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Vira e mexe vídeos de docentes apaixonados pelo que fazem viralizam nas redes sociais. Entre eles professores de educação física que adaptaram suas aulas para que seus alunos com alguma deficiência sejam incluídos nas atividades realizadas dentro da quadra. Sempre que um desses vídeos aparece na minha timeline penso nos meus anos escolares.
Quando a educação física passou a fazer parte da minha grade curricular nem os professores nem a escola sabiam – e não tinham interesse em saber – o que fazer comigo. A inclusão ficava por conta dos meus colegas de classe, que se esforçavam para que eu pudesse participar das aulas junto com eles. Eu me sentia de fato incluída e me divertia muito, mesmo quando a brincadeira terminava comigo caindo da cadeira de rodas (para desespero da minha mãe).
Porém, à medida que íamos crescendo, meus colegas passaram a não ter mais tanta paciência com a minha mobilidade reduzida e com meu tempo de fazer as atividades e a educação física passou a não ser mais tão divertida assim. Conversei com minha mãe e com o ortopedista e, juntos, chegamos a conclusão de que era o momento de pedir dispensa.
Nessa escola eu podia ficar na sala de aula enquanto eles estavam na quadra e aproveitava esse tempo para ler um livro ou adiantar a lição de casa (sim, eu era CDF). Mas na escola que eu fui estudar três anos depois não podia. Eu precisava estar dentro de quadra, mesmo que não fosse participar da aula e ficasse perto das arquibancadas. Não demorou muito para que minha cadeira de rodas virasse o cabideiro da turma.
Um tempo depois entrou um novo professor de educação física na escola. Após um período de observação, o professor Ricardo sentou perto de mim e perguntou se eu gostaria de aprender a apitar as partidas das modalidades (futebol, vôlei, basquete, handebol, etc) que ele estava ensinando para meus colegas. Eu disse que sim. E naquela aula mesmo começou meu aprendizado em arbitragem.
Em nenhum momento passou pela minha cabeça virar árbitra um dia. Acho que eu nem sabia naquela época que era uma profissão. O que me levou a responder sim foi única e exclusivamente a vontade que eu tinha de que aqueles cinquenta minutos passassem mais rápido. E o tempo não só voava, como eu voltei a me divertir e me sentir incluída. Isso para mim era tudo que importava.
Hoje, eu já não lembro as regras de todos os esportes, mas gosto muito de acompanhá-los pela TV, principalmente, o futebol (também por causa do meu pai) e o vôlei, quase sempre sozinha, prestando atenção em cada movimento dos atletas e dos juízes.
Olhando em retrospecto, muitos anos depois de ter concluído a escola, no que diz respeito à inclusão, infelizmente tive mais exemplos negativos do que positivos. Mas, por causa do professor Ricardo, eu acredito que para crianças com deficiência dessa e das próximas gerações o inverso pode ser possível e todo vez que um desses vídeos aparece na minha timeline eu desejo que a inclusão de alunos com alguma deficiência seja tão natural que não precise viralizar nas redes sociais por acontecer, que a inclusão não seja uma preocupação apenas dos professores de educação física, mas sim de todos os professores e que nenhuma criança deseje que as aulas terminem logo por se sentir excluída.
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O acesso à informação é um direito garantido pela Declaração dos Direitos Humanos. Isso significa, entre outras coisas, que todas as pessoas, incluindo as pessoas com deficiência, tenham acesso ao jornalismo. E, para isso acontecer, ele deve ser acessível e inclusivo.
O jornalismo é fundamental para o desenvolvimento do senso crítico de uma sociedade. Porém, precisamos estar atentos para que esse senso crítico não seja construído em bases preconceituosas. Uma dessas bases é o capacitismo.
Capacitismo é todo e qualquer preconceito e/ou discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência.
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante os direitos das pessoas com deficiência no Brasil e pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além da punição, é preciso que haja algumas mudanças na sociedade. E os profissionais da imprensa têm papel crucial nessa transformação.
A primeira diz respeito ao vocabulário que é utilizado.
Ainda é muito comum que termos ultrapassados sejam usados para se referir a uma pessoa com deficiência. Eles são ultrapassados porque não levam em conta que antes de qualquer deficiência vem a pessoa.
Alguns deles são:
Esse termo é errado porque a deficiência de uma pessoa é apenas uma das muitas características que ela possui; faz parte dela, mas não define quem ela é.
Esses são termos errados porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa, como se fosse um objeto que pode ser deixado em uma gaveta do armário.
Esse termo é errado por dois motivos: primeiro porque o “P” de PcD já é de “pessoa” e segundo porque uma pessoa não deve ser reduzida a uma sigla.
Use sempre “pessoa com deficiência”, assim mesmo, por extenso.
No grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos para incentivar profissionais da área da comunicação a utilizarem expressões adequadas em seus conteúdo externos e em conversas e reuniões internas, existem outros termos e expressões que não devem ser usados e a melhor forma de substituí-los. Ele pode ser acessado a qualquer momento no Blog da Sondery.
Vale ressaltar que cada comunidade (surdos, cegos, etc), e até cada indivíduo, tem sua preferência. Então, se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.
Outra contribuição importante que a imprensa deve dar para a luta das pessoas com deficiência é deixar de usar a palavra “deficiência” como sinônimo de “falta” ou “falha” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, deficiência de caráter deficiência no ataque ou na defesa, etc) e antônimo de eficiência nas pautas em geral, pois quando se relaciona algo ruim com deficiência, está reafirmando, mesmo que sem a intenção, que ter uma deficiência também é algo ruim. E isso não é verdade. Muito menos tem relação com a eficiência de uma pessoa ou de um time. O oposto de eficiência é ineficiência.
Além do uso de nomenclaturas corretas, é necessário que o modo como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência seja modificado.
Cada pessoa com deficiência é única, tem sua personalidade, hobbies, trabalhos, convicções e sonhos, assim como todo mundo. Porém, ainda existe uma crença de que todas são exatamente iguais. Essa ideia não só reforça o modelo médico da deficiência, que enxerga a deficiência como uma doença que precisa ser curada, perpetuando a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais, que não são capazes de fazer suas próprias escolhas e o entendimento de que não há necessidade de customizar produtos de tecnologia assistiva (a gente conversa sobre a importância da personalização desses acessórios aqui) e de que elas só conversam sobre temas ligados ao universo da pessoa com deficiência.
Essa, inclusive, é uma das principais reclamações das pessoas com deficiência quando o assunto é imprensa: elas são chamadas apenas para participar de matérias e entrevistas relacionadas à inclusão e acessibilidade, principalmente em setembro, mês em que é celebrado o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência (21/09) e muitas das conquistas da comunidade surda, como o Dia Internacional da Língua de Sinais (23/09) e Dia Nacional do Surdo (26/09).
Calendário de acessibilidade e inclusão para 2024
Pensando nisso, com o objetivo de mostrar para a imprensa que pessoas com deficiência não só podem conversar sobre qualquer tema como têm muito para contar, criamos o “Mudando de Assunto“, um programa de entrevistas onde a Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, conversa com pessoas com deficiência sobre qualquer assunto que não seja acessibilidade e inclusão.
A Ana já entrevistou Giovanni Venturini, ator com nanismo sobre seus filmes e novelas, Leo Castilho, arte-educador surdo sobre museus e poesia, Rogério Ratão, escultor cego sobre exposições e sua vivência cultural como artista em Nova York, entre outros.
Você pode conferir todas as entrevistas do Mudando de Assunto no canal do YouTube da Sondery.
Vamos supor que você está trabalhando em uma pauta sobre o Dia dos Namorados, por exemplo. Por que não aproveitar a ocasião e entrevistar um casal onde um ou ambos têm alguma deficiência para saber como vai ser a comemoração deles?
Em 2022 a Sondery realizou a consultoria para um comercial da campanha de Dia dos Namorados da Lacta, feito pela Agência DAVID, baseado na história real de um casal surdo-ouvinte.
No filme um homem ouvinte está em uma festa onde a maioria das pessoas conversa em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Ele se interessa por uma das convidadas e pergunta para a anfitriã da festa como faz para conversar com essa convidada surda. Sua amiga ensina os sinais de “Oi, vamos conversar um pouquinho? “ e ele vai puxar papo com a moça.
Assista o comercial aqui:
Percebeu como o foco do comercial é mostrar o nascimento de uma história de amor entre duas pessoas e não causar emoção pela deficiência auditiva da convidada ou mostrar a Libras de uma forma didática?
Mesmo sendo um vídeo de apenas trinta segundos e a maior parte dos ouvintes que vão assisti-lo não conseguir se comunicar usando a Língua Brasileira de Sinais, o fato dela estar presente a sociedade vai pensando nela com mais naturalidade, aumentando a procura e produção de conteúdos cada vez mais acessíveis (e quem sabe até não desperta o interesse por aprender a língua).
Às vezes, por falta de conhecimento e experiência, episódios como o da jornalista que estendeu a mão para cumprimentar uma pessoa cega podem acontecer. Esse tipo de situação não só é constrangedora e vira piada, como fortalece o capacitismo.
Portanto, todo(a) jornalista deve saber como interagir com as pessoas com deficiência tanto para não cometer gafes e fortalecer preconceitos, como para deixar que a entrevista seja o mais natural possível.
Separei 7 dicas para te ajudar:
Não tenha vergonha de perguntar que tipo de acessibilidade a pessoa precisa e garanta que a locação a tenha. Nada de sugerir que a pessoa com mobilidade reduzida seja carregada no colo escada a cima, viu?
Pessoas com deficiência são como qualquer outra pessoa. Não há necessidade de entrar em desespero ao encontrar um cadeirante, por exemplo.
Antes de sair ajudando, pergunte para a pessoa se ela precisa de ajuda e como você pode ajudar. Não é porque uma pessoa tem deficiência que ela necessariamente precisa (ou quer) ser ajudada o tempo todo.
Não olhe para uma pessoa com deficiência como alguém digno de pena e compaixão.
O mesmo vale para o olhar de exemplo de superação. Pessoas com deficiência não existem para te inspirar a fazer nada.
Não fale com um adulto com deficiência como falaria com uma criança com ou sem deficiência. Nada de falar no diminutivo, hein?
Faça a sua descrição e as das coisas mais importantes do ambiente em que estão para uma pessoa cega ou com baixa visão.
Fale sempre olhando para quem vai responder a pergunta, assim como faz com um(a) entrevistado(a) sem deficiência. Não é porque uma pessoa tem deficiência e está acompanhada que ela precisa que falem por ela.
No caso de pessoas com deficiência auditiva com intérprete de Libras, faça a pergunta olhando para a pessoa entrevistada e escute a resposta olhando para o intérprete.
Nas redações existem profissionais especializados em diferentes áreas para que uma pauta seja bem executada (redatores, fotógrafos, revisores, etc), mas entre eles não encontramos um especialista em audiodescrição. Por esse motivo raramente nos deparamos com matérias ou entrevistas que tenham imagens descritas.
A audiodescrição é um recurso de acessibilidade para transformar imagens em palavras também conhecido como “texto alternativo”. Esse recurso permite que pessoas com deficiência visual ou intelectual tenham acesso à imagem.
Para garantir que as diretrizes da audiodescrição estejam sendo cumpridas, como evitar excesso de informação, o ideal é ter dois profissionais da área na equipe: um(a) audiodescritor(a) e um(a) revisor(a) em audiodescrição.
No texto O Papel do Consultor em Audiodescrição Edgar Jacques, consultor de acessibilidade especialista em audiovisual, reflete sobre a importância da consultoria de audiodescrição e porque o revisor precisa ser uma pessoa cega.
Além da acessibilidade, a descrição de imagens é importante para melhorar o SEO (Search Engine Optimization – Otimização de Mecanismos de Busca) para imagens.
Ao fazer SEO nas imagens o Google é informado sobre o conteúdo de cada uma, aumentando as chances de rankear uma delas nas buscas do Google Imagens. Esse ranqueamento atrai tráfego orgânico e qualificado.
O serviço de audiodescrição pode ser contratado em uma consultoria de acessibilidade como a da Sondery.
Não são apenas imagens que precisam estar acessíveis na internet. Todo conteúdo digital deve ser acessível para todas as pessoas. Para isso acontecer da forma correta surgiu a WCAG.
A WCAG (Web Content Accessibility Guidelines – Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web) é um conjunto de diretrizes e recomendações de acessibilidade para web desenvolvido pelo consórcio W3C – World Wide Web, através do WAI (Iniciativa de Acessibilidade na Web), em colaboração com pessoas e organizações em todo o mundo em 1999 e em frequente atualização.
Todo profissional que trabalha com criação de conteúdo digital para sites, blogs, portais e redes sociais deve conhecer pelo menos o básico de WCAG para que todo o conteúdo produzido seja acessível desde a concepção possa ser encontrado e consumido de fato por todas as pessoas.
O documento completo pode ser encontrado em português de forma gratuita e acessível na internet.
Considerações Finais
Como uma pessoa com deficiência que escolheu se formar em jornalismo e que escutou inúmeras vezes durante a graduação que pautas com protagonismo da pessoa com deficiência não teriam interesse ou fontes suficientes, sei que não é um caminho simples.
Mas agora que você, jornalista, conhece mais sobre o universo da pessoa com deficiência e sabe do papel fundamental que tem na construção de uma sociedade anti-capacitista, espero que além de passar a se enxergar como um(a) aliado(a) na luta pela representatividade respeitosa e verdadeira das pessoas com deficiência na imprensa e que contribui para a quebra de preconceitos e barreiras atitudinais que atrapalham a luta pelos direitos das pessoas com deficiência, leve essa luta para as reuniões de pauta do veículo em que trabalha, seja ele online ou offline, e estimule seus colegas a também serem aliados(as).
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Um dia desses estava esperando o elevador ao lado de uma mulher com um menino de uns cinco anos. Enquanto esperávamos escutei ele dizer para a mãe que tinha achado meu “carrinho roxo” legal. Quando entrei na conversa ele ficou tímido e ela explicou que roxo é a cor preferida dele.
Essa não foi a primeira vez que uma criança ou um adulto fez um comentário do tipo ou mesmo me parou para elogiar minha cadeira de rodas. Cada vez que uma interação desse tipo acontece passo o dia reflexiva. Por que o fato de ser uma cadeira de rodas colorida chama tanto a atenção das pessoas?
Eu sou cadeirante desde 1996. Não sei dizer quantas cadeiras de rodas tive enquanto crescia, mas todas elas ou eram da minha cor preferida do momento ou combinavam com a fase da vida que estava passando. Assim como consumidores em geral fazem com roupas, acessórios, armações de óculos e carros: escolhem os que refletem seus gostos e personalidades.
Deveria ser natural para pessoas sem deficiência cruzar com pessoas utilizando acessórios de tecnologia assistiva que fossem a cara delas. Deveria ser natural que pessoas com deficiência utilizassem acessórios de tecnologia assistiva que tivessem tudo a ver com elas. Mas não é.
Apesar de hoje ser possível ter cadeiras de rodas cada vez mais coloridas e até de personagens de filmes e desenhos infantis, a possibilidade de customizar ou personalizar não se aplica a outros acessórios de tecnologia assistiva, como bengalas, muletas e andadores.
“Eu trabalho com moda e como uso a bengala todo dia. Decidi customizar ela com meu estilo pra fazer parte dos meus looks e pintar de rosa. Infelizmente a tinta ficou rosa escuro, parecendo vermelho. Mas percebi que as pessoas não se davam conta que era uma bengala, demoravam mais para perceber ela depois que pintei, talvez seja pela cor que deixou mais escura e por sair do padrão.”
(Giovanna Masserra, estudante de moda e mulher com deficiência)
O modelo médico da deficiência é um conceito que surgiu no início do século XX, quando milhares de soldados e civis passaram a conviver com algum tipo de deficiência durante a primeira guerra mundial.
Nele, a deficiência, que antes era encarada como um castigo divino, passou a ser vista do ponto de vista científico. Ou seja, vista como uma “doença” que impacta diretamente na qualidade de vida e na capacidade de produção de quem a possui e impede seu convívio em sociedade, portanto, que necessita de cura.
O principal objetivo desse modelo era promover a reabilitação desses indivíduos, torná-los “normais” de novo.
O modelo médico da deficiência está ultrapassado porque perpetua a ideia de que pessoas com e sem deficiência não podem se misturar, que todas as pessoas com deficiência são iguais e não são capazes de fazer suas próprias escolhas.
“Eu escolho minhas roupas, calçados, cor de batom e tudo mais, por que não escolheria a cor da bengala? E digo mais, não gosto do tom de verde que escolheram pras pessoas com baixa visão.”
(Ana Gouvêa, designer de produto, especialista em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual)
Recentemente, Ana Clara Schneider, fundadora e diretora executiva da Sondery, passou algumas semanas em Portland, no Oregon, e ficou impressionada não só com o número de pessoas com alguma deficiência circulando na rua, mas principalmente com a quantidade de jovens usando algum produto de tecnologia assistiva.
“O que mais me chamou a atenção foi mais no sentido de ver jovens na rua utilizando acessórios de tecnologia assistiva de diferentes tipos.”
Para Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência, a possibilidade de personalizar um acessório de tecnologia assistiva é uma forma de mostrar para a sociedade que quem precisa usar algum deles não está no fim da vida.
“Da mesma forma que a gente tatua o corpo, a gente também pode customizar nossa cadeira de rodas, nossa bengala, pra que tenha uma identificação com a gente. Por muitas vezes a sociedade viu esses equipamentos como algo de uma pessoa mais velha, que está no fim da vida e essa é uma forma de ressignificar, de mostrar que faz parte de quem nós somos.”
(Maria Paula, fotógrafa, modelo e mulher com deficiência)
Ana aproveitou a oportunidade para trazer para Ana Gouvêa e Luciana Oliveira a encomenda das tão sonhadas bengalas coloridas.
Para a consultora em acessibilidade, especialista em experiência do usuário com foco em acessibilidade digital e mulher com deficiência visual, Luciana Oliveira, a possibilidade de customizar ou não uma bengala determina o peso que ela terá para a sociedade e para a própria pessoa que vai usá-la.
“Uma bengala nunca vai ser um acessório de moda, mas poder escolher a cor, fazer uma combinação com a roupa que você está usando, dá uma conotação mais leve e menos pesada pra ela.”
Nos EUA também é comum que pais incorporem acessórios de tecnologia assistiva nas fantasias de Halloween de seus filhos, transformando cadeira de rodas e andadores em carruagens, naves espaciais, navios pirata, entre outros.
Falando em fantasia, em 2020 a Disney lançou para o público norte-americano uma linha de fantasias adaptadas para crianças com deficiência.
Espero que essa ideia se popularize logo, que lojas e marcas passem a vender acessórios de tecnologia assistiva cada vez mais bonitos para que pessoas com deficiência, que querem – e merecem – comprar esses produtos, se sintam bem com seus acessórios, assim como todo mundo.
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Você sabia que pessoas com deficiência visual acessam a internet? Assim como videntes (pessoas que enxergam), elas fazem buscas em sites, compram em lojas virtuais, mandam mensagens pelo WhatsApp e são ativas nas redes sociais. Quer saber como isso é possível? Vem com a gente.
Leitor de tela é um software que lê em voz alta e robótica tudo o que está na tela de computadores, tablets e smartphones. Esse software transforma os códigos de sites e imagens em áudio para tornar a navegação de pessoas com alguma deficiência visual na internet possível.
Hoje em dia existem opções de leitores de tela gratuitas e pagas. Os mais usados são: NVDA, JAWS for Windows, Virtual Vision, DOSVOX, Orca (para Linux) e VoiceOver (para Mac). No caso dos smartphones, os que possuem sistema IOS já contam com o leitor de tela VoiceOver de forma nativa, os que possuem sistema Android precisam habilitar o recurso manualmente.
O primeiro leitor de tela começou a ser desenvolvido em 1984 pelo cientista da computação Dr. Jim Thatcher e pelo matemático e pessoa com deficiência visual Jesse Wright, funcionários da IBM, com o objetivo de facilitar o trabalho de informática e com programação de sistemas nos computadores anteriores aos computadores pessoais (PCs), tornando-os mais independentes já que não iriam mais precisar de uma pessoa que enxergasse para dizer se os códigos estavam sendo programados de forma correta ou não. Em 1986 o IBM Screen Reader, um dos primeiros leitores de tela para DOS, foi anunciado. Algum tempo depois foi desenvolvido o IBM Screen Reader/2, dessa vez para PC.
Já vamos tirar o elefante da sala logo de cara: Não é porque esses softwares existem que seu site ou loja virtual não precisa ser acessível.
O leitor de tela é um recurso que depende da acessibilidade dos sites, ou seja, se não forem programados seguindo as boas práticas e diretrizes de acessibilidade digital não será capaz de ler o que está na tela de forma correta e eficiente.
Por exemplo: Uma imagem sem descrição ao invés de ser detalhada será lida apenas como “imagem”.
O mesmo acontece com as redes sociais. Muitas delas já possuem o recurso do texto alternativo, mas ainda não são todas as pessoas que conhecem a funcionalidade. Ou conhecem, mas não sabem como utilizá-la e acabam fazendo uma descrição de imagem de uma forma que mais atrapalha do que ajuda.
Essa barreira impacta diretamente na decisão de seguir uma marca ou finalizar uma compra não só da pessoa com deficiência visual quanto a de pessoas ao seu redor, com ou sem deficiência, que ficaram sabendo da experiência negativa.
É importante lembrar que quando você for dizer que o conteúdo tem texto alternativo o correto é usar “pra todos verem” e não “pra cego ver”, pois cegueira não é a única deficiência visual existente.
Você já reparou que uma das opções de áudio de plataformas como Netflix e Prime Video é com audiodescrição?
Se você já ouviu, por engano, por curiosidade ou por precisar mesmo do recurso, sabe o que é. Mas se você não sabe, não tem problema. Nós explicamos: A Audiodescrição é um recurso de acessibilidade que traduz em áudio o que está acontecendo na cena.
Infelizmente são raros os vídeos que encontramos na internet que foram gravados com este recurso, pois as plataformas de vídeo ainda não disponibilizam diretamente a opção de múltiplos canais de áudio, como na Netflix (ou na televisão aberta, com a tecla SAP), para que tenhamos um segundo canal de áudio.
A internet precisa ser acessível para que o direito fundamental de acesso para todas as pessoas, como sugere a ONU seja garantido. Segundo a Organização das Nações Unidas, cortar o acesso de uma pessoa à internet, por qualquer motivo que seja, é “uma violação do artigo 19, parágrafo 3 º, do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos”.
Agora que todo mundo sabe que pessoas com deficiência visual acessam sim a internet e como fazem isso, esperamos que mais pessoas, agências e empresas criem conteúdos, páginas e lojas virtuais acessíveis, para garantir o acesso a todo mundo, inclusive de pessoas com deficiência visual.
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Existem expressões e brincadeiras consideradas inofensivas que são usadas e feitas há tanto tempo que não se lembra como ou porquê surgiram. Mas muitas delas, ao invés de serem inofensivas de fato, apenas propagam e reforçam uma série de preconceitos, como o racismo, a lgbtquia+fobia e o capacitismo.
Capacitismo é toda forma de preconceito e discriminação contra pessoas com deficiência, subestimando a capacidade da pessoa com base na sua deficiência. Segundo Ivan Baron, influenciador, pessoa com deficiência e escritor do livro Guia Anti Capacitista, existem três tipos de capacitismo:
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), além de garantir os direitos das pessoas com deficiência no Brasil, pune pessoas e organizações que desrespeitam e/ou agridem física, mental ou emocionalmente pessoas com deficiência. Mas, além de punição, é preciso que haja mudança de pensamento e de vocabulário.
Pensando nisso, a Sondery criou O grande glossário da acessibilidade e inclusão – o que dizer e o que não dizer, conteúdo que costumamos compartilhar em nossas palestras e treinamentos, para incentivar mais empresas e agências a utilizarem expressões adequadas não só no seu conteúdo externo como também internamente, em conversas e reuniões.
| Não use estas palavras | Use estas palavras |
| Anão | Pessoa com Nanismo |
| Anjo, Aleijado, Aleijadinho | Pessoa com deficiência |
| Braço curto | Pessoa sem proatividade |
| Capenga | [depende do contexto] |
| Cadeira elétrica | Cadeira motorizada |
| Criança especial , excepcional | Criança com deficiência intelectual |
| Ceguinho | Pessoa com deficiência visual, cego ou baixa visão (caso você tenha essa informação) |
| Dar uma de joão sem braço | Pessoa sem proatividade |
| Dar uma mancada | [depende do contexto] |
| Defeituoso, deformado, doente, doentinho, doente mental | Pessoa com deficiência |
| Escola normal | Escola regular |
| Guerreiro (a) | [depende do contexto] |
| Incapacitado, Inválido, Inútil, Idiota | Pessoa com deficiência |
| Língua dos sinais, linguagem de sinais | Língua de Sinais ou Libras (sempre com L maiúsculo) |
| Maneta | Pessoa com deficiência física |
| Manco | Pessoa com deficiência física |
| Mongol ou mongolóide | Pessoa com síndrome de Down |
| Mudinho | Se estiver se referindo a uma pessoa surda, usar pessoa surda ou pessoa com deficiência auditiva. |
| Normal | Pessoa sem deficiência |
| Necessidades especiais | Pessoa com deficiência |
| Perneta | Pessoa com deficiência física |
| Pessoa normal | Pessoa sem deficiência |
| Portador de deficiência ou Portador de necessidades especiais | Pessoa com deficiência |
| Retardado mental | Pessoa com deficiência |
| Surdo-mudo | Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva |
“Portador de deficiência”, “Portador de necessidades especiais”: É errado porque ambos dão a entender que a deficiência é algo que se pode carregar ou não de acordo com a vontade da pessoa.
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência.
“Aleijado”, “Perneta”, “Manco”, “Maneta”: É errado porque reforça a ideia de que ter uma deficiência é um defeito ou uma coisa ruim .
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência física.
“Surdo-mudo”, “Mudinho”: É errado porque a surdez não causa nenhum prejuízo ao aparelho fonador. Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser oralizada sem problema algum. Existem, sim, pessoas com deficiências múltiplas – duas ou mais deficiências ao mesmo tempo -, mas não significa que uma é causa da outra.
O que usar para substituir: Surdo, pessoa surda, pessoa com deficiência auditiva.
“Mongol”, “Mongoloide”, “Retardado mental”: É errado porque o termo é usado para ofender pessoas chamando-as de “idiotas”, “babacas” e dá a entender que deficiência intelectual é sinônimo de falta de inteligência.
O que usar para substituir: Pessoa com deficiência, pessoa com deficiência intelectual.
É importante também que pessoas com deficiência parem de ser chamadas de “coitadas” porque elas não são e não querem ser vistas como infelizes ou vítimas de sofrimento, e que a palavra “deficiência” pare de ser usada como sinônimo de “falta” (deficiência de vitamina, deficiência de nutrientes, etc) e antônimo de eficiência.
Falta de vitaminas ou nutrientes não é algo bom para o organismo. Quando se relaciona algo ruim com deficiência, mesmo inconscientemente, está sendo reafirmado que ter uma deficiência também é ruim. E isso não é verdade. Muito menos o oposto de eficiência. O contrário de eficiência é ineficiência.
Além de mudar o seu jeito de pensar e falar, converse sobre o assunto e estimule as pessoas ao seu redor a mudarem também.
A gente sabe que desconstruir preconceitos disfarçados de “brincadeiras” é difícil. Não é do dia para a noite que a gente vai acabar com algo que está enraizado no inconsciente da sociedade. Mas mostrar para todos que estes termos são ofensivos e que continuar a usá-los só propaga o preconceito contra as pessoas com deficiência é o primeiro passo.
Se surgir uma situação em que você fique em dúvida de como se dirigir a uma pessoa com deficiência, ao invés de usar um termo capacitista chame-a pelo nome, que não tem erro.
Recomendações de Leitura
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Você conhece as datas importantes das causas das pessoas com deficiência? Dias escolhidos por lembrar e celebrar aniversários, questões históricas ou culturais e personalidades, e que representam luta por direitos, pelo combate ao preconceito e pela inclusão.
Elas são importantes para dar voz às pessoas com deficiência e trazer reflexão e debate para a sociedade.
Fizemos uma lista com datas que não podem ficar de fora do calendário da sua agência ou empresa.
É sempre bom lembrar que datas comemorativas são importantes, mas ações de conscientização e inclusão devem acontecer todos os dias, o ano inteiro.
O objetivo da data é conscientizar a população sobre a importância do braille como meio de comunicação para pessoas com deficiência visual. A data foi criada pela ONU em 2018 em homenagem ao aniversário do francês Louis Braille, que desenvolveu o Sistema Braille de leitura em 1825.
Criada em 2015 pelos deputados federais Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal e Walter Tostes com o objetivo de estabelecer conversas permanentes com a sociedade e com o Poder Executivo e garantir os direitos das pessoas com deficiência no país.
Criada em 2008 pela Organização Europeia de Doenças Raras (Eurordis), a data tem o objetivo de levar conhecimento para os governantes, profissionais da saúde e a população em geral e buscar apoio aos pacientes e incentivo às pesquisas para melhorar o tratamento dessas doenças. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 13.693/2018.
Data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de cuidar da audição.
A data tem o objetivo de celebrar a vida das pessoas com a síndrome e para garantir que elas tenham as mesmas liberdades e oportunidades. Ela faz referência ao cromossomo 21, que aparece em 3 em pessoas com Síndrome de Down, ao invés de um par. Ou seja, trissomia do cromossomo 21. É oficialmente reconhecida pela ONU desde 2012.
Estabelecida em 2007, a data tem o objetivo de levar informações sobre o autismo para a população para diminuir o preconceito e discriminação contra pessoas autistas.
No Brasil, além de conscientizar sobre a importância do braille, a data é uma homenagem ao aniversário de José Álvares de Azevedo, que trouxe o método para o país e idealizou a primeira escola para o ensino de pessoas com deficiência visual no Brasil, o Imperial Instituto de Meninos Cegos (atualmente Instituto Benjamin Constant).
Estabelecida em 2002, a data tem o objetivo de celebrar o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio de comunicação e de expressão legal dos surdos através da lei nº 10.436.
A data tem o objetivo de conscientizar profissionais da saúde e a população sobre a prevenção e a importância do diagnóstico precoce de doenças oculares.
Estabelecida em 2021 através da lei 14.233/2021, a data tem o objetivo de dar visibilidade ao tema, disseminar informações, promover debates, colocar o assunto na agenda pública e propor políticas.
Criada em 2012 após Joe Devon, desenvolvedor, e Jennison Asuncion, profissional de acessibilidade, se unirem para criar o primeiro “GAAD” (Global Accessibility Awareness Day), a data tem o objetivo de aumentar a conscientização da sociedade sobre a importância da acessibilidade e falar sobre a acessibilidade digital.
Criada pelo Movimento Antimanicomial, a data tem como objetivo combater o estigma e a exclusão de pessoas em sofrimento psíquico grave, em nome de pretensos tratamentos.
O objetivo do Movimento Antimanicomial é lembrar que, como qualquer cidadão, pessoas com transtornos mentais, têm o direito à liberdade e o de viver em sociedade, além do direito a receber cuidado e tratamento sem serem excluídas da sociedade.
O objetivo da data é conscientizar e alertar a população sobre a doença.
Criado pela própria comunidade de pessoas autistas, a data tem o objetivo de destacar o autismo como uma identidade, uma diferença e uma cultura, e não uma “doença” ou “transtorno”.
Instituída pela Lei nº 13.471/2017, a data tem o objetivo de informar e conscientizar a população sobre a doença.
O objetivo da data é aumentar a visibilidade e a conscientização sobre a inclusão das pessoas surdocegas. A data foi escolhida por ser o dia em que a escritora norte-americana Helen Keller, primeira pessoa surdocega a conquistar um bacharelado, nasceu.
Sancionada em 2015, a lei nº 13.146 tem o objetivo de garantir que toda pessoa com deficiência tenha acesso à saúde, educação, cultura, turismo e lazer, moradia, transporte, informação, participação na vida pública e política, reabilitação e tecnologia assistiva, previdência social, entre outros.
A data tem o objetivo de celebrar o(a) profissional que torna a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e ouvintes possível.
Instituída pela Lei nº 13.585/2.017, a data tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a necessidade de políticas públicas para promover a inclusão de pessoas com deficiência intelectual e múltipla que combatam o preconceito e a discriminação.
Data criada para celebrar a promulgação da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem o objetivo de assegurar o cumprimento dos direitos humanos para as pessoas com deficiência.
Data criada em 2006 pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) e oficializada pela lei nº 11.303 com o objetivo de dar visibilidade para a Esclerose Múltipla, para as pessoas que a possuem e os desafios enfrentados por elas no dia-a-dia.
Setembro Azul
Setembro é o mês escolhido para comemorar as conquistas da comunidade surda e conscientizar sobre a importância de construir uma sociedade cada vez mais inclusiva para os surdos.
O azul tem o objetivo de dar um significado diferente ao da Segunda Guerra Mundial para a cor – onde eram amarradas fitas azuis em pessoas com deficiência para diferenciá-las das demais – e mostrar orgulho da sua identidade, história, língua e cultura.
Idealizada pela Escola Gente e oficializada pela lei nº 13442 em 2017, a data tem o objetivo de garantir a autonomia e participação de pessoas com deficiência na vida cultural.
Instituída pela Lei nº 11.133/2005, a data tem o objetivo de conscientizar sobre a importância do desenvolvimento de meios de inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.
Além de homenagear, divulgar e apoiar o trabalho dos atletas paralímpicos, a data tem o objetivo de evidenciar as necessidades, reivindicações e lutas enfrentadas pelos atletas com deficiência.
Data oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017 como uma homenagem à fundação da Federação Mundial de Surdos em 1951.
A data tem o objetivo de promover o debate sobre os direitos e a luta pela inclusão das pessoas com deficiência auditiva na sociedade.
Além de lutar para garantir que crianças e adultos com Paralisia Cerebral tenham os mesmos direitos, acesso e oportunidades na sociedade, a data tem o objetivo de celebrar a vida das pessoas com Paralisia Cerebral e a diversidade.
O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a importância de promover ações que garantam a qualidade de vida e os direitos das pessoas com deficiência física.
A data tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da participação de pessoas com nanismo na sociedade e incentivar a construção de políticas públicas que assegurem sua autonomia.
Data instituída pela Portaria de Consolidação MS nº 1/2017 com o objetivo de educar, prevenir e conscientizar a população sobre a surdez.
Instituída pela Lei nº 13.085/2015 com o objetivo de realizar eventos sociais, culturais e educativos para difundir informações sobre a dislexia e promover a conscientização da sociedade e mostrar a importância do diagnóstico e tratamento precoces.
Instituído pela lei nº 11.506/2007 com o objetivo de acabar com o preconceito por meio da informação. O dia foi escolhido para homenagear a data de fundação da Associação Brasileira dos Ostomizados (Abraso).
Instituída pela ONU em 1992, a data tem como objetivo conscientizar a população sobre os direitos das pessoas com deficiência.
Data criada com o objetivo de conscientizar a população que a sociedade para a questão da acessibilidade como um direito de todos.
Data criada com o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade do respeito às crianças com deficiência.
Data criada para conscientizar a sociedade sobre a importância dos direitos humanos e celebrar a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU em 1948.
Regulamentada pela lei nº 12.073/2009 com o objetivo de conscientizar a população sobre os seus direitos, promover mudança de pensamento e construir uma sociedade mais justa e inclusiva para todos.
Instituída pelo presidente Jânio Quadros em 1961, a data tem o objetivo de diminuir o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência visual.
A data tem o objetivo de celebrar o(a) profissional que transforma imagens em palavras e colabora para que pessoas com deficiência visual entendam peças audiovisuais.
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Em 2009 estreou na TV Globo Viver a Vida, “novela das nove” que iria contar a história de Luciana Saldanha, modelo interpretada pela atriz Alinne Moraes, que sofre um acidente e fica tetraplégica. Apesar de não ter o costume de assistir à novelas fiquei curiosa para ver como a questão seria abordada e decidi acompanhar a trama.
Se eu assistisse à novela com os olhos e conhecimento que tenho hoje, talvez encontrasse mais erros do que acertos, entre eles o uso de cripface (escolha de atores e atrizes sem deficiência para interpretar personagens com deficiência), mas nós estamos em 2009. Então vamos vestir nossa capa de adolescente de 17 anos e sentar na frente da TV. Essa talvez tenha sido a primeira vez que eu pensei ser possível viver um “amor de novela” sendo mulher cadeirante, mas não é sobre isso que eu quero escrever hoje. Eu quero escrever sobre o que estava acontecendo fora das telinhas durante a exibição da telenovela.
Fora das telinhas eu via uma movimentação. As pessoas sem deficiência pareciam estar interessadas e dispostas a conversar sobre acessibilidade e inclusão, em entender como poderiam ajudar pessoas com deficiência e em mudar seus espaços para que todos pudessem frequentá-lo. Claro que ainda tinham pessoas que ainda nos parabenizavam por atravessar a rua ou por estarmos fazendo compras em um supermercado e paravam nas vagas reservadas “só por cinco minutinhos”, mas parecia que uma mudança de pensamento estava acontecendo. Será que dessa vez a mudança seria real? Será que dessa vez a mudança seria definitiva? Confesso que eu acreditei que sim.
O capítulo final foi ao ar nove meses depois e a movimentação foi interrompida quase instantaneamente. A próxima trama não teria um personagem com deficiência nem iria discutir temas ligados à inclusão e acessibilidade, então não demorou para o tema ser esquecido e banheiros e provadores voltarem a ser usados como depósito de coisas quebradas ou sem utilidade com a alegação de que não eram usados por ninguém. O famoso círculo aparentemente sem fim do “lugares não são acessíveis porque pessoas com deficiência não os frequentam e pessoas com deficiência não os frequentam porque não são acessíveis“.
Tentar colocar algum assunto ligado à pessoas com deficiência na roda de conversa era o mesmo que entrar na Torre de Babel e automaticamente começar a falar uma língua diferente dos demais, embora tecnicamente falássemos a mesma língua. O que tinha mudado? O que tinha dado errado?
Hoje, olhando a situação “de fora” e com um pouco de conhecimento, percebo que uma das muitas razões é a ausência de pessoas com deficiência nos comerciais de TV. Sim, você leu direito. As peças publicitárias que em apenas alguns minutos são capazes de colocar expressões no nosso vocabulário (na minha casa usamos “não é assim uma Brastemp” para descrever coisas ruins ou de pouca qualidade até hoje), de nos fazer desejar algum produto ou serviço, de fazer associações e, às vezes, até de refletir. Praticamente nenhuma delas tem pessoas com deficiência em seu elenco. Não se vê atores ou atrizes com alguma deficiência em comerciais de cerveja, em campanhas de dia dos namorados, muito menos como membros de “família comercial de margarina”. Por que isso acontece? Pode parecer, mas essa não é uma discussão recente.
Em 1989, Susan Scott-Parker, fundadora da Business Disability International, escreveu um artigo chamado “They aren’t in the brief” (Eles não estão no briefing), onde discorre sobre a presença de pessoas com deficiência em comerciais de TV. Nele a autora aponta para o fato de, já naquela época, a maior parte das propagandas com alguma pessoa com deficiência no elenco ser uma campanha de caridade. E quando não tinha nenhuma relação com caridade caia nos famigerados estereótipos.
Talvez muitos de nós tenhamos perdido o hábito de prestar atenção nas propagandas e de acompanhar fielmente novelas por tantos meses, mas com o advento da internet e das redes sociais, uma hora ou outra vamos nos deparar com uma cena que virou assunto de discussão ou se transformou em um meme. Ou seja, seremos impactados por elas.
Quanto maior for a incidência de pessoas com deficiência fazendo coisas comuns na TV, maior é a chance de tirar o tabu do que se refere à acessibilidade e inclusão e conversar sobre o assunto se torne tão natural quanto conversar sobre o último episódio da novela. Mas, por favor, que não seja para dizer que somos exemplo de superação. E a mudança de pensamento de fato acontecer.
Já que estamos falando de novela…
No momento em que escrevo esse texto a “trama das nove” é Travessia, que tem no elenco Tabata Contri, atriz e mulher cadeirante, interpretando a advogada Juliana. Dessa vez não estou acompanhando a novela, mas estou torcendo para que a mesma movimentação que eu vi fora das telinhas em 2009 esteja acontecendo. Porém, com uma diferença: que não seja uma movimentação com prazo de validade.
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Quando pensamos em pessoas com deficiência no mercado de trabalho é comum que se pense pelo ponto de vista das empresas com cem ou mais funcionários, que desde 1991 devem cumprir a Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91) e destinar parte de seus cargos para pessoas com algum tipo de deficiência. Mas, se voltarmos nossa atenção para as pessoas com deficiência por um instante, surgem perguntas como: O que elas valorizam em uma empresa quando buscam por uma vaga? O processo seletivo é uma preocupação para elas?
Em 2017, a Microsoft estava começando o processo de diversificação do seu time e, junto com a 99jobs, empresa responsável por organizar seu processo seletivo de estágio e trainee, procurou a Sondery para entender como poderia atrair e recrutar mais pessoas com deficiência para as suas vagas.
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Porém, antes de mergulharmos nessa missão precisávamos entender quem é o(a) profissional com deficiência, seu grau de escolaridade, os cursos que fez, experiência profissional, se está empregado(a) ou não e quais barreiras (além da falta de acessibilidade) que o(a) impede de se candidatar para processos seletivos como os que são realizados pela Microsoft.

Segundo dados de 2009 do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), 98% das crianças em idade escolar estão matriculadas em escolas. Dos 2% que não estão, 98% são crianças com alguma deficiência.
Apesar de existirem políticas públicas, como o Plano Viver Sem Limites, famílias, profissionais e até o próprio candidato as desconhecem ou não as procuram.
Outro ponto fundamental é o fato das famílias de pessoas com deficiência terem medo que o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) seja cortado ao arrumarem um emprego.

Na pesquisa realizada pela Sondery ficou evidente que as maiores preocupações dos profissionais com deficiência são as barreiras atitudinais. Essas preocupações refletem no que é valorizado em uma oportunidade de trabalho. Vagas condizentes com a formação, descrição do cargo e oportunidade de crescimento são alguns dos aspectos que são levados em conta.
(Todas as respostas podem ser lidas no e-book “As pessoas com deficiência e a busca pelo emprego”)
Vagas híbridas são aquelas que podem ser ocupadas por pessoas com ou sem deficiência. A reserva de vagas específicas para pessoas com deficiência favorece a segregação e limita o desenvolvimento desses profissionais.
Todo mundo que desempenha uma atividade que conhece ou tenha afinidade desenvolve um trabalho melhor e se sente mais valorizado. Só que, por incrível que pareça, isso ainda é muito raro na contratação de pessoas com deficiência.
Campanhas internas, palestras e dinâmicas ajudam a disseminar informações sobre o tema e derrubar certos mitos que possam surgir. Promova atividades que estimulem a integração das pessoas com deficiência. Não sabe o que apresentar? Uma consultoria como a Sondery pode te ajudar a preparar um conteúdo bacana.
Como vimos no estudo de caso, uma divulgação sem os recursos de acessibilidade não irá alcançar com eficiência as pessoas com deficiência. É importante escolher sites de recrutamento que seja acessível, descrever todas as imagens, fazer vídeos com intérprete de Libras e legendas.
Se necessário preencher algum formulário para candidatura, tome cuidado para que ele seja acessível, completamente compatível com softwares leitores de tela e que não fique muito extenso. A mesma coisa vale para os testes online.
Conheça as necessidades do candidato já no agendamento da entrevista. Se ele é cadeirante, o escritório da empresa precisa ser acessível para recebê-lo. Se for surdo, você terá que providenciar um intérprete de Libras para participar junto com ele. A falta desses recursos pode prejudicar a participação dele no processo.
Pessoas com deficiência são tão dedicadas e produtivas quanto qualquer outro profissional, mas também precisam se sentir motivadas. Dê oportunidades de crescimento e forneça os treinamentos adequados para chegar lá! Você vai ver os resultados!
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