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Rafael Duarte, Autor em Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/author/rafaelduarte/ Fri, 26 Apr 2024 18:19:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://sondery.com.br/wp/wp-content/uploads/2021/09/cropped-Sondery_Reduzido-32x32.png Rafael Duarte, Autor em Sondery - Acessibilidade Criativa https://sondery.com.br/author/rafaelduarte/ 32 32 Por que a acessibilidade é fundamental em uma estratégia de negócio https://sondery.com.br/por-que-a-acessibilidade-e-fundamental-em-uma-estrategia-de-negocio/ Fri, 26 Apr 2024 18:17:47 +0000 https://sondery.com.br/?p=2467 O post Por que a acessibilidade é fundamental em uma estratégia de negócio apareceu primeiro em Sondery - Acessibilidade Criativa.

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Ilustração de um homem negro em uma cadeira de rodas com um notebook no colo. À direita dele há um alvo com uma flecha no centro.


Quando falamos que a acessibilidade pode representar uma vantagem estratégica para uma marca ou empresa, muita gente não percebe o caráter fundamental desta afirmação. Muito por desconhecerem a verdadeira “estratégia”, que nada tem a ver com planos, planejamento, tático, ideias, projetos… Nada disso, estratégia é o âmago de um negócio, muito mais profundo e conceitual. É lá, na base de todo o racional de uma empresa, que deve estar a acessibilidade.

Ao definir a estratégia de um negócio, a pessoa geralmente vai precisar responder algumas perguntas norteadoras. É aqui que fica clara a necessidade da acessibilidade. 

Quem é seu público alvo? Independente da resposta que você der, eu te garanto: há pessoas com deficiência dentro da sua segmentação. O único recorte possível de público sem pessoas com deficiência é “pessoas sem deficiência”. E, se você fizer essa escolha, estará excluindo consciente e propositadamente as pessoas com deficiência, o que espero que esteja claro que é algo erradíssimo a se fazer. As pessoas com deficiência representam 18% da população brasileira e estão em todas as esferas sociais e econômicas; são consumidoras

Quais competências precisamos para atingir sucesso? Se você sabe que parte do seu público tem alguma deficiência, como apontei acima, então é mais que óbvio que para atingir o sucesso, você precisa de habilidades e conhecimentos na área de acessibilidade e inclusão, o que pode ser alcançado tanto com treinamentos da sua equipe quanto contratando uma consultoria externa para realizar estes serviços. Estamos falando em como alcançar e atender as pessoas com deficiência com serviços, produtos e comunicação acessíveis.

Como vamos superar a nossa concorrência? Se você for um pioneiro em acessibilidade no seu setor, parabéns, estará em grande vantagem competitiva. Caso seu concorrente já invista em acessibilidade, isso significa que se você não o fizer estará começando atrás. Portanto, faça. E faça melhor ainda: invista em uma acessibilidade mais criativa, que melhore ainda mais a experiência de consumo do seu produto ou serviço para todas as pessoas.

Qual empresa do mercado é um modelo de sucesso pra você? As maiores e mais admiradas empresas do mundo hoje estão investindo em acessibilidade e inclusão como forma de melhorar os produtos e as soluções. Times mais diversos são mais criativos, com mais pontos de vista. Produtos acessíveis são para mais pessoas. Microsoft e Google estão fazendo grandes avanços nessas áreas e recomendo se inspirar nas jornadas deles.

É por isso que insistimos tanto que a acessibilidade precisa ser pensada desde o começo, a ponto de fazer parte da cultura organizacional, de refletir nos planos e decisões táticas, dos processos internos e externos, da comunicação, da relação com fornecedores e parceiros.

Quanto mais fundamentalmente presente e enraizada estiver a acessibilidade dentro da sua empresa, mais liberdade criativa você terá. As ideias já nascerão com o pensamento de que aquilo é para todos, não haverá necessidade de adaptações (ou gambiarras). O budget considerará os recursos necessários (Libras, audiodescrição e legenda), sem surpresas de orçamento ou correria para aprovar com o financeiro. O consumidor com deficiência estará sempre contemplado, sem brechas para a exclusão. 

É por isso que sempre repetimos: a acessibilidade é melhor quando pensada desde o começo. Por um mundo com experiências de consumo incríveis para todas as pessoas.

 

 

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Os detalhes que fazem este comercial de páscoa de Lacta ser tão importante https://sondery.com.br/os-detalhes-que-fazem-este-comercial-de-pascoa-de-lacta-ser-tao-importante/ Fri, 19 May 2023 17:25:21 +0000 https://sondery.com.br/?p=2390 Nós da Sondery recentemente fizemos a consultoria para um comercial de páscoa de Lacta, feito pela agência DAVID, e o resultado foi um filme que conseguiu trazer, em apenas 30 segundos, tantos detalhes ricos sobre acessibilidade, representatividade e luta anti-capacitista. E nós esperamos que sirva de inspiração para todos os publicitários começarem a incluir pessoas […]

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Imagem horizontal com a montagem de quatro cenas do comercial de páscoa de Lacta. Na primeira, uma bengala encostada na parede. Na segunda, mulher entrando em casa por uma porta de vidro. Na terceira, a mulher está sentada em uma poltrona tateando uma bandeja com pedaços de chocolate. Na quarta, a mulher está sentada na poltrona e ao lado dela está um menino, em pé, segurando uma bandeja com chocolates.


Nós da Sondery recentemente fizemos a consultoria para um comercial de páscoa de Lacta, feito pela agência DAVID, e o resultado foi um filme que conseguiu trazer, em apenas 30 segundos,
tantos detalhes ricos sobre acessibilidade, representatividade e luta anti-capacitista. E nós esperamos que sirva de inspiração para todos os publicitários começarem a incluir pessoas com deficiência em suas campanhas. Confira.

Uma criança folheia um livro antigo e separa alguns quadradinhos de chocolate de uma barra. Assim começa o filme de páscoa da Lacta. Até aí, nada de novo no front, certo? É quando nós somos apresentados à mãe desta criança que as coisas começam a ficar interessantes.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, há um filtro de barro avermelhado e copos de vidro em cima de um móvel retangular de madeira. O móvel está na frente de uma parede com detalhes em azul escuro. No chão branco há um tapete retangular branco com detalhes na cor marrom em frente ao móvel. Em segundo plano, há uma faixa de parede branca com um vaso de planta pendurado do lado direito. Na parte central e direita há uma porta de vidro com detalhes em branco. A porta está entreaberta e aparece a silhueta de uma mulher no vidro. Ela segura a maçaneta com a mão direita e uma bengala-guia com a mão esquerda. No teto, na frente da porta, há um sino em formato de coração pendurado.

Por que uma cena de um comercial de televisão em que uma mulher com deficiência visual entra em casa é tão interessante e importante assim? Ao mostrar uma cena corriqueira do cotidiano protagonizada por uma pessoa com deficiência, nós não estamos perpetuando nenhum dos estereótipos criados pela mídia para explorar a imagem das pessoas com deficiência; estamos fazendo representatividade de forma respeitosa e real.

Estes estereótipos, para quem não sabe, são clichês de representações capacitistas, pois são baseados na ideia de que as pessoas com deficiência são dignas de piedade, ou que devem ser alvo de ridicularização ou servir de inspiração. Os estereótipos capacitistas como o super-herói (aquela pessoa com deficiência usada como exemplo de superação, muito usado para dar uma carga de motivação em quem assiste, geralmente acompanhado da famosa frase capacitista: “se ele consegue, qual a sua desculpa?”) ou o coitado (uma pessoa com deficiência retratada de forma triste e geralmente incapaz, para causar pena e compaixão).

O simples ato de chegar em casa carregando uma sacola de compras derruba a ideia capacitista de que pessoas com deficiência não saem sozinhas ou não são capazes de realizar tarefas como fazer compras no mercado.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, há um pedaço do móvel de madeira com uma chaleira branca com detalhes em azul escuro e um pote de vidro na parte inferior esquerda da foto, ambos estão desfocados. Em segundo plano, a mulher está apoiando a bengala-guia na parede de azulejos brancos com detalhes em azul escuro. Ela aparece do pescoço para baixo. Ela é branca e usa uma camisa de manga comprida marrom clara e calça jeans. Ela tem uma sacola de pano bege pendurada no ombro esquerdo.

A casa de uma pessoa com deficiência visual

Quando uma pessoa abre a porta de uma casa onde vive uma pessoa com deficiência visual, geralmente ouvirá um sino, um chocalho ou algum aviso sonoro de que a porta está sendo aberta. No vídeo foi usado um sino com o jeitinho da personagem, com um coração, para mostrar que tecnologia assistiva também pode ser bonita e combinar com a decoração.

Outro detalhe é que ela apoia a bengala na parede perto da porta de entrada, outro detalhe que traz maior veracidade para a cena, por ser muito comum entre as pessoas com deficiência visual. E quanto mais próximo da realidade das pessoas, mais acertada e impactante é a representatividade; principalmente para os consumidores com deficiência.

Esta bengala, inclusive, que foi utilizada no comercial, está com um adereço personalizado pendurado no cabo, algo que também representa uma quebra com o modelo médico. As pessoas com deficiência querem acessórios que combinem com elas!

Além disso, outro detalhe importante desta cena é a bengala verde usada pela protagonista. A questão das cores das bengalas é subjetiva e divide opiniões. Enquanto alguns grupos acreditam que diferenciar pessoas cegas, com bengalas brancas, de pessoas com baixa visão, com bengalas verdes, é uma forma de aumentar a conscientização para os diferentes tipos de deficiência visual, outras pessoas questionam que querem ter o direito de usar a bengala na cor que bem entender. Neste caso específico do vídeo, a bengala foi escolhida por uma identificação da própria atriz que fez o comercial, que tem baixa visão e utiliza a bengala verde.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto, em primeiro plano, a mulher está sentando em uma poltrona verde escura. Ao lado da poltrona há uma mesa de madeira oval com alguns objetos de decoração e uma barra de chocolate Lacta. A embalagem do chocolate é azul escura e tem o logo da Lacta. Em segundo plano, do outro lado da poltrona, um menino segura uma bandeja prateada com vários quadradinhos de chocolate em cima. Ele é branco e tem cabelos castanhos. Ele usa uma camiseta listrada nas cores branca e um shorts também verde escuro.

O foco da emoção do comercial

Para o comercial de Lacta, a consultoria da Sondery foi fundamental para retratar uma pessoa com deficiência de forma respeitosa, colocando o foco da emoção na linda relação entre mãe e filho e sua história original, sem explorar a deficiência como força de causar alguma emoção.

Esta abordagem coloca a pessoa com deficiência em protagonismo, independente da sua deficiência, mostrando que ela pode ser o que ela quiser.

Frame do comercial Lacta Palavras em formato quadrado. Na foto a mulher está sentada na poltrona. Com a mão esquerda ela segura a bandeira que está apoiada nos seus joelhos. Os dedos da mão direita estão em cima dos quadrados de chocolate que estão na bandeja. Do lado direito da poltrona há um pedaço de uma mesa redonda de madeira. Em cima da mesa tem um livro cinza desbotado e quadrado escrito “APRENDENDO BRAILLE" na cor cinza e em letras maiúsculas e uma barra de chocolate Lacta.

Uma mensagem em Braille como elemento principal da história de um comercial de televisão.

Não é sempre que uma marca pensa em recursos de acessibilidade para além de sua funcionalidade. Com Lacta, o objetivo não era trazer o Braille de forma informativa, mas sim natural e orgânica, reconhecendo que ele faz parte da vida e da história de seus consumidores com deficiência visual e, portanto, da vida da personagem do filme.

Um menino que escreve uma mensagem em Braille com pedacinhos de chocolate para a sua mãe. Apesar de ser bastante conhecido como “os pontinhos que ficam embaixo dos números do elevador”, o Braille é um sistema de leitura tátil com 64 símbolos, cada um formado pela combinação de até seis pontos em alto relevo.

A ideia de fazer a mensagem com chocolate é também inspirada em didáticas de ensino do Braille, onde professores usam versões maiores dos pontos (ou até mesmo caixas de ovos recortadas para que os alunos preencham com bolinhas), para que eles aprendam os símbolos. O menino do vídeo, cuja mãe tem deficiência visual, aparece segurando um livro antigo “Aprendendo Braille”, e sobre a mesa da casa também estão plaquinhas com letras e seus respectivos símbolos em Braille.

É claro que nenhuma pessoa com deficiência visual vai ler o Braille na televisão, mas a presença do recurso é importante para difundirmos cada vez mais a cultura da acessibilidade. Inclusive colocando os pontinhos na legenda, junto com os algarismos romanos, onde podemos ler a mensagem que representa o sentimento do filho por sua mãe: “Te amo”!

Esperamos que tenham gostado do comercial e de todos estes detalhes do trabalho de consultoria da Sondery. A cada novo vídeo publicitário em que nós conseguimos fazer representatividade e acessibilidade da forma certa, a gente acredita que chegamos mais perto de alcançar a nossa missão: criar a fundação do futuro acessível para todos!

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O processo criativo através da acessibilidade https://sondery.com.br/o-processo-criativo-atraves-da-acessibilidade/ Tue, 20 Dec 2022 15:23:42 +0000 https://sondery.com.br/?p=2361 No sétimo episódio do SonderyCast nós trouxemos o áudio da palestra que a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, deu no Link. Olá pessoal, para quem ainda não me conhece eu sou a Ana Clara Schneider, a fundadora da Sondery. E eu quero começar me descrevendo: eu sou uma mulher branca de cabelos castanhos cacheados […]

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Imagem com fundo rosa com círculos azul claro, branco e azul escuro. Há o texto "07 o processo criativo através da acessibilidade".

No sétimo episódio do SonderyCast nós trouxemos o áudio da palestra que a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, deu no Link.

Olá pessoal, para quem ainda não me conhece eu sou a Ana Clara Schneider, a fundadora da Sondery. E eu quero começar me descrevendo: eu sou uma mulher branca de cabelos castanhos cacheados longos, eu tenho sobrancelhas arqueadas, olhos castanhos, nariz redondo, boca rosa; eu tô usando um batom pra deixar a boca um pouco mais rosa. Estou usando um colar de bolas cor caramelo e uma blusa branca de manga longa. Atrás de mim tem uma parede branca com quadros, espelhos, uma estante com livros. Ao meu lado direito tem uma planta e ao meu lado esquerdo uma poltrona cinza e uma janela, que tá fechada.

E eu quero dizer que é um prazer estar aqui de novo no LINK, este evento que eu sou fã de carteirinha, acompanho desde a primeira edição. E hoje eu tô aqui para falar sobre o processo criativo através da acessibilidade. E embora essa reflexão possa ser usada em todos os tipos de projetos, hoje os meus exemplos aqui estão bastante voltados para a comunicação. Mas você que está assistindo pode adaptar para o seu universo, para o seu trabalho, para o seu dia a dia, da forma como fizer sentido para você, combinado?

Mas, antes de falar de processo criativo, eu queria explicar um pouquinho, a gente precisa entender o cenário da representatividade de pessoas com deficiência no universo de comunicação e publicidade das marcas.

E eu vou começar trazendo esse dado da pesquisa global chamada Wethe15 de que 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência. Segundo o comitê paralímpico dos jogos de Tóquio, eles lançaram esse filme e junto com uma série de instituições internacionais para jogar luz a esse público em potencial muito grande, representativo, de 15% da população mundial. Isso representa 1,2 bilhão de pessoas. Então é um grupo bastante representativo.

Se a gente for olhar para os Estados Unidos, existe também uma pesquisa bastante recente na Nielsen, que mostra que 26% da população norte-americana tem algum tipo de deficiência. Então a gente já entendeu que é um grupo bastante grande. Mas quando a gente olha para a representatividade nas comunicações, publicidades, em comerciais de marcas, estas pessoas não aparecem. Nos Estados Unidos, embora 26% da população tenha algum tipo de deficiência, ela só aparece em 1% dos anúncios no horário nobre, na TV e na internet. 1% contra 26% é uma conta que não bate, né? E pior ainda, desses filmes dentro desse 1%, a maior parte, mais da metade, são relacionadas ao universo de farmácia, de saúde, de reabilitação, de cuidados… então, ainda atrelando a imagem da deficiência a um universo mais voltado somente para a saúde ou doença ou cuidados e não quebrando o estereótipo de que pessoas com deficiência também curtem outras coisas: lazer, entretenimento, esportes, cultura e tudo mais. Então é um cenário que a gente precisa entender e prestar atenção pra poder quebrar esse caminho e começar a mudar os rumos dessa história.

E quando a gente vem aqui pro Brasil, existe a Aliança Sem Estereótipos, que é uma iniciativa na ONU Mulheres, junto a algumas instituições do Brasil também, e há 6 anos eles fazem uma pesquisa chamada Todxs, feita pela agência Heads de propaganda, junto com a ONU Mulheres, que traz informações sobre a representatividade de diversidades na comunicação. Eles analisam uma amostragem de anúncios de TV e de internet, em redes sociais, de um período de tempo, identificam quantas pessoas estão nessas comunicações, inclusive como elas estão sendo representadas. Se essa representação está reforçando ou quebrando estereótipos de gênero, de raça, de orientação sexual. E no último ano desde 2020 eles começaram a analisar também a presença e a representatividade de pessoas com deficiência. 

Infelizmente, os dados são alarmantes. Em 2020, de toda a amostragem analisada, somente 0,8% dos anúncios tinham alguma pessoa com deficiência. Em 2021, 1,2% dos anúncios. 

Então a gente consegue perceber que esses números são muito ruins, mas ao mesmo tempo representam uma grande oportunidade pras marcas e pras empresas começarem a mudar esse cenário, vocês concordam?

Então agora a gente começa a falar sobre a acessibilidade criativa, que é uma coisa que a gente fala muito aqui na Sondery, veio de uma forma muito natural aqui pra gente, que é um modo de pensar, mudar a chavinha, que a gente fala, de entender a acessibilidade como a etapa final de um processo, e passar a considerá-la como parte integral do processo, para que ela esteja presente desde o início, desde o briefing, desde um roteiro, desde a concepção de uma ideia. E, de novo, isso pode estar atrelado a uma campanha de publicidade, mas a gente pode falar desse modo de pensar aplicado a um projeto, a um evento, a uma exposição, a uma peça de teatro, enfim. Pensar a acessibilidade como parte do processo é muito positivo e potencializa e aumenta as possibilidades dela ser não comente correta, mas criativa. É fazer com que ela colabore, que ela faça sentido para uma peça.

Isso veio de uma forma muito natural aqui na Sondery exatamente pelo nosso histórico, o meu histórico pessoal de ter trabalhado em agências de comunicação e normalmente nesses lugares existe uma cobrança, uma expectativa muito grande de criatividade atrelada às entregas. E é por isso que a gente acredita e trabalha diariamente para derrubar essa barreira atitudinal de que os recursos de acessibilidade, entre aspas, atrapalham a produção do conteúdo ou o resultado desse conteúdo. É essa ideia de que existe muito ainda em equipes criativas de que a legenda, a janela de Libras ou a Audiodescrição vão mudar o status quo, o processo de criação, de uma peça, de um conteúdo, de uma campanha. Então, de novo, isso só vai acontecer se o recurso for pensado no final de tudo. 

O quanto antes a gente começar a antecipar a concepção e, melhor ainda, envolver, aproximar as equipes criativas e as equipes técnicas de acessibilidade, audiodescritores e intérpretes e legendistas, tanto a agência quanto os consultores vão ter uma integração tão grande que o resultado só vai poder ser positivo. Porque todo mundo vai entender o papel de cada um ali e um dos resultados possíveis que vem desse processo é um exemplo que eu quero dar aqui da nossa campanha do Burger King que foi feito em 2019 com agência DAVID. Foi o primeiro comercial audiodescrito que foi pra TV, o roteiro de audiodescrição foi feito junto com o processo. Na verdade a Sondery acompanhou esse processo desde o roteiro, casting, captação, edição e a produção de audiodescrição, mas isso resultou num filme que foi o mesmo para todas as pessoas, cegas, videntes, isso foi pra TV e pro YouTube em um único filme inclusive acessível para todos.

Se você nunca assistiu ou não lembra, vamos relembrar agora: https://www.youtube.com/watch?v=muIUlTgVHCk

Vocês puderam perceber que mesmo sendo bem desafiador, um tempo bem curto, um comercial de 30 segundos, foi possível colocar a audiodescrição, trazendo os elementos do personagem, dos produtos, do cenário, do figurino. Muita gente descobriu a existência dessa coroa de cartolina por conta dessa audiodescrição e foi uma forma que todo mundo teve acesso ao mesmo conteúdo. A gente gosta muito, foi realmente um case muito bacana. É muito querido pra gente. E se você quiser saber mais sobre a experiência desse comercial em específico, a gente tem o segundo episódio do nosso Sonderycast, que é o podcast da Sondery, ele tá disponível no Spotify e a transcrição está no nosso blog, e conta mais detalhes ainda da produção, da equipe que participou do projeto, e como que foi esse processo todo.

E aí agora vocês devem estar se perguntando “Legal Ana, muito legal esse exemplo, mas qual é a importância da gente pensar e fazer um marketing, uma comunicação de forma acessível, de uma forma inclusiva?”.

Bom, a gente sempre fala que a gente só vê vantagens nesse processo. O primeiro deles é aumentar a representatividade, que como vocês viram está precisando que seja aumentada. Ou seja, mais pessoas podem se identificar com esse conteúdo, mais pessoas podem se identificar com essa mensagem. E consequentemente isso pode aumentar o alcance, né? Mais pessoas vão ter acesso, um filme que tenha audiodescrição, que tenha legenda e que tenha janela de Libras, vai poder chegar em mais pessoas que talvez ele não esteja chegando da melhor forma possível. 

Ao fazer isso, a marca ou empresa também vai construir uma reputação de que ela está comprometida com a diversidade e mudar esse processo e construir uma comunicação mais inclusiva. E aí isso é muito importante não só para o público direto para o público direto de pessoas com deficiência, mas para o público indireto também. Pessoas sem deficiência que vão saber dessa informação, vão construir essa imagem positiva da empresa e isso é muito importante pensando em um momento de consumo consciente, em que as pessoas escolhem as marcas com as quais elas se identificam, com as quais elas acreditam. Então isso também é uma ótima possibilidade de construção de reputação.

E, consequentemente, aumentar até a conversão em vendas. Se mais pessoas se identificam, mais pessoas podem acessar, mais pessoas sabem dessa informação e podem chegar na loja, num site ou num lugar, mais pessoas vão poder comprar esse produto. Então a gente sempre fala que é o ganha-ganha-ganha: a sociedade ganha, o público direto ganha e a empresa também ganha ao fazer essa roda girar de benefícios de uma construção de uma comunicação inclusiva.

Mas a gente tem que entender também que a acessibilidade criativa não é só o final do processo. Novamente ela é parte do processo como um todo. A gente tem sempre que ficar vigilante, atuando com essa mentalidade pra que todos os desvios que possam surgir ao longo de um projeto, e eles acontecem, para que cada vez que eles aconteçam a gente possa reagir e retomar e colocar a comunicação nos trilhos inclusivos, para que a acessibilidade seja considerada, seja parte da peça, de uma forma correta e criativa.

E pra esse processo, entre todas as dicas e boas práticas de produção de conteúdo inclusive e para implementar essa metodologia de acessibilidade criativa, a principal recomendação é envolver profissionais, representantes, consultores da comunidade de pessoas com deficiência, para que eles tragam os seus pontos de vista, as suas colaborações, pra trazer justamente uma legitimidade para esse discurso, seja ele qual for, dependendo do projeto.

E eu trouxe aqui um outro exemplo que a gente gosta muito, a gente tem muito orgulho de ter participado, que é o filme de dia dos pais do Bradesco do ano passado. Que foi um filme muito bonito, que trata de um pai cadeirante.

Para quem não se lembra ou ainda não teve a chance de assistir: https://www.youtube.com/watch?v=SfmWDhxvGGw&t

Ahh, eu sempre fico muito feliz e muito emocionada quando eu vejo esse vídeo, eu acho ele lindo e eu lembro de como esse processo, que foi muito bacana. Então a gente trouxe consultores, como eu falei, pais cadeirantes com idades diferentes, com filhos criança, filhos adultos, que colaboraram junto com o time da agência Publicis, que fez a campanha. E essa é uma outra consequência muito positiva, quando a gente mostra – a gente no caso Sondery, como consultoria -, mostra a importância do Nada Sobre Nós Sem Nós. Então trazendo pessoas com deficiência para a mesa de reunião, para o contato com as equipes criativas, é uma consequência muito positiva porque acontece essa ampliação de repertório. Então pessoas que não tinham contato com o universo da pessoa com deficiência, o universo da acessibilidade, passam a ter. E isso é muito positivo para a mudança de cultura.

E é muito bom também porque a campanha não é baseada em achismos de pessoas fechadas em salas de reunião. De fato tem contato com representantes reais desse público que está sendo mostrado neste caso do comercial. E essa ampliação de repertório, a gente acredita aqui na Sondery, que é um dos melhores caminhos para a mudança de cultura. E quando a gente fala de mudança de cultura, não só do público externo, todas as pessoas que vão ter contato com esse conteúdo, mas também com o público interno das empresas, que passam a ter mais consciência, quem ainda não tinha um contato passa a ter um contato com esse assunto e, mais importante, todos entendem ou podem passar a entender o seu papel e a sua responsabilidade no processo de acessibilidade da comunicação. 

A gente começa a desconstruir que não é só a responsabilidade de uma pessoa ou um departamento ou uma área, ou até de uma consultoria. Todas as pessoas envolvidas no processo são responsáveis e têm ali um papel muito importante na construção de um processo inclusivo, para que tenha um resultado acessível e representativo com qualidade e com criatividade. Não é uma tarefa fácil, mas quando a gente consegue é muito bom. 

E outro exemplo que eu trouxe aqui para mostrar foi o nosso filme mais recente de Lacta, que envolveu não só pesquisa com público externo, mas também envolveu bastante da equipe da empresa em pesquisas até para descobrir e, no caso, a gente passou para a criação, de um sinal próprio para a marca em Libras. Porque o filme traz personagens surdos e esse foi uma experiência muito rica que a gente teve com uma equipe maravilhosa de consultores que foi composta pelo Fábio Sá, pela Alicy Queizos, pela Malu Dini, pela Claudia Ferreira, pela Katia e pela Karla Fioranti, e pela Patrícia Almeida, além da nossa equipe interna aqui da Sondery.

Então todo esse time maravilhoso foi dando toda a orientação e acompanhando a agência, que também foi a agência DAVID, no processo de desenvolvimento dessa campanha que conta a história de um homem ouvinte que quer conhecer uma mulher surdo e não sabe Libras.

Para quem não viu ainda ou não se lembra: https://www.youtube.com/watch?v=WM9N19Ol3_U

Esse movimento da marca poder olhar pra dentro e pra fora também e pensar a acessibilidade da sua comunicação é muito importante. No processo a gente descobriu, tanto com colaboradores da marca e também com a nossa equipe de consultores, que antigamente a maior parte das pessoas fazia a datilologia da marca, ou seja, eles faziam as letras de LACTA em Libras, e aí a gente propôs, depois de uma uma pesquisa interna e discussões, a criação de um sínal que é a junção do L da marca, uma metade de um sinal de chocolate e também porque no logo da marca, a perninha inferior do L faz uma curva e acaba construindo também a imagem de uma caixa de chocolates, que é um dos principais produtos da marca. Então todas essas questões foram consideradas na criação desse sinal feita pelo Fabio Sá e por todos os consultores surdos da equipe, e proposta pra marca e levada no comercial. Além desse filme de 30 segundos, tem um filme de 10 e um filme de 5 segundos, que traz esse sinal. 

E a gente ficou muito feliz, muito contente aqui na Sondery com o resultado e com esse processo de colaboração, de legitimidade em todo o processo, e também com o roteiro, porque a história conta, a gente conseguiu junto com a abertura da agência, contar uma história de uma forma que traga representatividade da comunidade surda, até por isso a gente fez questão de ter a legenda aberta no filme, então a gente trouxe personagens surdos sinalizados, surdos oralizados, então a gente teve todo esse cuidado e atenção para garantir essa representatividade da diversidade surda, e contar essa história de uma forma que inverte a lógica mais ouvintista. Então não é um surdo numa festa de ouvintes onde está havendo algum tipo de barreira de comunicação, mas é um ouvinte numa festa em que a maioria das pessoas são surdas e ele quer entrar ali na conversa, quer conhecer a menina, mas ele que não sabe Libras. Então a gente mostra que a barreira está na sociedade e não na pessoa com deficiência.

Mostrar isso pro mundo e pro time da agência foi uma experiência que a gente gostou muito, que a gente fez com muito carinho e que a gente espera que inspire novas campanhas por aí afora. Não só campanhas, mas também outros tipos de conteúdo. 

E aqui, só pra ir finalizando, essa busca nossa da Sondery e da nossa forma de buscar acessibilidade criativa, é o que a gente gosta muito de trabalhar com os clientes em todos esses exemplos que a gente trouxe, mas também internamente. A gente gosta muito de provocar essas reflexões no mundo e em todas as pessoas. É por isso que a gente vai sempre fazendo testes, testando formatos de conteúdos e eu queria aproveitar aqui para convidar vocês para conhecer um dos nossos mais recentes formatos que é uma história em quadrinhos. Uma tirinha chamada B.A.R. que significa Baseado em Absurdos Reais, que traz com humor, mas com um pouco de crítica leve, provocando essa reflexão, situações absurdas que pessoas com deficiência passam no dia a dia por conta das barreiras de acessibilidade na sociedade.

A primeira tirinha já está no ar, conta a história do Micho e da Nicole. Micho é um cadeirante e quando eles pedem um Táxi, um serviço de carro, o motorista pergunta se a cadeira vai também. Infelizmente é uma situação muito comum, mas a gente conta aqui de uma forma rapidinha, educativa, crítica, porém bem humorada, com esse objetivo de ampliar o conhecimento e a consciência das pessoas em torno das barreiras da sociedade para as pessoas com deficiência, E a gente acredita que isso pode ser feito sim de uma forma bacana, correta e criativa.

Esse é o nosso dia a dia e eu espero que nesse período, com esses exemplos, dessa nossa conversa rapidinha você tenha compreendido um pouco mais desse conceito que a gente trabalha tanto aqui que é a acessibilidade criativa. Se ficou alguma dúvida ou se vocês quiserem entrar em contato, esses são os nossos perfis da Sondery: @sondery no Facebook, LinkedIn e YouTube, @sonderybr no Instagram, estamos no Spotify e o nosso site sondery.com.br

Muito obrigada pela atenção até aqui, um bom evento para todo mundo e até a próxima.

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Tecnologia assistiva: qual o impacto para um futuro mais acessível? https://sondery.com.br/tecnologia-assistiva-qual-o-impacto-para-um-futuro-mais-acessivel/ Thu, 03 Nov 2022 18:02:06 +0000 https://sondery.com.br/?p=2334 Você já parou para pensar em como a tecnologia está presente em nossa rotina a todo momento? É tão comum que muitas vezes até esquecemos que estamos em contato com ela. Desde quando usamos o despertador no celular para acordar, até aplicativos para pedir o almoço, responder uma mensagem, ou então quando colocamos um endereço […]

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Imagem de um braço robótico, branco, com a mão aberta e a palva virada para cima. Sobre a mão há um semi-circulo de luzes e pontos nas cores azul e rosa claro, sobre um fundo azul marinho.

Você já parou para pensar em como a tecnologia está presente em nossa rotina a todo momento? É tão comum que muitas vezes até esquecemos que estamos em contato com ela. Desde quando usamos o despertador no celular para acordar, até aplicativos para pedir o almoço, responder uma mensagem, ou então quando colocamos um endereço familiar no GPS para conferir se não tem nenhum alerta importante de desvio de rota. Na verdade, ela está na palma de nossas mãos o tempo todo e dificilmente vivemos sem em nosso dia a dia. Mas e tecnologia assistiva, você conhece?

Bom, já sabemos que a tecnologia possui inúmeras utilidades, mas aqui vamos te contar sobre o papel fundamental dela na vida das pessoas com deficiência. É chamado de “tecnologia assistiva”, o conjunto de ferramentas, metodologias, recursos, produtos ou serviços que têm como objetivo proporcionar mais autonomia e conforto para as pessoas com deficiência na realização de suas atividades, viabilizando maior inclusão delas na sociedade

É válido destacar que a tecnologia assistiva é muito ampla e abrange também soluções de acessibilidade que não são digitais. Assim como, rampas e banheiros acessíveis para pessoas com cadeira de rodas, intérprete de Libras para as pessoas que se comunicam através da Língua de Sinais, piso tátil para as pessoas com deficiência visual ou cegas, e muito mais!

Qual o papel da inteligência artificial (IA) na tecnologia assistiva?

Existem algumas definições sobre o que é inteligência artificial (IA), mas o mais importante é que este termo é usado para nomear um ramo da ciência da computação que busca imitar a inteligência ou comportamento humano, como por exemplo as assistentes de voz do Android, IOS e Google. 

Ela é uma grande aliada na evolução da tecnologia assistiva e das soluções assistivas e está contribuindo bastante para que cada vez mais as pessoas com deficiência possam realizar suas atividades com independência. Ademais, ela ainda é um trunfo para pequenas e grandes empresas, pois pode otimizar processos, concluir tarefas mais rapidamente e diminuir falhas humanas. 

Não podemos falar de IA sem falar de “machine learning”,ou “aprendizado da máquina”, em português. Para melhor entendimento, vamos explicar com uma ferramenta que você certamente conhece, o Google Tradutor. Ele se trata de uma solução baseada em IA, que através da máquina de tradução, traduz as palavras de uma língua para outra. Essa máquina não começou com a qualidade que desempenha hoje. No início, ela entregava melhores resultados ao trabalhar com frases mais curtas, ou apenas palavras individuais. Não era tão eficiente na captação dos contextos das frases, principalmente quando se tratava de textos longos. 

Atualmente, essa ferramenta nos entrega traduções com muito mais precisão, mesmo quando se trata de conteúdos mais extensos. Isso se chama “machine learning”. Em outras palavras, é quando uma máquina de inteligência artificial evolui, pois com os feedbacks dos usuários e o trabalho de uma equipe de programadores, ela consegue “aprender”, ou se adaptar, quase como o cérebro humano.

A área de aprendizado de máquina ou machine learning quebrou diversas barreiras nos últimos anos e possibilitou avanços significativos em diferentes áreas. Como por exemplo na robótica, tradução automática, e-commerces, redes sociais e até mesmo na medicina. Isto é, as máquinas se adaptam, moldando-se de acordo com a experiência e necessidade do usuário.” Ailton Felix – da Hand Talk

Assim como funciona o Google Tradutor, a Hand Talk é outro exemplo do uso dessa tecnologia, pois faz a tradução instantânea do Português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e do Inglês para a Língua de Sinais Americana (ASL). 

Tecnologia assistiva na prática

A inteligência artificial tem se mostrado uma grande aliada na promoção do bem social e aqui vão algumas formas disso na prática:

  • Tradutores virtuais de Libras: essa é uma ferramenta que usa IA para traduzir textos ou áudios para a Língua Brasileira de Sinais. A Hand Talk, com a ajuda dos simpáticos tradutores virtuais Hugo e Maya, realiza a tradução instantânea de textos e áudios para a Libras. Essa tecnologia está disponível em centenas de websites brasileiros com o Hand Talk Plugin.
  • Aplicativos de acessibilidade: nesta categoria, existem diversos aplicativos que tornam a vida das pessoas com deficiência mais cômoda. O Hand Talk App é um tradutor de Língua de Sinais para todas as horas e atua facilitando a comunicação entre as pessoas surdas e ouvintes. Já o Guia de Rodas avalia a acessibilidade arquitetônica dos lugares e direciona as pessoas com deficiência motora para rotas acessíveis para elas. O Be My Eyes é um app que permite que as pessoas cegas ou com baixa visão solicitem ajuda de uma pessoa voluntária com visão para guiá-la em alguns momentos. Esses são apenas alguns dos vários aplicativos que estão causando um impacto positivo na vida de milhões de pessoas com deficiência.
  • Leitores de tela: softwares que permitem que as pessoas cegas ou com baixa visão navegem no mundo digital, pois fazem a leitura dos textos dos domínios da internet. Deste modo elas podem ouvir o que está escrito.

Também existem vários outros recursos que são mais facilmente projetados e construídos graças às tecnologias. A impressora 3D é fruto desta ciência e é algo muito útil no contexto da acessibilidade. Com ela, é possível imprimir ferramentas que também melhoram a qualidade de vida das pessoas com deficiência, assim como as próteses para as pessoas que tiveram algum membro do corpo amputado.

O impacto da tecnologia assistiva

A Hand Talk é uma startup tecnológica, com mais de 10 anos de mercado, que desenvolve uma solução de acessibilidade para as pessoas que se comunicam em Libras. O seu propósito é quebrar barreiras de comunicação entre pessoas surdas e ouvintes

Para garantir que essa missão está sendo cumprida e mensurar o impacto, foi analisado que entre os sites dos mais de 500 clientes, já superou a marca de 1,5 bilhão de palavras traduzidas e é referência na área. Além disso, a empresa mantém uma relação de proximidade com a comunidade surda, que enviam constantes feedbacks sobre o impacto das ferramentas no cotidiano delas.

Para que isso seja possível, são necessários estudos constantes, acompanhamento das atualizações e novas oportunidades que a tecnologia pode oferecer. Além disso, lembra que falamos sobre “machine learning? Pois é, por trás da máquina existem muitas mãozinhas experts no assunto trabalhando para viabilizar tudo isso.

Para fechar, vale lembrar que a acessibilidade não deve ser vista como algo que favorece apenas as pessoas com deficiência e nem como um diferencial entre as empresas e o mercado. Como falamos aqui, essas tecnologias estão transformando o mundo em um lugar mais equitativo para todas as pessoas!

“Se a gente entender que acessibilidade é boa para pessoa com deficiência e também é boa para pessoa sem deficiência, percebemos que acessibilidade é ótima para negócios, porque estão preocupados em oferecer melhor experiência para todos e certamente serão mais lucrativos.” – Bruno Mahfuz fundador do Guia de Rodas 

Se você quer saber mais sobre esse tema e ainda começar a investir em tecnologia assistiva, acesse https://www.handtalk.me/br/

Este texto foi escritor pela Fernanda Foggetti, da Handtalk.

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O que você pode aprender com o nosso case de Burger King https://sondery.com.br/o-que-voce-pode-aprender-com-o-nosso-case-de-burger-king/ Wed, 28 Sep 2022 19:07:36 +0000 https://sondery.com.br/?p=2306 Ouça o episódio no Spotify: Introdução [Rafael Duarte] Olá pessoal, eu sou Rafael Duarte e hoje eu vou falar com vocês sobre o comercial de Burger King. Pra quem não sabe, a Sondery fez a consultoria para um comercial de televisão de Burger King que trazia como protagonista uma pessoa cega. E este comercial foi […]

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Imagem retangular com círculos concêntricos azul, rosa e cinza. No canto esquerdo há um círculo branco com o texto "05 coisas que você pode aprender com o nosso case de Burger King".

Ouça o episódio no Spotify:

Introdução

[Rafael Duarte] Olá pessoal, eu sou Rafael Duarte e hoje eu vou falar com vocês sobre o comercial de Burger King. Pra quem não sabe, a Sondery fez a consultoria para um comercial de televisão de Burger King que trazia como protagonista uma pessoa cega. E este comercial foi produzido pela Agência DAVID e teve a nossa consultoria em todas as etapas, desde a pré-produção, o casting do elenco, a gente participou junto da produção, no roteiro… a gente participou de todas as etapas, produção, finalização. E nos recursos de acessibilidade; este comercial foi ao ar com audiodescrição.

E não só isso, este foi o primeiro comercial da televisão brasileira a ter audiodescrição no canal principal de áudio. Ou seja, todas as pessoas ouviam a audiodescrição, ao contrário de outros comerciais que têm a audiodescrição no segundo canal de áudio, que para ouvir a audiodescrição você precisa apertar a tecla SAP.

O legal do comercial com audiodescrição é que, eu vou colocar ele aqui para passar, mas só o áudio dele, claro, já que é um podcast, e vocês vão ouvir este comercial, o áudio das falas, da música, do que está acontecendo, da audiodescrição, e depois a gente vai passar um pequeno depoimento da Ana Clara sobre como foi participar desse trabalho, como foi participar do desenvolvimento, de todas as etapas, e depois eu volto para falar um pouquinho para vocês sobre os 5 aprendizados que a gente pode pegar deste estudo de caso e tem coisa muito legal. Então espero que vocês gostem bastante desse episódio.

O comercial de Burger King

[Audiodescrição] No Burger King um rapaz branco, cego, usa coroa de cartolina. Come um Big King. Um Cheddar Duplo está na bandeja.

[Personagem] Tem duas carnes, tem pão no meio, alface.

[Audiodescrição] Ele morde o Cheddar Duplo.

[Personagem] Huummm…

[Audiodescrição] Tateia o sanduíche.

[Personagem] É uma explosão de cheddar, pãozinho macio com gergelim. Dois p*uta lanche só por 15 conto. Cê não acredita, isso aqui é bom demais. Uma das coisas que eu falo que só acredito vendo. [risos]

[Narrador] Confie em quem entende. Combine dois dos seus sanduíches favoritos por apenas 15 reais. Burger King, do seu jeito.

[Personagem] Dá pra sentir o cheirinho, ó [barulho de inspiração forte].

[Audiodescrição] Cheira o cheddar duplo.

Fim do comercial.

Como foi trabalhar na consultoria para este comercial

[Ana Clara] E a gente tem um Case nosso muito concreto essa espiral do convencimento e que mostra como é importante o fato de todo mundo está na mesma vibe, no mesmo barco, com a mesma motivação que foi o nosso comercial com o Burguer King.

Foi o primeiro comercial audiodescrito, com audiodescrição no canal aberto de televisão na TV brasileira. 

E foi um processo muito intenso, muito cheio de aprendizados pra todos os envolvidos, e foram muitos envolvidos inclusive empresas diferentes. Existia a agência que fez a campanha, existia o próprio cliente que no caso é o Burger King, existia uma empresa produtora de audiovisual, existia uma empresa produtora de som, existia a Sondery, como consultoria de acessibilidade e o ponto focal para todos esses envolvidos sobre esse assunto.

Então o nosso papel era exatamente tirar as dúvidas, orientar desde o início até o final do processo. E foi muito bacana o aprendizado dos dois lados, a gente também aprendeu muito, mas era muito concreto ver o resultado da participação de pessoas com deficiência nas reuniões, como eu citei, parte da nossa equipe que são pessoas com deficiência foram e participaram totalmente de todo o processo. E nessas empresas, principalmente de produção, agências de comunicação, muitas vezes podem não ter um contato tão próximo com esse universo e até fisicamente, presencialmente, com uma pessoa com deficiência. E o fato de ter ali, é um profissional com deficiência participando da mesma mesa de reunião tem um impacto muito intenso, muito rápido, e muito positivo, né? Que ajuda muito nesse processo de convencimento. E isso claro influencia no resultado final do projeto. Então imagina se todas essas empresas envolvidas cada uma tivesse uma delas tivesse menos motivada, uma tivesse falando “ai não, estamos fazendo isso porque estamos sendo obrigados”…

Todo mundo tava querendo fazer algo acessível, inclusivo e de um jeito muito bacana. E aí a gente conseguiu chegar nesse comercial foi um divisor de águas.

Então eu acho que foi muito bacana e foi bem essa espiral de convencimento, né? Convencimento e de conhecimento, porque a cada reunião as pessoas aprendiam um pouco mais sobre o assunto, a gente aprendia sobre o processo deles e foi sendo muito positivo e muito impactante e era extremamente concreto esse aprendizado. Às vezes a gente via até entre uma reunião, vamos dizer assim, entra reunião um e a reunião 4, a própria equipe de pessoas viam antes mesmo da gente como consultoria apontar fazer alguma consideração eles mesmos, ao ter contato ao ter conhecimento já identificavam algumas coisas, falavam “nossa, na primeira versão estava assim, caramba tava errado” e a gente nem tinha falado nada, porque realmente faz parte do processo, existe uma curva de aprendizado. Mas foi um case muito bacana, a gente gosta muito, tem muito orgulho, mas extremamente concreta essa questão da importância de todo mundo estar convencido, motivado da mesma forma.

Os 5 aprendizados do case de Burger King

[Rafael Duarte] Pois é, gente. Esse trabalho do Burger King foi muito bacana mesmo, e inclusive teve uma repercussão muito grande nacional e internacional, por causa do pioneirismo do uso de audiodescrição no canal principal de áudio da TV brasileira. Além, é claro, de termos um protagonista cego em um comercial de Burger King, que é uma marca muito grande, conhecida em todo o mundo. 

E agora eu vou contar um pouquinho sobre 5 aprendizados que a gente pode retirar deste case.

Primeiro aprendizado: envolver pessoas com deficiência enriquece o trabalho.

Você ouviu a Ana falando que aqui na Sondery a gente sempre envolve pessoas com deficiência nos nossos trabalhos. Isso porque a gente acredita que a diversidade do time traz pontos de vista diferentes para o trabalho e isso acaba deixando as ideias muito mais criativas, muito mais completas. 

Além disso, ter pessoas com deficiência participando do trabalho da equipe também é muito enriquecedor na questão de que você naturaliza a inclusão, naturaliza a acessibilidade. Você faz as pessoas perceberem que é muito necessário que o mundo seja acessível. Se tem um cego participando de uma reunião eles vão começar a fazer a descrição de um slide, vão fazer a descrição de algo que está em cima da mesa… Se tem um surdo participando de uma reunião, vai se tornar mais natural você ter intérpretes de Libras acompanhando as reuniões da sua empresa, e assim vai.

Então isso também é um ponto muito bacana de engrandecimento da sua empresa, enriquecimento do produto final e também muito melhor para o mundo, porque você vai estar praticando de fato a inclusão dentro da sua empresa.

Segundo aprendizado: representatividade faz diferença sim.

Pode parecer óbvio, né? Mas o fato de ter um personagem cego na campanha de Burger King fez com que as pessoas cegas também se identificassem mais com a marca. A gente acompanhou de perto algumas comunidades de pessoas cegas, inclusive muita gente mandando pra gente o comercial, algumas nem sabiam que a gente tinha trabalhado no comercial, e mandavam pra gente falando “olha que legal, um comercial com uma pessoa cega, e tem audiodescrição, eu pude consumir esse comercial”.

Então sim, faz diferença para a marca, pra consideração de marca, para a imagem da marca. Então é muito bacana. E as pessoas com deficiência precisam estar no seu briefing, né? Como a gente sempre fala. E não só como personagens, mas como a gente falou elas precisam estar trabalhando nesse projeto. E uma terceira participação é que eles precisam estar no seu briefing enquanto pessoas consumidoras da sua marca.

E por falar em consumidoras, a gente vai para o terceiro aprendizado.

Terceiro aprendizado: parte do seu público talvez não conheça os ícones da sua marca.

Então eu vou contar uma história bem bacana. A gente trabalhou nesse projeto junto com o Edgar Jacques, que é um consultor em revisão de audiodescrição e ele também é ator, e el e é uma pessoa cega. E durante uma das reuniões, tinha uma coroa do Burger King em cima da mesa e as pessoas falavam “ah, mas a coroa, ele vai estar usando uma coroa de papelão”, “a coroa de papelão isso”, “a coroa de papelão aquilo”… e ao final da reunião o Edgar chamou a Ana e perguntou “que coroa é essa?”. Então a Ana pegou a coroa, mostrou pra ele, ele tateou a coroa, e aí ele entendeu que a coroa de papelão é um ícone, um símbolo do Burger King, e que inclusive ela é distribuída nas lojas. Só que em nenhum momento antes deste comercial de Burger King que a gente fez essa coroa havia sido descrita. Ela nunca foi descrita antes, na loja não tem ninguém que faça isso, que faça esse trabalho de descrever a coroa, ou até de informar para as pessoas que não estão vendo a coroa ali de que a coroa existe. 

Depois disso a gente percebeu que muita gente da comunidade cega não conhecia a coroa do Burger King. Então é isso, a acessibilidade por trazer esse conhecimento para o seu público que você pode estar perdendo, pode estar ignorando.

Quarto aprendizado: acessibilidade não atrapalha ninguém.

E eu falo isso porque a gente percebe que muita gente acredita que a acessibilidade precisa ficar ali isolada num cantinho, que as pessoas com deficiência precisam consumir um conteúdo diferente, um conteúdo acessível, e que o conteúdo sem acessibilidade é o que vai pra todo mundo.

A gente está falando de um comercial de Burger King que foi em rede nacional com audiodescrição. E foi pra todo mundo. E não atrapalhou ninguém. Só acrescentou, pois as pessoas cegas puderam ter acesso ao conteúdo daquele comercial a partir da tradução em áudio do que estava aparecendo na tela.

Então é isso, se a acessibilidade – tanto a janela de Libras, quanto a audiodescrição, as legendas – forem feitas de uma forma que fiquem orgânicas junto com a sua peça, o seu comercial, o seu filme para TV, então ele não vai atrapalhar ninguém a consumir aquele comercial, muito pelo contrário, ele vai ajudar para que o máximo de pessoas consiga consumir aquele comercial.

E o último aprendizado tem bastante relação com o que eu falei no anterior.

Quinto aprendizado: a acessibilidade pode ser criativa.

Tem muita gente que acredita que a acessibilidade precisa ser feita de um jeito duro, inflexível. Acaba fazendo uma coisa bem técnica, até um pouco chata.

Existem, é claro, regras e diretrizes para fazer acessibilidade do jeito certo, o jeito correto, o jeito que faça com que a acessibilidade cumpra o seu papel. Mas a gente precisa começar a fazer algumas coisas de forma mais criativa, pra que a gente consiga integrar de forma orgânica essa acessibilidade, esses recursos de acessibilidade, ao produto final que a gente quer deixar acessível. Porque não basta ser acessível, tem que ser interessante também. Tem que passar a mesma experiência, o mesmo sentimento que o comercial está passando. 

Então como a gente coloca uma janela de Libras em um vídeo, que seja bastante orgânico? De repente trocando a roupa do intérprete de Libras com uma paleta de cores que combine com a marca, que combine com o fundo da melhor forma possível. 

E falando especificamente deste trabalho com o Burger King eu vou falar duas coisas que aconteceram que foram bem bacanas e que agregam bastante para esse aprendizado. Uma delas é que a gente trabalhou bem próximo do time criativo da agência DAVID. Então a gente pôde não só acompanhar toda a produção do comercial e orientar como algumas coisas deveriam aparecer na tela para simplificar a audiodescrição, pensando que é um comercial muito curto, apenas 30 segundos, então muita coisa vai aparecer na tela e precisa ser descrita. E também a gente trabalhou junto com eles aprendendo termos da marca, jargões e tudo mais, para que a gente pudesse levar isso pro texto de audiodescrição, pro roteiro de audiodescrição, para que ela pudesse ficar mais próxima possível do que a marca faz. E, do outro lado, a gente estava trabalhando também com a nossa consultora em audiodescrição Rosa Matsushita e com Edgar Jacques que estava fazendo a revisão da audiodescrição, também trabalhamos muito essa questão de como deveria ser essa audiodescrição para publicidade. Porque não existem muitos direcionamentos quando o assunto é audiodescrição para publicidade. Então você vai encontrar muito material falando sobre vídeos, imagens estáticas, exposições, mas audiodescrição para publicidade você não vai encontrar muito, mesmo em países onde essa discussão já está bem mais evoluída, como o Reino Unido.

Então a gente juntou todas essas informações vindas dos dois lados, dos nossos consultores de audiodescrição e do time criativo da agência DAVID, pegamos tudo isso e também juntamos com a nossa experiência criativa, a gente trabalhou muitos anos eu e a Ana com publicidade em agência criativas grandes de São Paulo, e acabamos chegando em um meio termo das técnicas de audiodescrição com a linguagem publicitária pra criar a melhor audiodescrição possível para esse comercial.

Bom, é só isso que eu queria dizer nesse episódio. Ele ficou até bem grande, está bastante rico, acho que é um dos episódios mais ricos de conteúdo que a gente fez até agora.

Podem continuar acompanhando o SonderyCast que a gente tem bastante coisa bacana vindo por aí.

Se você tiver alguma sugestão, alguma dúvida, você pode entrar em nossas redes sociais, a gente é @sonderybr no Instagram, procura a gente lá e mande as suas sugestões que a gente vai procurar atendê-las.

Um abraço a todo.

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SonderyCast 04: argumentos para vender projetos de acessibilidade https://sondery.com.br/sonderycast-04-argumentos-para-vender-projetos-de-acessibilidade/ Wed, 10 Aug 2022 18:25:30 +0000 https://sondery.com.br/?p=2283 Neste episódio do SonderyCast, o podcast da Sondery, Ana Clara Schneider e Rafael Duarte discutem argumentos de convencimento para inserir a acessibilidade nos projetos dentro da sua empresa, da sua marca ou para os seus clientes. Este áudio é um trecho de uma aula da Jornada de Acessibilidade da Sondery. Ouça o episódio no Anchor: […]

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Imagem horizontal com o texto "04: Argumentos para vender projetos de acessibilidade" em um círculo branco. Do lado direito, padrões circulares em rosa, azul claro e azul escuro.


Neste episódio do SonderyCast, o podcast da Sondery, Ana Clara Schneider e Rafael Duarte discutem argumentos de convencimento para inserir a acessibilidade nos projetos dentro da sua empresa, da sua marca ou para os seus clientes. Este áudio é um trecho de uma aula da Jornada de Acessibilidade da Sondery.

Ouça o episódio no Anchor:

Ouça o episódio no Spotify:

INTRODUÇÃO

Está começando mais um SonderyCast, o Podcast da Sondery. No último episódio a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, mostrou com base em dados, estudos e pesquisas quem é o consumidor com deficiência, o poder de compra das pessoas com deficiência e porque devemos sempre considerá-las como nosso público alvo. 

E agora, vamos ouvir ao áudio de uma Live que é a continuação deste assunto. Uma Live que eu, Rafael Duarte, diretor de conteúdo da Sondery, e a Ana Clara fizemos contando sobre a importancia destes dados na hora de defender o investimento em acessibilidade dentro da sua empresa ou para clientes. E se você é uma pessoa que já entendeu os benefícios de investir em acessibilidade em sua agência, empresa ou marca, então vamos mostrar alguns argumentos de convencimento para você conseguir pouco a pouco emplacar projetos acessíveis dentro da sua empresa ou para seus clientes.

SONDERYCAST

[Ana] Olá pessoal, eu sou a Ana Clara, da Sondery.

[Rafael] E eu sou o Rafael Duarte, também da Sondery.

[Ana] E hoje a gente vai falar sobre como vender projetos de acessibilidade dentro da sua empresa, dentro da sua agência. Como convencer o seu chefe que é importante investir em acessibilidade. Então hoje vai ser uma aula bem prática com bastante troca, bastante informação. E principalmente argumentações.Pra gente poder treinar um pouco essa esse convencimento das pessoas com relação a inserir acessibilidade dentro de cada projeto. Seja ele de uma empresa, seja de um prestador de serviço, que inclusive também pode ser de acessibilidade. 

A gente sabe que é difícil, né, quando a gente precisa explicar um serviço de acessibilidade. Seja uma interpretação de Libras,uma legenda, uma audiodescrição é muito importante  que a gente tenha sempre argumentos diferentes, inclusive, para convencer em cada caso.  

E também se você for de uma agência de comunicação ou até mesmo cliente atendido por uma agência, né Rafa? 

[Rafa] Exatamente. Eu acho que é importante a gente primeiro partir do ponto: o que é vender um projeto de acessibilidade? O que é vender um projeto? Esse “vender um projeto de acessibilidade” pode ter diferentes significados. Dependendo de que área você atua, de qual é a sua  posição na empresa, de que empresa você faz parte… e tudo mais.

Por exemplo: dentro de uma empresa em que você trabalha com alguns projetos e você quer que esses projetos fiquem acessíveis, vender a acessibilidade significa convencer o seu chefe, o seu gestor, pessoas dentro da própria empresa em que você já trabalha, a deixarem os projetos, os trabalhos que você faz, os serviços, os produtos da sua empresa, acessíveis.

Então esse é um dos pontos. O outro ponto por exemplo se você trabalha numa agência, uma agência de publicidade, de Marketing, de assessoria de imprensa, e então você tem os seus clientes, e você precisa convencer pessoas que já são seus clientes, a adotarem a acessibilidade nesses trabalhos que você já faz para eles.

E o terceiro são, como a Ana disse, os seus prestadores de serviço, inclusive prestadores de serviços de acessibilidade. Porque não é simples, a acessibilidade é um tema complicado de se vender, por assim dizer, porque falta bastante informação, né? Do que é acessibilidade, de como ela precisa ser feita, de por que ela precisa ser feita. E também que benefícios ela vai trazer. 

Que benefícios ela vai levar para o seu cliente, da sua agência?

Que benefícios você, como prestador de serviços de acessibilidade, vai levar para o seu cliente? 

Seja um pequeno negócio, um produtor de conteúdo independente…

E dentro da sua empresa, de repente, você colocar acessibilidade nos projetos que você participa.  

Dentro da sua empresa, que benefícios vai ter?

Então você entendendo esses benefícios e sabendo passar essa informação para o seu gestor, pro seu cliente, eu acho que é o primeiro ponto é um dos pontos mais importantes para você conseguir convencer a pessoa que você precisa convencer, obviamente, a investir na acessibilidade.

Porque é um investimento, e como todo investimento ela tem um retorno. Seja um retorno de imagem, que também é muito importante, seja um retorno financeiro, porque é uma estratégia de negócio investir em acessibilidade, seja um retorno social, né? Também existe, as empresas também têm um compromisso com a sociedade, um compromisso com a comunidade a qual pertencem.

Então a acessibilidade envolve todos esses retornos, né? O que é muito legal. Não é isso, Ana?  

[Ana] Exatamente. Eu acho que esse é o primeiro passo sempre a primeira chavinha que a gente tem que mudar e tentar explicar e convencer com todos nesses argumentos que o primeiro passo é realmente entender a acessibilidade como um investimento, né?  

E aí principalmente do ponto de vista de um gestor ou de um dono de uma empresa, dono de um serviço,  e aí eu falo até mesmo também como uma empreendedora, é muito importante, toda vez que a gente investe para aprimorar o nosso produto ou o nosso serviço, é uma coisa positiva. Você tá fazendo com que ele seja melhor, ou mais rápido, ou mais leve, ou mais agradável, né?

Você sempre investe tempo, energia, pessoas e dinheiro para fazer com que o seu produto tenha um resultado, uma performance, um formato, melhor para todas as pessoas.

Lembrando que esse foi um assunto que a gente falou na primeira aula, os recursos pensados de acessibilidade podem beneficiar não somente as pessoas com deficiência mas também pessoas com deficiência. Muitas vezes soluções ou implementações pensadas para acessibilidade podem beneficiar pessoas com e sem deficiência, né? 

Quando você vai desenvolver um site, por exemplo, é uma semântica correta, né, respeitar a ordem de cabeçalhos, ter um código limpo, vai fazer  com que experiência, e pensar nessa experiência do usuário de uma forma é cada vez mais estruturada e agradável pra que um leitores de tela possa passar por todo o conteúdo de uma forma correta e agradável  muito provavelmente vai fazer com que toda a experiência do site seja muito melhor também para  todos os outros visitantes.

Então virar essa chavinha de que acessibilidade é um investimento e não olhar somente como um custo, como algo que eu vou ter que desembolsar como se eu não fosse ter isso de volta, como se eu não fosse ter esse retorno, como o Rafa falou, um retorno financeiro, um retorno de imagem, um retorno de reputação e também o retorno de qualidade de produto.

Porque a partir do momento que o seu produto é mais acessível e mais inclusivo ele também vai poder chegar em mais pessoas e aí você vai ter um potencial público consumidor ainda maior.

[Rafa] E aí, a primeira coisa que você precisa fazer, para aumentar a sua argumentação, aumentar seu poder de convencimento na hora de vender um um projeto de acessibilidade é buscar informação. 

Parece meme, mas não!

É muito importante que você de fato entenda quem são as pessoas com deficiência, qual o impacto das pessoas com deficiência na economia.. Dentro do seu público, você tem que entender também que dentro do seu público não importa a área que você atue, não importa o produto, o serviço, não importa… não importa!  Sempre vai haver pessoas com deficiência dentro do seu público-alvo!

E se você está fazendo um produto que não atende pessoas com deficiência, e se você além disso está fazendo uma comunicação que não comunica com as pessoas com deficiência por falta de acessibilidade, por falta dos recursos necessários, você está deixando de alcançar parte do seu público-alvo.

Então esse é um argumento muito bom inclusive para agências, né? De que com a acessibilidade você vai passar a atingir mais pessoas com as suas publicações. Se a gente pensar que hoje temos, no Brasil a gente tem 24%, quase 24% da população brasileira tem alguma deficiência. na e não é uma. E não é uma questão só de que por elas terem alguma deficiência elas precisam de algum recurso… Nem sempre é isso.

Mas por elas terem alguma deficiência, elas também tem uma identificação maior com empresas que investem nessa causa. Então hoje em dia a gente sabe que as causas têm um peso  muito grande na escolha da marca, na escolha da marca que eu vou consumir, é um consumo muito mais consciente. Muito mais guiado por causas, por valores, né? Por propósitos…

Então investir em acessibilidade também traz isso, não são só os recursos às vezes é uma pessoa que não precisa de um recurso, por exemplo de Libras, intérprete de Libras na sua propaganda no seu vídeo institucional, e a pessoa que não precisa, mas olha, de repente é um cadeirante, ouvinte, ele vai olhar e falar “Poxa, que legal, cara, esse vídeo tem recursos de acessibilidade”.  

Então esse tipo de coisa é muito legal e como a Ana disse, a gente viu que são muitas pessoas e não são pessoas sozinhas, né? Elas estão sempre acompanhadas de amigos, de familiares, de relacionamentos, né? Então são pessoas que vão comprar e vão influenciar também. Então é bastante importante a gente considerar isso: que é um público muito grande, está sempre contido no seu público-alvo e que ao investir em acessibilidade na comunicação, no seu produto, você vai alcançar não apenas um nicho, né, da deficiência de um recurso que você colocar, mas provavelmente toda a toda a população com deficiência e também as pessoas sem deficiência que vão apoiar essa causa e vão achar legal e vão consumir, fazer um consumo consciente da sua marca.

[Ana] Exatamente. A repercussão, né? O desdobramento que pode ter o investimento inserir um recurso de acessibilidade ou promover uma experiência mais acessível e mais inclusiva ele não termina nele mesmo. A partir do momento que você fez um investimento mas os resultados diretos acontecem e os resultados indiretos são ainda maiores, são esses que a gente tem falado, pode ser um impacto pensando em consumo consciente,  uma questão de reputação. 

E aí vale lembrar que uma experiência positiva, se ela é divulgada, e ela é comunicada, se ela é espalhada entre as pessoas com deficiência e qualquer consumidor que tem uma experiência positiva vai passar isso pra frente, mas a experiência negativa também. Tem um dado um muito interessante do nosso ebook “Por que as pessoas cegas não compram no seu e-commerce” que mostrava que o motivo mais frequente para o grupo de pessoas cegas que não fazia uma compra online, o motivo mais comum era ouvir um relato ruim de uma outra pessoa cega que não conseguiu efetuar uma compra.

Então pensem a potência disso.Uma pessoa teve uma experiência ruim e isso, essa mensagem, essa repercussão pode impactar a não, a nem tentativa de muitas e muitas e muitas outras. Ao passo que uma experiência positiva pra uma pessoa com deficiência isso também afetar positivamente na decisão de outras pessoas com a mesma deficiência, ou enfim, que façam parte do movimento. 

Então acho que essa questão é  muito a gente pensar na parte da reputação, e também claro da própria experiência da marca, né? O quanto as pessoas vão associar a essa marca, a essa empresa ou essa agência a esse tipo de iniciativa e a esse tipo de implementação. 

E aí eu acho que vale dizer que tem uma coisa complementando o que o Rafa disse de buscar conhecimento é muito importante e de novo vou aqui agradecer a opção, a escolha de todos vocês, de estarem aprendendo aqui junto com a gente.

A gente defende muito, acredita muito na importância de conhecer os processos, como o recurso de acessibilidade são produzidos, de envolver pessoas com deficiências no processo de desenvolvimento de um projeto, de um produto ou de uma campanha, envolver os profissionais corretos ter uma curadoria de pessoas para participar desse tipo de iniciativa, seja dentro da sua empresa. Então se você quer começar a levantar essa bandeira, se você quer começar a levantar esse assunto dentro de uma empresa que você trabalha e ainda ninguém fala sobre isso, uma palestra pode ser um primeiro passo, é o começo da conscientização além por exemplo dessa série de vídeos, né?

Mas então, ter um conteúdo diferente, começar a falar sobre esse assunto, pra daí você também poder envolver pessoas com deficiência dentro dessa conversa. Se for uma empresa grande, que talvez já tenha até algum núcleo e diversidade, já tenha colaboradores com deficiência, se for uma empresa bem grande inclusive deve ter por conta da lei de cotas, mais uma oportunidade até inclusive para você se aproximar, de repente, né?

Trocar percepções entre os times, pra principalmente ter um processo legítimo, envolver pessoas com deficiências dentro desse processo reflete muito um posicionamento inclusive muito forte aqui na Sondery, que é um posicionamento do Movimento dos direitos da pessoa com deficiência que tem o lema “nada sobre nós sem nós” que é basicamente envolver pessoas com deficiência nessas tomadas de decisões e nesse desenvolvimento  pra que de fato traga essa legitimidade essa chancela, mas claro, quando vocês forem trabalhar com assuntos específicos tenham profissionais com deficiência que tem um conhecimento no assunto em questão do seu projeto. 

[Rafa] É a questão do diálogo, né? Ao buscar o conhecimento, a gente não quer dizer para você buscar o conhecimento ficar com ele para você, né? Porque você não vai conseguir grandes progressos na acessibilidade sendo, por exemplo, “o guardião da acessibilidade”  dentro da sua empresa, por exemplo, a pessoa que sabe tudo sobre acessibilidade e tudo que as pessoas precisarem fazer elas vão buscar você, mas na verdade a melhor…

Então o diálogo é a coisa mais importante. Busque informação e compartilhe na empresa.  

Por exemplo seu chefe “ah, ele não acredita em acessibilidade, ele acha uma besteira, ele acha que não precisa fazer”. A partir do momento que você buscar informação e você descobrir de 24% da população tem alguma deficiência o poder de compra das pessoas com deficiência, que já mostramos, todas essas coisas que você vai levantando e vai te indignando, né? Que você fica indignado, você tem que passar para frente também. Você tem que mostrar pra outra pessoa também: “nossa, porque que a gente não está fazendo acessibilidade se dentro nosso público tem pessoas com deficiência”?

Aí vocês mostra pro seu chefe. Até que chega a um ponto que a coisa  vai acontecer de forma mais natural, né? Porque você já passou todas as informações para eles né e a argumentação vai ser muito mais simples. Você vai falar “pô, lembra daquelas pessoas com deficiência?” 24% da população, pô, vamos aumentar o nosso alcance. Você não quer aumentar o alcance? Vamos considerar elas na próxima comunicação? Colocar uma janela de Libras, colocar audiodescrição,  vamos testar, né? Uma coisa que que publicitários e marketing, todo mundo gosta bastante é fazer A/B.

Então por que não testa? 

Uma propaganda com acessibilidade e outra sem.

Não! Coloca as duas com!

[Ana] Exatamente. E eu sei, você que está assistindo e que está de repente nesse processo de convencer seus pares, ou convencer seu gestor, seu chefe… eu sei que às vezes pode levar mais tempo do que a gente gostaria. A gente quer ver uma mudança muito rápida, só que esse processo de argumentação, de convencimento como ele é muito subjetivo, porque a primeira barreira é a atitudinal, então a gente tem que sempre que ir trabalhando essa comunicação, esse diálogo mostrar todos esses segmentos, os pontos positivos de se investir em acessibilidade, os pontos negativos de não se investir em acessibilidade. O quanto você perde ou não em não investir nisso.

E eu sei que às vezes pode parecer difícil, parece que demora muito mas não desistam.

Porque é um processo que quando a gente começa a ter os resultados, quando começa a ter o retorno, é muito inspirador, é muito motivador, e isso certamente vai se refletir em todas as equipes. 

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Sonderycast 03: Por que investir em acessibilidade? https://sondery.com.br/sonderycast-03-por-que-investir-em-acessibilidade/ Wed, 27 Jul 2022 20:49:36 +0000 https://sondery.com.br/?p=2276   <iframe src=”https://anchor.fm/sonderycast/embed/episodes/Por-que-investir-em-acessibilidade-e1lm9b2″ height=”102px” width=”400px” frameborder=”0″ scrolling=”no”></iframe> Rafael Duarte [Introdução]: Este episódio do Sonderycast é mais do que apenas um podcast. É uma verdadeira aula, onde a fundadora da Sondery, Ana Clara Schneider, explica os termos e conceitos sobre as pessoas com deficiência, acessibilidade e inclusão, e costura com base em pesquisas, dados e estudos […]

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Imagem com fundo branco e detalhes arredondados rosa, azul escuro e azul claro. Há o texto: "03 Por que investir em acessibilidade?

 

<iframe src=”https://anchor.fm/sonderycast/embed/episodes/Por-que-investir-em-acessibilidade-e1lm9b2″ height=”102px” width=”400px” frameborder=”0″ scrolling=”no”></iframe>


Rafael Duarte [Introdução]:
Este episódio do Sonderycast é mais do que apenas um podcast. É uma verdadeira aula, onde a fundadora da Sondery, Ana Clara Schneider, explica os termos e conceitos sobre as pessoas com deficiência, acessibilidade e inclusão, e costura com base em pesquisas, dados e estudos os motivos pelos quais investir em acessibilidade é mais do que um compromisso social, mas também uma estratégia de negócio para alcançar um público consumidor que a maioria das marcas está ignorando e excluindo. 

Ana Clara Schneirer:

Oi pessoal, tudo bem?

Eu sou a Ana Clara, da Sondery, e é uma honra estar aqui para receber vocês no início dessa caminhada. Que vai ter muita informação, muito material e muita troca sobre acessibilidade. Hoje eu vou falar um pouquinho sobre os conceitos bem básicos e daí a gente vai poder falar com mais profundidade de termos e vocabulário e algumas terminologias, então todo mundo parte da mesma página, combinado?

Se você não tem muito contato com o universo da pessoa com deficiência com o universo da acessibilidade, é muito importante entender exatamente esses detalhes de conceitos exatamente para não ter muita confusão. 

Tem pessoas que acham que a deficiência é algo somente atrelado à falta de algum sentido, à falta de algum membro. Ou então tem pessoas que falam “ah, eu  uso óculos, eu tenho miopia, então eu sou uma pessoa com deficiência”. E a verdade não é tão simples assim, não é tão restrito assim.

Então começando a falar, vamos começar então pelo conceito exatamente de pessoa com deficiência. O que define uma pessoa com deficiência. É claro que se eu fosse falar com o muitos detalhes, eu precisaria de horas e horas só para falar dos conceitos sociais, sobre essa palavra, sobre esse termo.

Mas o que a gente precisa entender, pra início de conversa é que a deficiência é somente uma das características que definem uma pessoa. Ela não é a única característica definidora daquele sujeito. E ela é um fenômeno social, porque ela se dá exatamente no encontro desse sujeito, dessa pessoa, com o entorno, com o ambiente, com a sociedade. É exatamente essa a definição da ONU.

Como vocês podem ver no slide o texto diz assim: segundo a ONU, são consideradas pessoas com deficiência aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial os quais em interação com diversas barreiras podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Então foi exatamente isso que eu falei, a deficiência é um fenômeno social muito complexo se dá nesse encontro que pode ser muitas vezes cheio de barreiras ou com menos barreiras. A partir do momento a  gente começa a pensar nisso, e a deficiência acontece exatamente nesse encontro não é somente uma questão ligada ao corpo da pessoa, ou aos sentidos, mas exatamente como este corpo e  como com essas habilidades essas funcionalidades pode ocupar e usufruir os espaços como qualquer outra pessoa que não tem esse impedimento.

E aí é muito importante também a gente entender a diferença de integração e de inclusão.

Eles são muito utilizados de uma forma quase como sinônimos, Mas eles têm uma diferença conceitual muito grande, muito importante, que na integração existe uma falsa ilusão de inclusão. Quando a gente está integrado, existe ainda um grupo separado, vamos dizer assim: um gueto, um grupo ou uma instituição. Que pode, em alguns momentos, fruir na sociedade como um todo, mas ainda assim separado de todos.

Só pra vocês entenderem o contexto maior, a gente partiu da exclusão, quando as pessoas com deficiência não eram consideradas pessoas, que poderiam e deveriam sobreviver, e aí eu tô falando de homens das cavernas, né? De gerações da história da humanidade, qualquer pessoa que nascesse fora do padrão não permaneceria viva, A gente passa então pra um momento de segregação, depois da exclusão vem a segregação. E somente com a Idade Média, em que as pessoas com deficiência ou pessoas que nascem fora do padrão eram permitidas elas continuariam a viver, mas separadas em locais na sociedade. Então O Corcunda de Notredame normalmente é um exemplo bem prático e didático.

Nesse momento de a segregação, a pessoa fica separada do convívio de todas as pessoas. Com o surgimento da Medicina começa o que a gente chama de modelo médico no entendimento da deficiência. Que é quando a medicina passa considerar a deficiência como uma doença, entre aspas, a ser curada. Ou é o mais “consertado”, fazer com que este corpo se aproxime o máximo possível do padrão considerado normal pra época.

E aí sim vem a integração, quando existem locais de reabilitação, escolas especiais, instituições que separam as pessoas, inclusive por deficiência, instituições para pessoas com deficiência intelectual, ou escolas especiais, enfim e aí a gente reúne todo mundo que é diferente no mesmo grupo, em certos momentos eles podem a partilhar da sociedade, mas ainda existe essa separação. 

Isso que é integração. Quando a gente chega na inclusão, tá todo mundo no mesmo espaço. Podendo usufruir com a mesma qualidade da mesma forma, de um jeito pleno e de um jeito muito mais humano e muito mais bacana.

E um outro conceito muito importante para todos entenderem aqui é exatamente “acessibilidade”. Acessibilidade basicamente é poder garantir o acesso a todas as pessoas e aí é muito importante lembrar e entender para todo o sempre, que acessibilidade não é um conceito que se aplica somente a pessoas com deficiência. Ela se aplica a todas as pessoas, inclusive pessoas com deficiência.

Fazer com que todas as pessoas, tenham deficiência ou não, possam acessar espaços, conteúdos, eventos, experiências, é exatamente o fazer com que esse objeto, essa experiência, seja mais acessível e mais inclusivo para todos. 

Temos muitas curiosidades sobre soluções que inicialmente foram criadas, a princípio para pessoas com deficiência, com o intuito inicial apenas de acessibilidade, mas que beneficia a todo mundo. O próprio e-mail é um desses exemplos. Ele foi criado para que um homem que tinha uma perda auditiva pudesse se comunicar com a sua esposa que também tinha uma perda auditiva. Ele não poderia usar o telefone e ele queria algo que fosse mais rápido do que um correio, e aí ele criou a base do que veio a ser o correio eletrônico, que hoje é o que a gente utiliza como e-mail todos os dias da nossa vida.

Então esse é só um exemplo bem prático de como muitas vezes funcionalidades e soluções criadas, pensando inicialmente em pessoas com deficiência, podem beneficiar a todos.

E um outro exemplo muito conhecido de todo mundo é a própria rampa. Apesar de ser um exemplo quase clichê, ele é muito utilizado, é muito prático para esse entendimento.

Todas as pessoas podem utilizar a rampa, entendendo que ela tem um formato correto e uma inclinação correta, mas não só pessoas em cadeira de rodas, né? Uma pessoa que esteja utilizando uma bengala, alguém com carrinho de bebê, ou uma mulher grávida, alguém com uma mochila pesada…

Muitas pessoas podem se utilizar do mesmo recurso. Que também pode servir para acessibilidade. Então lembre-se: acessibilidade se refere a todas as pessoas.

E quando a gente vai pensar nessa aplicação considerando um movimento de consumo,

Considerando o desenvolvimento de produto, o desenvolvimento de serviços, entendendo o seu público-alvo, é muito importante lembrar que existem pessoas com deficiência dentro do seu público-alvo seja qual foi o seu recorte, seja qual for o seu target.

Então é muito importante lembrar que não só as pessoas com deficiências são seu público-alvo, mas toda essa rede de indireta de familiares, amigos, colegas, cruches, enfim, toda uma rede de pessoas relacionadas a esse potencial consumidor também pode ser impactada no momento em que você vai desenvolver um produto mais ou menos acessível. E isso pode impactar a decisão desse grupo de pessoas.

“Mas Ana, qual é o tamanho desse grupo de pessoas? Será que realmente é um público em potencial e faz sentido para o meu planejamento estratégico?”

Será que é importante pensar nisso dentro da empresa?

A resposta é: sim. São muitas pessoas com deficiência no mundo e no Brasil e é uma parcela da população que acredito que vai ser muito relevante pro seu público alvo, pro seu planejamento de produto, de serviço, ou de marca. eu tenho alguns dados sobre o poder o poder de consumo de pessoas com deficiências no mundo Na verdade, primeiro o dado demográfico, segundo a ONU são mais de um bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência ao redor do mundo. Em termos de potencial de consumo, a gente tem um público muito importante, muito relevante.

A Accenture fez um estudo recentemente e eles identificaram que a comunidade de pessoas com deficiência no mundo todo seria o equivalente à terceiro maior potência econômica com o equivalente a 8 trilhões de dólares por ano em faturamento. Então uma parcela extremamente importante, 8 trilhões de dólares. Só nos Estados Unidos esse valor passa a ser 490 Bilhões de Dólares.

Um outro um outro estudo feito pelo Instituto Americano de Pesquisas, o American Institute for Research, e o nome do relatório dessa pesquisa foi “o mercado oculto”, é realmente uma parcela da população que não tá sendo alcançada, Que ela quer ser bem atendida, quer poder consumir, quer poder acessar os locais e as marcas e as experiências e muitas vezes está sendo privada, está sendo impedida de exercer esse direito, exercer essa vontade por barreiras externas. Então vamos pensar em como a gente pode diminuir essas barreiras externas, para que todas as pessoas possam chegar até a sua marca, sua empresa, seu restaurante, sua casa

E existe uma outra pesquisa também que tá aqui no nosso slide, ela foi feita no Reino Unido. Lá o movimento das pessoas com deficiência é extremamente organizado e um grupo desse movimento que se define como We Are Purple, nós somos roxos em inglês, eles fizeram um estudo e publicaram um relatório e vários infográficos, exatamente também falando o potencial de consumo, o valor em dinheiro que os negócios perdiam anualmente por não serem acessíveis. E esse valor é, nada mais nada menos, do que dois bilhões de libras por mês

É um valor muito relevante para qualquer empresário, qualquer pessoa que esteja pensando em inserir acessibilidade no seu planejamento de negócio.

E lembrando, como eu falei, não são só as pessoas com deficiência, elas não existem sozinhas, e portanto o investimento em acessibilidade não beneficia somente a elas, mas as pessoas que se relacionam a elas, enfim, se relacionam com elas, sejam amigos, familiares… E um dos dados dessa pesquisa também se refere a isso: 75% das pessoas que responderam a pesquisa ou seus familiares, já saíram de algum estabelecimento, já saíram de algum lugar, pela falta de acessibilidade ou pela falta de atendimento.

E aí é muito importante a gente pensar na questão da reputação, o quanto essa experiência positiva ou negativa vai se espalhar entre as pessoas da própria comunidade, amigos, familiares e tudo mais…

Lembrando que esse público em potencial é extremamente relevante principalmente por todo esse desdobramento, né? Que ainda é possível a gente explorar.

E quando a gente vem para o Brasil, a situação também é similar. A parcela da população com deficiência,segundo o último IBGE de 2010, é de 23,9% da população. O que é o equivalente a 45 milhões de pessoas no Brasil. Isso é o equivalente quase à população da Argentina ou da Espanha. Então imagina toda essa parcela de pessoas, que compreende todas as deficiências, visual, auditiva, física, intelectual… Todas essas pessoas e seus amigos e seus familiares podem não estar sendo ainda tão bem atendidos quanto elas poderiam, em termos de serem reconhecidas como consumidoras da sua marca, da sua empresa, do seu serviço. 

Esse público em potencial aqui no Brasil também tem um poder aquisitivo equivalente a 5.3 milhões de dólares por mês. Esse dado é de 2010. E mais do que tudo, é mais do que, de novo entendendo a acessibilidade como um investimento, quando a gente se torna o nosso serviço, nosso produto mais acessível ele vai ser mais relevante não só para esse público, mas também pras pessoas que souberem disso, né? Então hoje em dia a gente tem um consumo consciente a cada vez mais forte, e as pessoas escolhem suas marcas a partir da cultura e do comportamento da empresa. 

Então quando ela investe em desenvolver um produto mais acessível, uma campanha mais acessível, ela tá beneficiando não só o consumidor com deficiência na ponta final, e também seus familiares e seus amigos, mas também trazendo uma vantagem para a própria empresa e impactando positivamente os seus outros formadores de opinião, ou stakeholders, a imprensa, e outras pessoas também. Ou seja, investir em acessibilidade, pensar em um consumo cada vez mais inclusivo é muito importante e muito positivo para todos.

É o que eu sempre falo: é um ganha-ganha-ganha. Todo mundo ganha nessa equação.

E lembrando que é a grande mudança de mentalidade uma das primeiras grandes mudanças de mentalidade para gente pensar na pessoa com deficiência como público-alvo é encarar a acessibilidade como um investimento. Muitas vezes as pessoas têm um certo receio uma certa barreira achando que a acessibilidade é muito caro e muito difícil, são muitas angústias e muitos medos, então a ideia é que nessa aula, a gente já tenha tirado uma boa parte das dúvidas trazendo um pouco mais informação e nas próximas vocês também possam ficar muito mais confortáveis com relação a esse tema, com relação à argumentação e principalmente com relação a mão na massa.

Como a gente pode de fato mudar atitudes para que a gente possa mudar o nosso entorno para que a gente possa mudar a sociedade e fazer com que ela seja cada vez mais acessível.

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Sonderycast #02: Burger King – O trabalho da Sondery que entrou para a história. https://sondery.com.br/sonderycast-02-burger-king-o-trabalho-da-sondery-que-entrou-para-a-historia/ https://sondery.com.br/sonderycast-02-burger-king-o-trabalho-da-sondery-que-entrou-para-a-historia/#comments Fri, 10 Dec 2021 22:13:20 +0000 https://sondery.com.br/?p=2250 Neste episódio do Sonderycast, a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, conta como foi fazer a consultoria de acessibilidade e inclusão do comercial do Burger King, que entrou para a história da publicidade brasileira ao ser o primeiro comercial com audiodescrição no canal principal de áudio da TV aberta brasileira. Demais, né? Confira esta história! […]

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Sobre um fundo rosa e azul claro com semi-círculos brancos, azuis e rosas, há o texto "Burger King: o trabalho da Sondery que entrou para a história!" com um número "02" grande ao lado.


Neste episódio do Sonderycast, a Ana Clara Schneider, fundadora da Sondery, conta como foi fazer a consultoria de acessibilidade e inclusão do comercial do Burger King, que entrou para a história da publicidade brasileira ao ser o primeiro comercial com audiodescrição no canal principal de áudio da TV aberta brasileira. Demais, né? Confira esta história!

 

[Ana Clara]

Você sabe por que o comercial de Burger King “King em Dobro – Audiodescrição” fez história na publicidade brasileira? Eu sou a Ana Clara, fundadora da Sondery, e está começando mais um Sonderycast.

Hoje a gente vai contar um pouquinho do trabalho de consultoria de acessibilidade e inclusão que a gente fez, em 2019, para o comercial do Burger King, um trabalho da Agência DAVID.

E já respondendo a pergunta que todo mundo quer saber: este comercial fez história por ser o primeiro comercial a ter audiodescrição no canal principal de áudio na TV aberta brasileira. E já explicando, Audiodescrição, pra quem não sabe, é o recurso que traduz em áudio o que está visualmente aparecendo na tela. 

Tudo começou com a ideia de fazer um comercial com um personagem cego. E a Sondery foi contratada para garantir que esta representatividade fosse retratada de forma respeitosa, sem capacitismo, ou seja, sem estereótipos de pessoas com deficiência, utilizando termos corretos e tudo mais. E ali ficou claro pra gente que era preciso dar um passo a mais: uma propaganda que tinha um protagonista cego precisava ter audiodescrição, para que aquela representatividade fosse efetiva ao ser acessível para todas as pessoas com deficiência visual. A melhor parte começou quando a agência e o cliente abraçaram a ideia. 

E pra contar um pouco dos bastidores deste comercial, dos desafios e das conquistas, a gente convidou algumas pessoas: os consultores que trabalharam com a gente, a Rosa e o Edgar, a dupla responsável pela audiodescrição; o Eduardo, o personagem do vídeo, e o Leo, que hoje trabalha com a gente, mas na época foi pêgo de surpresa quando teve contato com o comercial pela primeira vez.

[Rosa Matsushita]

Eu sou a Rosa Matsushita, jornalista e audiodescritora. Fiz o roteiro de audiodescrição para o comercial do Burger King… foi uma experiência completamente nova, intensa e incrível.

Os primeiros dias foram difíceis, porque estávamos pisando num universo diferente… depois de um mês mexendo no roteiro, num vai e volta, troca uma palavra aqui, adiciona outra ali, o texto foi finalizado.

Depois veio a locução que foi realizada com muito cuidado.

Com o trabalho finalizado veio a notícia: a audiodescrição seria aberta, para todos ouvirem. Nem preciso dizer do orgulho e da felicidade que senti de fazer parte desta equipe.

Fazer com que este recurso seja conhecido e reconhecido é o que nós, profissionais da AD, almejamos… e este comercial nos abriu portas. Além de alcançar um público, que foi muito além do esperado, ele nos mostrou que é possível.

Parabéns ao Burger King por ser o primeiro a abrir um espaço para este recurso. E eu espero que outras empresas sigam pelo mesmo caminho.

[Edgar Jacques]

Oi, oi, eu sou o Edgar Jacques, eu sou consultor em audiodescrição. Nesse trabalho da Burger King, acho que a coisa mais legal que a gente conseguiu, bom, a gente conseguiu várias coisas legais, mas a coisa mais legal foi ter conseguido que eles colocassem a audiodescrição no canal principal de áudio. Pra mim isso é muito importante; é muito relevante.

A audiodescrição sempre tem esse papel escondido, né? “Ah, a gente vai fazer, mas é pra um lugar específico”. E é sempre muito importante quando a AD ou a acessibilidade tá ali no espaço pra todo mundo. Isso é muito impactante, é muito significativo. Então a Sondery conseguiu aí um grande feito, na minha opinião, que foi colocar a AD pra todo mundo ouvir.

E aí teve um monte de questões até que chegasse nesse pensamento. Eu fiquei muito impressionado, porque é muita gente, né, falando sobre um assunto. E às vezes falando de uma coisa que não faz ideia do que seja, no caso da AD. E aí a gente explicando coisas ali na reunião, e aí eles tentando encontrar caminhos para que chegasse naquilo que eles queriam que fosse. Acho que chegamos a um denominador comum interessante, Ah, foi uma experiência incrível, cresci muito assim, ouvindo, argumentando, tendo que argumentar com gente que sabe tanto sobre o que tá fazendo – os publicitários ali sacam muito de publicidade, e não de acessibilidade. E daí eu precisei me exercitar e falar “aqui não dá pra ceder, não é possível”… 

E, ah, conheci muita gente legal. E acho que isso também é um bônus, né? Conhecer gente, gente de mercados diferentes, lugares diferentes. Foi uma grande experiência. Valeu Sondery, é isso, tâmo juntos!

[Eduardo]

Meu nome é Eduardo, eu trabalho num órgão público, moro aqui em São Paulo e fui escolhido como personagem para a gravação do comercial do Burger King.

Eu fiquei muito feliz de poder participar do comercial e eu falo que foi muita sorte, porque eu tava no meu trabalho e o computador travou e, esperando reiniciar o que você faz? Eu peguei o celular. Eu vi no Facebook que eles estavam recrutando uma pessoa que fosse deficiente visual para gravar um comercial. Eu falei “ah, vamos ver o que que isso aí dá, né?”.

Achei que não ia dar nada e aí um domingo à tarde o pessoal da produtora me pediu pra encaminhar um vídeo. E eu nunca tinha gravado um vídeo. Eu moro sozinho e tal. E daí eu falei “bom, vamo tentar”. Aí me falaram “Não, ficou legal, mas você saiu com o dedo na câmera”. Eu falei “ih, começou, né?”. Mas aí depois deu certo, me chamaram pra entrevista. No dia da entrevista, eu fiquei bem à vontade, fiz algumas piadas dessa coisa do “só acredito vendo”, acho que o pessoal gostou e tal. 

E aí quando chegou no dia da gravação mesmo, eu fiquei um pouco mais nervoso, assim, porque é diferente, né? Você tá numa entrevista e depois eles explicaram “ó, tem uma câmera ali, outra ali, uma na sua frente…”, então várias câmeras, né? Eu no começo não tava muito espontâneo não, então foi uma coisa mais difícil mesmo. E aí o pessoal falou “Ah, lembra que você falou tal coisa na entrevista e tal?” e aí eu fui me soltando, né?

E acabou que eu fui selecionado e eu nem fiquei sabendo. Eu só fiquei sabendo quando o pessoal começou a me mandar mensagem no celular aqui falando “olha, eu vi teu comercial na TV, é você mesmo?” e tal. E teve uma repercussão muito grande, né? Algumas pessoas na rua me perguntavam “não é você do comercial?”, o pessoal até confundia qual que era a rede de fast food. 

Mas teve uma repercussão bem legal e essa questão da audiodescrição na TV aberta também, o pessoal que é do ramo principalmente achou bem legal, né? E muita gente me perguntava o que era também. Então eu fiquei bastante feliz, assim, tanto pela repercussão como por poder participar desse projeto. 

[Leonardo Spinola]

Oi pessoal, tudo bem? Meu nome é Leonardo, eu sou consultor aqui na Sondery, e foi engraçada essa história: a primeira vez que eu vi esse comercial eu estava no YouTube assistindo qualquer vídeo pra me distrair e apareceu o comercial, aquelas propagandas clássicas que você pula depois de cinco segundos, só que logo que apareceu, começou a audiodescrição. E eu fiquei de olho brilhando. Eu olhei praquilo e pensei “nossa, eu preciso que todo comercial seja assim”. Eu fiquei maravilhado. Assisti depois, fui atrás do comercial pra assistir de novo, ficou me aparecendo toda hora por causa disso, por causa de algoritmo, foi até engraçado. E cada vez que eu assistia eu ficava “eu preciso disso pra minha vida”. 

E eu não sabia que esse comercial era da Sondery, eu achei que Burger King fez um negócio legal, pô, que massa. E bem depois, uns bons tempos depois, eu acabei, enfim, encontrando a Sondery pela internet, entrei em contato e comecei a conversar com a Ana e a gente… ela me contou um pouco da história da empresa e falou “ah, não, você já viu aquele comercial de Burger King? Foi a gente que ajudou a fazer, organizou a parte toda…”, e eu fiquei “nossa, que fantástico, que incrível”. E foi inclusive um dos motivos que me fizeram querer entrar para o time da Sondery, justamente por causa dessa preocupação que eles têm em eliminar as exclusões e fazer com que todo mundo consiga ter acesso à mídia, a produtos e serviços. E isso fez brilhar o olho ainda mais pra esse tema que me é tão querido.

[Ana Clara]

Pois é, ouvindo todos estes depoimentos, já deu pra entender a importância deste comercial tanto para a publicidade quanto para a acessibilidade, ao sermos pioneiros na utilização do recurso de audiodescrição no canal principal de áudio. A repercussão entre as comunidades de pessoas com deficiência foi super positiva e todo mundo veio comentar com a gente, mesmo quem nem sabia que a gente tinha feito parte do projeto como consultoria de acessibilidade.

Os principais sites e revistas de publicidade e marketing do Brasil e do mundo, como Meio e Mensagem, Adweek, Fabnews, Adage, ThinkTank… disseram que o comercial de Burger King era pioneiro e desbravava novos territórios, tanto pela representatividade de trazer um protagonista cego, quanto pelo recurso de audiodescrição.

Mas quando me perguntam qual o resultado mais bacana que este trabalho trouxe, o resultado mais palpável de todos, foram as inúmeras mensagens que nós recebemos de pessoas cegas nos perguntando sobre o que era a tal coroa de papelão. Antes do comercial, muitas pessoas cegas não faziam ideia de que a coroa de papelão, um dos maiores símbolos do Burger King, existia. E depois, várias delas começaram a ir às lojas e pedir pelas coroas, para pegar nas mãos, saber o que era. Pra gente, essa foi a maior prova de que todos os comerciais deveriam ter os recursos de acessibilidade e que só assim a mensagem da marca será realmente passada para todas as pessoas de forma plena, como foi concebida pelos publicitários com tanto cuidado e esmero criativo.

Nós temos um carinho muito grande por este trabalho, que abriu muitas portas para a Sondery e também para a acessibilidade como um todo dentro do universo da publicidade. E esperamos que mais marcas invistam cada vez mais em acessibilidade, para que todos possam ter acesso tanto a seus comerciais como também a produtos, lojas e serviços, né?

E ficamos por aqui no nosso segundo episódio do Sonderycast, esperamos que tenham gostado e até a próxima.

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Sonderycast #01: Acessibilidade em lojas online durante a Black Friday https://sondery.com.br/sonderycast-01-acessibilidade-em-lojas-online-durante-a-black-friday/ Wed, 24 Nov 2021 19:54:31 +0000 https://sondery.com.br/?p=2213 Neste primeiro episódio do Sonderycast, a equipe da Sondery fala sobre a importância da acessibilidade para o sucesso das lojas online, mostrando a parte conceitual, legal e prática da acessibilidade quando o assunto é compras online. E convidamos pessoas com deficiência para dar depoimentos sobre experiências de compra positivas e negativas, ilustrando assim o assunto […]

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Imagem na horizontal dividida ao meio, o lado esquerdo tem fundo azul escuro e o direito rosa. Há o texto em letras grandes em branco com contorno rosa: "01 acessibilidade em lojas online durante a Black Friday". No canto inferior direito há o logo do Sonderycast.


Neste primeiro episódio do Sonderycast, a equipe da Sondery fala sobre a importância da acessibilidade para o sucesso das lojas online, mostrando a parte conceitual, legal e prática da acessibilidade quando o assunto é compras online. E convidamos pessoas com deficiência para dar depoimentos sobre experiências de compra positivas e negativas, ilustrando assim o assunto com casos reais que nós analisamos para dar uma luz sobre a questão.

[Rafael Duarte]

Acessibilidade em lojas online durante a Black Friday, esse é o tema do primeiro Sonderycast, o Podcast da Sondery. Eu sou Rafael Duarte, diretor de conteúdo da Sondery, e logo de cara vou passar a bola para a Ana, pra ela contar um pouco melhor pra gente o que é acessibilidade.

[Ana Clara Schneider]

Acessibilidade significa proporcionar o acesso ao maior número de pessoas possível e para garantir isso , às vezes é necessário remover as barreiras que possam estar impedindo esse acesso.

Por isso é tão importante a gente entender a definição correta do termo “pessoa com deficiência” porque está lá na convenção da ONU e na LBI, pessoa com deficiência é aquela que tem um impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual em interação com com uma ou mais barreiras pode impedir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Ou seja, quem tem que mudar e se adaptar é o ambiente e a sociedade, e não o indivíduo com deficiência. Até porque são 15% da população mundial e quase 25% da população brasileira. São milhões e milhões de pessoas que já são ou poderiam ser consumidores de muitas marcas se tivessem o mesmo acesso a elas. A Sondery existe para isso, fazer com que as pessoas com deficiência sejam reconhecidas como consumidoras e acompanhar as marcas nessa jornada de reconhecimento.

[Rafael Duarte]

Será que as lojas online estão considerando as pessoas com deficiência como consumidoras, como clientes? Bom, a gente conversou com algumas pessoas com deficiência e pediu para que elas nos contassem algumas experiências positivas e negativas de compras feitas em lojas online e vai ser bem legal pra gente ilustrar aqui esse podcast. A gente começa com o depoimento da Ana Gouveia.

[Ana Gouveia]

Pensa numa pessoa que comprou nessa Black Friday… geeeente. Haja cartão.

Uma experiência que foi bem, bem, bem legal foi de comprar no site da Chico Rei; camisetas, enfim, várias outras coisas. Estava com uma promoção maravilhosa e assim, a navegação muito flúida. Eu comprei pelo site mobile, tem uns descritivos muito bacanas das imagens em si, não necessariamente descrever o que tem na imagem, mas a vibe da imagem, sabe? Eu achei muito bacana, além do produto ser maravilhoso. A navegação foi super flúida, eu não tive problema nenhum na compra, foi bem de boas, chegou rápido, tá tudo certo. 

Em geral eu tenho experiências minimamente acessíveis assim, não tenho muito o que reclamar de Amazon, Submarino, Magalu… seja aplicativo ou seja site, mas eu tive uma experiência horrível, horrorosa, a nível não conseguir comprar, na Hering. Tinha muitas promoções pelo aplicativo, algumas no site bem bacanas, mas pelo aplicativo tinha muitas. Não deu. Eu só conseguia fazer busca, mas não conseguia navegar nos produtos. Eu tenho baixa visão, então algumas coisas eu conseguia fazer com o leitor de telas desligado, mas eu não consegui finalizar a compra, não tinha como, não ia. Simplesmente não ia. Ficava o background invertendo com o… nossa gente, vocês não estão entendendo, só testando pra entender!

[Rafael Duarte]

Bom, esse depoimento da Ana Gouveia é muito interessante. Porque por um lado é claro, né, ela traz essa questão das barreiras ou ela traz essa questão da experiência bacana de compra, que ela teve no Chico Rei. Mas por outro lado ela traz uma outra questão, que não sei se vocês perceberam, mas é a questão de que ela estava ali comprando camisetas, né? Então quem é o consumidor com deficiência. Quem é essa pessoa com deficiência que está buscando nas lojas online promoções, produtos… então, novamente, Ana Clara, explica pra gente sobre isso.

[Ana Clara Schneider]

Uma vez a gente aqui na Sondery fez um paralelo com o termo PCD, que além de se referir a pessoa com deficiência, também deveria ser lido como pessoa com direitos, com dinheiro e com desejos. É preciso que as marcas desconstruam uma imagem estereotipada e uma percepção totalmente passiva da pessoa com deficiência, como se ela só tivesse interesse em produtos de saúde ou reabilitação. Assim como a deficiência é só uma das características que define um sujeito, podem ter muitas outras características e pontos de interesse: cultura, lazer, gastronomia, moda, e por aí vai.. 

De acordo com a consultoria Accenture, a comunidade com deficiência pode ser considerada a terceira potência econômica do planeta, com potencial para movimentar 8 trilhões de dólares por ano.

E vale lembrar que quando a gente pensa em uma situação de compra, não estamos falando só dos consumidores diretos, mas dos indiretos também, e a pessoa com deficiência também pode ter amigos, familiares, colegas de trabalho, contatinhos, enfim, toda uma galera que pode aceitar ou declinar uma decisão na hora da compra. 

[Rafael Duarte]

A gente fez uma pesquisa aqui na Sondery que inclusive está disponível para download, ela chama “Por que as pessoas cegas não compram no seu e-commerce”, e a gente descobriu que 71% dos entrevistados, pessoas com deficiência, nunca fizeram compras online. E entre os principais motivos que eles apontaram, 98% disseram que tinham ouvido relatos ruins de outras pessoas sobre as lojas e por isso nunca fizeram compras, 95% falaram sobre a exposição de dados financeiros e pessoais durante a compra e 88% falaram da falta de acessibilidade. E agora a gente vai ouvir o relato da Karyn, que ilustra bem esse cenário. 

[Karyn Krauthein]

Olá, meu nome é Karyn Krauthein e eu tenho baixa visão em ambas as vistas. 

Todas as vezes que eu precisei fazer algum tipo de compra online eu sempre fiquei muito receosa, porque além de você ter que consultar alguns dados que às vezes mesmo ampliando a tela há a necessidade de ficar consultando os tamanhos, se for uma roupa ou um sapato, tem que fazer medições e tudo mais, tem a questão de preencher campos e eu sempre fiquei com muito medo de fazer isso de maneira errado e ou mandar para um lugar que não seja minha casa, um endereço errado, ou não pagar de forma correta se for alguma coisa em relação a parcelas e tudo mais. Então eu sempre evito fazer compras online o máximo que eu posso por causa disso, porque eu sempre tenho medo que eu acabe preenchendo alguma coisa de maneira que dê algum problema e isso acabe prejudicando a compra e eu tenha que trocar. E enfim, acaba dando alguma dor de cabeça no fim das contas.

[Rafael Duarte]

A Karyn coloca algumas das preocupações dela sobre “e se der errado a compra”, “e se eu mandar pro lugar errado”… então são questões bastante importantes e bastante preocupantes de fato. E pra comentar sobre esse assunto dos direitos legais das pessoas com deficiência relacionados à loja online ou promoções como a Black Friday, a gente chamou o Leonardo Spinola, que é consultor de acessibilidade na Sondery.

[Leonardo Spinola]

Quando o assunto é acessibilidade e Black Friday, o direito dá dois pontos muito importante a se entender. O primeiro e o mais específico deles é a Lei Brasileira de Inclusão, que em seu artigo 63 diz que todo site no Brasil precisa respeitar as disposições internacionais de acessibilidade.

O segundo, que pode parecer que não tem muito a ver com acessibilidade, é a Lei Geral de Proteção de Dados. O que isso tem a ver com acessibilidade? A LGPD trata de dados pessoais, sensíveis… no caso de uma Black Friday da vida, cadastro de clientes, cadastro de cartões de crédito, meios de pagamento, endereços e etc. Como isso tem a ver com acessibilidade? Devolvendo a pergunta: como uma pessoa com deficiência enfrentando as barreiras de um site não-acessível vai ter certeza que os seus dados e o seu endereço, o seu cartão de crédito e coisas do tipo estão sendo tratadas de forma segura? Se já é difícil para usuários sem deficiência.

Estes são os principais dispositivos que tratam sobre acessibilidade quando o assunto é Black Friday.

[Rafael Duarte]

E saindo um pouco dessa questão conceitual do que é acessibilidade, quem é o consumidor com deficiência, os seus direitos, né? Vamos falar um pouco sobre a parte técnica dos sites. É possível fazer uma loja online acessível para o máximo de pessoas possíveis, com ou sem deficiência? Bom, a primeira questão é: existem diretrizes, existem normas, técnicas a serem seguidas? E para comentar sobre isso a gente chamou a Sandyara Peres, consultora de acessibilidade aqui na Sondery. 

[Sandyara Perez]

Temos sim! Temos as diretrizes de acessibilidade para o conteúdo na web, que é a WCAG, são diretrizes internacionais sobre acessibilidade em meios digitais, em meios online e meios da internet. Temos também o eMAG, Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, que ele é feito em cima, uma versão especializada da WCAG, com foco em portais do Governo Brasileiro; contudo ele é feito em cima da WCAG 2.0 sendo que a mesma já se encontra em sua versão 2.1. E também temos o selo de acessibilidade digital da Prefeitura de São Paulo, que posssui aí etapas para serem avaliadas em um site a fim de garantir esse selo. Então temos bastante material aí, inclusive em Português, que você pode consultar a fim de saber, ok, como criar um site, uma loja online e ela em si já nascer acessível. Então temos sim boas práticas e regras pra isso.  

[Rafael Duarte]

E a Luciana Oliveira, outra consultora de acessibilidade também da Sondery, preparou algumas dicas para falar sobre acessibilidade online, principalmente em lojas online. Qual os primeiros passos para tornar uma loja online acessível?

[Luciana Oliveira]

No caso, a melhor recomendação que eu daria, é atenção com a parte de Font End do seu site. Então verificar se a hierarquia de cabeçalhos está fluida, se está estruturada corretamente essa arquitetura, está feita de uma forma correta, com título, subtítulo, subtítulos terciários, se os botões estão rotulados corretamente com a ação que se pede para que ele processe aquele botão. E se pensar numa experiência mobile, se aquele aplicativo é nativo, então buscar todas as questões de recomendação de acessibilidade pra Apple, por exemplo, que ela oferece para developers, pra Android também é a mesma coisa, se no caso o aplicativo é híbrido, então tentar ver dentro daquela plataformar, daquele framework em que está sendo desenvolvido, o que que ele oferece em questões de acessibilidade.

Mas também tentar as primeiras questões que eu relatei há pouco para tentar oferecer essa experiência, porque basicamente os leitores de tela eles se norteiam principalmente pela semântica de HTML. Então se você tem uma semântica bem estruturada, bem feita, você vai oferecer de 30% a 35% de uma boa experiência pra um usuário que tenha deficiência visual. Pra quem tem baixa visão você teria que entrar também numa boa semântica de CSS, no caso fontes com tamanho legível, área de toque pra quem usa aplicativos no celular e o restante seria mais com o pessoal de UX pra montar esse fluxo e manter uma boa experiência também.   

[Rafael Duarte]

Bom, agora que a gente já sabe sobre essas diretrizes de acessibilidade do WCAG e a gente já ouviu também um papo mais técnico da Lu, vamos ouvir também o depoimento do Felipe Zaniboni. 

[Felipe Zaniboni]

Essa experiência de compra de Black Friday que foi negativa foi nas Lojas Americanas. Onde eu consigo iniciar o fluxo, fazendo a pesquisa do produto, ler a descrição, mas na hora de concluir o pagamento, onde eu vou colocar o número de parcelas, o elemento no código que eles usam não é semântico para o leitor de telas, é um botão que quando você aciona ele não dá as opções de parcelas. E fuçando nessa página, depois que você aciona o botão, o leitor de telas acaba encontrando esse modal que abriu depois do rodapé, porque ele deve estar no código nossa ordem, mas no CSS no centro da tela. Então quando você acha ele ainda, é só a janela de diálogo. Então tem que usar um OCR pra ler essa janela, achar a opção que você quer, copiar ela como texto, sair do OCR, dar um buscar, colar a opção que você quer e apertar Enter duas vezes. Só pra escolher o número de parcelas e concluir a compra. Então poucos usuários com deficiência conseguiriam chegar nesse nível e fuçar e concluir a compra. 

[Rafael Duarte]

Pois é, né gente… vocês acham que qualquer pessoa, com ou sem deficiência, deveria passar por essa experiência de praticamente “hackear” um site só para conseguir finalizar uma compra numa loja online? Acho que não, né? Bom, mas quem tem loja online hoje e ainda não é acessível, a gente passa mais uma pergunta pra Sandy, que é: dá pra transformar uma loja que não é acessível em acessível, ou é preciso refazer tudo do zero?

[Sandyara Perez]

Não vou dizer que é impossível consertar, mas que é mais trabalhoso do que se eu tivesse pensando em acessibilidade desde o início, é. Vamos supor que eu acabei de lançar um site da minha loja online de eletrônicos e ele está completamente inacessível. Isto é, vamos supor que ele não responde bem com leitor de tela, as imagens não estão bem descritas, as páginas não possuem um bom contraste e essas cores são a partir da minha identidade visual… então eu vou ter que ter o trabalho de refazer o design, testar com o leitor de tela, talves mudar o conteúdo, as palavras que eu estou utilizando em minha comunicação. Pode ser que aconteça que, dependendo do ramo que eu estou atuando, eu passe por alguma auditoria e isso gere alguma penalidade, alguma multa, e eu já vou ter tido esse prejuízo.

Isso tudo seria sanado se eu tivesse pensado em acessibilidade desde o início. Impossível não é. Mas que é muito mais trabalhoso e eu terei mais prejuízos, com certeza.

[Rafael Duarte]

A gente acredita, aqui na Sondery, que todos os sites, incluindo as lojas online, claro, precisam ser acessíveis. A gente está falando da internet, né, que é esse grande mundo virtual sem barreiras onde todas as pessoas deveriam conseguir acessar todos os conhecimentos do mundo, né? Então é muito contraditório que na hora de construir os sites e as lojas online as pessoas criem essas barreiras, que acabam excluindo parte da população, que acabam impossibilitando que as pessoas com deficiência consigam acessar esses sites, consigam finalizar as compras nas lojas online. E tudo isso porque essas pessoas com deficiência não foram consideradas consumidoras, né? Lá atrás não foram consideradas clientes, foram ignoradas como clientes, como pessoas com poder de compra, com poder de decisão, com vontades, como a Ana disse. 

E a gente espera que esse primeiro Sonderycast tenha trazido uma luz sobre esse assunto, sobre a importância de investir em acessibilidade em sites e lojas online. E que apesar da gente ter usado a Black Friday como contexto para falar desse assunto, a gente sabe que compras online são feitas todos os dias, né? E que também não vão faltar datas comemorativas de compras, como a Black Friday agora, Cyber Monday, Natal… o importante é que esse investimento em acessibilidade seja feito, que comece a ser feito, para que o quanto antes as pessoas com deficiência tenham acesso ao seu site, que consigam fazer as compras de forma autonoma e independente.

E chegamos ao final deste primeiro Sonderycast, esperamos que vocês tenham gostado. A gente está preparando novos episódios sobre acessibilidade, acessibilidade digital, inclusão, diversidade… espero que vocês acompanhem a gente e até a próxima.

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A acessibilidade e o jeito errado de descascar banana https://sondery.com.br/a-acessibilidade-e-o-jeito-errado-de-descascar-banana/ Wed, 27 Oct 2021 19:00:20 +0000 https://sondery.com.br/?p=2198 Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias […]

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Imagem de um chimpanzé apontando para um quadro negro verde onde está desenhada uma banana descascada pela metade em giz amarelo.

Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias direto na mão – coisa que ninguém faz, pois é óbvio que queremos encher a boca do doce, né?

Infelizmente, isso não foi tudo. A descarada da minha amiga me pediu para prestar atenção em um item da lista em particular, e acrescentou: “você come banana do jeito errado”. Neste ponto preciso explicar: banana é a minha fruta favorita. Eu como pura, amassada com aveia, cozida, frita, grelhada, banana passa, em forma de doce, com sorvete, empanada… eu adoro banana. Não era possível que em mais de três décadas de vida eu estivesse comendo banana do jeito errado esse tempo todo.

Só para explicar para quem nunca viu o famigerado (e afrontoso) post das coisas erradas, ele fala que o certo é descascar a banana pela ponta da fruta, e não por aquele talo que a conecta na penca. Essa tal maneira correta seria baseada na observação de como os macacos abrem a banana.

E daí eu me peguei pensando em acessibilidade. Não em recursos de acessibilidade para abrir uma banana e nem em uma tecnologia assistiva que auxiliasse no descascamento da fruta. Nada disso. Fiquei pensando em como pode ser chato alguém vir nos dizer que estamos fazendo de maneira errada algo que fizemos durante toda a nossa vida. E o pior, se essa pessoa, como acontece muitas vezes, não tivesse conhecimento de verdade de acessibilidade e inclusão, não tivesse contato com pessoas com deficiência que comprovassem as hipóteses dela e tudo mais, e estivesse falando algo que não seja tão verdade só porque ela leu em uma lista na internet. Como você ficaria?

Porém, muitas vezes, ao contrário da banana, nós precisamos abrir a cabeça e aprender, como é o caso da acessibilidade.

O cliente e a consultoria

Trazendo esse pensamento para o dia a dia de uma consultoria de acessibilidade, a gente geralmente vai para as reuniões com nossos clientes para mostrar o que eles estão fazendo de errado. Isso é basicamente um terço do nosso trabalho. Os outros dois são propor soluções e implementá-las. E vou dizer uma coisa: nessas horas, a gente precisa ser muito bom no que faz, muito bom mesmo. Sabe por quê?

Imagina se eu falo para o cliente que ele, um publicitário com mais de vinte anos de carreira, está comendo banana do jeito errado! Você acha que esse cara iria dar alguma moral para o que eu estou falando ou acharia que a nossa consultoria não traz nenhuma informação útil de verdade (exatamente como eu pensei do da lista das 27 coisas)?

Se você não entendeu nada, eu explico: ao contrário da banana, de fato existe o jeito certo de fazer acessibilidade. Existem regras, normas, diretrizes a serem seguidas para garantir a efetividade da acessibilidade. É preciso envolver profissionais com deficiência no processo, para que eles ajudem a pensar nas soluções que melhor lhes sirvam, averiguem todo o trabalho realizado, façam todos os testes necessários. Precisamos eliminar as barreiras de todas as etapas do projeto, sejam físicas, digitais ou atitudinais… um monte de coisas, né?

E o que acontece quando a gente fala com toda a propriedade e conhecimento na hora de apontar o erro?

Khaby Lame e o jeito óbvio de fazer as coisas

Pra gente, a acessibilidade é o único jeito. É impensável que ainda hoje existam estabelecimentos onde um cadeirante não consiga entrar, sites em que um cego não possa navegar com leitor de tela, cinemas onde um surdo não consegue assistir a um filme. As pessoas com deficiência existem, elas estão entre nós, elas estudam, trabalham, lavam a louça, assistem televisão, tomam cerveja no final de semana. Então por que continuar excluindo essas pessoas? Como podemos privá-las do direito de ir e vir, do direito fundamental à informação? De fazer uma compra na internet? De pegar um táxi… é inconcebível, não acha?

Recentemente Khaby Lame ficou famoso na internet fazendo vídeos onde mostrava o jeito óbvio de fazer coisas simples que as pessoas estavam complicando. Você já deve ter visto pelo menos um vídeo dele. Há um em que um homem forte pega uma maçã e a torce com tanta força com as duas mãos que ela se parte ao meio, ao que Khaby mostra que cortar a maçã ao meio com uma faca é muito mais prático, rápido e requer menos esforço.


 

É assim que a gente se sente muitas vezes em relação à acessibilidade. Vou utilizar como exemplo a rampa, porque todo mundo sabe que, a grosso modo, a rampa serve para garantir o acesso de cadeirantes aos lugares, certo? Ok. Agora imagine um restaurante onde logo na entrada existe um par de degraus. Tudo o que me vem à cabeça é o Khaby apontando com as mãos para os degraus e balançando negativamente a cabeça e depois apontando para uma rampa e comprimindo os lábios, mostrando a obviedade da questão: todo mundo poderia entrar no restaurante se ali tivesse uma rampa ou, no melhor dos casos, se o restaurante simplesmente estivesse no mesmo nível da calçada. 

Um exemplo é a WCAG, que explicado nas palavras deles mesmos são “diretrizes e recomendações organizadas e mantidas pelo W3C que fundamentam a construção de conteúdos digitais com qualidade e acessíveis a qualquer pessoa independentemente de sua deficiência e/ou habilidade”. Ou seja, se você quer fazer um site, um aplicativo, uma rede social, vai encontrar lá um material super simples e didático te mostrando como fazer isso de forma acessível, programando com um código limpo e bem feito. E mesmo que exista todo esse material aberto e gratuito na internet, muitos programadores ainda recorrem a difíceis gambiarras no código, criando barreiras e deixando o site inacessível. E novamente o Khaby entra em cena apontando com as mãos para o WCAG! Esse é o jeito certo, pessoal! Ou, pelo menos, o jeito mais certo conhecido até agora.

Moral da história

Sempre que o autor de um texto precisa explicar a moral da história, é porque ele falhou em contá-la direito, né? Eu confesso que me embananei um pouco mesmo (perdão pelo trocadilho). A minha ideia era falar que não tem problema a gente errar, mesmo fazendo coisas que a gente domina. Porém, o mais importante é reconhecer nossos erros e mudar.

Mas é preciso se atualizar, o mundo mudou para melhor, precisamos preparar o terreno para tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade forçada que a falta de acessibilidade as colocou.

  1. Se você não faz de forma acessível, você está errado. A acessibilidade é o único jeito de incluir todas as pessoas. Ou você realmente quer continuar conscientemente excluindo uma parcela da população?
  2. Se for pra errar, erre na acessibilidade e não na falta dela. Como eu disse, a gente acredita que exista sim um jeito certo de fazer acessibilidade. Mas não se preocupe, pois existem muitos materiais na internet para te ajudar a dar os primeiros passos na acessibilidade no seu trabalho, na sua empresa, agência… estude estas diretrize e direcionamentos e dê o seu melhor; o que não pode é deixar de fazer.
  3. Se errar, não se preocupe se te apontarem seus erros (aprenda com isso). Nós utilizamos uma metodologia na Sondery em que os nossos clientes se envolvem no trabalho de forma a também aprenderem os processos e diretrizes da acessibilidade, garantindo que os seus trabalhos fiquem cada vez melhores.

 

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