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Quando falamos que a acessibilidade pode representar uma vantagem estratégica para uma marca ou empresa, muita gente não percebe o caráter fundamental desta afirmação. Muito por desconhecerem a verdadeira “estratégia”, que nada tem a ver com planos, planejamento, tático, ideias, projetos… Nada disso, estratégia é o âmago de um negócio, muito mais profundo e conceitual. É lá, na base de todo o racional de uma empresa, que deve estar a acessibilidade.
Ao definir a estratégia de um negócio, a pessoa geralmente vai precisar responder algumas perguntas norteadoras. É aqui que fica clara a necessidade da acessibilidade.
Quem é seu público alvo? Independente da resposta que você der, eu te garanto: há pessoas com deficiência dentro da sua segmentação. O único recorte possível de público sem pessoas com deficiência é “pessoas sem deficiência”. E, se você fizer essa escolha, estará excluindo consciente e propositadamente as pessoas com deficiência, o que espero que esteja claro que é algo erradíssimo a se fazer. As pessoas com deficiência representam 18% da população brasileira e estão em todas as esferas sociais e econômicas; são consumidoras.
Quais competências precisamos para atingir sucesso? Se você sabe que parte do seu público tem alguma deficiência, como apontei acima, então é mais que óbvio que para atingir o sucesso, você precisa de habilidades e conhecimentos na área de acessibilidade e inclusão, o que pode ser alcançado tanto com treinamentos da sua equipe quanto contratando uma consultoria externa para realizar estes serviços. Estamos falando em como alcançar e atender as pessoas com deficiência com serviços, produtos e comunicação acessíveis.
Como vamos superar a nossa concorrência? Se você for um pioneiro em acessibilidade no seu setor, parabéns, estará em grande vantagem competitiva. Caso seu concorrente já invista em acessibilidade, isso significa que se você não o fizer estará começando atrás. Portanto, faça. E faça melhor ainda: invista em uma acessibilidade mais criativa, que melhore ainda mais a experiência de consumo do seu produto ou serviço para todas as pessoas.
Qual empresa do mercado é um modelo de sucesso pra você? As maiores e mais admiradas empresas do mundo hoje estão investindo em acessibilidade e inclusão como forma de melhorar os produtos e as soluções. Times mais diversos são mais criativos, com mais pontos de vista. Produtos acessíveis são para mais pessoas. Microsoft e Google estão fazendo grandes avanços nessas áreas e recomendo se inspirar nas jornadas deles.
É por isso que insistimos tanto que a acessibilidade precisa ser pensada desde o começo, a ponto de fazer parte da cultura organizacional, de refletir nos planos e decisões táticas, dos processos internos e externos, da comunicação, da relação com fornecedores e parceiros.
Quanto mais fundamentalmente presente e enraizada estiver a acessibilidade dentro da sua empresa, mais liberdade criativa você terá. As ideias já nascerão com o pensamento de que aquilo é para todos, não haverá necessidade de adaptações (ou gambiarras). O budget considerará os recursos necessários (Libras, audiodescrição e legenda), sem surpresas de orçamento ou correria para aprovar com o financeiro. O consumidor com deficiência estará sempre contemplado, sem brechas para a exclusão.
É por isso que sempre repetimos: a acessibilidade é melhor quando pensada desde o começo. Por um mundo com experiências de consumo incríveis para todas as pessoas.
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Outro dia uma amiga minha me mandou ler um texto chamado “27 coisas que você faz errado e não sabia”. Sim, era uma dessas listas que bombam na internet, mas não trazem nenhuma informação útil de verdade, como por exemplo, usar a tampa do Tic Tac para pegar uma balinha ao invés de derrubar várias direto na mão – coisa que ninguém faz, pois é óbvio que queremos encher a boca do doce, né?
Infelizmente, isso não foi tudo. A descarada da minha amiga me pediu para prestar atenção em um item da lista em particular, e acrescentou: “você come banana do jeito errado”. Neste ponto preciso explicar: banana é a minha fruta favorita. Eu como pura, amassada com aveia, cozida, frita, grelhada, banana passa, em forma de doce, com sorvete, empanada… eu adoro banana. Não era possível que em mais de três décadas de vida eu estivesse comendo banana do jeito errado esse tempo todo.
Só para explicar para quem nunca viu o famigerado (e afrontoso) post das coisas erradas, ele fala que o certo é descascar a banana pela ponta da fruta, e não por aquele talo que a conecta na penca. Essa tal maneira correta seria baseada na observação de como os macacos abrem a banana.
E daí eu me peguei pensando em acessibilidade. Não em recursos de acessibilidade para abrir uma banana e nem em uma tecnologia assistiva que auxiliasse no descascamento da fruta. Nada disso. Fiquei pensando em como pode ser chato alguém vir nos dizer que estamos fazendo de maneira errada algo que fizemos durante toda a nossa vida. E o pior, se essa pessoa, como acontece muitas vezes, não tivesse conhecimento de verdade de acessibilidade e inclusão, não tivesse contato com pessoas com deficiência que comprovassem as hipóteses dela e tudo mais, e estivesse falando algo que não seja tão verdade só porque ela leu em uma lista na internet. Como você ficaria?
Porém, muitas vezes, ao contrário da banana, nós precisamos abrir a cabeça e aprender, como é o caso da acessibilidade.
Trazendo esse pensamento para o dia a dia de uma consultoria de acessibilidade, a gente geralmente vai para as reuniões com nossos clientes para mostrar o que eles estão fazendo de errado. Isso é basicamente um terço do nosso trabalho. Os outros dois são propor soluções e implementá-las. E vou dizer uma coisa: nessas horas, a gente precisa ser muito bom no que faz, muito bom mesmo. Sabe por quê?
Imagina se eu falo para o cliente que ele, um publicitário com mais de vinte anos de carreira, está comendo banana do jeito errado! Você acha que esse cara iria dar alguma moral para o que eu estou falando ou acharia que a nossa consultoria não traz nenhuma informação útil de verdade (exatamente como eu pensei do da lista das 27 coisas)?
Se você não entendeu nada, eu explico: ao contrário da banana, de fato existe o jeito certo de fazer acessibilidade. Existem regras, normas, diretrizes a serem seguidas para garantir a efetividade da acessibilidade. É preciso envolver profissionais com deficiência no processo, para que eles ajudem a pensar nas soluções que melhor lhes sirvam, averiguem todo o trabalho realizado, façam todos os testes necessários. Precisamos eliminar as barreiras de todas as etapas do projeto, sejam físicas, digitais ou atitudinais… um monte de coisas, né?
E o que acontece quando a gente fala com toda a propriedade e conhecimento na hora de apontar o erro?
Pra gente, a acessibilidade é o único jeito. É impensável que ainda hoje existam estabelecimentos onde um cadeirante não consiga entrar, sites em que um cego não possa navegar com leitor de tela, cinemas onde um surdo não consegue assistir a um filme. As pessoas com deficiência existem, elas estão entre nós, elas estudam, trabalham, lavam a louça, assistem televisão, tomam cerveja no final de semana. Então por que continuar excluindo essas pessoas? Como podemos privá-las do direito de ir e vir, do direito fundamental à informação? De fazer uma compra na internet? De pegar um táxi… é inconcebível, não acha?
Recentemente Khaby Lame ficou famoso na internet fazendo vídeos onde mostrava o jeito óbvio de fazer coisas simples que as pessoas estavam complicando. Você já deve ter visto pelo menos um vídeo dele. Há um em que um homem forte pega uma maçã e a torce com tanta força com as duas mãos que ela se parte ao meio, ao que Khaby mostra que cortar a maçã ao meio com uma faca é muito mais prático, rápido e requer menos esforço.
É assim que a gente se sente muitas vezes em relação à acessibilidade. Vou utilizar como exemplo a rampa, porque todo mundo sabe que, a grosso modo, a rampa serve para garantir o acesso de cadeirantes aos lugares, certo? Ok. Agora imagine um restaurante onde logo na entrada existe um par de degraus. Tudo o que me vem à cabeça é o Khaby apontando com as mãos para os degraus e balançando negativamente a cabeça e depois apontando para uma rampa e comprimindo os lábios, mostrando a obviedade da questão: todo mundo poderia entrar no restaurante se ali tivesse uma rampa ou, no melhor dos casos, se o restaurante simplesmente estivesse no mesmo nível da calçada.
Um exemplo é a WCAG, que explicado nas palavras deles mesmos são “diretrizes e recomendações organizadas e mantidas pelo W3C que fundamentam a construção de conteúdos digitais com qualidade e acessíveis a qualquer pessoa independentemente de sua deficiência e/ou habilidade”. Ou seja, se você quer fazer um site, um aplicativo, uma rede social, vai encontrar lá um material super simples e didático te mostrando como fazer isso de forma acessível, programando com um código limpo e bem feito. E mesmo que exista todo esse material aberto e gratuito na internet, muitos programadores ainda recorrem a difíceis gambiarras no código, criando barreiras e deixando o site inacessível. E novamente o Khaby entra em cena apontando com as mãos para o WCAG! Esse é o jeito certo, pessoal! Ou, pelo menos, o jeito mais certo conhecido até agora.
Sempre que o autor de um texto precisa explicar a moral da história, é porque ele falhou em contá-la direito, né? Eu confesso que me embananei um pouco mesmo (perdão pelo trocadilho). A minha ideia era falar que não tem problema a gente errar, mesmo fazendo coisas que a gente domina. Porém, o mais importante é reconhecer nossos erros e mudar.
Mas é preciso se atualizar, o mundo mudou para melhor, precisamos preparar o terreno para tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade forçada que a falta de acessibilidade as colocou.
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Criar um ambiente mais acessível e inclusivo é responsabilidade de todos, mas, por incrível que pareça, boa parte da população ainda desconhece as normas acessibilidade no Brasil. Por isso, as empresas que cumprem as regras estabelecidas ainda são minoria.
E as pessoas com deficiência, também por falta de conhecimento, não exigem o que é um direito garantido pela Constituição há, pelo menos, 20 anos.
Instituições públicas, privadas e do terceiro setor, funcionários contratados, terceirizados, autônomos. Não importa a sua função ou área, você precisa saber o que diz a lei de acessibilidade no Brasil e como aplicá-la no seu trabalho.
Seguindo essas normas, além de mostrar que está por dentro da lei, você estará abrindo as portas para que os consumidores com deficiência conheçam seus produtos e serviços.
Neste texto, contamos tudo sobre as regras de acessibilidade no Brasil e como ela pode impactar os seus negócios. Confira!
O poder de compra das pessoas com deficiência já foi assunto aqui do blog outras vezes. Na prática, existem mais de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, que estão dispostas a consumir os mais diversos produtos e serviços e movimentam um mercado milionário.
Só que, para que que elas possam satisfazer suas necessidades, as empresas precisam ter adaptações não só na parte física (rampas, elevadores e banheiros), mas também na forma de se comunicar com seu consumidor.
As pessoas com deficiência têm poder aquisitivo e de decisão, assim, quando elas têm a oportunidade de conhecer bem uma marca ou produto, se tornam consumidores fiéis, pois veem que o seu direito está sendo respeitado.
Mas será que o site da sua empresa possui todos os recursos de acessibilidade? E as campanhas de marketing, estão aptas para que um consumidor com deficiência veja, entenda e se interesse pelo seu produto?
Se você não sabe responder a estas perguntas, é sinal de que precisa conhecer mais sobre as normas de acessibilidade no Brasil, ou a Lei Brasileira de Inclusão.
O que elas determinam e o que deve ser feito na prática para que sua empresa seja realmente acessível? É sobre isso que vamos falar a seguir.
No ano de 2016, entrou em vigor a Lei Brasileira de Inclusão, também conhecida como o Estatuto da Pessoa com Deficiência. E ela traz avanços significativos em relação à lei antiga, que é do ano 2000.
O texto é baseado na Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência — o primeiro tratado internacional de direitos humanos a virar uma emenda constitucional —, e a principal inovação trazida pelo novo Estatuto está no conceito da palavra deficiência.
Segundo o texto, a deficiência “não é mais entendida como uma condição estática e biológica da pessoa, mas sim como o resultado da interação das barreiras impostas pelo meio com as limitações de natureza física, mental, intelectual e sensorial do indivíduo”.
Isso significa que a deficiência não é uma característica do indivíduo, sendo o “resultado da falta de acessibilidade que a sociedade e o Estado dão às características de cada um” .
A LBI defende que a deficiência não está na pessoa, e sim, no meio onde ela vive. Então, quanto mais acessos e oportunidades as pessoas com deficiência tiverem, menores serão as suas dificuldades para se locomover, se relacionar e exercer seu papel na sociedade.
Assim, seu principal objetivo é garantir que a pessoa com deficiência tenha os mesmos direitos — e, também, deveres —, de uma pessoa sem deficiência.
Veja a seguir os principais pontos do documento que podem ajudar a sua empresa a conquistar muitos consumidores com deficiência e crescer mais rápido no mercado.
Segundo o artigo 21 da Convenção da ONU, o acesso à informação é um direito fundamental de todas as pessoas, inclusive as pessoas com deficiência.
Por isso, as empresas que mantêm um site na internet são obrigadas a implantar recursos de acessibilidade. Existe um documento criado (e regularmente atualizado) pelo W3C com as diretrizes de acessibilidade para conteúdo web (WCAG), com informações técnicas e práticas de como deixar um site acessível. São princípios simples, que fazem toda a diferença. Por exemplo, colocar audiodescrição em fotos e vídeos, para que cegos e pessoas com baixa visão tenham a tradução em áudio através do leitor de tela da parte visual do site, escrever textos com uma linguagem simplificada para facilitar o entendimento de pessoas com alguma deficiência cognitiva, ou até mesmo colocar um avatar de tradução em Libras, para os surdos usuários de Libras que não são oralizados.
São chamados de tecnologia assistiva os instrumentos, recursos e serviços que proporcionam ou ampliam as habilidades das pessoas com deficiências, permitindo a realização de atividades diárias no âmbito pessoal ou profissional, isso inclui ter acesso à informação e à comunicação.
Saiba mais sobre os recursos de tecnologia assistiva aqui.
Para planejar a acessibilidade de serviços, produtos, eventos, comunicação e outras vertentes de uma empresa, é preciso considerar duas variáveis:
1) cada tipo de deficiência tem sua necessidade específica;
2) cada formato de serviço, produto, comunicação precisa ser tratado de forma diferente na hora da implementação dos recursos de acessibilidade.
Por exemplo, em um vídeo institucional com intérprete de Libras, legendas e audiodescrição, precisamos ter alguns cuidados com posicionamento da janela de Libras, o tempo onde a audiodescrição irá ser encaixada, tudo é muito mais estudado e controlado. Já em um evento, apesar de serem essencialmente os mesmos recursos, são feitos em tempo real, o que adiciona um desafio a mais, inclusive para a legenda, que precisa ser feita em alta velocidade para acompanhar o palestrante – este recurso se chama estenotipia.
O direito ao trabalho é fundamental para a dignidade humana. Sobre isso, o estatuto diz que as empresas devem promover a colocação competitiva, ou seja, oferecer aos candidatos com deficiência as mesmas condições e oportunidades que os demais.
Ao contratar um profissional com deficiência, o empresário tem que fornecer a ele todos os recursos e adaptações necessárias para que ele possa desempenhar o seu trabalho de forma satisfatória.
Porém, uma coisa precisa ficar clara: ter uma empresa acessível nem sempre é promover a inclusão. Não adianta cumprir todas as regras de acessibilidade e tratar a pessoa com deficiência com capacitismo, achando que ele não pode tomar decisões ou vai produzir menos do que o seu colega sem deficiência.
Não sabe o que é capacitismo? Assista ao vídeo abaixo, onde a Ana Clara, fundadora da Sondery, explica o significado do termo.
As maiores empresas do mundo possuem programas para atrair pessoas com deficiência, LGBTQ+, etnias, etc. Você sabe por quê? Porque a diversidade se tornou um elemento estratégico nos negócios. Os líderes das empresas entenderam que ela favorece a produtividade e a criação de novas ideias.
Portanto, para sua empresa ser mais competitiva, é preciso construir um ambiente onde todos possam contribuir e crescer juntos, independentemente de raça, religião, deficiência ou opção sexual.
Se depois de ler esse texto você percebeu de que sua empresa ainda não possui um ambiente totalmente acessível ou inclusivo, conte com a gente! A Sondery é uma consultoria especializada em projetos de acessibilidade e nossa missão é deixar seus produtos e canais de comunicação mais acessíveis!
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