lm9b2″ height=”102px” width=”400px” frameborder=”0″ scrolling=”no”></iframe> Rafael Duarte [Introdução]: Este episódio do Sonderycast é mais do que apenas um podcast. É uma verdadeira aula, onde a fundadora da Sondery, Ana Clara Schneider, explica os termos e conceitos sobre as pessoas com deficiência, acessibilidade e inclusão, e costura com base em pesquisas, dados e estudos […]

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Imagem com fundo branco e detalhes arredondados rosa, azul escuro e azul claro. Há o texto: "03 Por que investir em acessibilidade?

 

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Rafael Duarte [Introdução]:
Este episódio do Sonderycast é mais do que apenas um podcast. É uma verdadeira aula, onde a fundadora da Sondery, Ana Clara Schneider, explica os termos e conceitos sobre as pessoas com deficiência, acessibilidade e inclusão, e costura com base em pesquisas, dados e estudos os motivos pelos quais investir em acessibilidade é mais do que um compromisso social, mas também uma estratégia de negócio para alcançar um público consumidor que a maioria das marcas está ignorando e excluindo. 

Ana Clara Schneirer:

Oi pessoal, tudo bem?

Eu sou a Ana Clara, da Sondery, e é uma honra estar aqui para receber vocês no início dessa caminhada. Que vai ter muita informação, muito material e muita troca sobre acessibilidade. Hoje eu vou falar um pouquinho sobre os conceitos bem básicos e daí a gente vai poder falar com mais profundidade de termos e vocabulário e algumas terminologias, então todo mundo parte da mesma página, combinado?

Se você não tem muito contato com o universo da pessoa com deficiência com o universo da acessibilidade, é muito importante entender exatamente esses detalhes de conceitos exatamente para não ter muita confusão. 

Tem pessoas que acham que a deficiência é algo somente atrelado à falta de algum sentido, à falta de algum membro. Ou então tem pessoas que falam “ah, eu  uso óculos, eu tenho miopia, então eu sou uma pessoa com deficiência”. E a verdade não é tão simples assim, não é tão restrito assim.

Então começando a falar, vamos começar então pelo conceito exatamente de pessoa com deficiência. O que define uma pessoa com deficiência. É claro que se eu fosse falar com o muitos detalhes, eu precisaria de horas e horas só para falar dos conceitos sociais, sobre essa palavra, sobre esse termo.

Mas o que a gente precisa entender, pra início de conversa é que a deficiência é somente uma das características que definem uma pessoa. Ela não é a única característica definidora daquele sujeito. E ela é um fenômeno social, porque ela se dá exatamente no encontro desse sujeito, dessa pessoa, com o entorno, com o ambiente, com a sociedade. É exatamente essa a definição da ONU.

Como vocês podem ver no slide o texto diz assim: segundo a ONU, são consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial os quais em interação com diversas barreiras podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Então foi exatamente isso que eu falei, a deficiência é um fenômeno social muito complexo se dá nesse encontro que pode ser muitas vezes cheio de barreiras ou com menos barreiras. A partir do momento a  gente começa a pensar nisso, e a deficiência acontece exatamente nesse encontro não é somente uma questão ligada ao corpo da pessoa, ou aos sentidos, mas exatamente como este corpo e  como com essas habilidades essas funcionalidades pode ocupar e usufruir os espaços como qualquer outra pessoa que não tem esse impedimento.

E aí é muito importante também a gente entender a diferença de integração e de inclusão.

Eles são muito utilizados de uma forma quase como sinônimos, Mas eles têm uma diferença conceitual muito grande, muito importante, que na integração existe uma falsa ilusão de inclusão. Quando a gente está integrado, existe ainda um grupo separado, vamos dizer assim: um gueto, um grupo ou uma instituição. Que pode, em alguns momentos, fruir na sociedade como um todo, mas ainda assim separado de todos.

Só pra vocês entenderem o contexto maior, a gente partiu da exclusão, quando as pessoas com deficiência não eram consideradas pessoas, que poderiam e deveriam sobreviver, e aí eu tô falando de homens das cavernas, né? De gerações da história da humanidade, qualquer pessoa que nascesse fora do padrão não permaneceria viva, A gente passa então pra um momento de segregação, depois da exclusão vem a segregação. E somente com a Idade Média, em que as pessoas com deficiência ou pessoas que nascem fora do padrão eram permitidas elas continuariam a viver, mas separadas em locais na sociedade. Então O Corcunda de Notredame normalmente é um exemplo bem prático e didático.

Nesse momento de a segregação, a pessoa fica separada do convívio de todas as pessoas. Com o surgimento da Medicina começa o que a gente chama de modelo médico no entendimento da deficiência. Que é quando a medicina passa considerar a deficiência como uma doença, entre aspas, a ser curada. Ou é o mais “consertado”, fazer com que este corpo se aproxime o máximo possível do padrão considerado normal pra época.

E aí sim vem a integração, quando existem locais de reabilitação, escolas especiais, instituições que separam as pessoas, inclusive por deficiência, instituições para pessoas com deficiência intelectual, ou escolas especiais, enfim e aí a gente reúne todo mundo que é diferente no mesmo grupo, em certos momentos eles podem a partilhar da sociedade, mas ainda existe essa separação. 

Isso que é integração. Quando a gente chega na inclusão, tá todo mundo no mesmo espaço. Podendo usufruir com a mesma qualidade da mesma forma, de um jeito pleno e de um jeito muito mais humano e muito mais bacana.

E um outro conceito muito importante para todos entenderem aqui é exatamente “acessibilidade”. Acessibilidade basicamente é poder garantir o acesso a todas as pessoas e aí é muito importante lembrar e entender para todo o sempre, que acessibilidade não é um conceito que se aplica somente a pessoas com deficiência. Ela se aplica a todas as pessoas, inclusive pessoas com deficiência.

Fazer com que todas as pessoas, tenham deficiência ou não, possam acessar espaços, conteúdos, eventos, experiências, é exatamente o fazer com que esse objeto, essa experiência, seja mais acessível e mais inclusivo para todos. 

Temos muitas curiosidades sobre soluções que inicialmente foram criadas, a princípio para pessoas com deficiência, com o intuito inicial apenas de acessibilidade, mas que beneficia a todo mundo. O próprio e-mail é um desses exemplos. Ele foi criado para que um homem que tinha uma perda auditiva pudesse se comunicar com a sua esposa que também tinha uma perda auditiva. Ele não poderia usar o telefone e ele queria algo que fosse mais rápido do que um correio, e aí ele criou a base do que veio a ser o correio eletrônico, que hoje é o que a gente utiliza como e-mail todos os dias da nossa vida.

Então esse é só um exemplo bem prático de como muitas vezes funcionalidades e soluções criadas, pensando inicialmente em pessoas com deficiência, podem beneficiar a todos.

E um outro exemplo muito conhecido de todo mundo é a própria rampa. Apesar de ser um exemplo quase clichê, ele é muito utilizado, é muito prático para esse entendimento.

Todas as pessoas podem utilizar a rampa, entendendo que ela tem um formato correto e uma inclinação correta, mas não só pessoas em cadeira de rodas, né? Uma pessoa que esteja utilizando uma bengala, alguém com carrinho de bebê, ou uma mulher grávida, alguém com uma mochila pesada…

Muitas pessoas podem se utilizar do mesmo recurso. Que também pode servir para acessibilidade. Então lembre-se: acessibilidade se refere a todas as pessoas.

E quando a gente vai pensar nessa aplicação considerando um movimento de consumo,

Considerando o desenvolvimento de produto, o desenvolvimento de serviços, entendendo o seu público-alvo, é muito importante lembrar que existem pessoas com deficiência dentro do seu público-alvo seja qual foi o seu recorte, seja qual for o seu target.

Então é muito importante lembrar que não só as pessoas com deficiências são seu público-alvo, mas toda essa rede de indireta de familiares, amigos, colegas, cruches, enfim, toda uma rede de pessoas relacionadas a esse potencial consumidor também pode ser impactada no momento em que você vai desenvolver um produto mais ou menos acessível. E isso pode impactar a decisão desse grupo de pessoas.

“Mas Ana, qual é o tamanho desse grupo de pessoas? Será que realmente é um público em potencial e faz sentido para o meu planejamento estratégico?”

Será que é importante pensar nisso dentro da empresa?

A resposta é: sim. São muitas pessoas com deficiência no mundo e no Brasil e é uma parcela da população que acredito que vai ser muito relevante pro seu público alvo, pro seu planejamento de produto, de serviço, ou de marca. eu tenho alguns dados sobre o poder o poder de consumo de pessoas com deficiências no mundo Na verdade, primeiro o dado demográfico, segundo a ONU são mais de um bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência ao redor do mundo. Em termos de potencial de consumo, a gente tem um público muito importante, muito relevante.

A Accenture fez um estudo recentemente e eles identificaram que a comunidade de pessoas com deficiência no mundo todo seria o equivalente à terceiro maior potência econômica com o equivalente a 8 trilhões de dólares por ano em faturamento. Então uma parcela extremamente importante, 8 trilhões de dólares. Só nos Estados Unidos esse valor passa a ser 490 Bilhões de Dólares.

Um outro um outro estudo feito pelo Instituto Americano de Pesquisas, o American Institute for Research, e o nome do relatório dessa pesquisa foi “o mercado oculto”, é realmente uma parcela da população que não tá sendo alcançada, Que ela quer ser bem atendida, quer poder consumir, quer poder acessar os locais e as marcas e as experiências e muitas vezes está sendo privada, está sendo impedida de exercer esse direito, exercer essa vontade por barreiras externas. Então vamos pensar em como a gente pode diminuir essas barreiras externas, para que todas as pessoas possam chegar até a sua marca, sua empresa, seu restaurante, sua casa

E existe uma outra pesquisa também que tá aqui no nosso slide, ela foi feita no Reino Unido. Lá o movimento das pessoas com deficiência é extremamente organizado e um grupo desse movimento que se define como We Are Purple, nós somos roxos em inglês, eles fizeram um estudo e publicaram um relatório e vários infográficos, exatamente também falando o potencial de consumo, o valor em dinheiro que os negócios perdiam anualmente por não serem acessíveis. E esse valor é, nada mais nada menos, do que dois bilhões de libras por mês

É um valor muito relevante para qualquer empresário, qualquer pessoa que esteja pensando em inserir acessibilidade no seu planejamento de negócio.

E lembrando, como eu falei, não são só as pessoas com deficiência, elas não existem sozinhas, e portanto o investimento em acessibilidade não beneficia somente a elas, mas as pessoas que se relacionam a elas, enfim, se relacionam com elas, sejam amigos, familiares… E um dos dados dessa pesquisa também se refere a isso: 75% das pessoas que responderam a pesquisa ou seus familiares, já saíram de algum estabelecimento, já saíram de algum lugar, pela falta de acessibilidade ou pela falta de atendimento.

E aí é muito importante a gente pensar na questão da reputação, o quanto essa experiência positiva ou negativa vai se espalhar entre as pessoas da própria comunidade, amigos, familiares e tudo mais…

Lembrando que esse público em potencial é extremamente relevante principalmente por todo esse desdobramento, né? Que ainda é possível a gente explorar.

E quando a gente vem para o Brasil, a situação também é similar. A parcela da população com deficiência,segundo o último IBGE de 2010, é de 23,9% da população. O que é o equivalente a 45 milhões de pessoas no Brasil. Isso é o equivalente quase à população da Argentina ou da Espanha. Então imagina toda essa parcela de pessoas, que compreende todas as deficiências, visual, auditiva, física, intelectual… Todas essas pessoas e seus amigos e seus familiares podem não estar sendo ainda tão bem atendidos quanto elas poderiam, em termos de serem reconhecidas como consumidoras da sua marca, da sua empresa, do seu serviço. 

Esse público em potencial aqui no Brasil também tem um poder aquisitivo equivalente a 5.3 milhões de dólares por mês. Esse dado é de 2010. E mais do que tudo, é mais do que, de novo entendendo a acessibilidade como um investimento, quando a gente se torna o nosso serviço, nosso produto mais acessível ele vai ser mais relevante não só para esse público, mas também pras pessoas que souberem disso, né? Então hoje em dia a gente tem um consumo consciente a cada vez mais forte, e as pessoas escolhem suas marcas a partir da cultura e do comportamento da empresa. 

Então quando ela investe em desenvolver um produto mais acessível, uma campanha mais acessível, ela tá beneficiando não só o consumidor com deficiência na ponta final, e também seus familiares e seus amigos, mas também trazendo uma vantagem para a própria empresa e impactando positivamente os seus outros formadores de opinião, ou stakeholders, a imprensa, e outras pessoas também. Ou seja, investir em acessibilidade, pensar em um consumo cada vez mais inclusivo é muito importante e muito positivo para todos.

É o que eu sempre falo: é um ganha-ganha-ganha. Todo mundo ganha nessa equação.

E lembrando que é a grande mudança de mentalidade uma das primeiras grandes mudanças de mentalidade para gente pensar na pessoa com deficiência como público-alvo é encarar a acessibilidade como um investimento. Muitas vezes as pessoas têm um certo receio uma certa barreira achando que a acessibilidade é muito caro e muito difícil, são muitas angústias e muitos medos, então a ideia é que nessa aula, a gente já tenha tirado uma boa parte das dúvidas trazendo um pouco mais informação e nas próximas vocês também possam ficar muito mais confortáveis com relação a esse tema, com relação à argumentação e principalmente com relação a mão na massa.

Como a gente pode de fato mudar atitudes para que a gente possa mudar o nosso entorno para que a gente possa mudar a sociedade e fazer com que ela seja cada vez mais acessível.

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Sonderycast #01: Acessibilidade em lojas online durante a Black Friday https://sondery.com.br/sonderycast-01-acessibilidade-em-lojas-online-durante-a-black-friday/ Wed, 24 Nov 2021 19:54:31 +0000 https://sondery.com.br/?p=2213 Neste primeiro episódio do Sonderycast, a equipe da Sondery fala sobre a importância da acessibilidade para o sucesso das lojas online, mostrando a parte conceitual, legal e prática da acessibilidade quando o assunto é compras online. E convidamos pessoas com deficiência para dar depoimentos sobre experiências de compra positivas e negativas, ilustrando assim o assunto […]

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Imagem na horizontal dividida ao meio, o lado esquerdo tem fundo azul escuro e o direito rosa. Há o texto em letras grandes em branco com contorno rosa: "01 acessibilidade em lojas online durante a Black Friday". No canto inferior direito há o logo do Sonderycast.


Neste primeiro episódio do Sonderycast, a equipe da Sondery fala sobre a importância da acessibilidade para o sucesso das lojas online, mostrando a parte conceitual, legal e prática da acessibilidade quando o assunto é compras online. E convidamos pessoas com deficiência para dar depoimentos sobre experiências de compra positivas e negativas, ilustrando assim o assunto com casos reais que nós analisamos para dar uma luz sobre a questão.

[Rafael Duarte]

Acessibilidade em lojas online durante a Black Friday, esse é o tema do primeiro Sonderycast, o Podcast da Sondery. Eu sou Rafael Duarte, diretor de conteúdo da Sondery, e logo de cara vou passar a bola para a Ana, pra ela contar um pouco melhor pra gente o que é acessibilidade.

[Ana Clara Schneider]

Acessibilidade significa proporcionar o acesso ao maior número de pessoas possível e para garantir isso , às vezes é necessário remover as barreiras que possam estar impedindo esse acesso.

Por isso é tão importante a gente entender a definição correta do termo “pessoa com deficiência” porque está lá na convenção da ONU e na LBI, pessoa com deficiência é aquela que tem um impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual em interação com com uma ou mais barreiras pode impedir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Ou seja, quem tem que mudar e se adaptar é o ambiente e a sociedade, e não o indivíduo com deficiência. Até porque são 15% da população mundial e quase 25% da população brasileira. São milhões e milhões de pessoas que já são ou poderiam ser consumidores de muitas marcas se tivessem o mesmo acesso a elas. A Sondery existe para isso, fazer com que as pessoas com deficiência sejam reconhecidas como consumidoras e acompanhar as marcas nessa jornada de reconhecimento.

[Rafael Duarte]

Será que as lojas online estão considerando as pessoas com deficiência como consumidoras, como clientes? Bom, a gente conversou com algumas pessoas com deficiência e pediu para que elas nos contassem algumas experiências positivas e negativas de compras feitas em lojas online e vai ser bem legal pra gente ilustrar aqui esse podcast. A gente começa com o depoimento da Ana Gouveia.

[Ana Gouveia]

Pensa numa pessoa que comprou nessa Black Friday… geeeente. Haja cartão.

Uma experiência que foi bem, bem, bem legal foi de comprar no site da Chico Rei; camisetas, enfim, várias outras coisas. Estava com uma promoção maravilhosa e assim, a navegação muito flúida. Eu comprei pelo site mobile, tem uns descritivos muito bacanas das imagens em si, não necessariamente descrever o que tem na imagem, mas a vibe da imagem, sabe? Eu achei muito bacana, além do produto ser maravilhoso. A navegação foi super flúida, eu não tive problema nenhum na compra, foi bem de boas, chegou rápido, tá tudo certo. 

Em geral eu tenho experiências minimamente acessíveis assim, não tenho muito o que reclamar de Amazon, Submarino, Magalu… seja aplicativo ou seja site, mas eu tive uma experiência horrível, horrorosa, a nível não conseguir comprar, na Hering. Tinha muitas promoções pelo aplicativo, algumas no site bem bacanas, mas pelo aplicativo tinha muitas. Não deu. Eu só conseguia fazer busca, mas não conseguia navegar nos produtos. Eu tenho baixa visão, então algumas coisas eu conseguia fazer com o leitor de telas desligado, mas eu não consegui finalizar a compra, não tinha como, não ia. Simplesmente não ia. Ficava o background invertendo com o… nossa gente, vocês não estão entendendo, só testando pra entender!

[Rafael Duarte]

Bom, esse depoimento da Ana Gouveia é muito interessante. Porque por um lado é claro, né, ela traz essa questão das barreiras ou ela traz essa questão da experiência bacana de compra, que ela teve no Chico Rei. Mas por outro lado ela traz uma outra questão, que não sei se vocês perceberam, mas é a questão de que ela estava ali comprando camisetas, né? Então quem é o consumidor com deficiência. Quem é essa pessoa com deficiência que está buscando nas lojas online promoções, produtos… então, novamente, Ana Clara, explica pra gente sobre isso.

[Ana Clara Schneider]

Uma vez a gente aqui na Sondery fez um paralelo com o termo PCD, que além de se referir a pessoa com deficiência, também deveria ser lido como pessoa com direitos, com dinheiro e com desejos. É preciso que as marcas desconstruam uma imagem estereotipada e uma percepção totalmente passiva da pessoa com deficiência, como se ela só tivesse interesse em produtos de saúde ou reabilitação. Assim como a deficiência é só uma das características que define um sujeito, podem ter muitas outras características e pontos de interesse: cultura, lazer, gastronomia, moda, e por aí vai.. 

De acordo com a consultoria Accenture, a comunidade com deficiência pode ser considerada a terceira potência econômica do planeta, com potencial para movimentar 8 trilhões de dólares por ano.

E vale lembrar que quando a gente pensa em uma situação de compra, não estamos falando só dos consumidores diretos, mas dos indiretos também, e a pessoa com deficiência também pode ter amigos, familiares, colegas de trabalho, contatinhos, enfim, toda uma galera que pode aceitar ou declinar uma decisão na hora da compra. 

[Rafael Duarte]

A gente fez uma pesquisa aqui na Sondery que inclusive está disponível para download, ela chama “Por que as pessoas cegas não compram no seu e-commerce”, e a gente descobriu que 71% dos entrevistados, pessoas com deficiência, nunca fizeram compras online. E entre os principais motivos que eles apontaram, 98% disseram que tinham ouvido relatos ruins de outras pessoas sobre as lojas e por isso nunca fizeram compras, 95% falaram sobre a exposição de dados financeiros e pessoais durante a compra e 88% falaram da falta de acessibilidade. E agora a gente vai ouvir o relato da Karyn, que ilustra bem esse cenário. 

[Karyn Krauthein]

Olá, meu nome é Karyn Krauthein e eu tenho baixa visão em ambas as vistas. 

Todas as vezes que eu precisei fazer algum tipo de compra online eu sempre fiquei muito receosa, porque além de você ter que consultar alguns dados que às vezes mesmo ampliando a tela há a necessidade de ficar consultando os tamanhos, se for uma roupa ou um sapato, tem que fazer medições e tudo mais, tem a questão de preencher campos e eu sempre fiquei com muito medo de fazer isso de maneira errado e ou mandar para um lugar que não seja minha casa, um endereço errado, ou não pagar de forma correta se for alguma coisa em relação a parcelas e tudo mais. Então eu sempre evito fazer compras online o máximo que eu posso por causa disso, porque eu sempre tenho medo que eu acabe preenchendo alguma coisa de maneira que dê algum problema e isso acabe prejudicando a compra e eu tenha que trocar. E enfim, acaba dando alguma dor de cabeça no fim das contas.

[Rafael Duarte]

A Karyn coloca algumas das preocupações dela sobre “e se der errado a compra”, “e se eu mandar pro lugar errado”… então são questões bastante importantes e bastante preocupantes de fato. E pra comentar sobre esse assunto dos direitos legais das pessoas com deficiência relacionados à loja online ou promoções como a Black Friday, a gente chamou o Leonardo Spinola, que é consultor de acessibilidade na Sondery.

[Leonardo Spinola]

Quando o assunto é acessibilidade e Black Friday, o direito dá dois pontos muito importante a se entender. O primeiro e o mais específico deles é a Lei Brasileira de Inclusão, que em seu artigo 63 diz que todo site no Brasil precisa respeitar as disposições internacionais de acessibilidade.

O segundo, que pode parecer que não tem muito a ver com acessibilidade, é a Lei Geral de Proteção de Dados. O que isso tem a ver com acessibilidade? A LGPD trata de dados pessoais, sensíveis… no caso de uma Black Friday da vida, cadastro de clientes, cadastro de cartões de crédito, meios de pagamento, endereços e etc. Como isso tem a ver com acessibilidade? Devolvendo a pergunta: como uma pessoa com deficiência enfrentando as barreiras de um site não-acessível vai ter certeza que os seus dados e o seu endereço, o seu cartão de crédito e coisas do tipo estão sendo tratadas de forma segura? Se já é difícil para usuários sem deficiência.

Estes são os principais dispositivos que tratam sobre acessibilidade quando o assunto é Black Friday.

[Rafael Duarte]

E saindo um pouco dessa questão conceitual do que é acessibilidade, quem é o consumidor com deficiência, os seus direitos, né? Vamos falar um pouco sobre a parte técnica dos sites. É possível fazer uma loja online acessível para o máximo de pessoas possíveis, com ou sem deficiência? Bom, a primeira questão é: existem diretrizes, existem normas, técnicas a serem seguidas? E para comentar sobre isso a gente chamou a Sandyara Peres, consultora de acessibilidade aqui na Sondery. 

[Sandyara Perez]

Temos sim! Temos as diretrizes de acessibilidade para o conteúdo na web, que é a WCAG, são diretrizes internacionais sobre acessibilidade em meios digitais, em meios online e meios da internet. Temos também o eMAG, Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, que ele é feito em cima, uma versão especializada da WCAG, com foco em portais do Governo Brasileiro; contudo ele é feito em cima da WCAG 2.0 sendo que a mesma já se encontra em sua versão 2.1. E também temos o selo de acessibilidade digital da Prefeitura de São Paulo, que posssui aí etapas para serem avaliadas em um site a fim de garantir esse selo. Então temos bastante material aí, inclusive em Português, que você pode consultar a fim de saber, ok, como criar um site, uma loja online e ela em si já nascer acessível. Então temos sim boas práticas e regras pra isso.  

[Rafael Duarte]

E a Luciana Oliveira, outra consultora de acessibilidade também da Sondery, preparou algumas dicas para falar sobre acessibilidade online, principalmente em lojas online. Qual os primeiros passos para tornar uma loja online acessível?

[Luciana Oliveira]

No caso, a melhor recomendação que eu daria, é atenção com a parte de Font End do seu site. Então verificar se a hierarquia de cabeçalhos está fluida, se está estruturada corretamente essa arquitetura, está feita de uma forma correta, com título, subtítulo, subtítulos terciários, se os botões estão rotulados corretamente com a ação que se pede para que ele processe aquele botão. E se pensar numa experiência mobile, se aquele aplicativo é nativo, então buscar todas as questões de recomendação de acessibilidade pra Apple, por exemplo, que ela oferece para developers, pra Android também é a mesma coisa, se no caso o aplicativo é híbrido, então tentar ver dentro daquela plataformar, daquele framework em que está sendo desenvolvido, o que que ele oferece em questões de acessibilidade.

Mas também tentar as primeiras questões que eu relatei há pouco para tentar oferecer essa experiência, porque basicamente os leitores de tela eles se norteiam principalmente pela semântica de HTML. Então se você tem uma semântica bem estruturada, bem feita, você vai oferecer de 30% a 35% de uma boa experiência pra um usuário que tenha deficiência visual. Pra quem tem baixa visão você teria que entrar também numa boa semântica de CSS, no caso fontes com tamanho legível, área de toque pra quem usa aplicativos no celular e o restante seria mais com o pessoal de UX pra montar esse fluxo e manter uma boa experiência também.   

[Rafael Duarte]

Bom, agora que a gente já sabe sobre essas diretrizes de acessibilidade do WCAG e a gente já ouviu também um papo mais técnico da Lu, vamos ouvir também o depoimento do Felipe Zaniboni. 

[Felipe Zaniboni]

Essa experiência de compra de Black Friday que foi negativa foi nas Lojas Americanas. Onde eu consigo iniciar o fluxo, fazendo a pesquisa do produto, ler a descrição, mas na hora de concluir o pagamento, onde eu vou colocar o número de parcelas, o elemento no código que eles usam não é semântico para o leitor de telas, é um botão que quando você aciona ele não dá as opções de parcelas. E fuçando nessa página, depois que você aciona o botão, o leitor de telas acaba encontrando esse modal que abriu depois do rodapé, porque ele deve estar no código nossa ordem, mas no CSS no centro da tela. Então quando você acha ele ainda, é só a janela de diálogo. Então tem que usar um OCR pra ler essa janela, achar a opção que você quer, copiar ela como texto, sair do OCR, dar um buscar, colar a opção que você quer e apertar Enter duas vezes. Só pra escolher o número de parcelas e concluir a compra. Então poucos usuários com deficiência conseguiriam chegar nesse nível e fuçar e concluir a compra. 

[Rafael Duarte]

Pois é, né gente… vocês acham que qualquer pessoa, com ou sem deficiência, deveria passar por essa experiência de praticamente “hackear” um site só para conseguir finalizar uma compra numa loja online? Acho que não, né? Bom, mas quem tem loja online hoje e ainda não é acessível, a gente passa mais uma pergunta pra Sandy, que é: dá pra transformar uma loja que não é acessível em acessível, ou é preciso refazer tudo do zero?

[Sandyara Perez]

Não vou dizer que é impossível consertar, mas que é mais trabalhoso do que se eu tivesse pensando em acessibilidade desde o início, é. Vamos supor que eu acabei de lançar um site da minha loja online de eletrônicos e ele está completamente inacessível. Isto é, vamos supor que ele não responde bem com leitor de tela, as imagens não estão bem descritas, as páginas não possuem um bom contraste e essas cores são a partir da minha identidade visual… então eu vou ter que ter o trabalho de refazer o design, testar com o leitor de tela, talves mudar o conteúdo, as palavras que eu estou utilizando em minha comunicação. Pode ser que aconteça que, dependendo do ramo que eu estou atuando, eu passe por alguma auditoria e isso gere alguma penalidade, alguma multa, e eu já vou ter tido esse prejuízo.

Isso tudo seria sanado se eu tivesse pensado em acessibilidade desde o início. Impossível não é. Mas que é muito mais trabalhoso e eu terei mais prejuízos, com certeza.

[Rafael Duarte]

A gente acredita, aqui na Sondery, que todos os sites, incluindo as lojas online, claro, precisam ser acessíveis. A gente está falando da internet, né, que é esse grande mundo virtual sem barreiras onde todas as pessoas deveriam conseguir acessar todos os conhecimentos do mundo, né? Então é muito contraditório que na hora de construir os sites e as lojas online as pessoas criem essas barreiras, que acabam excluindo parte da população, que acabam impossibilitando que as pessoas com deficiência consigam acessar esses sites, consigam finalizar as compras nas lojas online. E tudo isso porque essas pessoas com deficiência não foram consideradas consumidoras, né? Lá atrás não foram consideradas clientes, foram ignoradas como clientes, como pessoas com poder de compra, com poder de decisão, com vontades, como a Ana disse. 

E a gente espera que esse primeiro Sonderycast tenha trazido uma luz sobre esse assunto, sobre a importância de investir em acessibilidade em sites e lojas online. E que apesar da gente ter usado a Black Friday como contexto para falar desse assunto, a gente sabe que compras online são feitas todos os dias, né? E que também não vão faltar datas comemorativas de compras, como a Black Friday agora, Cyber Monday, Natal… o importante é que esse investimento em acessibilidade seja feito, que comece a ser feito, para que o quanto antes as pessoas com deficiência tenham acesso ao seu site, que consigam fazer as compras de forma autonoma e independente.

E chegamos ao final deste primeiro Sonderycast, esperamos que vocês tenham gostado. A gente está preparando novos episódios sobre acessibilidade, acessibilidade digital, inclusão, diversidade… espero que vocês acompanhem a gente e até a próxima.

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A Sondery está de cara nova https://sondery.com.br/a-sondery-esta-de-cara-nova/ Tue, 21 Sep 2021 17:22:43 +0000 https://sondery.com.br/?p=2155 Já faz alguns meses que estamos trabalhando em novidades aqui nos bastidores da Sondery. Aliás, trabalho e novidade são duas coisas que não faltam por aqui. E agora finalmente chegou a hora de contar para vocês um pouquinho do que está acontecendo e o que estamos fazendo. A gente fica muito feliz de perceber que […]

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Ilustração de uma folha sendo virada. Na página que está saindo, o antigo logo da Sondery, com fonte azul e um círculo de linhas finas azuis e rosas. Na página nova, está o novo logo: Logo da Sondery formado por um S estilizado à esquerda; e, à direita, as palavras: Sondery Acessibilidade Criativa. Um S que possui uma parte em preto sobre fundo branco. A terminação superior do S é azul e deslocada para cima. A terminação inferior do S é rosa-escuro e deslocada para baixo. Ao lado das curvas superior e inferior há um meio-círculo branco. Ao lado do primeiro meio-círculo branco há um segundo meio-círculo rosa, formando um círculo inteiro. Ao lado do segundo meio-círculo branco há outro meio-círculo azul, formando um círculo inteiro. À esquerda, a palavra sondery, escrita com Y, em letras de forma minúsculas, é preta. Abaixo dela estão as palavras acessibilidade criativa em letras de forma minúsculas rosa.


Já faz alguns meses que estamos trabalhando em novidades aqui nos bastidores da Sondery. Aliás, trabalho e novidade são duas coisas que não faltam por aqui. E agora finalmente chegou a hora de contar para vocês um pouquinho do que está acontecendo e o que estamos fazendo.

A gente fica muito feliz de perceber que nestes últimos anos a Sondery cresceu. Cada vez mais empresas estão confiando no nosso trabalho, o que nos deu a oportunidade de realizar coisas incríveis. Fizemos a consultoria para um comercial lindo de Dia dos Pais do Bradesco, com representatividade e sem capacitismo, colocamos no ar para o Burger King o primeiro comercial da TV aberta brasileira com audiodescrição no canal principal de áudio e trabalhamos para deixar uma série de sites e aplicativos acessíveis. Entre tantas outras coisas…

E, modéstia a parte, somos sempre muito elogiados pelos resultados alcançados (e você pode ver isso nos novos depoimentos do nosso site). Um dos propósitos da Sondery é preparar a fundação para a construção do futuro acessível que a gente tanto almeja. Pouco a pouco, a cada trabalho realizado e iniciativa criada, nós vamos mostrando para as pessoas que a acessibilidade é o único caminho possível para quem não quer excluir ninguém. E quando o seu propósito vai além do mercado, a sua atuação também precisa ir. 

A gente busca atingir as pessoas, levar conhecimento, mudar a chavinha na cabeça de cada uma das pessoas com quem interagimos para mostrar que ser acessível é possível, é necessário e, quando tudo é feito com criatividade e envolvendo as pessoas com deficiência, a experiência de todos é orgânica e agradável.

Percebemos que estávamos crescendo, estávamos mudando, melhorando, mas, como dizem os jovens, “nem tínhamos roupa para isso”! Precisávamos de uma cara nova, um guarda-roupas novo. Queríamos deixar a nossa casa mais bonita para receber nossos clientes e parceiros. Levar a palavra da acessibilidade, da representatividade e da inclusão para dentro das empresas com uma apresentação ainda mais bonita, com design que representasse essa nova fase.

A história da mudança parece coisa de filme. A ESPM (Escola Superior de Publicidade e Marketing), grande parceira da Sondery, nos convidou para participar de um desafio para os alunos de Design: eles estudariam a nossa empresa, nossos valores e propósitos, e recriariam a nossa identidade visual. O processo todo, entre reuniões, apresentações e vários feedbacks, que todos da equipe da Sondery ajudaram a escrever, durou quase dois meses e culminou no resultado final, que adoramos, do grupo composto pela Sarah e pela Bea.

A nova identidade visual da Sondery tem de tudo: logo, novas cores, novas padronagens, caneca, caneta, cartões de visita, adesivos… e está tudo muito lindo, garanto. A ideia por trás deste logo é um grid com um conjunto de módulos que unidos formam a letra S, a inicial da marca e também o movimento sinuoso do nosso sinal de Libras. Esta mesma estrutura nos proporciona também liberdade e facilidade na criação de outras marcas da Sondery, como para o nosso programa de entrevistas Mudando de Assunto, nosso projeto de fotografias sonoras Para Ouvir e outras iniciativas que surgirem (e vem muitas por aí), tudo isso dentro da identidade visual nova da empresa. Demais, né?

Tem muitas coisas ainda que estamos fazendo e queremos contar para vocês, mas ainda não está na hora. Acompanhem a gente aqui no blog e nas nossas redes sociais (que já estão lindonas de cara nova), para saber de todas as novidades, iniciativas e trabalhos em que estamos envolvidos.

E aí, gostaram da cara nova da Sondery? 😉

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Por que a Sondery criou um programa de entrevistas? https://sondery.com.br/por-que-a-sondery-criou-um-programa-de-entrevistas/ https://sondery.com.br/por-que-a-sondery-criou-um-programa-de-entrevistas/#comments Tue, 25 Sep 2018 15:37:26 +0000 https://sondery.com.br/?p=1520 Nós queremos fomentar a cultura da acessibilidade. Isso significa que queremos mostrar para as pessoas que o mundo é um só para todos e não faz o menor sentido que ele não seja acessível. Uma maneira que encontramos para mostrar isso é entrevistar pessoas com deficiência que têm muito para contar. Para quem ainda não […]

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Nós queremos fomentar a cultura da acessibilidade. Isso significa que queremos mostrar para as pessoas que o mundo é um só para todos e não faz o menor sentido que ele não seja acessível. Uma maneira que encontramos para mostrar isso é entrevistar pessoas com deficiência que têm muito para contar.

Para quem ainda não viu o primeiro episódio, é só assistir ao vídeo aí embaixo. O Mudando de Assunto é, de forma resumida, um programa de entrevistas apresentado pela Ana Clara, a fundadora da Sondery, que fala apenas com pessoas com deficiência sobre qualquer assunto que não seja acessibilidade ou deficiência.

O conceito do Mudando de Assunto

O programa nasceu da ideia de que a mídia tradicional não dá voz (ou sinais) para as pessoas com deficiência. Não há representatividade. Quando um programa de entrevistas ou noticiário fala com uma pessoa com deficiência é para falar das dificuldades e das superações. E a gente cansou desse papo capacitista e superheróico.

O Mudando de Assunto surgiu para literalmente mudar o assunto! Como a própria Ana fala ao apresentar o programa, “você ainda acha que pessoa com deficiência só sabe falar sobre isso?”. A nossa ideia é entrevistar pessoas incríveis e ouvir o que elas têm para falar, assim como qualquer programa de entrevistas. Ah, com um pequeno detalhe de diferente: as pessoas têm deficiências.

Na primeira temporada do programa, que teve 9 episódios, nós entrevistamos o Giovanni Venturini sobre sua carreira de ator e sobre os quatro filmes que gravou e estão para estrear, Rogério Ratão, um escultor incrível que faz peças em argila e metal, Leo Castilho, arte educador que organiza uma batalha de poesias, a famosa Mari Torquato sobre como é ser uma das maiores YouTubers do Brasil… olha só quantos assuntos bacanas que esse pessoal tem para falar. E a segunda temporada começou com muitas entrevistas legais. Ok, chega de spoiler! Não deixe de acompanhar os lançamentos do Mudando de Assunto para saber quem são eles. 😉

Ana Clara e Erika estão sentadas nas cadeiras brancas do programa, sobre um tablado vermelho e fundo azul. Acima delas estão as luzes de iluminação do estúdio e em frente a elas, à direita da imagem, está uma uma câmera filmadora cujo visor mostra a as duas enquadradas do joelho para cima. Ana Clara usa uma camisa listrada preta e branca e uma calça preta e a Erika está com uma blusa preta e saia marrom.

Formato inovador e acessível

Uma das nossas premissas para o Mudando de Assunto é que ele precisava ser acessível para todos. Nós queríamos ter todos os recursos de acessibilidade dentro do contexto do programa e para isso planejamos desde o início como faríamos isso.

Para começar, queríamos que a intérprete de Libras estivesse dentro de cena o tempo inteiro, ao lado da Ana e do entrevistado – e não confinada em uma janelinha no canto inferior da tela. E a gente achou que o formato ficou superbacana. O que vocês acharam?

O segundo passo foi pensar em como faríamos a audiodescrição sem criar pausas longas e vozes vindas do além. A maneira mais natural que encontramos foi que as próprias pessoas se descreveriam. Todo começo de programa a Ana se descreve, descreve a Erika (a nossa intérprete de Libras), descreve o cenário e passa a bola para o convidado, que se autodescreve. E daí pra frente começa a conversa.

O terceiro recurso, e o mais simples de fazer em um programa gravado, foi a legenda. Transcrevemos os vídeos e a adicionamos ulizando o próprio recurso de legendas do YouTube. Se você quiser assistir aos vídeos do Mudando de Assunto com legenda basta ativá-la na opção de legendas do YouTube.

2021 e um novo formato remoto

Os últimos dois anos representaram um desafio enorme para muitas iniciativas, e o Mudando de Assunto também foi impactado pela transformação que o mundo sofreu com a pandemia. Uma dessas mudanças é que tivemos que adaptar as gravações para um modelo remoto e online.

Todas as ideias e conceitos originais do programa foram mantidos nesta nova versão. A intérprete de Libras fica no centro, inserida no contexto da entrevista e não em uma janela de Libras de tamanho reduzido no canto inferior da tela. A Audiodescrição é feita no início do programa pela Ana Clara e pelos próprios entrevistados e as legendas continuam disponíveis pela plataforma do YouTube, basta habilitá-las.

O novo formato remoto nos abriu uma possibilidade: derrubou a barreira geográfica que só nos permitia entrevistar pessoas que estivessem em São Paulo, caso fôssemos gravar no estúdio.

Equipe responsável pela gravação do Mudando de Assunto está de frente, um ao lado do outro, em frente ao cenário do programa: um tablado vermelho com um fundo azul. Todos estão sorrindo. São sete homens em pé atrás e mais adiantadas estão Ana Clara, Erika e mais duas mulheres, que estão entre duas cadeiras brancas com pés metálicos.

O que mais vem por aí?

O Mudando de Assunto foi o pontapé inicial do canal da Sondery no YouTube e com certeza é o nosso carro chefe. Mas pode esperar que temos muitas outras ideias que queremos tirar do papel e colocar nas telas, sempre pensando em fomentar a cultura da acessibilidade de forma acessível.

Vamos utilizar este canal para testar formatos e ideias, navegar pelo universo da pessoa com deficiência e falar de assuntos que as outras pessoas não estão falando. Lembrando que só vamos conseguir fazer tudo isso se você vier com a gente. Então não deixe de assistir aos nossos vídeos, seguir o nosso canal, curtir o vídeo e o deixar seu comentário. Você pode fazer sugestões, críticas e emitir as suas opiniões que nós iremos ler, pode ter certeza.

Tomando toda a metade esquerda da foto está um copo de papel azul com um rosto sorrindo desenhado, com olhos virados para a direita. Na metade da direita, que está desfocada, três pessoas estão sentadas em cadeiras brancas sobre um tablado vermelho e em frente a elas, à esquerda, uma câmera filmadora sobre um tripé.

Outras iniciativas da Sondery

Um dos planos da Sondery é de criar ou contribuir para inciativas que fomentem a cultura da acessibilidade e dê visibilidade à PESSOA com deficiência. Por isso a gente criou um canal do YouTube; e por isso não vamos parar por aí.

Há dois anos criamos o Acessorama, um evento para discutir diversos assuntos sob a perspectiva da acessibilidade. Um evento que aconteceu no inovaBra habitat serviu de modelo de evento acessível para o Bradesco. Além dele, já participamos como palestrantes de diversos outros eventos, como a Campus Party, UXPA, UHULL Connect, o Pop Plus e o LINK, o evento sobre acessibilidade na web organizado pelos nossos parceiros da Hand Talk.

Outra iniciativa bacana da Sondery é o ParaOuvir, um projeto de fotografias sonoras, que visa captar a essência de um momento em áudio. Se você ainda não conhece, dá um pulinho na página da iniciativa para conferir as fotografias que já estão disponíveis por lá.

Nós também estamos envolvidos em várias outras iniciativas, seja ativamente ajudando na organização, participando ou divulgando. O grupo de discussão da sexualidade da pessoa com deficiência, Sim Fodemos, e a oficina de poesia Corposinalizante são dois exemplos.

E aí, gostou do Mudando de Assunto? Que outros temas você gostaria de ver numa entrevista? Deixe sua sugestão aqui nos comentários!

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