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Arquivos Cultura Inclusiva - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/cultura-inclusiva/ Wed, 08 Dec 2021 19:52:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.png Arquivos Cultura Inclusiva - Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/category/cultura-inclusiva/ 32 32 Como essas 4 coisas do nosso dia a dia seriam no “mundo ideal” da acessibilidade? https://sondery.com.br/como-essas-4-coisas-do-nosso-dia-a-dia-seriam-no-mundo-ideal-da-acessibilidade/ Wed, 08 Dec 2021 19:44:36 +0000 https://sondery.com.br/?p=2239 A gente sempre tem aquele cenário perfeito, né? O tal “mundo ideal”, onde tudo dá certo, onde o Plano A não falha, onde o dinheiro que temos será o suficiente para os nossos planos. Mas e o mundo ideal da acessibilidade? Como ele é? Onde ele fica? Quem o habita? O “mundo ideal” da acessibilidade […]

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Ilustração de um boneco palito segurando uma bandeja com copos e garrafas indo em direção a uma mesa onde está o boneco do símbolo internacional de acesso em uma cadeira de rodas e outro boneco palito sentado em uma cadeira. Na mesa deles há copos e garrafas. O fundo é um bar desfocado.


A gente sempre tem aquele cenário perfeito, né? O tal “mundo ideal”, onde tudo dá certo, onde o Plano A não falha, onde o dinheiro que temos será o suficiente para os nossos planos. Mas e o mundo ideal da acessibilidade? Como ele é? Onde ele fica? Quem o habita?

O “mundo ideal” da acessibilidade não é um espaço onírico, cheio de duendes, fadas e seres espetaculares, é o mundo em que vivemos, que interagimos todos os dias e não fica numa dimensão paralela. Considerando tudo isso resolvi listar algumas coisas que mudariam toda a nossa experiência se fossem mais acessíveis e mostrar por A + B o que queremos dizer para os nossos clientes quando falamos “A acessibilidade é benéfica para todes, não somente para aqueles que têm algum tipo de deficiência.

Compras online

Da navegação estranha, à falta de uma descrição coesa sobre o produto, até a ausência de uma relação informando quais itens viriam na compra, muitas pessoas (com ou sem deficiência) acabam desistindo de realizar uma compra porque não têm acesso à informações ou recursos necessários para tomar a decisão de compra.

Imagina se as plataformas de compra fossem construídas considerando a acessibilidade? Quantas pessoas não iriam sair dessa experiência satisfeitas por conseguirem realizar a compra de um item desejado. Quantos donos de estabelecimento não veriam seu lucro aumentar pelo simples fato de ter uma plataforma acessível a todos.

Barzinho

A cultura do barzinho é muito forte no Brasil, tem bar para todos os gostos e bolsos. Mas no bar tem aquele momento fatídico em que você terá de sair da sua cadeira. Isso é uma tarefa quase impossível se a noite for “boa”. Enfrentar um mar de gente para se locomover, ter que ficar se apertando entre cadeiras, além do medo do celular cair do bolso num vórtice de pernas que você nunca mais vai encontrar.

Vamos considerar aqui que o seu barzinho de estimação tenha pensado em acessibilidade. Esse problema não iria existir, pois todas as rotas de trânsito de pessoas teriam sido desenhadas pensando na acessibilidade dos frequentadores. Da cadeira de rodas, ao carrinho de bebê, passando por aquela mochila enorme cheia de livros, nada disso seria um impeditivo para um momento de descontração no seu bar favorito.

Banheiros

O banheiro é um lugar visitado por todos, porque todo mundo tem necessidades fisiológicas. Mas como esse é um post para falar sobre como a acessibilidade não é só para quem tem alguma deficiência, vou listar aqui pessoas que precisam de um banheiro acessível: 

  • Pessoas de baixa estatura;
  • Pessoas gordas;
  • Pessoas com idade avançada;
  • Pessoas que estão com crianças; 
  • É muito legal quando entramos em um banheiro e vemos que existe pelo menos uma cabine que é acessível, mas imagina quão melhor seria se todas as cabines fossem acessíveis e não houvesse uma diferenciação?

Redes sociais

Muitas plataformas já possuem ferramentas para acessibilidade, mas imagina como seria legal se os criadores de conteúdo também considerassem a acessibilidade na hora de criar seus posts? Um hábito que está (ainda bem) crescendo cada vez mais são os vídeos com legenda, no qual a pessoa legenda o que ela está falando no vídeo.
Além de ser uma ótima prática, pois a pessoa está deixando o seu conteúdo acessível para aqueles que não irão ouvir, também ajuda aqueles que querem utilizar as redes sociais e não necessariamente estão podendo utilizar a função de áudio, sendo bom até para memorizar melhor aquele conteúdo. Agora imagina como será legal quando todo mundo puder ter acesso aos posts que estão nas redes sociais?

Essas foram somente quatro coisas do nosso dia a dia que beneficiam todo mundo sendo acessíveis. Ao invés de pensarmos na acessibilidade como uma ferramenta que vai incluir uma camada da sociedade, estamos falando de uma postura que deixará de excluir uma camada da sociedade.

Agora vamos pensar aqui no que mais podemos fazer para que esse “mundo ideal da acessibilidade” na verdade seja o mundo ideal para todo mundo?

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A acessibilidade e o jeito errado de descascar banana https://sondery.com.br/a-acessibilidade-e-o-jeito-errado-de-descascar-banana/ Wed, 27 Oct 2021 19:00:20 +0000 https://sondery.com.br/?p=2198 Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias […]

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Imagem de um chimpanzé apontando para um quadro negro verde onde está desenhada uma banana descascada pela metade em giz amarelo.

Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias direto na mão – coisa que ninguém faz, pois é óbvio que queremos encher a boca do doce, né?

Infelizmente, isso não foi tudo. A descarada da minha amiga me pediu para prestar atenção em um item da lista em particular, e acrescentou: “você come banana do jeito errado”. Neste ponto preciso explicar: banana é a minha fruta favorita. Eu como pura, amassada com aveia, cozida, frita, grelhada, banana passa, em forma de doce, com sorvete, empanada… eu adoro banana. Não era possível que em mais de três décadas de vida eu estivesse comendo banana do jeito errado esse tempo todo.

Só para explicar para quem nunca viu o famigerado (e afrontoso) post das coisas erradas, ele fala que o certo é descascar a banana pela ponta da fruta, e não por aquele talo que a conecta na penca. Essa tal maneira correta seria baseada na observação de como os macacos abrem a banana.

E daí eu me peguei pensando em acessibilidade. Não em recursos de acessibilidade para abrir uma banana e nem em uma tecnologia assistiva que auxiliasse no descascamento da fruta. Nada disso. Fiquei pensando em como pode ser chato alguém vir nos dizer que estamos fazendo de maneira errada algo que fizemos durante toda a nossa vida. E o pior, se essa pessoa, como acontece muitas vezes, não tivesse conhecimento de verdade de acessibilidade e inclusão, não tivesse contato com pessoas com deficiência que comprovassem as hipóteses dela e tudo mais, e estivesse falando algo que não seja tão verdade só porque ela leu em uma lista na internet. Como você ficaria?

Porém, muitas vezes, ao contrário da banana, nós precisamos abrir a cabeça e aprender, como é o caso da acessibilidade.

O cliente e a consultoria

Trazendo esse pensamento para o dia a dia de uma consultoria de acessibilidade, a gente geralmente vai para as reuniões com nossos clientes para mostrar o que eles estão fazendo de errado. Isso é basicamente um terço do nosso trabalho. Os outros dois são propor soluções e implementá-las. E vou dizer uma coisa: nessas horas, a gente precisa ser muito bom no que faz, muito bom mesmo. Sabe por quê?

Imagina se eu falo para o cliente que ele, um publicitário com mais de vinte anos de carreira, está comendo banana do jeito errado! Você acha que esse cara iria dar alguma moral para o que eu estou falando ou acharia que a nossa consultoria não traz nenhuma informação útil de verdade (exatamente como eu pensei do da lista das 27 coisas)?

Se você não entendeu nada, eu explico: ao contrário da banana, de fato existe o jeito certo de fazer acessibilidade. Existem regras, normas, diretrizes a serem seguidas para garantir a efetividade da acessibilidade. É preciso envolver profissionais com deficiência no processo, para que eles ajudem a pensar nas soluções que melhor lhes sirvam, averiguem todo o trabalho realizado, façam todos os testes necessários. Precisamos eliminar as barreiras de todas as etapas do projeto, sejam físicas, digitais ou atitudinais… um monte de coisas, né?

E o que acontece quando a gente fala com toda a propriedade e conhecimento na hora de apontar o erro?

Khaby Lame e o jeito óbvio de fazer as coisas

Pra gente, a acessibilidade é o único jeito. É impensável que ainda hoje existam estabelecimentos onde um cadeirante não consiga entrar, sites em que um cego não possa navegar com leitor de tela, cinemas onde um surdo não consegue assistir a um filme. As pessoas com deficiência existem, elas estão entre nós, elas estudam, trabalham, lavam a louça, assistem televisão, tomam cerveja no final de semana. Então por que continuar excluindo essas pessoas? Como podemos privá-las do direito de ir e vir, do direito fundamental à informação? De fazer uma compra na internet? De pegar um táxi… é inconcebível, não acha?

Recentemente Khaby Lame ficou famoso na internet fazendo vídeos onde mostrava o jeito óbvio de fazer coisas simples que as pessoas estavam complicando. Você já deve ter visto pelo menos um vídeo dele. Há um em que um homem forte pega uma maçã e a torce com tanta força com as duas mãos que ela se parte ao meio, ao que Khaby mostra que cortar a maçã ao meio com uma faca é muito mais prático, rápido e requer menos esforço.


 

É assim que a gente se sente muitas vezes em relação à acessibilidade. Vou utilizar como exemplo a rampa, porque todo mundo sabe que, a grosso modo, a rampa serve para garantir o acesso de cadeirantes aos lugares, certo? Ok. Agora imagine um restaurante onde logo na entrada existe um par de degraus. Tudo o que me vem à cabeça é o Khaby apontando com as mãos para os degraus e balançando negativamente a cabeça e depois apontando para uma rampa e comprimindo os lábios, mostrando a obviedade da questão: todo mundo poderia entrar no restaurante se ali tivesse uma rampa ou, no melhor dos casos, se o restaurante simplesmente estivesse no mesmo nível da calçada. 

Um exemplo é a WCAG, que explicado nas palavras deles mesmos são “diretrizes e recomendações organizadas e mantidas pelo W3C que fundamentam a construção de conteúdos digitais com qualidade e acessíveis a qualquer pessoa independentemente de sua deficiência e/ou habilidade”. Ou seja, se você quer fazer um site, um aplicativo, uma rede social, vai encontrar lá um material super simples e didático te mostrando como fazer isso de forma acessível, programando com um código limpo e bem feito. E mesmo que exista todo esse material aberto e gratuito na internet, muitos programadores ainda recorrem a difíceis gambiarras no código, criando barreiras e deixando o site inacessível. E novamente o Khaby entra em cena apontando com as mãos para o WCAG! Esse é o jeito certo, pessoal! Ou, pelo menos, o jeito mais certo conhecido até agora.

Moral da história

Sempre que o autor de um texto precisa explicar a moral da história, é porque ele falhou em contá-la direito, né? Eu confesso que me embananei um pouco mesmo (perdão pelo trocadilho). A minha ideia era falar que não tem problema a gente errar, mesmo fazendo coisas que a gente domina. Porém, o mais importante é reconhecer nossos erros e mudar.

Mas é preciso se atualizar, o mundo mudou para melhor, precisamos preparar o terreno para tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade forçada que a falta de acessibilidade as colocou.

  1. Se você não faz de forma acessível, você está errado. A acessibilidade é o único jeito de incluir todas as pessoas. Ou você realmente quer continuar conscientemente excluindo uma parcela da população?
  2. Se for pra errar, erre na acessibilidade e não na falta dela. Como eu disse, a gente acredita que exista sim um jeito certo de fazer acessibilidade. Mas não se preocupe, pois existem muitos materiais na internet para te ajudar a dar os primeiros passos na acessibilidade no seu trabalho, na sua empresa, agência… estude estas diretrize e direcionamentos e dê o seu melhor; o que não pode é deixar de fazer.
  3. Se errar, não se preocupe se te apontarem seus erros (aprenda com isso). Nós utilizamos uma metodologia na Sondery em que os nossos clientes se envolvem no trabalho de forma a também aprenderem os processos e diretrizes da acessibilidade, garantindo que os seus trabalhos fiquem cada vez melhores.

 

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5 dicas para preparar um treinamento para pessoas com deficiência https://sondery.com.br/5-dicas-para-preparar-um-treinamento-para-pessoas-com-deficiencia/ https://sondery.com.br/5-dicas-para-preparar-um-treinamento-para-pessoas-com-deficiencia/#comments Thu, 19 Aug 2021 20:09:46 +0000 https://sondery.com.br/?p=1605 O investimento em treinamentos é algo muito importante e oferece retorno tanto para a empresa quanto para os funcionários. Afinal, quanto mais treinados eles são, melhor é o seu desempenho no trabalho e melhores são os resultados para os negócios. E, num ambiente corporativo cada vez mais diverso, é urgente a necessidade de criar treinamentos […]

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O investimento em treinamentos é algo muito importante e oferece retorno tanto para a empresa quanto para os funcionários. Afinal, quanto mais treinados eles são, melhor é o seu desempenho no trabalho e melhores são os resultados para os negócios.

E, num ambiente corporativo cada vez mais diverso, é urgente a necessidade de criar treinamentos acessíveis para as pessoas com deficiência, para que elas tenham as mesmas oportunidades de capacitação.

No entanto, não é raro que essa necessidade passe despercebida pelos organizadores, que só se dão conta depois de alguém apontar o colega que não está entendendo o conteúdo. Isso acaba criando uma imagem desagradável para a empresa e desmotivando o funcionário ou aluno.

Se você ainda não sabe o que fazer para atender a esse público, continue a leitura e veja 5 dicas essenciais para organizar um treinamento para pessoas com deficiência.

1. Conheça bem o seu público

Ok, isso é meio óbvio. Mas, como estamos falando de pessoas com deficiência, não custa nada enfatizar, porque, nesse caso, vai um pouquinho além de saber o seu grau de escolaridade ou o cargo que ele ocupa. Estamos falando de pessoas com deficiência auditiva, física, intelectual ou visual. Você deve saber quais tipos de deficiência têm o seu público para adequar o conteúdo.

2. Escolha um local acessível

Antes de reservar o espaço, verifique se há cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida, e se o local é de fácil acesso para pessoas nessas condições (com elevadores, rampas e banheiros adaptados). Lembre-se que o melhor local é o onde todos possam chegar sem problemas.

Esta questão também vale para treinamentos online. Escolha uma plataforma ou ferramenta acessível para realizar seu treinamento. Um aplicativo que não apresente barreiras na instalação, criação de usuário e nem para ingressar no treinamento.

3. Contrate os equipamentos e profissionais necessários

Em um treinamento para pessoas com deficiência, não podem faltar três recursos básicos:

1 – Intérprete de Libras: pessoa que faz a tradução do conteúdo na Língua Brasileira de Sinais (Libras), dando o suporte necessário aos surdos.

2Estenotipia: é a transcrição em tempo real da fala do instrutor em uma tela, por meio do Estenótipo, que por sua vez, é operado por um hábil estenotipista. É dele a tarefa de captar as palavras rapidamente e transmiti-las para que os participantes surdos e que tenham dificuldades com Libras possam acompanhar tudo direitinho.

3Audiodescrição: uma dupla irá fazer a descrição dos recursos visuais (imagens, vídeos, slides, gráficos e até das pessoas) para que as pessoas com deficiência visual possam ter acesso a esses conteúdos.

4 – Material em braile: os materiais impressos precisam ter versão em braile e os digitais devem ser acessíveis para leitores de tela (vídeos com audiodescrição e legendas). Aproveite a tecnologia para oferecer uma experiência melhor aos seus funcionários.

4. Comunique seu treinamento de forma eficiente

A comunicação também deve ser planejada para atingir a todos os públicos, senão seu trabalho irá por água abaixo, certo?

Utilize todos os canais disponíveis, especialmente as mídias digitais. Vale vídeo — com legendas e audiodescrição — e textos. Para divulgação impressa, não esqueça da versão em braile.

Também é fundamental descrever as imagens, para que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso a todas as informações da sua divulgação, e não apenas aos textos.

5. Transporte com segurança

Caso o treinamento seja presencial e fora da empresa, preste atenção ao transporte, que deve ter acessibilidade para cadeirantes (veículo com rebaixamento) e condutores treinados para atender às necessidades de cada um.

Com essas orientações, você aumenta o engajamento de seus colaboradores com deficiência aos treinamentos. Mas, para garantir que nenhum detalhe escape, conte com a ajuda de uma consultoria que entende tudo de acessibilidade, como é o caso da Sondery.

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Recrutamento e seleção de pessoas com deficiência: indo além das vagas de cota https://sondery.com.br/recrutamento-e-selecao-de-pessoas-com-deficiencia-indo-alem-das-vagas-de-cota/ https://sondery.com.br/recrutamento-e-selecao-de-pessoas-com-deficiencia-indo-alem-das-vagas-de-cota/#comments Fri, 03 May 2019 17:07:13 +0000 https://sondery.com.br/?p=1602 Sabe aquela frase que diz que ninguém é igual a ninguém? Pois é. Ela nos fala sobre a importância da diversidade nas nossas vidas. Imagine se todo mundo pensasse e agisse igual. Ou tivesse as mesmas características físicas. Definitivamente, não haveria nada de novo para ver. A vida seria muito chata. No mundo corporativo não […]

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Duas mulheres estão sentadas em cadeiras pretas um escritório de parede de tijolos à mostra. Na frente delas há uma mesa de madeira. Elas olham uma para a outra. A mulher da esquerda tem cabelos curtos loiros, usa camisa estampada branca e está segurando uma agenda com a mão direita. A outra tem cabelos pretos lisos e usa um blazer preto sobre uma camisa cinza.

Sabe aquela frase que diz que ninguém é igual a ninguém? Pois é. Ela nos fala sobre a importância da diversidade nas nossas vidas. Imagine se todo mundo pensasse e agisse igual. Ou tivesse as mesmas características físicas. Definitivamente, não haveria nada de novo para ver. A vida seria muito chata.

No mundo corporativo não é diferente. Se no passado as empresas buscavam pessoas que seguissem um certo “padrão” de comportamento ou aparência, hoje, elas finalmente estão entendendo que quanto mais diverso for o grupo de trabalho, mais eficiente e criativo ele será.

Algumas das organizações mais conhecidas do mercado lideram a lista das que apostam na diversidade como diferencial competitivo e estratégico de negócio. São nomes como Microsoft, HP, Starbucks, American Airlines e muitos outros que aparecem no ranking do Best Place to Work for Disability Inclusion, premiação internacional que reconhece as melhores empresas para trabalhadores com deficiência dos EUA.

Estas empresas já perceberam há muito tempo que ter colaboradores não apenas com  deficiência, mas também de diferentes origens, religiões e orientações sexuais, entre outras características, gera mais resultados positivos para os negócios. Porque, como diz Reinaldo Bulgarelli, coordenador dos cursos de sustentabilidade, responsabilidade social, diversidade e terceiro setor da Faculdade Getúlio Vargas (FGV),  nesta entrevista: “Pensamentos, histórias de vida e experiências diversas, quando somadas, ajudam a ampliar o olhar da organização e, consequentemente, impactam positivamente no trabalho e na produtividade”.

Só que, infelizmente, a maioria das organizações no Brasil ainda está andando na contramão das gigantes multinacionais — e perdendo muitas oportunidades. De acordo com uma pesquisa feita pela consultoria Isocial, especializada em recrutamento e seleção de pessoas com deficiência, 86% dos empregadores ainda têm essa mentalidade.

Dados do Ministério do Trabalho mostram que, se todas as empresas cumprissem a lei, hoje haveria pelo menos 827 mil vagas ocupadas por PCDs. Mas a realidade é que esse número não chega nem aos 400.000.

Os recrutadores devem enxergar além da simples obrigação de contratar pessoas com deficiência, reconhecendo o potencial produtivo dessas pessoas e oferecendo oportunidades reais de desenvolvimento profissional.

No texto de hoje, vamos revelar como fazer um processo bem-sucedido de recrutamento e seleção de pessoas com deficiência e, principalmente, como reter e desenvolver esses profissionais. Mas antes, uma perguntinha para iniciar a reflexão:

Por que, afinal, as empresas preferem pagar a multa e não cumprir a cota?

Uns dizem que não há muitos PCD’s procurando emprego, o que não é verdade. Somos cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil (Censo IBGE de 2010), a maioria em idade ativa.

Outros argumentam que não há PCDs qualificados, o que em algumas áreas pode até ser verdade, mas existem políticas que garantem o acesso à educação e qualificação profissional das pessoas com deficiência. Além disso, as novas tecnologias de educação a distância também ajudam a mudar esse quadro.

O que existe, na verdade, é uma confusão entre o que é contratar e o que é incluir. E isso acaba resultando em contratações mal sucedidas, turn-over alto e outras complicações.

Os executivos precisam se conscientizar de que a contratação é somente o começo do processo de inclusão. Ou seja, é necessário investir em capacitação, dar a esses profissionais o espaço e as ferramentas que eles precisam para garantir o seu desenvolvimento — e, consequentemente, sua motivação. Assim, eles com certeza vão apresentar bons resultados.

Mas não é isso que deve ser feito com os demais profissionais também? É exatamente isso! As necessidades de um funcionário com deficiência são as mesmas de qualquer outro. O que muda são as formas e as ferramentas de trabalho. Logo, as oportunidades também devem ser iguais.

O processo de recrutamento e seleção de pessoas com deficiência requer maior atenção dos recrutadores. É necessário um planejamento que vai desde a solicitação da vaga pelo gestor até um plano de carreira para esses profissionais. Saiba agora como garantir boas contratações de PCDs.

Adote a política de vagas híbridas

Vagas híbridas são aquelas que podem ser ocupadas por pessoas com ou sem deficiência. A reserva de vagas em determinados departamentos ou funções favorece a segregação e limita o desenvolvimento desses profissionais. É justamente o que precisamos combater!

Dê à PCD uma vaga compatível com o seu perfil

Todo mundo que desempenha uma atividade que conhece ou tenha afinidade desenvolve um trabalho melhor e se sente mais valorizado, certo? Só que, por incrível que pareça, isso ainda é muito raro na contratação de PCDs.

Prepare os gestores e a equipe para a contratação

Campanhas internas, palestras e dinâmicas ajudam a disseminar informações sobre o tema e derrubar certos mitos que possam surgir. Promova atividades que estimulem a integração das PCDs. Não sabe o que apresentar? Uma consultoria como a Sondery pode te ajudar a preparar um conteúdo bacana!

Divulgue as vagas de um jeito acessível

É importante escolher sites de recrutamento que contém audiodescrição, Libras e legendas. E também, se a divulgação for feita com uma imagem, fazer a descrição detalhada para que o candidato com deficiência visual consiga visualizar tanto o que está escrito quanto o que está sendo mostrado.

Se necessário preencher algum formulário para candidatura, tome cuidado para que ele seja acessível, completamente compatível com softwares leitores de tela e que não fique muito extenso. A mesma coisa vale para os testes online.

A inclusão começa na entrevista

Conheça as necessidades do candidato já no agendamento da entrevista. Se ele é cadeirante, a empresa precisa ser acessível. Se for surdo, você tem que providenciar um intérprete de libras etc. A falta desses recursos pode prejudicar a participação dele no processo.

Ofereça plano de carreira e capacitação para todos

Pessoas com deficiência são tão dedicadas e produtivas quanto qualquer outro profissional, mas também precisam se sentir motivadas. Dê oportunidades de crescimento e forneça os treinamentos adequados para chegar lá!  Você vai ver os resultados!

Fazer um processo adequado de recrutamento e seleção de pessoas com deficiência traz muitos benefícios. Além de não levar a multa prevista em lei, as empresas contribuem para uma sociedade mais justa e com oportunidades iguais,  construindo um clima organizacional melhor, mais moderno e pronto para as mudanças que as maiores empresas do mundo estão promovendo. Gostou das dicas? Então, fale com a Sondery para criar processos seletivos mais inclusivos!

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Signmark: o rapper surdo e um baita show https://sondery.com.br/signmark-o-rapper-surdo-e-um-baita-show/ Thu, 19 Jul 2018 20:22:39 +0000 https://sondery.com.br/?p=1296 Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa surda pode curtir – e muito! – um show de música. Isso fica bem claro quando um vídeo de uma banda famosa junto com um intérprete viraliza na internet (como foi o caso da Amber Galloway com Red Hot Chilli Peppers). Mas é claro que aqui no […]

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Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa surda pode curtir – e muito! – um show de música. Isso fica bem claro quando um vídeo de uma banda famosa junto com um intérprete viraliza na internet (como foi o caso da Amber Galloway com Red Hot Chilli Peppers). Mas é claro que aqui no Brasil também temos exemplos tão legais quanto esses.

Mas o que menos pessoas param pra pensar é que um surdo pode não só curtir, como PRODUZIR música. Duvida? Dá o play nesse clipe do Signmark:

A primeira vez que eu vi esse clipe, vi umas 10 vezes seguidas. Na semana seguinte eu vi mais 15. E até hoje em toda oportunidade que eu tive e tenho, eu mostro em aula, palestra, envio pras pessoas, mostro na mesa do bar, no restaurante, no whatsapp… e eis que surgiu no sábado passado (14) a segunda oportunidade de ver esse cara AO VIVO.

SEGUNDO SHOW AO VIVO? COMO ASSIM?

O Signmark já veio ao Brasil outras vezes, principalmente para os eventos da Sencity – uma festa multissensorial criada na Holanda pela Skyway Foundantion que também acontece no Brasil desde 2011 – e foi em uma dessas edições que eu tive a primeira experiência de “trocar de lado” com a comunidade surda e ser a ouvinte em minoria.

Nesse documentário você pode ver como foi a edição de 2013, entender a vibe do evento (e de quebra conhecer a Ana Clara com 23 anos!). A festa é pensada para explorar todos os sentidos além da visão e audição: comidas e bebidas moleculares, texturas pelos ambientes, DJ de aromas que mixam essências junto com as músicas, uma plataforma na pista que intensifica as vibrações para danças e o grande astro da noite era ele, Signmark.

Naquela época meu contato com a comunidade surda e a língua de sinais estava começando e certamente esse show ajudou a catapultar meu amor e encantamento pela Cultura Surda. Sempre falei desse show como um divisor de águas e era muito difícil explicar pra ouvintes sem contato com surdos como isso era possível.

Então eu fiquei BEM FELIZ de poder assistir e registrar esse show de novo, agora com outro peso.

Mas afinal de contas, como é o show?

Como qualquer outro, oras:

Descrição resumida do vídeo: no palco dois homens cantam – um faz a voz, é negro e está a esquerda do palco, um é branco, faz em sinais e está no centro do palco. 

Resumindo ficaria assim: o Signmark canta em sinais, outro cantor faz a voz e um DJ vai controlando a melodia, no caso não tem instrumentos ao vivo.  Mas não dá pra resumir! O que eu acho mais legal é o protagonismo da língua de sinais – que no caso é americana (American Sign Language – ASL) – no palco e o contraste com o que é “mais comum” quando vemos acessibilidade em shows de ouvintes: o intérprete fica num cantinho enquanto o cantor tem o palco todo. Nesse caso o surdo é o foco, ele é quem comanda o show, ele é o protagonista, ele é o líder. A voz acompanha, mas de lado.

Logo no começo do show eu já tava emocionada e aí me perguntei “como será que seria se todos soubessem a letra?“, porque eu mesma não sou fluente nem em Libras, que dirá ASL. Mas minha resposta chegou quando o Signmark ensinou o refrão de Talk the Talk pra galera e foi assim:

Descrição resumida do vídeo: todos da platéia estão fazendo os mesmo sinais dos cantores do palco. Na frase “talk the talk” as mãos ficam para frente e os dedos retos se tocam, abrindo e fechando, como uma boca. Na frase “walk the walk” as mãos fazem o movimento de pés andando. 

Difícil foi gravar sem pular! Vejam outros trechos:

Descrição resumida do vídeo: no palco, Signmark  está com a mão direita apoiada na mão esquerda a frente de seu corpo. Quando ele levanta o braço direito, toda a platéia levanta os braços também, provocando uma “onda”. Depois todos ficando agitando os braços no ritmo da música. 

E agora a mesma música do clipe do começo do post, ao vivo (sorry, essa não deu pra ficar muito parada, é minha preferida!)

Descrição resumida do vídeo: em cima do palco há 3 homens, Signmark está no centro sinalizando a música. A platéia balança ao som da música. 

Quem me conhece sabe que eu amo show. Troco qualquer tipo de atividade de lazer por show. Balada ou show? Show. Barzinho ou show? Show. E o show do Signmark, como experiência em si, é tão completo quanto qualquer outro. Tem interação dele com o público, tem os percalços de algo ao vivo, tem selfie com a plateia, tem tudo e é uma experiência divertida para todos. Surdos, ouvintes, quem sabe Libras, quem sabe ASL, quem não sabe nenhum dos dois, adultos, crianças, homens, mulheres. E eu to falando todos TODOS mesmo. 

Acessibilidade Ultimate Level: um surdocego no show

Se você não estava vivendo numa caverna durante a Copa do Mundo, muito provavelmente chegou até você um vídeo de um torcedor surdocego com dois guias-intérpretes narrando o jogo do Brasil. Pois o Carlinhos não gosta só de futebol e também marcou presença no show. Aí a libras tátil ficou ainda mais legal!

Descrição resumida do vídeo: em frente a um palco iluminado de vermelho, no meio da platéia um homem surdocego está curtindo o show, a sua frente uma mulher faz libras tátil e um homem está tocando suas costas com os indicadores. 

A guia-intérprete a sua frente está fazendo a letra em ASL, e nas suas costas o guia-intérprete vai mostrando a localização dos músicos no palco. É incrível ou não é?

Quando o show terminou eu estava feliz e cansada, sobrou tempo só para dar aquela tietada e perceber como eles são altos.

 

Na foto há 5 pessoas, os três cantores, e duas mulheres - Ana Clara e Isa. Com Singmark no centro - ele é branco, loiro e veste uma camiseta amarela e bermuda com estampa verde.

Tenho certeza que um dia ele estará no Lollapalooza. No que depender de mim, no próximo. Pode printar e me cobrar depois.

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Como o Dia dos Namorados bate no coração e no bolso de (todos?) os casais https://sondery.com.br/como-o-dia-dos-namorados-bate-no-coracao-e-no-bolso-de-todos-os-casais/ https://sondery.com.br/como-o-dia-dos-namorados-bate-no-coracao-e-no-bolso-de-todos-os-casais/#comments Tue, 12 Jun 2018 14:59:15 +0000 https://sondery.com.br/?p=1011 Aviso: Os exemplos dados no texto usam homem e mulher fazendo referência a um casal, mas você pode ler com o gênero que preferir. Todos se aplicam 🙂 Dia 12 de junho é uma data para celebrar o amor. Mas também é o dia responsável pelo aumento de 30% no faturamento dos bares e restaurantes, 10% […]

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Aviso: Os exemplos dados no texto usam homem e mulher fazendo referência a um casal, mas você pode ler com o gênero que preferir. Todos se aplicam 🙂

fotografia vista de cima: em uma superfície de madeira, velas roxas acesas formam a imagem de um coração

Dia 12 de junho é uma data para celebrar o amor. Mas também é o dia responsável pelo aumento de 30% no faturamento dos bares e restaurantes, 10% no comércio eletrônico, 20% no setor de motéis, 15% no setor de sex shops compondo uma injeção de até R$15,6 bilhões na economia. O Dia dos Namorados é, certamente, uma das melhores datas do setor comercial para a realização de promoções de vendas. No primeiro semestre, sobretudo, essa data comemorativa só perde em faturamento para o Dia das Mães. Mas será que todos os apaixonados podem participar e aproveitar plenamente essas ofertas?

Quebrando o tabu: vamos nos despir dos preconceitos

Para falarmos da participação da pessoa com deficiência nas promoções de dia dos namorados é preciso desconstruir uma barreira importante de reconhecer a pessoa como alguém “namorável” – isso passa pela percepção de pessoa, de gênero, de sujeito, de cidadão, de parceiro, de amigo, de amante, de companheiro de vida – e plenamente participante de um relacionamento, com tudo incluso: declarações, rotina, viagens, brigas, prazer, etc.

Para atingirmos o ideal de sociedade inclusiva ainda temos que avançar muito, e o primeiro passo é quebrar os mitos existentes:

  1. pessoas com deficiência são assexuadas: não têm sentimentos, pensamentos e necessidades sexuais;
  2. pessoas com deficiência são hiperssexuadas: seus desejos são incontroláveis e exacerbados;
  3. pessoas com deficiência são pouco atraentes, indesejáveis e incapazes para manter um relacionamento amoroso e sexual;
  4. pessoas com deficiência não conseguem usufruir o sexo normal e têm disfunções sexuais relacionadas ao desejo, à excitação e ao orgasmo;
  5. a reprodução para pessoas com deficiência é sempre problemática porque são pessoas estéreis, geram filhos com deficiência ou não têm condições de cuidar deles.

Esses mitos, além de gerar preconceitos desastrosos, acabam reforçando também abordagens estereotipadas que costumam recair sobre qualquer tema quando aplicado à pessoa com deficiência: o Coitadismo, o Super-Heroísmo e agora somando também a Infantilização – diferentes facetas do Capacitismo.

Visualizem a seguinte cena: uma mulher senta-se num restaurante chique com seu namorado para um jantar romântico e o garçom, na hora de retirar o pedido afaga seu cocoruto dizendo com uma voz fina “ai que belezinha, que bonitinha ela, veio no passeiozinho né?” imagina que agradável, só que não. Se essa situação parece um absurdo quando imaginamos a cena com um casal sem deficiência, por que ela passaria a fazer sentido se a personagem tivesse síndrome de down, ou estivesse numa cadeira de rodas ou segurando uma bengala branca, por exemplo? (Dica: continua sendo um absurdo)

Como estamos falando de casais, essa dupla pode ser formada por duas pessoas sem deficiência, duas pessoas com deficiência ou uma pessoa com e outra sem deficiência. É aí que a porteira do capacitismo se abre com os primeiros comentários “Ela é tão bonita, pena que é surda” ou “Ele é um partidão, apesar de ser cadeirante” indo para o “super-heroísmo reverso” direcionado a pessoa sem deficiência, como conta Michele Simões:

Acho tão absurda essa mania que as pessoas têm de classificar os relacionamentos com a mesma lógica de animais de raça, onde o importante é manter as mesmas características para uma linhagem pura. Então imagina o susto quando eu, como cadeirante, entro em um local público de mãos dadas com meu marido – o que por si só já gera um impacto e tanto, afinal ainda se acredita que deficientes não saem de casa, quanto mais se casam e têm filhos – que, para a surpresa geral da nação, anda e não é deficiente.

Após essa sequência, geralmente me deparo com um parabéns direcionado a ele, seguido da justificativa ‘não era qualquer pessoa que aceitaria essa situação, isso sim é prova de amor’”.

Michele é estilista, consultora de imagem e idealizadora do projeto Meu Corpo É Real, que visa questionar os corpos que a indústria da moda trabalha em suas produções e campanhas.

A cama também é luta 

Segundo Ana Rita de Paula, Doutora em Psicologia, especialista em direitos das pessoas com deficiência, em políticas públicas e ativista do movimento, a barreira da sexualidade é a última a ser rompida, “Significa que você já rompeu todas as anteriores”. Ela explica que essa luta – que também é política – é altamente relevante, uma vez que as discussões sobre acessibilidade e inclusão ficavam sempre voltadas, e muitas vezes restritas, aos temas de trabalho, educação e saúde.

Ilustração: sob um fundo verde há uma o ícone de uma pessoa na cadeira de rodas e uma outra pessoa sentada em seu colo.
Logo do Coletivo Sim Fodemos

Este é o foco da militância do Coletivo Sim Fodemos, um grupo de pessoas com deficiência que começou a se organizar para abrir esse debate com toda a sociedade. Segundo os organizadores:

O debate em torno desses temas, corpo, sexo, sexualidade, permite inserir as demandas das pessoas com deficiência num cenário de discussões muito mais amplo do que as discussões em torno da acessibilidade, inclusão escolar, no mercado de trabalho, e outros. Direitos inalienáveis das pessoas com deficiência, mas que não têm possibilitado que as pessoas com deficiência adentrem em discussões, debates e lutas mais amplas e radicais da sociedade brasileira, como as questões de gênero, de padrões corporais e comportamentais, orientação sexual, violência sexual e outros dessa esfera dos direitos humanos.

O Curta metragem O Corpo Deseja, idealizado e dirigido por Juliana Ribeiro, que foi exibido em um dos encontros do coletivo e trata bem essa questão. Lembrando que a causa não se aplica somente a deficiência física, mas também visual, auditiva e intelectual, essa última que sofre ainda mais barreiras dentro da própria diversidade. 

Pipas no Ar é um trabalho pioneiro na área de inclusão social e direitos humanos dirigido pelas psicólogas Lilian Galvão e Fernanda Sodelli em 2005. As oficinas de educação sexual para jovens com deficiência intelectual comprovaram a possibilidade e a necessidade de se trabalhar com pessoas que recebem poucas informações sobre tema, em conseqüência de preconceitos e pensamentos equivocados a respeito da deficiência intelectual e da sexualidade. O documentário Pipas no Ar, realizado com apoio da UNESCO, documentou estas oficinas no Carpe Diem, em São Paulo.

Sexo como AVD

Não podemos ignorar o fato de que – para a maioria das pessoas – prazer a dois é parte fundamental de um relacionamento.

A Organização Mundial da Saúde afirma que a sexualidade é um aspecto importante do bem-estar holístico e que a saúde sexual exige “uma abordagem positiva e respeitosa da sexualidade e das relações sexuais, bem como a possibilidade de ter experiências sexuais agradáveis ​​e seguras.”

É imprescindível reconhecer o sexo como AVD (Atividade de Vida Diária) no processo de reabilitação ou desenvolvimento nas terapias ao longo da vida, especialmente com profissionais de terapia ocupacional, “a fim de aumentar a capacidade do cliente em participar de atividades sexuais, treinar a atividade, desenvolver habilidades e competências, adaptações e indicação de produtos assistivos que permitam a vivência da sexualidade prazerosa, de acordo com os valores e desejo do cliente e de seu parceiro, são os principais objetivos da intervenção Terapêutica Ocupacional na sexualidade da pessoa com deficiência, de qualquer faixa etária e de qualquer nível funcional.  Isso tem um um efeito profundo na vida dessa pessoa“, segundo Dra. Maria de Mello, Terapeuta Ocupacional, Pós Doutora em Ciências da Reabilitação e Tecnologia Assistiva; Coordenadora Geral da Technocare – Soluções Assistiva, Design Universal e Acessibilidade

Mercado potencial

Mas voltemos a nossa data tão florida e comemorada de hoje. Será que os segmentos citados no início estão atentos a essas oportunidades? No Brasil existem aproximadamente 5 mil motéis. Somente na Grande São Paulo são 300 motéis e no estado 1.200 estabelecimentos. Mas no Guia de Motéis, um dos principais buscadores do segmento, somente 18 se dizem acessíveis (“Suíte com acessibilidade”) em todas as regiões do país.

Será que os bares e restaurantes estão pensando na sua estrutura física (acesso, experiência, banheiros) e no processo de reservas? Como é o cardápio? E o treinamento de sua equipe para lidar com as diferenças? 

O e-commerce é acessível a todo tipo de navegação? A escolha de um item, inserção no carrinho, cálculo de frete, finalização da compra. Funciona corretamente com o leitor de tela? E numa loja física, os atendentes estão treinados para atender todos os possíveis compradores?

Os estabelecimentos que não possuem esse olhar, certamente estão perdendo uma boa parcela do público. Que precisa se esforçar previamente para garantir uma experiência agradável.

Minhas experiências ‘positivas’ nos relacionamentos afetivos, no casos de passeios e motéis, sempre dependeu de uma boa pesquisa prévia, para evitar surpresas desagradáveis, e também muita assertividade e uma boa pitada de cara feia. São raros, raríssimos os locais plenamente acessíveis. Esses dias mesmo, ao ir visitar o SESC Paulista, constatei que os vasos sanitários são aqueles abertos no meio, e olha que o SESC segue um padrão de acessibilidade de alto nível. Mas, é importante não perder o bom humor jamais, e no caso de restaurantes e bares, pelo menos nos bairros tradicionais de vida noturna em SP, dá para encontrar locais acessíveis. Com todo o cuidado, pois muitos locais acessíveis deixam de ser acessíveis quando estão lotados. Mas, repetindo, a pesquisa prévia é fundamental. É importante ter claro e bem resolvido que não dá para ir a todos os lugares, e, no meu caso, faço questão de conforto e certeza de que vou, por exemplo, poder usar o banheiro. Quanto a motéis, é possível encontrar alguns com suítes no térreo, e como os banheiros normalmente são grandes, o problema está ‘quase’ resolvido. No último motel em que fui, a suíte ficava no térreo, pesquisei antes, a garagem era tão estreita que não consegui desembarcar, pois não era possível chegar com a cadeira de rodas ao lado do passageiro, que era a minha situação naquele momento, mesmo minha amiga tendo encostado o carro o máximo do seu lado, tendo que passar por cima de mim para desembarcar. Tivemos que dar ré e fazer o desembarque, e posterior embarque, do lado de fora da garagem. Felizmente não estava chovendo, nem tínhamos problemas em manter discrição.” Tuca Munhoz, Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ex secretário adjunto da Secretária da Pessoa com Deficiência . Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade São Paulo Transportes S/A e Coordenador do Coletivo Sim Fodemos.

Com esses questionamentos e colocações desejamos um feliz dia dos namorados a TODOS !

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A Última Ceia https://sondery.com.br/a-ultima-ceia/ https://sondery.com.br/a-ultima-ceia/#comments Tue, 03 Apr 2018 20:02:29 +0000 http://br318.teste.website/~sonderyc/wp/?p=830 Foi quando eu vi essa obra de arte em 2011 que eu comecei a me interessar por acessibilidade. Na verdade, pra ser mais exata, foi essa: “Ana, mas que raios de escultura é essa?” O caso é que, pra quem não sabe (e eu também não sabia na época) que a pintura do Da Vinci […]

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Foi quando eu vi essa obra de arte em 2011 que eu comecei a me interessar por acessibilidade. Na verdade, pra ser mais exata, foi essa:

Ana, mas que raios de escultura é essa?

O caso é que, pra quem não sabe (e eu também não sabia na época) que a pintura do Da Vinci fica numa parede da igreja Santa Maria delle Grazie. O ingresso te dá direito a 15 minutos dentro do ambiente para apreciar esse pedaço da história da arte. Muito que bem. Estava com meus pais nessa viagem e entramos nesse museu como já havíamos entrado em muitos outros em outras cidades.

Mas eis que lá no cantinho, em uma lateral do espaço, eu percebi que tinha uma escultura em gesso da Última Ceia. E aí eu descobri que era para que pessoas cegas pudessem sentir e conhecer a obra.

BOOM.

Muito provavelmente eu gastei uns 12 dos 15 minutos olhando pra essa escultura.

Primeiro eu me perguntei “porque?” e depois “como?”

  • Por será que esse era o primeiro museu dos 18973913098 que eu tinha visto que tinha isso.
  • Por que não tem isso em …tudo no mundo?
  • como será que os cegos visitaram os outros museus?
  • como visitam outros lugares? viajam? trabalham?
  • como vão a restaurantes? escolhem as roupas? fazem compras?
  • como usam o facebook? twitter? whatsapp?

por que? como? por que? como?

Só que a minha curiosidade não parou por aí. E com pessoas surdas? E com cadeirantes? E com todos os grupos que tem algum tipo de deficiência?

E na minha humilde ignorância do assunto, decidi conhecer mais, estudar mais, entender mais. Buscar as respostas para essas perguntas. Mais do que isso, entender o que eu posso fazer para criar essas respostas. Entender como eles vivenciam a cultura, o consumo e, ao fazer isso, questionar o papel das marcas e da publicidade é um grande interesse pessoal. Chega a ser quase uma missão. É a junção do meu trabalho com o meu ponto de vista.

Fiz um curso de Libras. Fiz um curso de Audiodescrição. Fiz contatos. Conheci pessoas. Tive ideias. E infelizmente muita coisa não saiu do papel por falta de tempo, de empenho, de comprometimento. Mas esse blog veio para tentar mudar isso 🙂

Como só é verdade se tá na internet, o objetivo é mostrar aqui um pouco do que eu aprendi e principalmente buscar novas chances de fazer isso. E pra quem não me conhece, muito prazer:

oi! Meu nome é Ana Clara e o meu sinal é esse.

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